Calmamente se construiu a vitória
CALMAMENTE SE CONSTRUIU A VITÓRIA
Clube Desportivo Nacional 0-4 Futebol Clube do Porto
Numa deslocação sempre difícil ao terreno do Nacional da Madeira era expectável um jogo difícil e de intensidade elevada para o FC Porto, sabendo também que SC Braga e Sporting se afastaram em termos pontuais ainda que em direcções diferentes, o SC Braga aumentou a vantagem e o Sporting podia ficar mais longe na tabela com uma vitória da equipa Portista. O árbitro da partida foi Carlos Xistra.
O último resultado da equipa portista para o campeonato foi um empate em casa frente ao Paços de Ferreira por 1-1, no entanto a equipa de Jesualdo Ferreira venceu os seus jogos para as Taças eliminando nos penaltis após empate a 2-2 o Belenenses na Taça de Portugal e venceu 0-2 a equipa do Estoril na Taça da Liga. A equipa portista perdeu apenas 1 dos seus últimos 13 jogos estando há 8 jogos sem perder.
Em relação aos jogos fora a equipa do FC Porto mostra claramente ter mais dificuldades, nesta temporada em 21 pontos possíveis de alcançar fora de casa o FC Porto obteve 10, já perdeu por 3 ocasiões, em Braga, na Luz e com o Marítimo. Dos três primeiros classificados o FC Porto aparece em 3º exactamente pelos resultados negativos fora de casa sendo a equipa que mais perde.
Jesualdo apresentou algumas alterações forçadas devido a castigos e lesões, no centro da defesa Maicon foi titular frente à sua antiga equipa e o mesmo aconteceu com Rúben Micael, de resto entrou em campo o onze base da equipa.
A primeira meia hora de jogo foi equilibrada, a equipa do Nacional da Madeira mostrou ser guerreira e pressionante a nível do meio campo mesmo sem Rúben Micael, agora do outro lado, Edgar foi criando algumas dores de cabeça à defensiva portista e a velocidade de João Aurélio muitas vezes evitou subidas de um Fucile preocupado com as suas acções. Aproveitou para aparecer mais no ataque Álvaro Pereira apoiando Cristian Rodriguez, substituído aos 19 min. por Mariano, em situações de 2x2 ou até mesmo em acções individuais. Numa dessas acções o jogador uruguaio acabou mesmo por ganhar um penalti a Alex Bruno, acabando mesmo por ter sido expulso o mais recente reforço dos madeirenses. Na conversão do castigo máximo, Silvestre Varela não perdoou e fez o 0-1.
A verdade é que depois de aberto o marcador e de se encontrar com um jogador a mais em campo o FC Porto ficou mais tranquilo e sereno, o jogo descomplicou a nível do meio campo com a equipa da casa a perder agressividade e a logicamente ocupar menos espaços abrindo caminhos a subidas de desequilíbrios por parte dos laterais portistas. Rúben Micael esteve em destaque na equipa azul e branca, o médio recém chegado ao clube validou em campo a aposta nele feita, é um médio que faz jogar a equipa à sua volta, defende e ataca de forma segura, desequilibra jogos com a sua capacidade de passe e fê-lo sem grandes exuberâncias porque o faz de uma forma tão natural que não é preciso inventar nada.
O jogo baixou de ritmo e intensidade, os tempos de jogo eram geridos pela equipa visitante que bem perto do intervalo, óptima altura para marcar, volta a mexer no marcador após um cabeceamento de Falcao sem hipóteses para Bracali num lance construído por Rúben Micael, centro de Álvaro Pereira em apoio ao ataque novamente e finalização do ponta de lança.
No segundo tempo praticamente só deu FC Porto, numa metade em que a equipa portista aproveitou para rodar alguns jogadores e aplicar processos simples em campo. Grande partes das acções ofensivas da equipa basearam-se em rodear a área do Nacional e através de combinações em tabelas rápidas ou passes curtos laterais até encontrar espaços de cruzamento para chegar a situações de finalização.
A equipa azul-e-branca chegou naturalmente ao 0-3 por intermédio de Falcao aos 62 minutos correspondendo o ponta de lança a um cruzamento rasteiro da esquerda de Álvaro Pereira. Notava-se um Nacional algo perdido em campo, mentalmente atingido pelo lance da primeira parte da expulsão do seu jogador, a equipa de Manuel Machado regressado ao banco nunca deu uma verdadeira réplica ao adversário. O FC Porto ainda fez mais um golo desta vez através de Varela que aproveitou o muito espaço dado pela defesa do Nacional para calmamente receber um passe de Rúben Micael para a área, contornar o guarda-redes e encostar para o fundo da baliza. Jesualdo ainda meteu em campo Tomás Costa e Orlando Sá.
O FC Porto conseguiu assim 3 pontos num campo tradicionalmente difícil aproveitando bem a situação do primeiro golo para calmamente construir o restante resultado. A equipa nunca precisou de aumentar muito a sua velocidade em campo e teve um processo de jogo simples, apoiado nos desequilíbrios que os laterais foram dando ao longo do jogo em alguns momentos e na capacidade natural de Rúben Micael em tornar qualquer lance numa acção ofensiva perigosa. O médio acabou mesmo por estar envolvido nos quatro golos da equipa e mesmo não tendo marcado nenhum golo, foi um dos maiores destaques do encontro.
Texto: Paulo Duarte (Treinador de Futebol).
Imagem: GREGORIO CUNHA/AFP/Getty Images.
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