Entrevista com Leonel Pontes (Parte 2)

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Seg., 04.01.2010

Nesta segunda parte da entrevista com a Academia de Talentos, LEONEL PONTES vai ao baú das suas recordações para nos falar um pouco de alguns jovens com quem trabalhou ao longo dos 13 anos que passou em Alvalade/Alcochete. Certamente que muitos outros haveria para falar, mas Leonel Pontes falou-nos de RICARDO QUARESMA, Edgar Marcelino, Vargas, João Teixeira, YANNICK DJALÓ, Fábio Paim, e da sua muito badalada relação com CRISTIANO RONALDO.

Quaresma e Ronaldo foram dois dos nomes mais badalados, e o técnico revela-nos ainda histórias bem curiosas sobre cada um deles, e da rebeldia própria de jovens adolescentes.



AINDA O REAL SPORT CLUBE E A IMPORTÂNCIA DO FACTOR PSICOLÓGICO

O Mister mencionou anteriormente que havia uma boa relação entre a equipa do Mister José Peseiro e a sua quando estava nos juniores, tal como depois houve entre a de Paulo Bento e a do Mister José Lima, mas em relação ao Mister Filipe Ramos, que agora está no Real Massamá, também falavam com ele para saber como estavam a evoluir os jogadores emprestados?

Foi uma situação que começou apenas esta época, e por isso não tivemos muito tempo mas também era uma questão sobre a qual não gostaria de me alongar.

Posso dizer que eu pessoalmente conheço o Filipe há uns anos e pessoalmente ligava-lhe de vez em quando para saber como estavam os jovens jogadores que eles lá tinham e em quem o Sporting deposita algumas expectativas. Mas o Paulo (Bento) tinha informação detalhada sobre o que se passava no Real. Havia uma relação muito próxima.

Falou-se já nesta conversa da importância da força mental ou psicológica. Não se poderá fazer mais por estes jovens emprestados? Por vezes podem ter muito talento mas a verdade é que um miúdo de 19 anos continua a ser um miúdo de 19 anos e muitas vezes parecem ficar entregues à sua sorte, com um acompanhamento psicológico pouco eficaz ou demasiado relaxado...

JOSÉ MOURINHO num destes dias dizia que o verdadeiro e melhor psicólogo para os jogadores é o treinador. Isto não significa que não se possa fazer o trabalho a outro nível. Mas temos de ter a noção que num clube formativo de alta condição, isto é como a selva: ouseja, os mais fortes é que terão sucesso, e esses mais fortes vão-se evidenciar ao longo do tempo, pela sua força mental, capacidade táctica e física, pela sua qualidade técnica, e é esta conjugação de factores que faz com que muitos consigam chegar a alto nível, altíssimo nível, e muitos outros não o consigam.

Chega-se a uma fase em que é sempre possível fazer um pouco mais, mas num mundo tão competitivo, imaginando um grupo de infantis ou iniciados com 60 atletas e que desses chegam ao futebol júnior 20 ou 10 por cento, e desses encurta ainda menos para aproveitarmos um, ou seja esse é o que reúne as melhores qualidades e no mundo competitivo como é o futebol conseguiu superar as etapas de uma forma consistente e fazer um trajecto de alto nível. Acredito que há sempre algo mais a fazer, aliás o mundo da psicologia, e do ponto de vista mental, é o que nos falta desvendar, porque a nossa mente ainda é um segredo a vários níveis.

A psicologia investiga no sentido de poder tirar partido do rendimento do jogador em relação daquilo que são as emoções, as motivações, os valores emergentes da psicologia e trabalhar esses valores para tirar o melhor rendimento dos jogadores. Mas eles próprios têm um papel a dizer.



A RELAÇÃO COM CRISTIANO RONALDO

Lembra-se da primeira vez que conheceu o Cristiano Ronaldo?

Lembro-me perfeitamente. Conheci-o no campo do Câmara de Lobos, ele estava com o padrinho e com o Dr. Marques de Freitas, o responsável do núcleo do Sporting na Madeira, num torneio de Páscoa, de escolinhas, onde eu fui orientar a equipa à Madeira e foi nessa fase que conheci o Ronaldo.

Que idade tinha ele nessa altura?

Na altura tinha os seus 11 anos, era infantil de primeiro ano.

Nessa altura ele já tinha as qualidades foras do comum?

Era um miúdo franzino, vivaço, e eu não o conhecia pessoalmente, apenas o conheci nesse dia. Mas como tinha muitas pessoas conhecidas na Madeira no mundo do futebol e do treino e fiz vários telefonemas para muita gente, e todos me diziam que nunca tinham encontrado um miúdo com aquela idade e com aquele talento.

Na altura ele não estava a jogar porque isto era um torneio para miúdos escolas e ele já era infantil, mas como o torneio era de escolas o campo tinha vários quadrados e eu chamei o miúdo no intervalo para estar com os nossos atletas e brincar um bocado com a bola. E notou-se logo o à vontade que ele tinha com a bola, ele tinha 11 anos, os outros tinham nove ou dez e era tudo miúdos de grande qualidade, e ele ali, na brincadeira com a bola, e foi mesmo só isso, não o vi jogar, notava-se a relação dele com a bola, a mostrar os truques, com 11 anos já armado em craque (risos).

Foram pequenos indicadores que juntamente com toda a informação recolhida e a vontade do Sporting em contrata-lo fez com que entrasse no Sporting.

Porque se tornou ele no jogador que é hoje? Foram apenas as qualidades técnicas, ou também humanas? Foi a ética de trabalho, capacidade de sacrifício, uma ambição fora do comum... Ele era uma criança muito determinada?

Eu acho que ele tem duas coisas que são determinantes. Tem mais para além destas, mas estas duas são as mais importantes. Uma é o prazer pelo jogo, seja qualquer tipo de jogo, motivação e prazer de jogar. A outra é capacidade de trabalho que ele tem, é um obstinado pelo trabalho e pelo treino. E estes dois vectores associados depois, e nunca nos podemos desligar à qualidade individual dele. Mas se juntarmos esses dois vectores, o prazer do jogo, a competição e associado à vontade e ambição de trabalhar, o gosto de treinar, fizeram dele aquilo que ele é hoje.

Sem querer falar em nomes, eu trabalhei com jogadores de grande qualidade técnica, alguns com qualidades parecidas com a do Ronaldo, mas depois eles não tinham essa capacidade de trabalho, de sacrifício, vontade de melhorar e treinar.

Todos os treinos para ele eram para dar o máximo, para ser melhor que o colega do lado, querer ajudar a equipa a resolver os problemas. Aquilo que ele faz hoje no Real Madrid já ele fazia nos iniciados, quando as coisas não corriam bem era ele que resolvia, fintava um ou dois e este talento e vontade começaram muito cedo. Isto não se ganha de um momento para o outro, é um processo evolutivo por camadas, que se vão acumulando ao longo do tempo para se chegar onde ele chegou.

Fala-se muito no episódio quando ele estava na Escola Básica de Telheiras e que a professora fez pouco do sotaque madeirense dele...

Esse tipo de estórias... Muitos outros fizeram muito pior e não foram tão empolgadas como essa, mas isso aconteceu, e aconteceram outras, só que aqui é o Ronaldo e portanto toda a gente fala.

O Ronaldo tinha os seus momentos mais traquinas mas era um jovem muito bem comportado, mas se ele não fosse o Ronaldo hoje ninguém se lembrava das patifarias que ele fazia em miúdo, e eram patifarias normais da idade, 13, 14, 15 ou 16 anos, totalmente desculpáveis. Aliás ele era mais pressionado que os outros, porque eu e as pessoas que estavam à volta dele, sabendo do talento extraordinário dele, às vezes a pressão é maior que nos outros: “não podes falhar, não podes fazer isto nem aquilo”, e o Ronaldo era alguém que eu pessoalmente aos 12, 13 anos andava sempre em cima. E isto faz parte, eles falharem e teres estes devaneios.

Claro que houve momentos mais difíceis, em que estava mais triste, com saudades da família, quando a competição não corria bem, ficava muito triste quando o jogo não corria como ele esperava, e tudo isso fez com que houvesse momentos menos positivos na carreira dele em termos formativos.

Houve algum momento em que ele quis desistir e voltar para junto família?

Não, houve ali uma fase mais delicada, ao início, quando ele veio, ali em Iniciados, final de infantis, porque ele tinha saudades da mãe, dos amigos. Mas depois a verdade é que a estrutura do Sporting era muito acolhedora, proporcionava-lhe um ambiente muito quente, de conforto, mesmo sem termos as melhores condições mas havia um nível de camaradagem e portanto todo este processo faz com que os miúdos se sintam bem no Sporting. Tinham intimidade, as pessoas já eram ternas, gratas e ele era um miúdo que além do talento era bem comportado mas tinha a rebeldia normal de um miúdo de 13, 14 ou 15 anos, perfeitamente normais.

Ele tem a sua vaidade, de saber jogar e mostrar esse talento aos outros, e isso é uma vaidade positiva para o jogo.

É normal que os miúdos tenham uma paixão pelo Manchester United ou Milan, ou Real Madrid. Ele falava do Real Madrid quando era mais jovem?

Não. É possível que ele  tivesse essa vontade no seu intimo, mas na altura não me recordo. Na volta falou com os colegas, sobre isso, mas eu não me recordo. Na volta falou do Manchester United, podem ser coisas que foram surgindo, mas é certo que ele tinha os seus sonhos. E se os revelou é porque os tinha.

Quais foram os treinadores que influenciaram mais a sua forma de trabalhar?

Eu tenho vindo a aprender com todos eles. Houve um treinador que ajudou, no início da minha caminhada, que foi o Paulo Leitão, na altura trabalhei com ele nos Iniciados. Foi uma pessoa que tinha grandes conhecimentos do treino, do rigor do treino, da competência que apresentava, uma pessoa que me influenciou a esse nível, positivamente. O outro, e pelos valores que defendia, e são valores importantes não só para a posição de treinador, mas também para a vida, que foi naturalmente o Paulo Bento. Foi um treinador que me ajudou a vários níveis e que trazia valores de alta competição, fundamentais para este meio. Não só valores de vida como princípios para o futebol profissional, foram duas pessoas que tiveram uma influência muito grande na minha vida até agora.

Ajude-nos a clarificar um mito, por causa do Ronaldo. Houve uma altura em que o Mister Luís Martins, não convocou o Ronaldo para ir a um jogo na Madeira. A estória diz que o Ronaldo atirou com um iogurte para o chão, mas o Luís Martins diz que até já há quem diga que ele atirou feijoada para o chão...

(risos) Acho que nem foi uma coisa nem outra... Eu ao certo, se eles não quiseram falar na situação, eu também não vou falar. Não foi nada de especial, foi de certa forma, como digo, ele nunca teve comportamentos anormais. Ele teve um desentendimento com uma pessoa não da estrutura, mas de dentro da Academia, não sei se foi um porteiro... De uma forma correctiva não foi convocado para o jogo. Isto é bonito quando não se dá castigos, mas só tem peso de castigo quando lhes toca na alma. Porque isto de ficar de castigo a rir até eu, toda a gente gostava de ser castigada. Castigo é quando toca na alma, e este foi um castigo no sentido pedagógico. E o LUÍS MARTINS decidiu, comigo também, porque fazíamos parte da mesma equipa, que ele não ia à Madeira nesse jogo.

Não foi fácil esse momento, estava a família à espera, tinha uma claque montada, a mãe com saudades do filho, e o filho da mãe, foi um momento de muita dificuldade, e o Ronaldo hoje deve lembrar-se com algum saudosismo, e perceber que até quem sabe foi uma decisão importante para ele perceber os valores e princípios e deve-o reconhecer.

Se eu estivesse no papel do Ronaldo, também ia ficar muito triste: 'estou aqui há seis ou sete meses, tenho oportunidade para ir à Madeira jogar, de estar com a minha família, com os meus amigos, ver a mãe, pai e irmãs e de repente não posso ir porque me portei mal?'. Isto tem de tocar na alma, a situação foi essa.

Durante o tempo em que ele esteve na formação, lembra-se de algum jogo mais memorável dele? O Mister Luís Martins falou-nos de um golo que ele marcou no Monte da Galega, contra o Estrela, na segunda parte, do meio-campo...

Eu não me lembro ao certo. Tivemos um jogo em que estávamos a perder com o Benfica, por 0-3 e ganhámos 4-3, em Iniciados. Ele não fez nenhum golo, ou talvez tenha feito um. Sei que estávamos a perder 0-3 e entrou um jogador que era o João Pimenta, que agora está no Covilhã, mudou o cariz do jogo. Mas o Ronaldo teve um papel importante, porque sempre acreditou que era possível, foi o jogador que apesar de estar a perder, conseguia lutar contra as adversidades, portanto é um jogo que me recordo bem pois foi um exemplo do carácter dele. Mas teve tantos, ele desequilibrava muito, pela velocidade, pela qualidade e pela vontade de ser melhor que os outros, por isso há muitos jogos de sucesso dele.

O Mister João Couto disse que não há discussão possível, diz que o Ronaldo foi o melhor jogador que orientou na formação. O Ronaldo também foi o seu melhor jogador?

Eu não trabalhei muitos anos com ele, trabalhei três anos, nos Iniciados, nos Juvenis e pontualmente na equipa “B”. Tive muitos jogadores de trabalho... O Ronaldo foi um dos grande jogadores da formação, o João Moutinho foi outro. O João Moutinho foi sempre homogéneo em comportamento, atitude, sou capaz de o por acima do Ronaldo, que sempre foi associado à vontade de trabalhar, mas também tinha esta qualidade. Mas estes dois foram dos mais marcantes, porque conseguiram atingir o nível que atingiram. Houve outros que também trabalhavam muito bem mas não atingiram o estrelato destes jogadores, como o Ronaldo ou o João, que neste momento é capitão de uma equipa como o Sporting, portante são jogadores que ao longo dos tempos tiveram uma atitude fantástica e chegaram a este nível.

 

Leonel Pontes

 

OUTROS ATLETAS QUE PASSARAM POR LEONEL PONTES

Nos juvenis muitas vezes o tridente atacante era o Cristiano Ronaldo, o Edgar Marcelino e o Paulo Sérgio. Falava-se muito da qualidade do Edgar Marcelino nos juvenis, mas depois na transição para os juniores e seniores não se tornou no jogador que se esperava. Que memórias tem do Edgar Marcelino nos Sub-17?

Eu recordo-me dele ainda nos iniciados. Tinha um talento extraordinário, mas era um jogador muito individualista, tal como o Ronaldo mas conseguia resolver a maior parte das vezes, o Edgar conseguia resolver como Iniciado, Juvenil também, mas depois foi perdendo a qualidade, também teve algumas lesões em momentos importantes da carreira dele, mas sem dúvida que ele tinha um talento extraordinário...

Eu via o Edgar fazer jogadas individuais e dribles que só ele é que as fazia, coisas fora do normal, drible em espaço curto em velocidade, que só ele as conseguia fazer. Lamentamos não ter conseguido potenciar um jogador que tinha realmente uma perspectiva futura grande e uma qualidade enorme. Ainda há pouco tempo o encontrei, ele estava a fazer tratamento no Sporting, lembro-me perfeitamente com carinho do Edgar Marcelino, realmente era um jogador com grandes qualidades. Ele e o Paulo Sérgio que agora está no Olhanense.

O Paulo Sérgio jogava mais como extremo e chegou mesmo a realizar uma época em que fez 30 golos. Foi uma surpresa ele não aparecer em grande plano? Ele apareceu no consulado do Fernando Santos, num período pós-Ronaldo e pós-Quaresma, com a ideia a ser passada pela comunicação social de que agora todos os que vinham a seguir seriam outros Ronaldos, mas ele nunca se conseguiu impor no Sporting, Belenenses ou Académica. Na sua opinião é uma conjugação de factores, talvez pelo facto de fisicamente não ser muito possante, e talvez por falta de maturidade psicológica?

Repare, eu perdi o contacto do PAULO SÉRGIO, a partir do momento em que ele sai da Equipa “B”, e vai para os seniores e depois saiu para o estrangeiro. Relativamente ao Paulo Sérgio, temos de desmistificar uma questão, que é a dos jogadores fazerem 30 ou 40 golos numa época no futebol de formação, serem os melhores marcadores, mas isso depois não lhes dá o direito de que fazendo ali fazem também no futebol profissional.

Pode ser um bom jogador na formação, fazer muitos golos, porque tem uma equipa de jogadores muito homogénea que faz com que esse jogador se supere em termos de finalização por exemplo. Mas depois no futebol sénior, a realidade já é outra, já não é tão desnivelado o valor das equipas e tudo aí é mais equilibrado. Existem um conjunto de factores que fazem com que haja jogadores que na formação atinjam um nível elevado, por exemplo o João Paiva que fez uma carreira na formação dos que mais golos marcou...

Ele e o Vargas...

O Vargas foi outro jogador que fez a formação com muitos golos, não sei qual deles marcou mais ou tem o recorde, não é o mais importante, apesar de ser um indicador quantificativo que revela a eficácia, no entanto quando se passa para o futebol profissional, onde o equilíbrio é maior, o tipo de características dos jogadores são diferenciadas, as coisas começam a ficar mais difíceis. Portanto, acredito que haja valores aí pelo meio, incapacidade mental, momentos chave na carreira que os faça tomar decisões que não foram as melhores nem as mais acertadas, encontrar contextos desfavoráveis ao crescimento, queimar algumas etapas que faz com que hoje passados cinco ou seis anos não tenham ainda se conseguido impor nas equipas onde jogam. Portanto são vários os factores que influenciam, e entre eles estão a incapacidade de lidar com o futebol profissional, com as grande equipas, foram jogadores que eram muito individualistas e não se conseguiram libertar desse individualismo, porque o individualismo só faz sentido quando ele reverte todo esse trabalho a favor da equipa e quando o individualismo é apenas a favor do individuo, acaba por não ter rendimento e assim estas qualidades vão desaparecendo num contexto de equipa.

Há vários factores, perder oportunidades importantes, haver momentos ou lesões em momentos chave, que fazem com que alguns jogadores mesmo tendo um grande talento entre os 12 e os 20 anos se acabem depois por perder no trajecto a alto nível.

Teve oportunidade de acompanhar a carreira do Fábio Paim na formação?

Tive.

Nas bancadas de Alcochete diz-se que ele em Juvenis era tão bom ou melhor que o Ronaldo. Partilha desse sentimento?

Tão bom sim. O Fábio tinha qualidades extraordinárias. Era um jogador tecnicamente evoluido, era um jogador rápido com bola, era um jogador que desequilibrava, não só individualmente como através de passe e finalização, era um jogador de equipa, mas que sabia utilizar o talento que tinha. Era do tipo daquele jogador de rua que resolvia um jogo. Só que ao longo do tempo foi perdendo algumas qualidades, teve umas lesões nos joelhos, não era um jogador de treino, precisava de outro tipo de exigência, e ao longo do tempo e como o futebol está tão competitivo, facilmente se perde um talento se não apostarem forte naquilo que é a atitude e o trabalho diário.

Eles podem ter muita qualidade, mas se não associarem a atitude, a vontade de vencer, os valores e princípios para a vida, naturalmente que vão ter mais dificuldades no futuro, não só no futebol como noutras área profissionais.

O Mister certamente concordará que é mais fácil para si trabalhar com um jogador como o João Moutinho do que com um como o Fábio Paim? Sente que nestes anos que esteve no Sporting, e hoje em dia há menos paciência para perder tempo para moldar, “domesticar” um talento irreverente do que havia há alguns anos atrás?

Eu acho que a sociedade está a evoluir para que cada vez mais as crianças tenham mais direitos do que deveres, mas nós não pudemos demitir-nos da função de formadores, estando no papel de treinadores de formação. E demitir-nos dessa função é não procurar que esses jovens atletas cumpram com aquilo que são os pressupostos de um trabalho de equipa. E seria muito mau saber que hoje em dia os treinadores não se preocupam com isso, porque esse é um dos nossos papeis: orientar, formar, exigir, punir e é estimular e também premiar. E o treinador não se pode demitir desse papel, sob pena de ao longo do processo perder jogadores no caminho.

Os jogadores têm de perceber, principalmente os jovens, porque estão num período formativo, que há deveres, obrigações e princípios e valores que devem salvaguardar o trabalho de equipa, porque só esse trabalho de equipa é que poderá fazer com que eles no futuro consigam ter os seus sonhos assegurados.

Não se pode permitir que um atleta possa fazer o que quer com 12, 13 ou 14 anos. Não se pode permitir que um atleta com 15 ou 16 anos, por ser um atleta, mas que não trabalhe, jogue sempre. Ou seja, temos de premiar esse tipo de comportamentos, porque se nós conseguirmos que um atleta, entre os 12 e os 19 anos tenha uma atitude séria desde o início, e já vos conto um exemplo, ele não vai ser um anjinho, ninguém quer meninos de coro, mas queremos gente para a competição, atletas competitivos, com forte personalidade, e esses atletas só chegam lá com trabalho e esse trabalho só pode ser exigido pelos treinadores, e os treinadores é que têm de o fazer, além de exigir o trabalho é pedir responsabilidades porque eles também as começam a ter mais cedo.

Eles têm responsabilidades diferentes de um miúdo que só anda na escola, porque já se expõe, tem um emblema ao peito, porque já tem um conjunto de deveres e obrigações, porque quem sabe já ganha algum dinheiro, porque já anda com a camisola vestida, já tem outro peso do que com a camisola que o pai oferece, e portanto tendo estes direitos todos também tem de ter deveres e esses deveres quem dá são os treinadores, pedagogicamente falando.

Para terminar esta questão, eu gosto de falar destas questões porque vivi nelas durante muito anos, e quem sabe tem a ver com a minha educação...

E também é importante para os jovens lerem isto e perceberem que outros, com muito talento perderam-se por alguma razão...

Eu hoje, e isto tem a ver um bocado com a minha educação e hoje não vejo as coisas de forma diferente do que via há cinco anos atrás. Vejo algumas coisas diferentes, mas naquilo que concerne a valores e princípios de orientação, de trabalho, de vida, de uma equipa e a um clube, nomeadamente ao Sporting, eles são todos iguais. Há dez anos e agora.

Houve um jogador, que ao longo do processo formativo, e ele foi meu jogador desde os Sub-11, infantis, era um jogador que não era muito agressivo, que não trabalhava no limite, que tecnicamente não era mau mas não era extraordinário, era lento, pouco agressivo no dia-a-dia e levou alguns anos neste processo.

Fruto de alguma oscilação, quando digo oscilação é os treinadores terem todos em relação a isto a mesma postura, porque se queremos um processo contínuo, é importante que os treinadores tenham a mesma postura em relação à exigência, à responsabilidade, àquilo que é a construção de um individuo para o futebol profissional. É importante que todos os jogadores que passam naquele processo contínuo, tenham estas mesmas intervenções. Temos um jogador, fruto da sua oscilação, e também fruto dele, porque os jogadores têm a sua personalidade e muitas vezes só mudam comportamentos por cliques e momentos, mas temos um jogador que ao longo dos tempos era irregular, e na época de juniores de 2004/2005, nós fomos a um torneio ao estrangeiro, ele portou-se mal, juntamente com um colega. Portaram-se mal e os dois foram castigados, uma coisa simples, tínhamos um estágio, não chegaram à hora definida e por nós estes não jogam. E assim foi.

Um desses jogadores a partir desse dia, e foi o caso mais notório, a partir desse dia mudou radicalmente a sua atitude e comportamento diário, mas mudou mesmo radicalmente. Começou a ser o primeiro a chegar ao treino, a ouvir o que os treinadores diziam, uma atitude competitiva brutal no treino, e era um jogador que não se perspectivava que iria ser titular na equipa de juniores. E chegou ao final do ano e na posição dele jogou quase sempre.

Hoje, ainda ontem ele estava a jogar na Liga dos Campeões. Isso significa que se ele tivesse tido esta atitude comportamental nos iniciados ou nos infantis ou pelo menos essa conduta, seria outro jogador certamente. Mais maduro, mais evoluído, de outro tipo de classe. Mas a verdade é que esse jogador hoje está na Liga dos Campeões, a disputar com Juventus, com Bayern de Munique e por aí fora.

Em que equipa joga esse jogador?

Maccabi Haifa.

Posso tentar adivinhar o nome dele?

Força!

É o Jorge Teixeira? (risos)

Jorge Teixeira, exactamente.

 

Leonel Pontes

 

Quando era mais jovem entristecia-o ver jogadores a perderem-se? Custava-lhe mais quando era mais jovem e via jovens com qualidade técnicas e físicas mas a perderem-se porque gostam de discotecas...

Doí-me mais na alma aqueles que eu não consegui mudar, do que a alegria que tenho por aqueles que por uma pequena intervenção possa tê-los ajudado. Porque as crianças têm uma inocência muito grande e vão perdendo-a ao longo do tempo fruto da evolução, do crescimento, dos contextos onde vão vivendo, mas custa ver miúdos e tive muitos com 12 ou 13 anos que nós tentávamos chegar-lhes com castigos, com intervenções pedagógicas, fazendo perceber que este é o caminho e aquele não é o melhor caminho, e que entre avanços e recuos, acabamos por perceber que é impossível ou muito difícil. E quando eu digo é muito difícil, eu sou daquelas pessoas que é das últimas coisas que deito fora, o ser muito difícil, os processos são difíceis por natureza.

Há pessoas, jogadores mais fáceis outros mais difíceis, mas mesmo nesses deitar a toalha ao chão é das últimas coisas que se pode fazer, é preciso acreditar sempre que é possível melhorar alguns aspectos, dar a volta, e isso doí na alma, perceber que às vezes temos muita intervenção sobre alguns jogadores e parece que quanto mais se cuida determinados aspectos, ao longo do tempo outro tipo de influências, exteriores, são mais fortes que as do treinador, e isso naturalmente que já passaram muitos casos desses e que hoje estão por aí espalhados pelo Mundo.

Ainda há pouco tempo tive um telefonema de um jogador do Chipre que não tinha dinheiro e precisava de ajuda. Outros doutras zonas que foram iludidos com mundos e fundos, com sonhos, e que depois são enquadrados em clubes que por mudanças repentinas e momentâneas fazem com os miúdos sejam dispensados, não tenham dinheiro, devem-lhes dinheiro, têm dificuldades para resolver a sua vida. Portanto somos confrontados com situações reais, porque foram mal aconselhados, porque não ouviram os pais, porque não ouviram os treinadores, e ouvem pessoas que querem é que haja circulação de jogadores e não que haja estabilização.

É muito complicado para um treinador da formação ter de lidar com os pais?

A minha relação com os pais sempre foi, em alguns casos mais aproximada, mas noutros foi mais distante, e também dependia da forma como os pais interagiam. Mas os pais têm de fazer parte do processo formativo do jovem atleta. Não podemos dissociar os pais deste processo. Os pais não se dissociam da escola dos miúdos e de certa de forma isto é uma escola, para os preparar para uma possibilidade de carreira, e os pais não podem ser dissociados deste processo, têm de acompanhar, e a melhor forma não é vedar-lhes a entrada, é partilhar a vida dos miúdos, porque muitas vezes os pais têm de ser cúmplices naquele processo, porque muitas vezes não percebemos porque é que um miúdo aos 15 ou 16 anos anda triste, deprimido, ou anda eufórico, e os pais muitas vezes podem ser um elo de ligação importante.

Hoje está-se a desmistificar a relação dos pais com os atletas e com os treinadores. Agora, vai haver sempre pais mais difíceis de lidar do que outros, porque muitas vezes os pais não percebem o papel dos treinadores, de que há jogadores que jogam mais que outros, será sempre assim inevitavelmente, por mais que doa os pais muitas vezes não percebem isso. Agora desde que os treinadores tenham uma intervenção correcta, tenha frontalidade com os atletas, é essa mesma frontalidade que tem de ter com os pais, e podem ser um verdadeiro aliado para a formação dos atletas.

Que memórias tem do Ricardo Quaresma?

O Ricardo era um daqueles putos reguilas, tinha um bom coração, era um bom miúdo. Do trabalho físico ele não gostava muito, queria era ter a bola no pé, adorava fazer brincadeiras com os colegas, era um bom companheiro, e eu gostava muito do Ricardo. Aliás ainda hoje temos uma boa relação, sempre que nos encontramos é um prazer, tivemos algumas situações difíceis porque ele era teimoso e eu queria que ele fizesse de uma forma e ele de outra, mas isto faz parte do nosso caminho, do nosso processo e do caminho deles, e nos infantis ele fintava todos, ele queria era fintar todos e marcar golos (risos) era um jogador de equipa quando estava para aí virado, quando não estava ele queria mas era a bola para resolver. Mas isto faz parte dos “problemas”, que não são problemas, são etapas do crescimento, faz parte, e nós treinadores não nos podemos dissociar disto, porque todos vão ter isto, uns de uma forma outros de outra.

O Ricardo era um miúdo divertido, que gostava de competir e jogar, um miúdo que queria era a bola no pé, que vinha da Costa da Caparica sozinho com 12 anos, que apanhava o autocarro, barco, e metro e vinha treinar, portanto o miúdo tem uma história de vida de grande sacrifício, e hoje está no Inter de Milão.

Foi chamado à escola por causa dele?

Não porque ele não ficava no lar dos estudantes. Ele era um jogador à responsabilidade dos pais, portanto nunca fui chamado. Mas acompanhava mais ou menos o processo e sei que o mundo do Ricardo era o futebol, não era outra coisa.

Ele nessa altura já tinha as pernas tortas?

Ele sempre teve as pernas um bocado arqueadas. Dizíamos que ele tinha perna de jogador de futebol, tinha esse andar muito característico, ainda hoje não o perdeu.

Eu tenho uma estória muito curiosa com o Ricardo, acho que já contei isto num outro contexto qualquer. Foi no meu primeiro ano, estava nos infantis, com o Sr. Osvaldo Silva, e houve um torneio em França para a equipa B, e o Sr. Osvaldo foi para França e eu fiquei com a Equipa A, em Lisboa. Nós tínhamos um torneio que era o Torneio do Operário, participava o Belenenses, Estrela da Amadora, Sporting, o Operário e uma selecção de Lisboa composta por jogadores que não era do Sporting, do Benfica ou dos grandes. E nós fomos para o torneio e era a primeira vez que eu ficava com a equipa mais velha, dos infantis de segundo ano, e então fomos para lá e num dos jogos ele aproveitou para dar azo à sua técnica, e eu avisei-o que ele tinha de passar a bola, estava a ser demasiado individualista, chamei-o ao banco, ele era o capitão, ficou irritado, e entretanto, chamei duas ou três vezes à atenção, não deu e então resolvi dar o lugar a outro.

Ele saiu com uma cara de quem estava com uma grande azia, atirou a braçadeira, deu um pontapé, todo irritado, e eu deixei estar. Ganhamos esse jogo e o seguinte era com a selecção de Lisboa e eu no dia seguinte, depois de pensar bem 'ele fez isto, tem mais responsabilidades que os outros, é um miúdo', e os próprios colegas estavam na expectativa do que ia acontecer. E eu quando dei a constituição da equipa...... "Quaresma no banco".

Fomos então jogar contra a tal selecção de Lisboa, e o Quaresma estava no banco ao meu lado, e eu via aquela cara dele de malandro, como quem diz 'ai é, puseste-me no banco'. Falei com ele, disse-lhe que ia para o banco e que tinha que se habituar mesmo que isso nunca lhe tivesse acontecido antes. Ao intervalo estávamos a perder 3-0, e era a altura ideal para ver de que calibre era feito o Quaresma. E ele entrou, e nós ganhamos 5-3, não sei quantos golos ele marcou, mas marcou e deu a marcar, mas ele rebentou com aquilo tudo, e foi o Quaresma genuíno.

Ele tinha um talento extraordinário, e ele ainda hoje não se esquece desse jogo, já falei com ele sobre isso e ele não se esquece. Estávamos a perder 0-3 e ganhamos 5-3, e ganhamos o torneio, e estamos a falar de um pormenor pequenino, que até podia ter dado para o torto, e portanto teve de ser assim, e eu também ainda era um treinador jovem, tinha cerca de 23 anos nessa altura, e achei que não era um bom comportamento e o melhor era deixa-lo no banco.

Independentemente do resultado a minha atitude pedagógica estava feita e ele entrou e resolveu esse jogo. O Ricardo tinha um prazer muito grande no jogo, a bola para ele era a vida.

Nem tudo eram coisas boas, supostamente ele era um miúdo rebelde fora dos relvados...

Sim, ele era reguila, tinha uma personalidade muito forte, não era um miúdo fácil, mas tinha um bom coração e hoje é um miúdo que cresceu, evoluiu, está mais maduro e está a ter uma boa carreira, não se impôs nos clubes ultimamente, à excepção do FC Porto, mas tem muito talento e tem ainda muito para dar ao futebol.

Ele sempre foi extremo?

Sim, sempre jogou nos lados, extremo direito ou esquerdo.

Tem alguma memória do irmão dele, o Alfredo?

Tenho perfeitamente. Era o irmão mais velho.

Sabe onde ele está hoje?

No Cova da Piedade, eu vou acompanhando. Sabe que eu à segunda-feira gosto de ir vendo as constituições das equipas que vão aparecendo, quase todas, e vou vendo onde andam espalhados alguns nomes. Ainda antes de ontem tive uma mensagem de um miúdo que está a jogar nos Açores, que agora já é crescido, mas foram atletas que foram passando e que agora é bom ver onde param, porque o Sporting tem formado tantos jogadores que estão espalhados por aí nas mais diversas equipas, dos mais diversos países e nos mais diversos níveis competitivos.

Mas tem algumas memórias do Alfredo Quaresma quando ele era jogador do Sporting?

Eu não fui treinador do Alfredo Quaresma, porque ele estava nos juvenis e quem trabalhou com ele foi o Mister Carlos Pereira. Foi um jogador também com boa qualidade técnica, bem constituído, forte, era médio, tinha potencial, muito competitivo, agressivo, mas depois o trajecto dele acabou por não ser de acordo com aquilo que era o esperado na altura.

Enquanto esteve no Sporting, qual foi a geração de jogadores mais promissora e porquê? Talvez a de 1986, que agora tem quatro jogadores na equipa sénior?

Essa foi uma boa geração. A geração de 86 foi um bom grupo. Acompanhei esse grupo nos iniciados, juvenis e depois nos juniores e esse foi um grupo muito bom. O Jorge Teixeira está no Maccabi Haifa, o Emídio Rafael está na Académica, o Mário Felgueiras está no Setúbal, o CARLOS SALEIRO, o André Marques (que é de 87), mas são aqueles que andam ali próximo. O Moutinho, o NANI, essa geração foi uma boa geração, conseguiu-se conjugar no mesmo clube um conjunto de jogador de grandes qualidades. O Miguel Veloso, o Adrien Silva um pouco mais novo, o Rui Patrício, o Pereirinha...

O Bruno Pereirinha mesmo sendo de primeiro ano já jogava com muita frequência na de juniores de 05/06, nessa altura liderada pelo Mister Luís Martins. Tendo em conta que era um dos melhores extremos na formação, porque está ele a sentir tantas dificuldades? Tem a ver com a personalidade dele, talvez pelo facto de ser um miúdo mais introvertido?

O Pereirinha tem uma qualidade extraordinária que é a velocidade, e associada a isso a qualidade técnica. Nós não podemos estar à espera que todos os jogadores tenham a mesma evolução dentro do mesmo contexto. A verdade é que o Pereirinha tem alternado entre bons jogos e jogos menos positivos. Agora o talento está lá, ele tem que o exponenciar da melhor forma. Como lhe digo, há jogadores que quando a equipa não joga muito bem, acabam por sair mais penalizados do que outros, e ele foi um jogador que por não assumir a titularidade indiscutível, e jogando a espaços acabou por não exponenciar todas as suas capacidades.

Acredito que o Pereirinha ainda vai a tempo, é um jogador inteligente, que percebe o jogo, que associado a isso tem um passado que o favorece, tem uma boa atitude profissional, e mais tarde ou mais cedo acredito que vai dar o salto que esperamos porque já demonstrou que tem qualidade para jogar a alto nível.

Falámos do Yannick Djaló, será que ele à imagem do Pereirinha é um jogador que está a ser prejudicado por a equipa sénior não jogar com alas?

É como lhe digo, os bons jogadores mais tarde ou mais cedo vão-se conseguir impor, sem me querer alongar demasiado, o Yannick tinha uma concorrência muito forte na frente de ataque, e portanto ele é também um jogador que costuma ter algumas lesões que o penalizam, e é um jogador muito vibroso, de velocidade, e que por vezes em alta competição haja momentos de paragem. Entrou bem nesta época, depois magoou-se, teve bons períodos, portanto acho que mais tarde ou mais cedo vai-se afirmar, é um jogador sério, que gosta de trabalhar, que gosta de jogar e portanto eventualmente vai conquistar o seu espaço.

 



Entrevista realizada no dia 10 de Dezembro de 2009 na Sala Madragoa do Hotel Tivoli Oriente.
Texto: Nuno Valente e André Carreira de Figueiredo.
Imagem: Academia de Talentos.

Comentários

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Força Leonel, vais

Força Leonel, vais conseguir aparecer como um dos grandes técnicos do futebol português. Não tenho qualquer dúvida disso! Abraço R.M.

Grande Leonel para quando a

Grande Leonel para quando a 1 Liga

grande mister e um grande

grande mister e um grande Homem .. desejo lhe o melhor mister espero ve lo proximamente nos relvados outra vez ... e que tenha o sucesso que merece ...e obrigado por tudo !!! espero ve lo um dia destes em breve !!!

grande mister e um grande

grande mister e um grande Homem .. desejo lhe o melhor mister espero ve lo proximamente nos relvados outra vez ... e que tenha o sucesso que merece ...e obrigado por tudo !!! espero ve lo um dia destes em breve !!! jorge teixeira um abraxo

porque não falas do Varela

porque não falas do Varela o tal que não prestava ....... Ó SCP abre os olhos corre com esse "Senhor"

pode ser que seja o futuro Mourinho

maus jogadores? maus

maus jogadores? maus arbitros? maus teinadores?..........es o maior.

vai ser o futuro

vai ser o futuro Mourinho............

Não terás treinado também

Não terás treinado também o Messi????

Estou ansioso pela parte 3

Estou ansioso pela parte 3 !!!!!!!!!!!!!!

Força Leonel vai para os

Força Leonel vai para os lampiões

Triste ??????????????

Triste ??????????????

Força Leonel vais dar um

Força Leonel vais dar um grande treinador de futebol.

R.M.

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