Entrevista com Pedro Marques

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Seg., 14.12.2009

Nem só de Pepe e Cristiano Ronaldo se faz o contingente português no REAL MADRID. Há um outro jogador luso que vai evoluindo no clube “merengue”. PEDRO MARQUES é um jovem extremo de 21 anos que assinou o seu primeiro contrato com o Real Madrid em 2006, quando jogava na Naval 1º de Maio, e desde então tem alinhado nas equipas secundárias do clube da capital espanhola.

Numa animada conversa com a Academia de Talentos, Pedro Marques fez-nos um resumo da sua (ainda) curta carreira, desde o início na Naval, passando pelos cinco anos de leão ao peito e do regresso a casa, depois de uma atribulada passagem por Coimbra. A verdade é que saltou da 2ª Divisão Nacional para um dos maiores clubes do Mundo, o que por si só significa alguma coisa em relação ao seu valor.



OS PRIMEIROS ANOS NA FIGUEIRA DA FOZ

Com que idade te lembras de dar os primeiros toques na bola?

Comecei com 6 anos a treinar na Naval. Mas a dar toques na bola certamente foi desde que nasci (risos).

Como é que apareceu essa paixão pela bola de futebol?

Muito por culpa do meu avô, que foi um dos melhores avançados que a Naval já teve e como é lógico isso influenciou-me um pouco.

Como se chama o teu avô e quando jogou ele na Naval?

O meu avô é Joaquim José Flores Mendes, mais conhecido como "Quim-Zé". Quando jogou não te sei dizer mas acho que foi na altura do Torres do Benfica.

E depois como se deu a tua entrada na Naval?

Comecei a treinar nas escolinhas. O treinador era o Paulo Domingos que trabalhava com o meu pai e por isso não houve problema nenhum.

E quem eram os teus jogadores favoritos nessa altura?

O meu jogador favorito era sem dúvida alguma o JOÃO (VIEIRA) PINTO. Tentava imita-lo em tudo... Usava o adesivo no nariz, o cabelo. Tudo, tudo semelhante.

Quantos anos jogaste na Naval?

Estive cinco anos na Naval, apesar de só poder jogar oficialmente em três deles.

Como eram as condições da Naval nos inícios dos anos 90, numa altura em que o clube ainda não se apresentava entre os grandes do futebol português?

Sinceramente eram bastante fracas. Toda a formação treinava no mesmo campo, desde as escolinhas aos juniores! E ainda por cima era um campo pelado e sem condições...

E na Naval houve algum treinador que te tenha marcado?

Claro que sim, o mister Paulo Domingos. Só não foi meu treinador no último ano antes de ir para o Sporting, mas foi quem sempre me ajudou e apoiou ao longo da minha carreira. Até hoje costumo falar com ele, e continua a dar-me conselhos.

E tens algum jogo que te tenha marcado de forma mais especial?

Tenho boas recordações de todos os jogos que fiz na Naval. Foi lá que comecei e onde me descobriram para o futebol.

Pedro Marques - Sporting Clube de Portugal

 

CINCO ANOS NO SPORTING

E depois quando apareceu a hipótese Sporting?

Foi depois de um torneio Inter-Associações pela selecção de Coimbra. O Sporting e o Benfica entraram em contacto comigo, aliás com os meus pais. O Sporting foi quem telefonou primeiro e disse que tinham gostado muito de mim, que gostavam que eu fosse lá treinar um dia. Entretanto telefonou o Benfica e fizeram questão que treinasse lá antes de ir ao Sporting. Depois do treino na Luz, disseram que me queriam lá e eu (benfiquista na altura) disse aos meus pais que ficava já ali. Só que o meu pai tinha prometido que eu ia ao Sporting treinar e disse-me para não dar-mos nenhuma resposta ainda ao Benfica, pediu-me que eu fosse treinar ao Sporting sem qualquer tipo de compromisso e depois decidia. E o meu pai é do mais benfiquista que pode haver! (risos).

Quando treinei no Sporting é que já não quis outra coisa.. totalmente diferente do Benfica e disse à minha mãe ao ouvido que queria ficar no Sporting no caminho entre o campo e o balneário no fim do treino. Porque tinha medo que o meu pai ficasse chateado por não querer ficar no Benfica e pronto. Mas o meu pai disse que quem ia correr atrás da bola era eu e que mais tarde não queria que tivesse sido ele a decidir por mim, que a coisa podia dar para o torto (risos). E pronto assinei pelo Sporting. Fiz todos os torneios por eles depois de assinar no último ano de escolinha.

Com que idade foste para o Sporting?

Fui para o Sporting com dez anos, e vim embora depois com quinze.

Quem fez os contactos nessa altura? Sempre o Sr. Aurélio Pereira?

Foi o Sr. Aurélio Pereira e o Sr. Bento Valente (NDR: Técnico de Recrutamento do Sporting CP).

Como foi saíres de casa para uma nova cidade e ficares tão novo afastado de tudo aquilo que conhecias e a que estavas habituado?

Nos dois primeiros anos não fiquei a viver em Lisboa porque era demasiado novo para o centro de estágio. Apesar do que o Sr. Aurélio Pereira propôs aos meus pais, que passava por eu ficar a viver em casa dele e ele seria o meu tutor, tal como já tinha feito com o Simão Sabrosa! Mas eu era muito novo e os meus pais também não acharam que seria o momento certo para eu me afastar assim de um momento para o outro de toda a família e amigos.

Então a hipótese que se arranjou foi que eu ficaria a viver na Figueira da Foz e iria treinar três vezes por semana a Lisboa. O Sporting pagava todos os gastos. Dessa altura, só tenho a agradecer aos meus pais e avós, que foram quem sempre esteve disponível para me levar a Lisboa para poder treinar. E isto aconteceu durante os primeiros dois anos.

E depois foste então viver para Lisboa...

Sim, depois disso fui viver para o centro de estágio de Alvalade nos primeiros meses porque a academia ainda não estava pronta. E depois sim, mudei-me para a Academia de Alcochete.

Viveste aquela experiência de seres dos primeiros a estrear a Academia de Alcochete. Como viam aquilo tudo vocês?

Um mundo completamente diferente, logo para começar deixámos de treinar no campo da Torre, que era pelado, para treinar em campos relvados e sintéticos do melhor que havia. O centro de estágio de Alvalade no antigo estádio José de Alvalade estava em muito mau estado. E a residência da Academia era um autêntico Hotel de cinco estrelas.

E nessa altura, passaste então a viver sozinho e longe da família correcto?como foi essa altura?

Foi muito, muito, muito complicado apesar de eu sempre dizer que estava bem... Fui cheio de vontade, cheio de ilusão, mas não é fácil com 12 anos viveres "sozinho". Chorei bastante devido a falta de carinho da família. As saudade dos amigos, apesar de que o Mister Nuno Naré sempre nos tentar ajudar. Mas éramos muitos, ele não era o pai nem a mãe, ou seja não era a mesma coisa...

E quem foram os maiores apoios dentro do Sporting nessa altura?

A minha família, o Mister Nuno Naré, e os companheiros com quem mais me relacionava, entre eles o RUI PATRÍCIO que esteve no meu quarto, o Daniel Carriço, o JOÃO MARTINS... Tentávamos ajudar mutuamente, mas éramos muito miúdos ainda... Outro dos meus grandes apoios nessa altura foi o Hugo Pina, que estava nos juniores quando eu entrei, e que depois disso se tornou um grande amigo meu.

E depois foste campeão de iniciados, numa equipa onde havia Carriço, Rui Patrício, Fábio Paim... Como foi essa época?

Foi muito boa essa temporada. Fomos campeões nacionais e o meu desempenho ao longo de todo o campeonato foi muito, muito bom. Mas ao mesmo tempo também foi um pouco triste porque foi a minha ultima época no Sporting.

Como era o Fábio Paim nessa altura? Diz quem o viu que era um talento fora do vulgar...

E quem o diz não mente (risos) Era muito bom, estava um degrau acima de todos nós, fazia a diferença e esperava-se sempre muito dele. Foi um prazer jogar com ele. Rapidíssimo, muito habilidoso, descarado sem qualquer tipo de medo de encarar os adversários, fazia a diferença em todos os jogos.

E o que achas que falhou para ele não se conseguir afirmar na fase final da formação?

O que falhou não sei, não sou ninguém para te responder a essa pergunta. Mas que tinha e continua a ter tudo para ser um jogador de grande nível, disso não tenho qualquer dúvida.

Dessa equipa manténs contacto com alguns jogadores?

Sim, com vários: com o Rui Patrício, o Daniel Carriço, o João Martins, JOÃO GONÇALVES, Ruben Gravata, Sandro e o Francisco Gomes.

Surpreendeu-te depois veres jogadores como o Carriço ou o Patrício subirem até agarrarem o lugar na equipa sénior ou nessa altura já se via ali muita qualidade?

A mim não me surpreendeu mesmo nada. Treinava com eles todos os dias, e sempre foram dois exemplos de muito trabalho diário.

 

Pedro Marques - Sporting Clube de Portugal

 

A SAÍDA DE ALCOCHETE E O INGRESSO NA BRIOSA

Depois saíste para a Académica. Como recebeste essa noticia de teres de sair do Sporting?

Foi muito complicado, tinha estado lá quase cinco anos e custa sempre, nunca se está preparado para uma coisa dessas, e muito menos com 15 anos... Mas o futebol e a vida são assim. O mundo não acaba quando uma coisa corre mal. Foi o que os meus pais me ensinaram e têm toda a razão.

Desses cinco anos no Sporting, quais são as melhores recordações que guardas?

O título de campeões distritais de infantis, o Torneio da Pontinha e o Campeonato Nacional de iniciados.

Desses anos em que eras mais novo, quais eram para ti os maiores talentos dos escalões acima de ti?

Nessa altura sem dúvida o RICARDO QUARESMA, CRISTIANO RONALDO, Edgar Marcelino, Hugo Pina , Paulo Sérgio , YANNICK DJALÓ, ZEZINANDO CORREIA e o JOÃO MOUTINHO.

De todos os treinadores que tiveste no Sporting, qual foi para ti o mais importante?

O Mister Nuno Naré.

Por todo o apoio que te deu ao inicio?

Não só no inicio, mas também quando já não era meu treinador. Sempre foi uma pessoa que me tratou bem e ajudou bastante. Aprendi muito com ele.

Quem te comunicou a saída do Sporting?

Foi o treinador Luís Gonçalves e o Sr. Jean Paul.

Achas que tinhas valor para lá ficar nessa altura ou o melhor foi mesmo saíres?

Valor claro que tinha. Mas fez-me muito bem sair, caí na realidade e aprendi muito com isso.

E depois voltaste a uma zona próxima da tua casa, Coimbra. Como foi essa mudança?

Ao principio não foi fácil. Voltei a ter de treinar todos os dias em pelados e sem as condições que tinha em Alcochete, mas o mais importante é que continuei a evoluir. Tive um grande treinador, o Mister Rui Silva, que não permitia qualquer tipo de vedetismos e isso fez-nos muito bem. Nesse ano fomos para a Académica quatro jogadores que estavam no Sporting e obrigava-nos a trabalhar ainda mais que os outros para jogar.

Tiveste outras opções ou foi uma escolha do Sporting?

Foi uma escolha totalmente minha. E sim, tinha outras opções mas nem me lembro exactamente quais eram, mas eram todas equipas ao nível da Académica.

Quem foram os teus colegas do Sporting que também foram para a Académica nessa altura?

O Tiago Marques da mesma equipa de iniciados, e o Ito e o Nélson que eram um ano mais velhos.

E entraste na equipa de Juvenis A. Como foi essa primeira época na Académica?

Sim, era Sub-16 mas entrei logo. Foi complicada porque a equipa não era muito forte. Tivemos o ano todo a lutar para não descer e só conseguimos mesmo no final, na “liguilha” para descer que ganhámos. Mas a nível pessoal foi boa.

Ficaste só essa época na Académica?

Não, fiz também o 2º ano de juvenil lá, onde aí sim, tínhamos muito boa equipa e passamos à Segunda Fase. Foi um ano muito bom em todos os sentidos.

E quais os jogadores que se destacavam nessa equipa da segunda época?

Eu (risos) , o Mário Jorge, João Traquina , Hugo Seco e Vítor Nogueira.

Enquanto estiveste na Académica em algum momento pensaste que podias regressar ao Sporting ou já esperavas que tinhas mesmo de procurar novas paragens?

Sempre tive uma pequena esperança, porque quase todos os momentos que passei lá foram bons, traziam-me boas recordações, e como qualquer jovem jogador queria jogar na melhor equipa a formar jogadores de Portugal. Mas também não estava obcecado com isso. Muitas pessoas falavam comigo e havia muitos olheiros que diziam que eu estava no bom caminho.

 

Pedro Marques - Académica de Coimbra

 

SAÍDA ATRIBULADA DE COIMBRA E REGRESSO A CASA

No primeiro ano de juniores, o regresso a casa. Houve hipótese de ficares na Académica?

É uma historia bastante complicada. O Nuno Naré estava (NDR: e ainda está) a treinar os juniores do União da Madeira e era director da formação do clube. Estava muito interessado em mim e explicou-me o projecto que o clube tinha para esses anos seguintes, que era muito bom. Eu não hesitei em querer ir, ele era uma pessoa que me conhecia melhor que ninguém a nível pessoal e futebolístico, além de ser alguém em quem eu confiava, e confio, completamente. Fiz a pré-época na Madeira, normalmente e estava tudo feito para ficar lá. Mas depois houve problemas com a transferência, a Académica não me deixou sair e por isso tive de voltar para Coimbra.

Quando voltei o treinador dos juniores disse que o plantel já estava fechado e que eu tinha tomado outras opções. Eu nesse momento fiquei completamente desorientado. Não me tinham deixado ir para o União da Madeira onde me queriam, e depois quando voltei era o próprio treinador que não me queria por ter optado por sair (risos). Foi estranho e neste momento acho cómico. Faltavam duas semanas para começar o campeonato e a direcção falou com o treinador e fiz uma semana de treinos, nos quais estive muito, muito bem. Mas como já esperava, o treinador disse que não contava comigo (risos).

A única solução que havia era mesmo voltar para casa, para a Naval, que infelizmente estava na Segunda Divisão Nacional. Aí fui muito abaixo psicologicamente, e se não fosse o meu pai, tinha deixado de jogar, pelo menos durante esse ano. Mas assim foi, estava na Figueira da Foz, telefonou-me o meu pai e diz-me que eu tinha treino às 18:00 no Campo da Naval, que já tinha falado com o treinador que estava encantado com o facto de eu treinar com eles e pronto. Foi uma temporada para jogar sem qualquer tipo de pressão, ter liberdade total, com a cabeça limpa e sem ter de demonstrar nada a ninguém. Fiz uma grande época... o Mister Manuel Cajuda viu jogos dos juniores e chamou-me a treinar com a equipa principal várias vezes.

E como foi essa experiência de trabalhar com os seniores e com o Mister Cajuda?

Foi muito boa, já treinava com profissionais e num nível competitivo totalmente diferente.

Quem eram os jogadores dos seniores que mais gostavas nessa equipa?

O Rui Miguel, que está agora em Guimarães.

Havia depois muitas diferenças entre a Naval de quando saíste e esta quando voltaste nos juniores?

Sinceramente não, a diferença só se notava mais na equipa principal, a nível profissional.

E como correu essa temporada?

Ganhámos a primeira fase sem nenhuma derrota, mas depois na segunda fase infelizmente não conseguimos subir. Perdemos no último jogo e tínhamos de ganhar. Nessa época foi também importante o papel do treinador Paganini, que me deu muita motivação e confiança.

 

Pedro Marques - Naval 1º de Maio

 

O SONHO CHAMADO REAL MADRID

Como apareceu o Real Madrid na tua vida depois de uma época na segunda divisão nacional?

Foi no torneio Manuel Quaresma, um Torneio Inter-Associações que decorreu em Lisboa. Joguei pela selecção de Coimbra.

Como me podes descrever esse torneio?

O primeiro jogo, contra a selecção da Madeira, saí ao intervalo lesionado, mas pelos vistos um olheiro do Real Madrid gostou do que viu e disse ao chefe dos olheiros para me ir ver no próximo jogo. Eu estava no banco , nem queria jogar porque estava cheio de dores no joelho e estávamos a perder. Mas acabei por entrar e fiz um jogo perfeito mesmo, saiu tudo, tudo bem. E no final veio um senhor falar comigo a dizer que tinha gostado muito e a pedir o meu contacto. Eu não sabia quem era, só sabia que era espanhol, e depois mais tarde vim a saber que era o olheiro nº1 do Real Madrid, o chefe de prospecção.

E depois como tudo se processou? Falaram contigo, com o clube? Quem te deu a noticia de que ias para Madrid?

Foi o Pedro Romão que entrou em contacto comigo através do Real Madrid, e conversou comigo e com o meu pai.

E quantos treinos fizeste até receberes a noticia definitiva que ficavas aí?

Nenhum. Continuaram a observar-me em vários jogos da Naval e fui a Madrid assinar o contrato dia 30 de Março de 2006, precisamente um dia antes de fazer 18 anos.

Bela prenda de aniversário... Como é que um jovem recebe uma noticia de que podia ir para o Real Madrid, estando a jogar na 2ª Divisão?

Fiquei contentíssimo. Não estava à espera que fosse o Real Madrid, mas tinha feito um muito bom torneio e sabia que era um bom escaparate. Já me tinham dito que naquele torneio iam olheiros de vários clubes europeus e dos grandes portugueses.

Como foi a adaptação a Madrid?

A nível social não custou muito devido às pessoas que me rodeavam. Acolheram-me perfeitamente e ajudavam-me em tudo o que eu precisava. Mas futebolisticamente, foram complicados os primeiros treinos porque a velocidade de jogo era muito acima da que eu estava habituado. Mas não foi difícil chegar lá (risos).

Como são as condições de treino no Real?

São ainda melhores do que eu podia imaginar. Se na academia eram muito boas, aqui são perfeitas. Temos 11 campos de treino e instalações do mais alto nível. Tudo muito bom.

E viveste em instalações do clube?

No primeiro ano sim. Vivi na residência porque era um país novo para mim e eu não sabia falar bem o idioma, não conhecia nada da cidade e era complicado. Mas depois do primeiro ano já vivi pela minha conta.

Quando chegaste ainda fizeste uma temporada nos juniores correcto? Como foi essa temporada e como funciona aí o campeonato de juniores?

Sim, fiz. O campeonato está dividido em sete partes, e o primeiro classificado de cada uma passa à fase final que se chama “Copa Campeones” e que era disputada ao longo de uma semana. O campeonato ganhámos com 20 pontos de vantagem quase. Nem Atlético Madrid nem nada (risos) mas na Copa Campeones perdemos no último jogo, que era a final.

E contra quem foi a final, Barcelona?

Não, foi contra o Valência.

E em termos pessoais como te correu essa época de estreia em Espanha?

Muito bem, fiz alguns golos e muitas assistências. Na meia-final da Copa Campeones fui considerado o melhor em campo e na final fiz a assistência para o nosso golo.

Depois passaste para a equipa C. Como foi chegar já aos campeonatos seniores, ainda que num patamar mais abaixo?

Foi muito complicado porque passamos de jogar com jogadores da nossa idade a jogar com pessoas que já têm bastantes mais anos que nós e não se deixa jogar tanto.

É competitiva a terceira divisão espanhola?

Muito competitiva mesmo.

Ficaram em oitavo o ano passado, e marcaste 3 golos. Como correu essa época?

Tive um inicio de época muito bom, em quase todas as jornadas jogos fiz assistências e fazia a diferença em todos os jogos. Por isso subiram-me à equipa B e tive uma pequena lesão. Depois quando recuperei voltei à equipa C e custou-me voltar a estar na forma que estava antes da lesão. Mais tarde, por volta do mês de Março tive uma outra lesão no tornozelo e parei até final da temporada e neste momento ainda estou a ter problemas por causa desse tornozelo.

E este ano, tens estado no Castilla ou ainda no C?

Comecei na equipa C no ano passado, os últimos 3 meses estive lesionado e o que me disseram foi para começar na C e se as coisas corressem bem... Mas o normal é que ia estar na equipa B durante o ano mas o tornozelo tem-me dado bastantes problemas.

Já alguma vez treinaste com o plantel principal?

Já, no primeiro ano de sénior e no ano passado várias vezes.

E como foram essas experiências?

São muito boas, os jogadores são cinco estrelas. A relação com os treinadores é que não é assim muito próxima.

Um dos miúdos que joga contigo aí é o Alípio, que jogava cá. Como tens acompanhado aí a carreira dele?

O ALÍPIO BRANDÃO está nos juniores, mas no ano passado treinou algumas vezes comigo. Falamos de vez em quando e acho que se está a adaptar bem e tem muita qualidade.

E como me podes descrevê-lo enquanto jogador?

Um rapaz muito habilidoso, rápido e com um bom remate.

E dos jogadores do Castilla e da C quais são aqueles que tu vês com potencial para lá chegar?

Não sei ao certo... mas há um grande central uruguaio, o Gary (Kagelmacher).

Como são os treinadores que encontraste aí em Madrid?

São todos bons, não quero falar de nenhum em especial, mas fui muito bem tratado por todos e todos os dias aprendo coisas novas.

Quais são os nomes dos treinadores que já tiveste?

Alejandro Menendez nos juniores. Depois na equipa C tive o Jose Salmeron, o Antonio Carlavilla, o Alberto Toril e agora o treinador é o Manuel Diaz.

O tipo de treino é muito diferente aí do que é em Portugal?

Eu aqui treino três vezes por semana em bi-diário, todos os dias de manhã, e só descanso na 3ªfeira. Depois treino no Sábado e jogo no Domingo. Na pré-época o treino é muito físico, mas depois muito táctico e com bola mas também depende do treinador.

E como é o dia-a-dia num dos melhores clubes do Mundo?

Levanto-me, tomo o pequeno-almoço e vou treinar. Depois do treino vou almoçar, descanso um bocado e se der tempo antes do treino vou dar uma volta. Quando não tenho treino à tarde, geralmente vou ao Centro de Estágio fazer ginásio.

Como é a tua relação com o Pepe e o Cristiano Ronaldo?

Agora falo muito mais com o Cristiano, ainda à bocado estive a falar ao telefone com ele. Amanhã vou com o meu pai ver o jogo do Real para o camarote dele com ele. Com o Pepe no ano passado falava sempre que nos encontrávamos, mas agora vejo-o pouco.

O Real de Madrid não é um caso de sucesso na formação, poucos jogadores chegam ao plantel profissional vindos da cantera, ao contrário por exemplo do Barça. Esperas ajudar a inverter essa situação?

Eu trabalho todos os dias com essa ilusão e estou consciente de que é bastante difícil. Mas sei que estou no melhor clube do mundo, e se não for aqui estou a progredir para que o possa fazer noutro lado.

Depois de algum tempo a trabalhar em Madrid, recebeste a noticia de te oferecerem um novo contrato de três anos. Como recebeste essa noticia?

Fiquei muito contente mas não surpreendido. Porque estava a fazer um muito bom trabalho e foi muito bom para mim que o tenham reconhecido e dessa forma propuseram-me o contrato profissional.

Tens contrato por mais duas épocas. Se não ficares aí, pensas voltar a Portugal?

Não sei. Neste momento penso que não é altura para fechar portas a nenhuma hipótese. Eu quero estar onde saiba que posso ser útil e num sitio em que seja bem tratado a nível profissional.

Já vivias em Madrid quando chegou o Cristiano. Como viste toda a "histeria" em volta da chegada dele?

Madrid e até toda a Espanha , "pararam" quando chegou o Cristiano. Chegou aquele que andavam a prometer há três anos, chegou o melhor do mundo. Ele neste momento está lesionado há duas semanas e quase todos os dias é capa do jornal “AS” e isso não é normal (risos).

Como se tem acompanhado aí o caso daquele bruxo que diz que vai acabar com a carreira do Cristiano?

É uma estupidez. Se calhar também me fez o bruxedo a mim (risos).

E o Cristiano sente alguma coisa em relação a esse bruxo ou nem liga?

Não liga, não faz sentido nenhum.

 

Pedro Marques - Real Madrid



ESPERANÇA EM VESTIR A CAMISOLA DAS QUINAS

Chegaste a representar a selecção nacional?

Não, fui só a um estágio antes do europeu Sub-19.

E selecções distritais?

Fui durante três anos aos Sub-11, depois mais dois anos à de Coimbra e um à de Lisboa, onde fiz um torneio em cada um dos anos. Por último fui aos Sub-18 de Coimbra, no Torneio Manuel Quaresma.

E que recordações principais guardas desses torneios?

Muito boas. De um deles saí para o Sporting e depois de outro saí para o Real Madrid (risos).

Tens agora 21 anos, sonhas ainda com a chamada à selecção nacional?

Claro que sim, é um sonho de criança que sei que um dia se pode tornar realidade.

Estares fora de Portugal, apesar de estares no Real Madrid, achas que te pode tirar um pouco de visibilidade?

Sinceramente não sei. Claro que em Portugal é muito mais fácil seres observado mas também penso que não vai ser por estar noutro pais. Até porque há vários jogadores que são seleccionados e também jogam no estrangeiro.

Portugal tem agora os jogos do play-off, achas que a selecção vai conseguir o apuramento?

Claro que sim, e vamos sair mais fortes do apuramento devido às dificuldades, o que vai ser bom para o Mundial. Os sustos que podíamos apanhar no mundial já os apanhámos e penso que já aprenderam a lição.

Concordas com o Carlos Queiroz, que podemos ser campeões do Mundo, ou é pedir um bocado demais?

Claro que podemos, temos jogadores com qualidade para isso.

Concordas com a chamada do Liedson à selecção? Tal como antes do Pepe e do Deco?

Penso que é uma posição onde Portugal necessitava de um jogador de nível, e claro que acho que Liedson é uma boa opção pelas características que tem e porque deixa tudo dentro de campo.

 

Pedro Marques - Selecção Sub-19

 

CURIOSIDADES, PREFERÊNCIAS E AUTO-AVALIAÇÃO

Tens alguma alcunha no futebol?

Aqui em Madrid muitas vezes tratam-me por Portu...

Qual é o teu clube do coração? Disseste que eras do Benfica quando eras pequeno...

É a Naval (risos) Vamos deixar esta questão assim (risos).

Quem é para ti o melhor do Mundo?

Cristiano Ronaldo, sem qualquer dúvida.

Mas este ano deve ganhar o Messi. O que achas que os distingue?

São jogadores muito distintos mas o LIONEL MESSI este ano ganhou muitos prémios colectivos e isso influencia bastante.

No início gostavas do João Vieira Pinto. Hoje em dia qual é o jogador com quem mais te identificas?

Não sei. Gosto de analisar os jogadores que jogam na minha posição para aprender algo com eles. Tenho o Cristiano Ronaldo, o Luís Figo ate há bem pouco tempo também era uma referência para mim, e também o Ricardo Quaresma quando estava no FC Porto.

Já falamos aqui de alguns colegas teus, agora pergunto-te: Como te podes descrever a ti próprio como jogador?

É complicado isso (risos) Sou um jogador rápido, com boa técnica. Bom a centrar e gosto muito de encarar os defesas.

Tens algum aspecto que gostasses de melhorar?

Todos eles!

E como é o Pedro Marques fora dos relvados?

Sou cinco estrelas (risos) Sou um rapaz normal. Apenas gostaria de poder estar mais com os meus amigos, porque são muito importantes para mim e o meu dia-à-dia na Figueira da Foz é rodeado deles. Isso aqui não é possível mas sou divertido, brincalhão, adoro quase todos os tipos de desportos e pratico bastante.

Quais os desportos que gostas?

Basquetebol, Futvólei, Ping-Pong, Ténis...

Qual é o teu sistema táctico preferido? Pela tua posição, aposto no 4x3x3...

Sim, claramente o 4x3x3. Mas aqui infelizmente jogamos em 4x4x2.

E quem é para ti o melhor treinador do Mundo?

José Mourinho.

O que achas que o torna tão especial como ele diz ser?

Não sei, acho que se as pessoas soubessem tentariam ser como ele, penso eu, para terem sucesso.

A escola sofreu muito com a vida de futebolista?

Acabei o 12º ano aqui em Espanha mas não deu para ir para a Universidade.

Que curso gostavas de seguir se tivesses a oportunidade?

Fisioterapia e Desporto.

Achas que se faz boa formação em Portugal?

Acho que sim, basta ver que há muitíssimos jogadores jovens de qualidade. Talvez haja apenas um bocado de escassez de oportunidades.

E também temos quem defenda que há um excesso de estrangeiros na formação em Portugal e que isso tira oportunidades a alguns jovens portugueses do futebol. Concordas com esse pensamento?

Concordo, claro que sim. Mas eu também vim ainda na formação para o estrangeiro por isso também não posso opinar muito sobre esse aspecto.

Aí também há muito essa discussão ou há menos estrangeiros?

Depende, mas acho que é como em todo o lado, muitos queixam-se, outros apoiam-te.

Como vês estes casos mais recentes onde grandes clubes contratam jovens à revelia dos clubes mais pequenos, principalmente em Inglaterra?

Não tenho nada contra isso. Acho que se um clube oferece melhores condições , só tem que aproveitar.

Quais são os teus principais objectivos no futebol?

Pouco a pouco estou a atingir os meus objectivos. O meu próximo objectivo é deixar de ter problemas com o meu tornozelo e poder fazer uma grande época. Quero-me afirmar na primeira divisão de uma liga europeia.

Ao longo de todos estes anos de futebol, qual foi o defesa que mais dificuldades te colocou em campo?

Não te sei dizer assim de repente...

Não tens nenhum nome de um defesa esquerdo que tenhas gostado de ver jogar por exemplo?

Sinceramente não. Estou aqui a pensar e não me ocorre nada... Podia ser direito também porque eu aqui jogo mais pela esquerda do que pela direita.

Sempre jogaste na mesma posição ao longo de todos estes anos?

Não, no meu primeiro treino na Naval eu era guarda-redes. Depois fui avançado até ao último ano de escolinha em que jogava a médio centro. No Sporting nos Infantis jogava a médio ofensivo ou médio direito, nos Iniciados joguei a médio direito e nos Juvenis, já na Académica, jogava a médio direito ou esquerdo e médio ofensivo. Quando regressei à Naval, nos juniores fazia um pouco todas as posições do ataque. Por último no Real Madrid, jogo tanto na direita como na esquerda.

Tens alguma superstição?

Não. Apenas me costumo benzer antes de entrar em campo e costumo rezar no balneário.

Que conselhos podes dar aos jovens que estão agora a começar uma carreira no futebol?

Que não desistam nunca perante as adversidades que encontrarem pelo caminho, porque o futebol não é fácil. Que trabalhem muito e que desfrutem dentro do campo.



BI do jogador:

Nome completo
: Pedro Alexandre Mendes Marques.
Data de Nascimento: 31-03-1988.
Local de Nascimento: Figueira da Foz.
Altura: 180cm.
Peso: 73kg.
Clubes: Naval, Sporting, Académica e Real Madrid.
Posição: Médio esquerdo ou direito.
Pé preferido: Esquerdo.

Entrevista realizada no dia 31 de Outubro de 2009 via Telefone.
Texto: Nuno Valente.

Comentários

Nao jogas nada foi so cunhaas

Nao jogas nada foi so cunhaas para estares no real e deves flr muito com o ronaldo deves......

Saí do Real Madrid o mais

Saí do Real Madrid o mais rapido possivel, tu já chegas-te a fase em que pouco ou nada vais evoluir e por isso deves ir para um clube em que possas ser titular, tu ai podes ser o melhor mas não te esqueças que jogas na segunda divisão, e um jogador do teu calibre devia pelo menos jogar numa primeira liga.
Faz te ao Bife !

sortes...

sortes...

se com esta idade ainda esta

se com esta idade ainda esta nas equipas B e C do Real Madrid então, é so um jogador mediano.

Granda Pedro Marques. Mete

Granda Pedro Marques.
Mete uma cunha aí no Real e leva o Choco.

Peras:)

Já vi este jovem a jogar e

Já vi este jovem a jogar e tenho a dizer que é dotado de uma técnica impressionante, chegar ao real madrid e ser o melhor da equipa não é fácil. Espero que o Rui costa esteja atento.

um jogador da formaçao do

um jogador da formaçao do real madrid e titular tem que andar nas nossas selecções jovens, como é possível não andar, outra situação foi visto num torneio sub18, não sei qual foi o objectivo de acabar com esses torneios, devia continuar a haver torneios de sub14, sub15,sub16 sub17 sub18 e sub20 todos os anos.

Jogas tanto!

Jogas tanto!

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