A época dos Juvenis A

A época dos Juvenis A
Nem tudo (bem, quase tudo) foi mau no adiamento do desfecho do campeonato dos Juniores: permitiu-me escrever algumas linhas sobre a época... dos Juvenis A. Isto porque, como ainda não são públicas as promoções e dispensas (do passado dia 24), sinto-me à vontade para dar a minha perspectiva sobre a temporada.
Previno, contudo, que estou longe de ser a pessoa mais capacitada para ter uma opinião (fundamentada) sobre os Juvenis A. Esta época assisti a bem menos jogos deste escalão que na época anterior (e da anterior ainda menos). E por uma simples razão: os jogos dos Juvenis A punham-me os nervos em franja. Assim, depressa decidi assistir aos Juvenis B ou aos Iniciados A. Ou então dormir num Domingo de manhã, o que sabe sempre bem.
À partida para a temporada, os juvenis teriam uma equipa forte: era a equipa que mais jogadores fornecia à selecção sub-16, tinha contratado ainda 2 argentinos (Nacho Ameli e Alexis Quintulén) que, além de internacionais pelo seu país, haviam alinhado alguns jogos pelos juniores na pré-temporada e - da equipa do ano anterior - transitava aquela que seria uma das suas maiores figuras (e também internacional sub-17), William Carvalho.
O primeiro jogo a que assisti foi em Odivelas, no sintético - um campo de dimensões reduzidíssimas - e o Sporting apresentou-se com o João Figueiredo na baliza, um quarteto defensivo composto por André Oliveira, Miguel Serôdio, Josué Sá, Rui Coentrão, à sua frente jogou Tiago Feiteira a 6, Daniel Pereira a 8, Mauro Antunes a 10, William Carvalho a extremo direito e Nathan Bordignon e Matheus Coelho a alternar entre extremo esquerdo e ponta-de-lança. O Sporting ganhou esse jogo, em que jogou pessimamente e em que João Figueiredo fora obrigado a aplicar-se de uma forma que não havia visto Rúben Luís ou Pedro Miranda aplicar-se nas duas épocas anteriores.
E como todas as equipas têm dias maus, fui perseverante. Continuei a assistir aos jogos dos Juvenis A na esperança de ver o futebol fluído que costumava caracterizar este escalão. E apesar de saber que esta equipa se tinha sagrado vice-campeã de Iniciados A em 2006/07, ex-aequo com o Futebol Clube do Porto, e com Ricardo Esgaio e Altaír Júnior a serem decisivos no final da temporada, achei que tarde ou cedo se revelaria o valor desta equipa. Mas o que verificava era um futebol muito vertical, com a bola a ser pouco trabalhada no centro e com os interiores sempre muito perto dos extremos a oferecer alguma profundidade, mas pouca capacidade de circulação. O futebol do Sporting, com menos posse de bola e mais combatividade, destoava do que vira as gerações anteriores fazer. Por isso, confesso que a certa altura desisti...
Na defesa, João Figueiredo e Luís Ribeiro alternavam, sem que nenhum tivesse muito trabalho. A defesa era efectivamente sólida, com vários jogadores de valor muito semelhante: Ignacio Ameli destacava-se pelo poderio físico e a forma adulta de jogar, Miguel Serôdio era sempre titular pela sua envergadura mas deixava dúvidas na abordagem a muitos lances. Ao seu lado alternavam ainda João Freitas e Josué Sá, sendo que este último sempre me parecera mais forte que Serôdio...
Nas laterais, a primeira constatação fora de que Rui Coentrão - o dínamo da equipa nos Iniciados A - não havia crescido, sendo um jogador anormalmente baixo. A primeira vez que vi Ariclene Oliveira a derivar para a posição de defesa canhoto pensei que poderia ser uma solução, pois teria pelo menos o físico que nos Juvenis A já é necessário para ganhar partidas. Mas até ao fim do campeonato, a presença de Ariclene pareceu sempre uma adaptação, o que demonstrava alguma ausência de conforto do jogador com a posição. Já André Oliveira parecia-me ser um jogador correcto, ainda que relativamente lento a decidir. E por isso fiquei surpreendido quando verifiquei que o lateral chamado por Lima aos juniores fora Leandro Albano, que ainda não vira jogar...
Mas era do meio-campo para a frente que, na minha opinião, se suscitavam as maiores interrogações. Uma vez recuperado fisicamente, Afonso Taira agarrou a posição 6 para não mais a largar. Sem que percebesse porquê... Sendo indiscutíveis o talento e a qualidade técnica do Taira, a posição 6 (no 4-3-3 do Sporting) exigiria um jogador que fizesse a bola circular, que se posicionasse no apoio aos centrais e nas dobras aos laterais, que tivesse o fulgor físico para servir de mola para as transições. E o Taira não revestia nenhuma destas características, parecendo talhado para jogar mais à frente.
Como parceiros preferenciais, numa primeira fase da temporada, apresentavam-se Tiago Feiteira e Daniel Pereira. Feiteira desaparecia do jogo com frequência, em movimentos verticais, que me pareciam não ter sentido. Já Daniel Pereira era o único que insistia em procurar a bola e distribuir o jogo. Juntamente com Mauro Antunes, eram os únicos jogadores que procuravam fazer circular a bola rapidamente e que emprestavam combatividade à equipa.
Contudo, a ausência de soluções para as posições de extremo, bem como a presença do William Carvalho, obrigavam a que Mauro Antunes e o Tiago Feiteira fossem colocados nessa posição. E sempre com um sucesso bastante baixo, ao nível da qualidade de jogo. As outras soluções para extremo passavam por Danilo Serrano, um ex-médio centro que Nuno Lourenço começara a converter em ala na época anterior e se vinha a revelar um extremo combativo, mas com pouca capacidade de desequilíbrio, e havia ainda Alexis Quintulén, que prometia ser a figura da equipa, mas que não era flagrantemente superior aos seus colegas.
A figura central da equipa - William Carvalho - em quem eu depositava grandes esperanças, parecia ter estagnado o seu futebol. Parecia-me complicativo e lento e, contrariamente ao que se esperaria (por estar a cumprir a sua 3ª época nos Juvenis A), não assumia as despesas do jogo para catapultar a sua equipa para a frente.
Por fim, na frente, a minha expectativa inicial em ver Nathan Bordignon e Matheus Coelho resultara em desilusão, cepticismo e um enorme ponto de interrogação sobre se seriam melhores do que Peter Caraballo, que no início da temporada jogou muito pouco. Peter soube reconquistar o seu espaço jogando a extremo, algo que a sua técnica individual (e características como jogador) pareciam desaconselhar, mas soube subir a pulso e marcar golos (17).
Perante todas as interrogações que me colocava, à 45ª finta de Taira sobre o médio-ofensivo adversário (que resultara na 14ª perda de bola), resolvi dedicar a minha atenção a outros escalões. Mas sempre com atenção ao que se passava nos Juvenis A.
Os números no campeonato indicam que o trabalho, contudo, terá sido (muito) bem feito: com uma equipa de valores muito homogéneos, sem nenhum jogador verdadeiramente desequilibrador, o Sporting fez um campeonato regular - quer na fase regular, quer na fase de grupos. Ficou em 2ª posição no campeonato e venceu a 1ª fase com um registo quase imaculado. Talvez se tivesse feito apelo a jogadores com características para arriscar, nomeadamente no jogo em casa com o FC Porto, Luís Dias poderia ter tido melhor fortuna nas contas finais.
Nem todas as gerações podem entusiasmar a plateia, mas confesso que cruzei várias vezes os dedos para que Luís Dias chamasse os extremos dos Juvenis B para dar alguma magia à equipa (que bem que encaixariam o Altair, o Esgaio, o Mateus Fonseca e mesmo o João Carlos). Veremos como na próxima temporada os Juvenis A desenvolvem as suas capacidades... E estou certo que voltarei a ser espectador assíduo dos Juvenis A.
Entretanto, ainda estava este artigo no prelo, surgem notícias de que a lista de jogadores da geração de 1992 do Sporting a transitar para o escalão de juniores da próxima época serão os seguintes 15 (quinze):
João Figueiredo (GR), Luís Ribeiro (GR), André Oliveira (LD/DC), Leandro Albano (LD), João Freitas (DC), Miguel Serôdio (DC), Ignacio Ameli (DC), Ariclene Oliveira (LE/DC/MC), Afonso Taira (MDC), William Carvalho (MC), José Lopes "Zezinho" (MC), Danilo Serrano (MD/MC), Alexis Quintulén (ME), Matheus Coelho (AV) e Peter Caraballo (ME/AV).
A surpresa (positiva) de conter 3 defesas centrais (a solidez de João Freitas justifica este voto de confiança) contrasta com a surpresa (negativa) da dispensa de Mauro Antunes, um dos virtuosos da equipa. Aos jogadores dispensados, e ao Mauro em particular - por tantas vezes ter sido capitão durante esta temporada e por sempre ter revelado uma atitude exemplar, a melhor das sortes.
Texto: Pedro Fajardo.
Imagem: Academia de Talentos.
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Comentários
acho que esta equipa tem um
acho que esta equipa tem um futebol de grande intensidade, e acho q isso está bem claro para quem assistiu aos seus jogos... bem, é verdade que noutros escalões brilhou mais, mas vontade de vencer, fazer tudo para vencer, isso é uma coisa q ng pode dizer q eles não tiveram ou fizeram.
acho q a política das dispensas foi, no mínimo, estranha... pode ser q mais tarde o scp se arrependa de ter deixado fugir este rol de jogadores talentosos (e com muita vontade de vencer!)... destaco o coentrão e o mauro... dois óptimos atletas e q penso q têm qualidade para terem transitado para os juniores! mas o futebol é mm assim... no entanto, acho q ambos vão ultrapassar este obstaculo facilmente e vão mostrar noutras equipas (coentrão no varzim, e mauro ainda n se sabe) o q valem...
Não sei qual é a razão
Não sei qual é a razão para as dispensas, nem os jogadores sabem, mas quando há um consenso sobre a injustiça das decisões "algo vai mal" no Sporting. Tenho a certeza que as saídas do Coentrão e do Mauro não têm nada a ver com comportamentos desviantes, como sucedeu no passado recente com outros atletas bem conhecidos do clube. Se calhar, como gostam de dizer os técnicos, são os colegas e os adeptos que não percebem nada do assunto - eles é que têm a bola de cristal.
O Cerveira é um bom
O Cerveira é um bom extremo, mas penso que o Alexis é melhor. E não concordo que ele não deixe a pele em campo, o seu jogo tem grande intensidade, que é coisa que falta a esta equipa.
Arroja Esta epoca acompanhei
Arroja
Esta epoca acompanhei grande parte dos jogos nos varios escalões em Alcochete, os sub 16
que o Bruno Cunha fala são todos potencialmente excelentes jogadores, Ricardo Esgaio, Altair Junior, João Mario Eduardo, Rodolfo Simões, Mateus Fonseca e Alberto Coelho todos campeões nacionais de iniciados na epoca passada vindos de trás e conseguindo se-lo com todo o mérito mostrando sempre forte evolução.
Ao contrario, os actuais sub 15 tinham tudo para se repetir o titulo desse escalão mas não foi assim pois começaram demolidores e foram caindo até serem ultrapassados na fase final, deposito grande esperança em alguns jogadores deste escalão Rui Bento, Tobias Figueiredo, Eric Dier, Luís Cortez, Filipe Chaby, Antoninho Silva, Bruma, Iuri Medeiros e Alexandre Guedes com outro tipo de orientação e mais humildade têm tudo para poderem triunfar neste futebol que tudo vale para se ganhar.
Nota: Bruno no SCP raramente se utilizam jogadores do escalão inferior, nos outros diz-se queimar etapas mas lá bem no fundo eles sabem bem porque o fazem !
Um abraço.
Realmente a dispensa do
Realmente a dispensa do coentrão é de deixar qualquer um de boca aberta, mas muito sinceramente tem lógica e não me preocupa... Espero ate q o proprio coentrao brilhe até no varzim para saltar logo para o dragão :)
caros seguidores dos jogos
caros seguidores dos jogos desta equipa: tenho uma duvida que quero que me esclareçam?? pelos poucos jogos que vi na 3ºfase gostei bastante das exibiçoes do extremo tiago cerveira e nao achei inferior ao alexis quintulem. logo a partida o tiago tem dois pontos a favor e portugues e é sportinguista desde pequeno(li numa entrevista a um site).
depois a garra demostrada em campo e incomparevel. o tiago pelos jogos que vi deixa a pele em campo enquanto o alexis nao...sera falta de amor a camisola devido a ser estranjeiro? nao sei...e quanto aos aspectos tecnicos/taticos estes jogadores sao equivalentes! eu pelos jogos que vi e pelas razoes apresentadas em cima prefiro o tiago cerveira mas queria pedir a voça opiniao sff!?? nao seria altura do sporting dar o exemplo e apostar em jogadores portuguses? quem sofre sao as selecçoes jovens de portugal e posteriormente a selecçao A.
queria desejar sorte ao rui coentrao que me parece que vai ser um futuro jogador de 1ºliga.
saudaçoes leoninas
Realmente o cerveira apesar
Realmente o cerveira apesar da baixa estatura, é um extremo puro e q desequilibra... Mas fique descansado q ele nao vai dequilibrar de verde, mas de certo vai desiquilibrar noutra equipa de bom nível de certeza :)
Desde cedo pensei que o
Desde cedo pensei que o Sporting apenas iria deixar escapar o título de juvenis, pondo as mãos no fogo pelos juniores e iniciados! Mas por diferentes circunstâncias não ganhámos nada!
Em relação aos dispensados, surpreende-me que sejam tão poucos!
Honestamente esperava apenas a continuidade de:
João Figueiredo; Leandro Albano ou André Oliveira; Miguel Serôdio; Ignacio Ameli; Rui Coentrão ou Ariclene Oliveira; Afonso Taira; William Carvalho; Zezinho e Alexis Quintulén.
Ainda hoje não consigo perceber como os sub 16 João Mário, Altair Junior, Ricardo Esgaio e Alberto Coelho não foram uma aposta consistente nos sub 17.
Se o Junior e o Esgaio foram decisivos nos sub 15 quando eram sub 14, certamente também o seriam nos sub 17. Aqui tenho de elogiar o departamento de formação do SLB, pela aposta no sub 15 Sancidino (já para não falar do sub 16 toni sá que foi desviado para o chelsea mas estava integrado nos sub 17)
Tal como o Arroja comentou, a ausência do william carvalho por lesão e o desgaste do alexis foi decisivo, mas indiscutivelmente vários jogadores deste plantel não tinha qualidade para transitar de escalão e continuar no sporting.
Rui Coentrão é um belo lateral esquerdo, mas a estrutura fisica vai ser uma entrave para se afirmar no futebol de alta competição. Acho que neste momento é superior ao Ari, mas no futuro este poderá ser um caso sério. A primeira vez que o vi lembrei-me do Abidal!
Tenho pena que nunca tenha sido possível ver em campo:
João Figueiredo
André Oliveira
Ignacio Ameli
Miguel Serôdio
Rui Coentrão
João Mário Eduardo
William Carvalho
Zezinho (pena a inscrição tardia)
Altair Junior Ou Ricardo Esgaio
Betinho
Alberto Coelho
Arroja Meus caros amigos,
Arroja
Meus caros amigos, não fosse a lesão de william Carvalho e a ausencia prolongada de Alexis Quintulén ao serviço da Seleção não tendo vindo nas melhores condições e, estariamos todos a dizer que esta equipa era de grande qualidade.
O gabinete do Sporting anda
O gabinete do Sporting anda distraido o miudo Coentrao é maquina!parece-me ser muito superior ao ariclene!o mauro é um cerebro nao merecia!
enquanto ao nathan esperava-se muito dele! mas .Alguem sabe do daniel pereira que é bom jogador,o tiago cerveira extremo puro!
O nacho é um senhor!..o Alexis esperava muito dele contra o slb..e na fase final!
nao percebo o porque de muitos centrais?
serodio,ameli,REIS,matheus,Alves lugar garantidos!...
freitas e andre oliveira nao me convenceram!
a luta pro ano sera baliza,e avançados onde o AMido ja tem lugar! e no meio campo!
O LUis oliveira fika?..o henrique sera que convence? Sera que O ZAhavi vai fazer a
epoca da afirmaçao? VEREMOS
realmente desapontado com as dispensas!..e dpois vai tudo parar ao braga!
saudaçoes!
Gostei do artigo, e concordo
Gostei do artigo, e concordo que a equipa de Juvenis A praticava um futebol muito feio. Comparar esta equipa com o deleite para os olhos que eram os Iniciados A, ou com a máquina bem oleada que eram os Juvenis B...não tinha comparação.
Agora essa de dizer que o Alexis não era muito melhor que os companheiros... O melhor futebol que vi neste escalão veio dos pés dele ou do Mauro Antunes. Concordo com o que diz sobre Nacho, sempre me pareceu um pouco nervoso, apesar de claramente ter talento. Já o Afonso Taira...diga-me, quem é que queria na posição 6? O André Oliveira? Ou talvez o Zezinho? Para mim, o Taira esteve lá muito bem, e nem tão-pouco vi essas "fintas" de que fala...
Em relação às dispensas, é pena serem baseadas na altura, porque o Coentrão é um valor que o Sporting está a deixar escapar...daqui a três anos surge na equipa principal do Porto, e depois é "ah, e tal, já foi nosso...". Quanto aos restantes, creio que Nathan era (é) um jogador superior a Matheus Coelho, e quanto ao Mauro Antunes, foi de facto uma pena. Trata-se de um jogador que deixa a pele em campo, para além de disciplinado e com capacidade de liderança.
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