Campeões antecipados

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Sáb, 27.06.2009

Campeões antecipados

Sábado, às 17h00, em Alcochete, disputa-se um jogo que me diz muito: a geração de 1990 do Sporting Clube de Portugal joga o seu último jogo nos escalões de formação e prepara-se para se lançar no futebol profissional. Pelo percurso brilhante que tiveram até agora, seria justo que fechassem o seu trajecto com chave de ouro, com (mais um) título de campeões nacionais. O título arrancado a ferros quando eram Juvenis A, em 2006/2007, poderá repetir-se em caso de vitória. Para já - e antes das 19h - apenas sabemos que o título ficará bem entregue.

Há alguns meses atrás, quando a equipa de Juvenis A foi vencer o Benfica ao campo dos Pupilos do Exército, a equipa de Juniores passava por uma má fase. Acumulava maus resultados e o Belenenses não desarmava na frente. Nesse dia um amigo meu perguntou-me o que achava dos Juniores. Disse-lhe que achava que seriam campeões.

Então como agora, não tinha dúvidas: a equipa era praticamente a mesma que, dois anos antes, se tinha sagrado campeã em Guimarães. Mas mais adulta. Aliás, tal como o principal adversário, o Sport Lisboa e Benfica. Já então o confronto me parecia reduzido a estas duas equipas. Só que tinha a segurança que, nos confrontos entre ambos, o Sporting era dominante. Daí a minha convicção.

Mas essa convicção residia também na certeza de que a equipa que alinhará no Sábado conta com muitas certezas do futebol.

A começar pela baliza, o Sporting conta em Victor Hugo Golas um excelente guarda-redes para a sua idade, superior em todos os aspectos a Rui Patrício quando tinha a sua idade: na maturidade que revela entre os postes, nos reflexos, no comando da linha defensiva. Não sendo um jogador feito, capaz de merecer a confiança cega de um treinador numa 1ª divisão, Victor Golas tem tudo para vir a ser excelente no futuro e deixar a baliza do Sporting bem protegida durante muitos anos.

À sua frente alinha um quarteto que se conhece há muito. Não escondo de ninguém que, se há dois jogadores por quem meteria as mãos no fogo, pela atitude profissional, pelo exemplo, pela liderança e inteligência em campo, pelas qualidades e aptidões para as posições específicas que ocupam, os seus nomes são Cédric Soares e Nuno Reis. Tenho poucas dúvidas que Nuno Reis será, a prazo, titular da selecção nacional, como tem sempre sido. Contra Cédric joga a sua altura, que compensa com a inteligência e colocação. Cédric será a mistura de Rodrigo Tello e de Rui Jorge no futuro. Dada a maturidade competitiva de cada um, não teria dúvidas em procurar que desde já experimentassem o futebol sénior.

A acompanhá-los estarão Pedro Mendes e o Michael Santos. Pedro Mendes é um central diferente, cuja evolução a nível técnico tem (aparentemente) encantado os responsáveis leoninos. Acredito muito no seu potencial, mas acho que ainda tem de crescer fisicamente, assim como em alguns aspectos competitivos, para revelar todo o seu potencial. Quando souber aplicar o seu físico, no que lhe será muito importante habituar-se ao duro jogo das divisões inferiores, Pedro Mendes poderá aliar os pezinhos de lã com que sempre pretende jogar, para se tornar num central completo. Não antevejo um futuro tão risonho a Michael, mas estou certo que - com perseverança - chegará a um nível elevado no futebol profissional. Tenho ainda pena de que Bruno SimõesFilipe Paiva (e mesmo Pedro Miranda, que estará do outro lado da barricada) já não façam parte deste grupo, porque o percurso que fizeram de leão ao peito merecia que conquistassem mais este título.

À frente deste quarteto defensivo - na minha opinião, o mais equilibrado em Portugal (embora o do Benfica também seja forte) - jogarão Diogo AmadoAndré Martins. Diogo Amado não merecia o azar das lesões que teve nestes 3 últimos anos, que vieram entravar a evolução de um jogador que me havia encantado no primeiro jogo que o vi fazer, em Odivelas contra o Benfica. Um trinco de sentido posicional excepcional, um trabalhador incansável para a equipa, uma referência para os colegas, que precisa apenas ajustar o seu tempo de passe para ser um valor indiscutível. Ao seu lado (à sua frente, em todo o lado) estará André Martins, parceiro de todas as lutas, um jogador de qualidade inversamente proporcional ao tamanho, que fez por merecer todas as oportunidades de jogar num clube que ofereça futebol ofensivo e qualidade técnica, um clube como o Sporting. Há poucas formas de descrever com justiça o André Martins. A melhor talvez seja a forma como soube conquistar-me, céptico que era por causa da limitação da sua altura. André já conseguiu mostrar que está preparado para ser o tal "Moutinho II".

O terceiro lugar no meio-campo é uma incógnita. Creio que Lima optará pela pujança física do Renato Neto, por oposição à magia africana do Rabiu Ibrahim. Qualquer uma das soluções é muito forte a este nível, a primeira pela capacidade de choque que oferece à equipa, a segunda pela capacidade de toque. Ambos ainda procuram uma adaptação plena aos ritmos do futebol europeu - ainda que de formação - mas ambos podem facilmente decidir uma partida.

O terceiro lugar do meio-campo (ou quarto, caso se decida jogar no 4-1-2-1-2 que tem sido utilizado ultimamente) pode ainda pertencer a Diogo Rosado, um jogador de quem há muito digo que uma carreira à imagem da de Pedro Barbosa será um insucesso. Rosado tem capacidade para muito mais, assim saiba crescer física e tecnicamente e sobretudo na sua abordagem ao jogo, na maturidade competitiva. Todos os sportinguistas esperam o Rosado dos grandes jogos, aquele que assume a bola e os desequilíbrios, aquele que decide os jogos. Oxalá seja assim no próximo Sábado.

À sua frente estará Wilson Eduardo, que deverá estar a provocar pesadelos a Abel Pereira e (ainda mais) cabelos a João Alves. Pouco mais posso acrescentar ao que já disse sobre Wilson. Posso apenas esperar que esteja em (mais uma) tarde inspirada e que os seus colegas saibam canalizar muitas bolas para aquele flanco esquerdo, onde cairá inevitavelmente. A acompanhá-lo poderá estar Amido Baldé, que empresta físico e competitividade e que desgasta as defesas no seu jeito particular. Mas poderia ainda ser o Renato Neto a emparceirar na frente de ataque, como contra o Vitória de Guimarães. A qualquer um deles pede-se apenas que liberte espaços para que Wilson possa explorar com a sua velocidade.

A chave do jogo do Sporting estará na capacidade de encontrar esta arma letal. Caso Rosado e André Martins o saibam encontrar, o Sporting marcará. Se será suficiente, saber-se-á no fim. Uma coisa é certa, para mim já são campeões. Força leões!

Texto: Pedro Fajardo.
Imagem: Academia de Talentos.

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