Entrevista com Fábio Faria
Aos 20 anos, FÁBIO FARIA é o jogador mais utilizado do Rio Ave, cumpriu sempre os 90 minutos, a equipa está bem posicionada na tabela e tem a terceira defesa menos batida do campeonato a par do FC Porto e Sporting CP.
Aproveitando esta assunção no campeonato, como se define o defesa-central Fábio Faria, principalmente, agora que está prestes a actuar perante uma plateia como a da Luz?
Sou um defesa-central esquerdino e isso é um aspecto raro no futebol português, logo é uma mais-valia para mim. Considero-me um jogador rápido, apesar de algumas opiniões contrárias e acho que sou forte no jogo aéreo, embora isso ainda não se tenha reflectido em golos.
Na época passada chegou a cumprir uns minutos num jogo da Carlsberg Cup frente ao Marítimo SC. Esta temporada é titular indiscutível. O que é que mudou de um ano para o outro?
Mudou muita coisa. O ano passado foi um ano de experiência, vinha dos juniores onde estava habituado a jogar regularmente e cheguei a uma nova realidade, quando deixei de jogar com essa regularidade. Foi um período complicado mas que serviu para eu crescer e evoluir. Esta época, como já referi anteriormente, o mister deu-me a oportunidade e só com muito trabalho foi possível conquistar a titularidade. Por isso, penso que já conquistei o respeito dos meus colegas e dos meus adversários também.
Durante a preparação desta temporada, contava com estas prestações do Rio Ave FC e do Fábio Faria, em particular?
Sim. Em termos colectivos, penso que formamos um grande conjunto. No início da época, o mister teve a preocupação de preencher o plantel com dois jogadores para cada posição, todos eles com grande qualidade e por isso a equipa está bem classificada e a jogar tão bom futebol. Temos um bom plantel e um bom balneário.
Em termos individuais, trabalhei bastante para chegar onde cheguei, mas sinceramente, não pensava que a ascensão fosse tão rápida.
Qual é o ponto forte deste Rio Ave?
É o conjunto da equipa. Nós somos muito consistentes e existe uma grande entreajuda entre nós e isso faz com que sejamos uma boa equipa.
Foi fácil lidar com o assédio de outros emblemas, alguns deles sonantes, principalmente, a partir do momento em que esse assédio passou a ser declarado como o próprio Fábio admitiu?
No início, quando surgiram as notícias acerca interesse do SL Benfica na minha contratação, fiquei um bocado embaraçado. Comecei a jogar há pouco tempo e o interesse de um clube como o SL Benfica mexe sempre connosco. Obviamente, fiquei muito feliz com isso e só me deu mais força para trabalhar.
Agora que está tudo oficializado, sente-se com mais força para o que falta do campeonato, ou existe o receio de que, num momento menos bom do Rio Ave, possa servir de bode expiatório, por eventual displicência ou descontracção?
Ainda não está tudo oficializado. Ainda faltam acertar uns pormenores. Sinto-me cada vez mais motivado. No início do campeonato, ainda sentia algum nervosismo natural mas agora não, muito pelo contrário. Com o decorrer dos jogos, a motivação é maior. Acho que é uma situação benéfica para mim, sinto mais confiança no meu trabalho.

DO BASQUETE PARA O FC PORTO
O Fábio tem tido um rendimento muito positivo e regular ao longo desta temporada. Que conselhos é que dá o pai Chico Faria nesta matéria, ele que é uma ex-glória do Belenenses?
O meu pai diz-me para eu continuar a trabalhar da forma como eu tenho feito. Para manter a humildade, porque só assim é possível ir longe na carreira. Ele foi avançado e dá-me umas dicas sobre os comportamentos dos avançados.
Foi ele o responsável pelo Fábio ter escolhido jogar futebol? Como é que começou a carreira de futebolista?
Tudo começou aos doze anos. Eu jogava basquete e o meu pai não queria que eu fosse jogador de futebol, porque queria que eu seguisse os estudos. Depois de seis anos como jogador de basquete, tive a oportunidade de ir jogar para o FC Porto. Foi aí que começou o futebol.
Mas como é que surgiu essa motivação para ir jogar futebol?
Num piquenique, que habitualmente fazíamos às Segundas-feiras, com a família do Hélder Postiga, que é sobrinho da minha tia. Tínhamos o hábito de jogar futebol e o pai do Postiga achou que eu tinha jeito para a coisa e falou com os directores do FC Porto, mas sem nos dizer nada. Passados dois ou três meses, estava eu no carro com o meu pai quando telefonou um director do FC Porto, a perguntar se eu queria ir lá treinar à experiência. O meu pai perguntou se era para o basquete, mas eles disseram que era para o futebol, o que até nos deixou um bocado surpreendidos, visto que eu nunca tinha jogado futebol em competição.
Acabei por ir ao FC Porto treinar. Lembro-me que na altura, tinha a mania dos equipamentos largos típicos do basquete e foi assim mesmo que apareci no primeiro treino. O pessoal ficou todo a olhar para mim.
Cumpri uma semana de treinos e no fim dessa semana abordaram o meu pai e disseram-lhe que queriam ficar comigo.
Como é que descreve o percurso no FC Porto? Foi sempre defesa-central?
No FC Porto, comecei a médio esquerdo ou a médio ofensivo, porque era um jogador alto e eles apostavam em mim no meio campo. No primeiro ano de Juvenil, fui para o Padroense e aí fui adaptado a defesa-esquerdo e só no Rio Ave é que me fixei como defesa-central.
Quais foram os momentos mais marcantes vividos ao serviço do FC Porto? Ou foi uma experiência demasiado curta para poder exprimir uma opinião verdadeiramente sentida?
Sem dúvida, que foi uma experiência demasiado curta. Foram os meus primeiros três anos no futebol e naquela altura ainda tinha muito por evoluir. Aprendi bastante no FC Porto, mas os meus pontos altos foram todos no Rio Ave FC.
Sente que foi o facto de não lhe terem descoberto mais cedo as capacidades enquanto defesa-central, que contribuiu para a dispensa do FC Porto?
Não sei. Naquela altura, nem eu sonhava ser defesa-central. Inclusive, quando isso aconteceu tive vontade de deixar o futebol.
O Fábio tem 1,90m (84kg) e é um jogador possante e forte no jogo aéreo. Teve sempre essas características, mesmo quando era mais novo?
Sim. Sempre fui alto e o facto de ter jogado basquete também ajudou ao crescimento. Sempre fui dos mais altos da equipa, eu e o ANDRÉ PINTO, que agora actua no Vitória de Setúbal. Por isso, sempre me destaquei em termos físicos e acho que é um dos meus pontos fortes.
Actuou três épocas no FC Porto, depois foi para o Rio Ave no segundo ano de Juvenil. O que é que faltou para haver continuidade no FC Porto? Explicaram as razões para a saída?
Quando fui adaptado a defesa-esquerdo cheguei a ser o segundo melhor marcador da equipa, com 16 golos. Parecia estar tudo encaminhado para dar início a uma nova época ao serviço do FC Porto, mas no primeiro treino da época vi que o meu nome constava da lista de dispensas. Passado uma semana, o mister Ilídio Vale reuniu-se comigo e com mais cinco jogadores e disse-nos que já não contava connosco e que podíamos procurar clube. Não nos disse mais nada, apenas isso.
Como é que sentiu essa situação?
Senti-me muito mal. Só me apetecia desistir do futebol e cheguei a pensar em voltar para o basquete. No entanto, tinha alguns amigos a jogarem no Rio Ave FC e acabei por ir lá treinar e continuar no futebol.

A AFIRMAÇÃO EM VILA DO CONDE
O Rio Ave FC foi uma escolha óbvia, pelo facto de ser natural de Vila do Conde, ou considerou outras hipóteses na altura?
Foi uma escolha que teve muito de pessoal. Tive a hipótese de representar o Rio Ave FC e Varzim SC, mas o facto dos meus amigos alinharem pelo Rio Ave pesou na minha decisão. E o facto do Varzim jogar no pelado e o Rio Ave no sintético, também ajudou à decisão (risos).
E como é que correu essa adaptação à realidade Rio Ave?
Lembro-me que, no primeiro treino, o mister me perguntou a que posição queria jogar e eu respondi, que queria jogar como ponta-de-lança. Na altura, queria era fazer golos. Passados dois dias, o mister anunciou a equipa que ia jogar um amigável e colocou-me a defesa-central. Fiquei com uma enorme azia e disse-lhe que não queria actuar naquela posição, mas ele disse-me que era ali que ia fazer carreira e ganhar muito dinheiro. Nesse jogo, nem corria e deixava os adversários passarem por mim. No final do dia, cheguei a casa e disse aos meus pais que ia voltar para o basquete. Estive uma semana sem ir aos treinos, mas o Francisco Costa, que era o meu treinador nos Juvenis e, actualmente, é preparador físico dos seniores, conhecia os meus pais e falou com eles e lá me convenceram a voltar aos treinos. Acabou por ser a melhor coisa que eu fiz.
Ao longo da formação no Rio Ave, quais foram os melhores momentos, colectivos e individuais?
O meu primeiro ano correu-me muito bem. A adaptação não podia ter corrido melhor e a meio da temporada, comecei a jogar pelos Juniores, com o Fábio Coentrão e o Vítor Gomes, que ainda joga comigo nos Seniores, pelos quais assinei no final dessa temporada.
O outro ponto alto, aconteceu quando fui chamado à Selecção Nacional de Sub-18.
Durante este período, teve algum convite para sair do Rio Ave FC?
Sim. No meu primeiro ano ao serviço do Rio Ave, o FC Porto voltou a abordar a minha família no sentido de voltar ao clube, mas eu não quis porque na altura ainda estava magoado. Preferi assinar contrato profissional com o Rio Ave.
A passagem dos Juniores para os Seniores coincidiu com o momento em que deixou de ser presença assídua nos eleitos do treinador. Como é que viveu esse período? Chegou a equacionar a saída do Rio Ave ou já estava preparado para esta situação?
Assinei contrato profissional com o Rio Ave logo no meu primeiro ano de Júnior e já treinava com o plantel principal há dois anos, por isso, pensei que na minha época de estreia fosse uma opção para o mister João Eusébio. Isso não aconteceu. Eu trabalhava afincadamente todos os dias, mas a oportunidade nunca chegou, sentia que eram sempre os mesmos convocados. É verdade que nesse ano, os resultados desportivos não ajudavam à integração de um jovem na equipa. Sempre que saía a convocatória e via que não era convocado, chegava a casa e chorava. Sentia que o meu trabalho não estava a ser reconhecido. Os meus pais ajudaram-me muito nesse período, diziam-me para continuar a lutar que a oportunidade ia surgir.
Em Dezembro e numa fase complicada para o clube, pois estávamos abaixo da linha de água, chegou o mister Carlos Brito, que me deu confiança para o futuro. Chegou a colocar-me num jogo da Taça da Liga e as coisas até correram bem nesse jogo, ganhamos 2-1 ao Marítimo SC. Foi o único jogo que fiz, mas o mister deu-me sempre muita moral ao longo de toda a época e este ano decidiu apostar em mim. Só tenho que lhe estar grato por isso.
Este momento de transição (dos Juniores para os Seniores) é um momento decisivo, mesmo para os mais talentosos. Tendo em conta a experiência vivida pelo Fábio, quais são os aspectos do jogo que tornam mais difícil essa afirmação?
Essa passagem é um momento muito importante. É extremamente importante que o jogador continue a ser utilizado, mesmo que tenha de ser emprestado a um clube de menor expressão. Deixamos de jogar com jogadores da nossa idade para jogar com jogadores mais velhos, e por isso é muito importante jogar e ganhar ritmo e experiência. Cheguei a sugerir à Direcção o empréstimo, mas optaram por não o fazer, pois podia acontecer alguma lesão e precisavam de mim para qualquer eventualidade desse género.
São, essencialmente, os aspectos físicos que tornam mais complicada a afirmação?
Sim. São pessoas mais velhas, com mais experiência. O futebol torna-se mais agressivo e mais rápido e são esses os principais aspectos que dificultam a adaptação.
No meio de tudo isto, como é que foi conciliar a carreira de futebolista com a carreira de estudante? Quando é que sentiu que ia ser jogador profissional de futebol?
Aos dezasseis anos, já tinha assinado contrato de formação com o Rio Ave. Nessa altura, ainda estudava e apesar de termos treinos de manhã e de tarde, o mister João Eusébio deixava-me faltar a alguns treinos por causa dos estudos. Quando passei a integrar o plantel principal, as coisas tornaram-se mais complicadas. Já era profissional e tinha de trabalhar para conquistar o meu lugar, por isso, optei por deixar os estudos.
Vila do Conde tem sido uma cidade em destaque, no que respeita à exportação de jovens talentos. Na sua opinião, qual é o segredo para isso?
Em Vila do Conde e mesmo na Póvoa de Varzim, existe uma grande franja de pessoas que vive muito o futebol. Os jovens estão sempre a jogar futebol e fogem da escola para o poderem fazer. Penso que esse espírito, aliado ao talento natural que existe em Vila do Conde, é um dos segredos.
O Fábio Coentrão é um desses casos e vai ser seu colega no SL Benfica. Já conversaram sobre a transferência para o Benfica? Acha que vai ser uma ajuda preciosa no processo de adaptação?
Sim. Já tive oportunidade de falar com ele. Ligou-me a perguntar se eram verdade as notícias da transferência para o Benfica. E se assim fosse, para eu não me preocupar, que ia encontrar um balneário excelente, que não ia haver problemas e se, eventualmente, acontecesse alguma coisa, que era só falar com ele que ele resolvia (risos).
Em relação aos actuais colegas, como é que lidou o balneário com as notícias da transferência?
Brincam todos comigo. Agora dizem que sou o jogador de dois milhões. Ainda há uns dias atrás, tive uma pequena lesão e fui para o balneário colocar gelo. Ao verem isso, os meus colegas disseram que agora ninguém me pode lesionar, pelo menos até à transferência estar concluída (risos).
Dois milhões de euros são números que pesam?
Não. A verdade é que não estava à espera de ser vendido logo na minha época de estreia, muito menos por esses números. Mas só posso estar muito orgulhoso por isso e o Rio Ave também merece.
Qual é o jogador referência no Rio Ave?
O Gaspar. Actua ao meu lado e é um jogador com muita experiência, inclusive, já passou pelo FC Porto. Isso ajuda-me muito, pois dá-me conselhos valiosos.
Relativamente a treinadores, existe algum que considere como o mais importante na sua carreira?
O mais importante foi o Francisco Costa, que me treinou nos Juvenis e me fixou como defesa-central. Se não fosse ele, não estava aqui a esta hora e se calhar até tinha optado por jogar basquete. E o mister Carlos Brito também, pela oportunidade que me deu.

NA ÓRBITRA DOS GRANDES
O Jorge Jesus é considerado um dos mais exigentes técnicos do futebol português. Já tem uma opinião formada sobre o seu futuro treinador?
Sim. O Gaspar já me falou muito bem do mister Jorge Jesus, pois já foi treinado por ele no Belenenses. Disse-me que quando lá estiver, vou poder comprovar que tudo o que ele me disse acerca do mister era verdade.
Tacticamente, o Gaspar diz-me que foi o melhor treinador com quem já trabalhou. Foi dos treinadores que mais lhe ensinaram e por isso estou na expectativa.
O próprio Jorge Jesus chegou a admitir publicamente, querer contratar o Fábio para o Belenenses. Curiosamente, numa fase em que nem era utilizado na equipa principal. Gostava de ter saído nessa altura para o Belenenses?
Nessa altura, o Belenenses chegou a abordar o meu pai no sentido de me transferir para lá, mas pensavam que era um jogador livre. A partir do momento, em que souberam que tinha contrato com o Rio Ave desistiram da contratação, mas a minha continuidade em Vila do Conde foi a melhor opção.
O Fábio disse, anteriormente, que a transferência para o SL Benfica ainda não está oficializada. Mas, partindo do pressuposto que já está consumada, o Fábio vai manter-se no Rio Ave até ao final da temporada ou esse é um assunto que ainda não está definido?
Não sei (risos).
Mas olhando para a concorrência, com jogadores como o Luisão, o David Luís, o Sidney e o Miguel Vítor, o Fábio queria ingressar no plantel do SL Benfica já em Janeiro?
Penso que tenho tempo para chegar ao plantel do Benfica. O clube está bem servido de defesas-centrais. Tem o Luisão, o David Luís, o Sidney e o MIGUEL VÍTOR, que é meu colega na Selecção, e por isso acho que era complicado afirmar-me de imediato no Benfica.
O Jorge Mendes foi o empresário responsável pela mediação do negócio. Quando é que começou a vossa relação?
Foi no primeiro ano de Júnior, quando assinei pelos Seniores. Fizeram algumas observações e surgiu a hipótese de me encontrar com o Jorge Mendes. Tive a sorte de ter sido o primeiro empresário que me apareceu.
Como é que se sente um jogador, que acaba de assinar um contrato com um empresário com uma carteira de jogadores ilustres e que, provavelmente, é o empresário que mais dinheiro movimenta no futebol mundial? É a certeza de que vai ter uma carreira de sucesso?
Depois de assinar contrato com o Jorge Mendes, fiquei nas nuvens. Mesmo na escola, quando me perguntavam quem era o meu empresário, eu gabava-me de poder responder que era o Jorge Mendes e as pessoas associavam sempre ao empresário do Cristiano Ronaldo. Penso que é um empresário que faz milagres e trabalha muito em prol dos jogadores.
Durante estes últimos dias, em que foi notícia pelo interesse do Benfica, falou-se também na possibilidade do Paris Saint-German avançar para a sua contratação. É verdade?
Desconheço o interesse do PSG. Soube que o Manchester City estava interessado. Quando fomos jogar a Wembley pela Selecção, vi nos jornais ingleses notícias que me ligava ao City. Liguei de imediato ao meu empresário a perguntar se isso era verdade, mas ele disse-me para estar tranquilo que ele tratava dessas questões.
Quando tinha dezoito anos e numa altura em que cheguei a ir treinar ao Chelsea FC, soube que a Sampdória também revelou interesse em me contratar.
Jogar no estrangeiro é um objectivo de carreira?
Sim. Acho que jogar no estrangeiro é um objectivo de qualquer jogador.

A AFIRMAÇÃO NA SELECÇÃO NACIONAL
A Selecção Nacional é certamente um objectivo. Quando é que foi a primeira internacionalização e quem era o treinador?
A minha primeira internacionalização foi contra a Ucrânia, ao serviço dos Sub-18 e o seleccionador era o mister António Violante.
Agora a pergunta da praxe: qual é a sensação de vestir a camisola das Quinas?
É um orgulho muito grande. Lembro-me que estava muito nervoso no primeiro jogo. O jogo foi em Vendas Novas contra a Ucrânia e não estava nada à espera de me estrear logo a titular. Mas o mister decidiu incluir-me no lote de titulares e isso deixou-me nervoso e ansioso ao mesmo tempo. Vestir aquela camisola e ouvir 5000 pessoas a cantar o hino foi simplesmente um sonho tornado realidade.
Após a primeira chamada, continuou a ser presença assídua no lote de convocados?
Sim. Percorri todos os escalões até aos Sub-21.
O facto de actuar num clube que não os três grandes, prejudicou de alguma forma ou adiou o trajecto do Fábio na Selecção Nacional?
Penso que não. Hoje em dia, já existem muitos jogadores de diferentes clubes ao serviço das várias Selecções. Antigamente, talvez fosse mais complicado, mas o Rio Ave também tem uma excelente formação e os responsáveis estão atentos aos jogadores deste clube. Para além de mim, o Fábio Coentrão e o Vítor Gomes também eram, frequentemente, chamados à Selecção Nacional e o Rio Ave conseguia colocar lá três jogadores.
Actualmente, integra a equipa de Sub-21, que disputa o apuramento para o EURO2011. Apesar da concorrência de jogadores como o Miguel Vítor ou o Daniel Carriço, é justo dizer que o Fábio é definitivamente um jogador desta Selecção?
Sim. Trabalho diariamente para isso e para conquistar a titularidade no grupo dos Sub-21. O mister Oceano tem optado por me colocar a jogar a defesa-esquerdo e penso que tenho correspondido bem.
Aproveitando essa deixa do lateral-esquerdo, é quase um dado adquirido que existe uma lacuna em Portugal nessa posição. O mister João Eusébio afirmou que essa é uma posição que o Fábio pode ocupar perfeitamente, até porque é um jogador esquerdino, rápido e de boa técnica. Via com agrado uma adaptação definitiva a essa posição?
Sim. Aceitava perfeitamente. Já joguei uma época inteira nessa posição e penso que não ia sentir qualquer problema em desempenhar esse papel.
Os resultados dos Sub-21 não têm sido os melhores. Acha que é possível conseguir o apuramento para o Campeonato da Europa, mesmo sendo matematicamente possível?
Sim. Faltam três jogos e estamos obrigados a vencê-los. Esperamos que a Inglaterra e a Grécia empatem, para que possamos resolver o apuramento com a Inglaterra.
O que é que tem faltado à Selecção?
O que tem faltado são golos. Jogamos muito bem na Grécia, criamos muitas oportunidades mas pecamos na finalização e depois acabamos por sofrer o golo da derrota no último minuto. Foi embaraçoso para nós e complicou-nos as contas. Em Wembley, contra a Inglaterra, fizemos um dos nossos melhores jogos mas voltamos a falhar no momento da finalização.
Que opinião tem do actual seleccionador, o mister Oceano Cruz?
São os primeiros passos que ele está a dar como treinador e eu estou a gostar muito da experiência. É uma pessoa com grande conhecimento do futebol, já actuou ao mais alto nível e conhece profundamente o potencial da nossa equipa. Estou bastante satisfeito com os métodos de trabalho do mister.

AS CURIOSIDADES DO CRAQUE
Nesta curva ascendente da carreira, quais os aspectos do jogo é que o Fábio acha que deve melhorar para evoluir enquanto defesa-central?
Penso que tenho de melhorar o pé direito (risos). Tenho algumas dificuldades a esse nível.
Tem algum ídolo ou algum jogador com o qual se identifica?
Sim. O meu ídolo é o Ricardo Carvalho, com quem já tive oportunidade de treinar no Chelsea FC.
Qual foi o jogador mais difícil de marcar?
Até ao momento, o Falcao e o Liedson. São jogadores ratos dentro de área e muito irrequietos, o que requer sempre muita atenção.
Qual o clube de coração ou aquele que sempre sonhou representar?
O clube do meu coração é o Rio Ave. Sou do Rio Ave desde pequenino (risos). O clube que sonho representar é o Manchester United.
Qual a sensação que acha que vai sentir quando defrontar o SL Benfica?
Penso que vai ser especial, por toda esta questão do interesse em mim, mas vai-me dar ainda mais motivação.
Apesar de não admitir oficialmente a transferência para o SL Benfica, pergunto se é possível o Fábio não ir para a Luz?
Está quase tudo certo, faltam só uns pormenores em relação ao contrato. Dificilmente sairei para outro clube.
BI do jogador:
Nome completo: Fábio do Passo Faria.
Data de Nascimento: 24-04-1989.
Local de Nascimento: Vila do Conde.
Altura: 190cm.
Peso: 84kg.
Clubes: FC Porto e Rio Ave FC.
Posição: Defesa-central.
Pé preferido: Esquerdo.
Entrevista realizada no dia 8 de Dezembro de 2009 no Hotel Tiara Park Atlantic Porto.
Texto: Nuno Rocha.
Imagens cortesia do Jornal O JOGO.
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Comentários
nao e melhor nem que o
nao e melhor nem que o miguel vitor nem que o sidnei,logo nao faz falta para o benfica, no sporting acho que poderia singrar o polga esta fraqinho.
Foi o rapaz que levou 3 do
Foi o rapaz que levou 3 do varzim, jogou ele contra o yazalde campo grande 90 min. Estes polacos vêm para aqui dizer merda, tudo para dizer que acham que o Neto é melhor, NAO É! onde esta o Neto e onde esta o Faria, mais novo titular de uma das defesas menos batidas da 1ª liga e titular de uma equipa que está la em cima na 1ª liga, acho que nem vale a pena comparar com a prestação do Neto/Varzim..
DESCULPEM LÁ MAS ESTE RAPAZ
DESCULPEM LÁ MAS ESTE RAPAZ É UM SENHOR JOGADOR .
Tem tudo para singrar no Benfica .
claro que tem tudo para
claro que tem tudo para singrar no benfica.. quem precisa de jogar bem, quando se tem um empresario como o dele..
se fosse só empresário ele
se fosse só empresário ele nao era titular numa das defesas menos batidas da liga. e na equipa sensação .
tb nao o acho muito rapido
tb nao o acho muito rapido nao.... tem bom sentido posicional mas é lento a reagir. é estranho o benfica interessar se por um jogador que tambem nao é la muito bom no jogo aereo. mas tambem so tem uns 6 meses de experiencia 'a serio'. tem k treinar forte
sinceramente acho o um
sinceramente acho o um central razoável, mas que poderá evoluir muito ainda, se quiser.
no benfica terá todas as condições para evoluir. é caso para dizer que a carreira dele ainda está para começar a sério.
lento, nos juniores a marcar
lento, nos juniores a marcar o yazalde levou 3 do yazalde. 3-0 para o varzim. O jorge Mendes e o Pai mexem em tudo..é a verdade. Bura melhor, Luis Neto melhor, Carriço muito melhor, mvitor muito melhor, etc etc..
em juniores até o andre
em juniores até o andre carvalhas era bom jogador xD
anonimo : 14:04 : cá eu
anonimo : 14:04 :
cá eu discordo . acho-o muito certinho , bastante atento , eficaz acima de tudo . uma grande aposta para o futuro .
Nao o acho rápido. Mas é
Nao o acho rápido.
Mas é bom central, a lateral nao me inspira confiança.
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