Entrevista com Rui Pedro

Aos 21 anos, RUI PEDRO está a atravessar o melhor momento da sua curta carreira. Depois das experiências menos felizes no Estrela da Amadora e no Portimonense, a jovem promessa do FC Porto é um dos trunfos de Rui Quintas no Gil Vicente. Em Barcelos, RUI PEDRO tem vindo a confirmar a veia goleadora que sempre o distinguiu ao serviço dos dragões. O avançado sente-se confiante e é uma carta importante no baralho de Cruz, para os jogos decisivos de apuramento para o Campeonato da Europa de Sub-21.
O Gil Vicente é o terceiro clube que representas por empréstimo do FC Porto. É justo considerar que estás a atravessar o melhor período da tua carreira, ao nível sénior?
Sim. Penso que é justo dizer isso, até porque os resultados estão à vista. Tenho feito uma excelente época ao contrário do que aconteceu nas anteriores, em que as coisas não me correram tão bem.
O que é que encontraste em Barcelos, em oposição ao que viveste no Estrela da Amadora e no Portimonense?
Não tem apenas a ver com clube. O ambiente e os colegas, o próprio staff técnico. Penso que o sucesso passa por tudo isso.
Sendo um homem do Norte, achas que o factor geográfico ajudou à desinibição nos relvados, pelo menos nesta fase inicial da tua carreira?
Penso que sim. Os resultados falam po ris. Fiz sempre grandes épocas quando estava ao serviço do FC Porto. Depois, tive dois empréstimos para longe de casa. Como sou uma pessoa com um apoio familiar muito grande, talvez tenha sentido essa ausência desse carinho dos meus familiares. Quando estive no Portimonense, senti-me um pouco abandonado, tal como no Estrela da Amadora e essa falta de atenção pode ter influenciado a minha prestação.
Mesmo em termos de observação, sentes-te mais perto do FC Porto? Tendo em conta essa proximidade, que expectativas sentes que o FC Porto tem em relação a ti? Existe algum tipo de feedback por parte do mister Jesualdo Ferreira?
Sim. Sinto-me mais perto e o próprio FC Porto sente-se mais perto de mim e pode observar-me com maior e melhor regularidade.
Para já, acho que o FC Porto tem-me dado outro acompanhamento, talvez por causa da proximidade. Falamos muito depois dos jogos e procuram sempre saber como me estão a correr as coisas.
Não é normal o mister Jesualdo ter conversas com jogadores emprestados pelo FC Porto. Quando fui emprestado, ele disse-me para continuar a trabalhar para um dia poder regressar ao FC Porto.
O FC Porto tem denotado alguns problemas esta temporada, nomeadamente, no último terço do terreno. Tu já apontaste sete golos na Liga Vitalis e dois na Taça de Portugal (um frente à Naval), isto excluindo o percurso na Selecção Sub-21. Surgiu alguma hipótese de integrares o plantel do FC Porto já em Janeiro?
Não. É uma hipótese que me agradava, mas não soube de nada e acima de tudo, tenho feito um percurso importante no Gil Vicente.

Depois de um ensaio falhado no Estrela da Amadora, tu ainda participaste em 22 partidas ao serviço do Portimonense. Este ano tens sido pedra fundamental noutro candidato à subida à Liga Sagres. Achas que esta é a época da tua afirmação definitiva ou ainda falta mais experiência de 1ª Liga?
Penso que esta é a época de afirmação. Um jogador que sabe jogar na II Liga também sabe jogar na I e eu também já fiz alguns jogos no principal escalão, por isso, acho que essa questão não se coloca.
A II Liga é encarada como sendo mais viril e difícil para os avançados. Mesmo tendo em conta a pouca experiência no escalão maior, achas que terias mais golos marcados se actuasses num clube da Liga Sagres ou essas diferenças não são tão relevantes?
É difícil dizer isso. Temos de encarar o momento actual e o meu momento é no Gil Vicente, na II Liga e é lá que eu tenho feito golos, por isso, não posso estar a dizer se podia fazer mais golos na Liga Sagres.
O Gil Vicente é assumidamente um candidato à subida, mas tarda em encontrar o ritmo necessário. O que é que tem faltado à equipa para vencer com maior regularidade?
Entraram 16 caras novas no plantel no início de época e agora entraram mais três durante o mercado de inverno. Não é fácil fazer uma equipa desta forma e o mister Rui Quinta tem feito um enorme trabalho nesse sentido. É um trabalho que tem de ser feito aos poucos e o mister já conseguiu criar um bom grupo. Não temos tido bons resultados em casa, apesar da recente vitória sobre o Trofense. Já não ganhávamos há quatro meses, portanto, penso que essa tem sido a nossa maior pecha.
Estamos a nove pontos do 1º lugar, estamos na corrida, apesar de não ser uma candidatura assumida por nós. É mais assumida pela imprensa, pela comunicação social, embora toda a gente pense nisso. O objectivo passa por ganhar jogo a jogo.
Tu tens sido um dos jogadores em destaque pela positiva. Na tua opinião, que outros jogadores se têm destacado?
O Pedro Moreira também está a fazer uma excelente época. Acima de tudo, todo o plantel é constituído por jogadores importantes, mesmo os que não jogam. É este o espírito que nos tem ajudado a formar um grupo sólido e coeso.
Numa apreciação a teu respeito, Luís Freitas Lobo considerou que o número 10 te assenta bem, pela criatividade e técnica. No entanto, tens-te destacado pelos golos. Temos pela frente um 10 goleador ou um avançado tecnicista?
Na Selecção Nacional, jogo como 10. Mas no meu clube jogo como segundo avançado, um avançado mais solto. Sempre gostei de aparecer em zonas de finalização e de viver a sensação de marcar um golo. Sinto-me mal se acabar um jogo sem marcar um golo, pois sempre me habituei a marcar. Julgo que é algo que me está no sangue.
Achas que encaixavas no actual sistema táctico do FC Porto (4-3-3)?
Tenho um pouco mais de dificuldade para me adaptar a esse sistema, até porque nem sou 9 nem sou 10. Se calhar, posso estar a pagar a factura por causa disso. Não estou habituado a jogar numa posição fixa, mas acho que tenho todos os condimentos para jogar descaído sobre uma ala (tal como Lisandro), até porque um bom jogador joga em qualquer posição.
E em relação à posição que foi ocupada pelo Lucho?
Aí julgo que iria sentir mais dificuldades, até porque já experimentei essa posição no Portimonense e as coisas não correram assim tão bem. Nessa posição jogo muito longe da baliza e isso prejudica-me.

O SANGUE AZUL CORRE-LHE NAS VEIAS
Quando começaste a jogar já demonstravas apetite pelas balizas?
Sim. Comecei logo a jogar como ponta-de-lança. Como era dos mais altos, tinha facilidade em marcar golos.
Com que idade começaste a jogar e porquê o Leverense? Que momentos recordas ao serviço do clube?
Comecei com oito anos e comecei no Leverense porque é a terra do meu pai. Era um desejo dele. Nos dois anos em que lá estive, recordo o título distrital que conquistamos e os amigos que fiz, que foram muitos.
O convite do FC Porto surgiu muito rapidamente. Aos 10 anos, já jogavas de dragão ao peito. Como é que surgiu esse interesse dos azuis-e-brancos?
Quando jogava no Leverense, tive uma primeira experiência no FC Porto. Fui às captações, mas não fiquei, julgo que isso aconteceu porque havia excesso de jogadores. Insisti e acabei por ficar. Sou portista convicto e por isso era um sonho para mim representar o FC Porto.
Como é que descreves a passagem do Leverense para o FC Porto? Naquela idade, já se sente a diferença abismal entre os dois clubes ou foi uma adaptação igual a tantas outras?
Sente-se sempre, é uma grande transição. Nas conversas que tinha com os meus colegas na escola, sentia um enorme orgulho por poder dizer que jogava no FC Porto. Já naquela idade, era algo que mexia muito connosco. São realidades completamente distintas. Passei de um clube onde me habituei a ser sempre dos melhores, para outro recheado de excelentes jogadores.
Ainda te lembras do 1º jogo com a camisola do FC Porto? E o 1º título?
Lembro-me perfeitamente. Foi contra o Gondomar SC em Escolinhas (2º ano). Marquei três golos no jogo de estreia, logo contra o meu amigo ANDRÉ CASTRO. O primeiro título distrital surgiu precisamente nesse ano. Venci o campeonato nacional no meu último de Júnior.
Durante a tua formação, qual foi o momento mais marcante que tiveste ao serviço do clube?
A conquista do campeonato de Sub-19 foi o momento mais marcante. Nós, jogadores do FC Porto, andamos uma temporada inteira a trabalhar para conquistar o título e consegui-o no meu último ano. Passado dois ou três dias, recebi a notícia de que iria ficar no plantel principal.
Certamente, conviveste com muitos colegas, alguns com mais talento que outros. Em termos de potencial, tens algum em especial que recordes?
São vários. É com angústia que vemos jogadores saírem do FC Porto e deixarem de ser falados. É difícil apontar um, porque, infelizmente, essa situação aconteceu a muitos colegas.
Numa fase de alguma incerteza, alguns vão progredindo e outros vão ficando para trás. Houve algum momento de maior indefinição quanto à tua carreira?
Não. Sempre fui afirmativo. Desde as Escolinhas que demonstrei o meu valor. Eu acho que o difícil não é chegar ao FC Porto, mas sim mantermo-nos num clube daquela grandeza.
Quando é que tiveste a certeza de que ias ser jogador profissional de futebol?
Aos dezasseis anos. Era Juvenil (2º ano) e foi quando eu assinei o meu primeiro contrato profissional.
Em que medida é que isso afectou os teus estudos?
A partir dessa altura tornou-se difícil conciliar os estudos com o futebol. Desligamo-nos um pouco dos estudos, algo que não aconselho a ninguém a fazer. Se pudesse voltar atrás, fazia as coisas de maneira diferente.

Ao longo dos anos, conviveste com vários treinadores. Houve algum que destaques pela positiva? Porquê?
Destaco o mister José Guilherme, que me acompanhou dos Juvenis até aos Juniores e foi durante esse período que senti uma maior evolução. O mister Ilídio Vale também me marcou, até porque vencemos o campeonato nacional de Sub-19. E agora, o mister Rui Quinta também tem sido muito importante para a minha carreira.
Nos últimos dois anos nos escalões de formação do FC Porto, apontaste mais de 50 golos. Naquela altura, actuavas como referência no ataque ou mais no apoio? Qual é a posição em que te sentes mais confortável?
Na altura, jogava como apoio ao avançado, mas aparecia muito bem nos espaços. É aí que me sinto mais confortável.
No processo de transição para os seniores, tu passaste a integrar directamente o plantel do FC Porto. Olhando para trás, achas que essa foi a melhor decisão?
Na altura, houve Campeonato da Europa e eu não pude jogar por causa de um atraso a um controlo anti-doping. E isso penalizou imenso a minha prestação no FC Porto, porque me impedia de representar o clube em qualquer competição. Acho que foi uma decisão correcta. Apesar do pouco tempo de jogo, penso que evoluí muito.
Como foi conviver com um balneário recheado de estrelas e jogadores provenientes de vários países, nomeadamente, da América do Sul. Para um jovem recém-chegado ao mais alto nível, sente-se esse choque ou já é algo natural?
Não é choque, penso que é uma novidade mas não foi um problema. Estamos habituados a ver as grandes estrelas na televisão e depois vemo-nos a partilhar o balneário com esses grandes jogadores, por isso, considero que é uma experiência inesquecível e bastante positiva.
A grandeza do FC Porto também se percebe pelo facto de ter jogadores de todo o mundo. É uma equipa diferente, em que todos os jogadores ajudam à integração natural dos mais jovens que vão chegando ao plantel.
De titular indiscutível, passaste a actuar na Liga Intercalar (onde apontaste três golos). Isso afectou-te de alguma forma?
Não. Foi o único espaço onde os mais jovens puderam actuar. Pessoalmente, fui penalizado pelo castigo aplicado pela Federação. Depois, ainda tive oportunidade de me estrear na Taça de Portugal, mas estive a soro no hospital e não pude jogar. A Intercalar foi muito positiva, pois foram as minhas prestações nessa competição que me valeram o empréstimo para o Estrela da Amadora.
Foste tu que solicitou o empréstimo a meio da temporada?
Não. Foi o Estrela da Amadora que solicitou o meu empréstimo. Não foi algo que me agradou, porque já sabia dos problemas que o clube atravessava naquele momento. Apesar de ser o FC Porto a sustentar o meu salário, não é fácil para um jogador, principalmente, no seu primeiro ano como Sénior, ver um balneário conviver com essa situação tão complicada.
Quando surgiu a hipótese de representar o Estrela da Amadora, já sabias dos problemas que o clube atravessava?
Sabia, mas uma coisa é vermos de fora e outra é estar por dentro. Por vezes, nem havia treinos e isso é muito penalizador para um jogador de futebol que apenas quer trabalhar e evoluir.
Achas que isso influenciou negativamente o teu rendimento?
Sim, mas também tive uma lesão grave que me deixou parado bastante tempo.
Na época seguinte, representaste o Portimonense. Foste utilizado com alguma regularidade mas não apontaste qualquer golo. Como é que descreves essa temporada?
No Estrela da Amadora, penso que tenho alguma desculpa por todos os problemas vividos no clube. No Portimonense, joguei numa posição mais recuada e fui perdendo alguma confiança ao longo da época. Quando as coisas não nos correm bem, parece que tudo nos passa por cima. Tenho de admitir que não me consegui adaptar, mas gostei de ter passado pelo Portimonense. Se estou a jogar bem esta temporada é porque aprendi a superar as dificuldades que tive que enfrentar no passado.
Tendo em conta a consolidação no Gil Vicente, caso o clube ascenda à Liga Sagres, consideras a hipótese de te manteres em Barcelos ou a fase de aprendizagem já justifica outros voos?
Ainda é muito cedo para dizer isto, mas se o Gil Vicente subir à Liga Sagres e estiver interessado nos meus serviços, porque não?

OS ALTOS E BAIXOS AO SERVIÇO DA SELECÇÃO NACIONAL
Tu tens sido presença assídua nas selecções jovens. Quando é que foi a tua primeira internacionalização e quem era o treinador?
Foi nos Sub-16 e o seleccionador era o António Violante. O meu primeiro jogo foi contra a República da Irlanda e marquei um golo na estreia.
Que posição ocupavas na Selecção Nacional?
Actuava como uma espécie de número oito, mas numa posição mais avançada no terreno.
Como foi cantar o hino pela primeira vez?
É muito bom, é uma experiência muito gratificante. Sentimos essa emoção quando vemos na televisão, mas quando somos nós a cantar é uma sensação completamente diferente.
Durante o teu percurso na Selecção, também te assumiste como um goleador? Há algum jogo que te tenha marcado mais?
Sempre. Penso que sou o melhor marcador da minha geração. Acho que marquei 21 golos e portanto também me assumi como goleador ao serviço da Selecção Nacional.
E qual foi o teu momento mais marcante ao serviço da Selecção?
Jogar em Wembley, contra a Inglaterra, marcou-me imenso. Tive outros jogos que me deixam boas recordações, mas esse é um momento que recordo com especial atenção.
Recentemente, um seleccionador adversário comparou-te a Rui Costa, pela forma semelhante como se relacionam com a bola. Chegaste a ter conhecimento dessas declarações? Como é que se sente um jovem jogador quando é comparado a um craque como o Rui Costa?
Foi o seleccionador da Macedónia. Já fui comparado com o Rui Costa e também já fui comparado com o Deco. É sempre bom ser comparado com grandes jogadores e eu não fujo à regra, obviamente que fico feliz, orgulhoso e ainda mais motivado para trabalhar arduamente de modo a tentar ser um jogador cada vez melhor.
Esses rótulos levam a que um jovem tente adoptar o estilo de um determinado jogador?
Penso que não. Nós temos uma coisa na cabeça, que é seguir o nosso trabalho. Esses elogios só nos vêem dar força.
Também consideras que existem semelhanças entre o teu estilo de jogo e o do Rui Costa?
Não sou a pessoa indicada para falar disso. Talvez existam algumas semelhanças, até pela parecença física. Tecnicamente também podem existir algumas semelhanças, no transporte de bola, por exemplo. Mas temos maneiras diferentes de jogar. O Rui Costa funcionava mais como assistente, enquanto eu apareço mais vezes na área a finalizar.
Que títulos conquistaste ao serviço da Selecção Nacional? Foi esse o momento mais marcante com a camisola das Quinas?
A minha geração conquistou alguns torneios e conseguimos a classificação para o Campeonato da Europa de Sub-19. A nível individual, ganhei um troféu de melhor jogador num torneio disputado na Bielorrússia. A par do primeiro golo que apontei ao serviço da Selecção, foram os dois momentos mais marcantes.
Actualmente, integras o leque de jogadores que tem vindo a disputar o apuramento para o EURO2011. Achas que já conquistaste a confiança do mister Oceano Cruz?
Não sei. Tinha sido chamado regularmente até à chegada do mister Oceano. Não fiz parte da sua primeira convocatória, mas uma infelicidade do Bruno Pereirinha (lesionou-se) fez com que eu fosse chamado à última da hora. O jogo correu-me muito bem. Marquei um golo e fiz uma assistência. Penso que a partir daí ganhei a confiança do técnico e por vezes, são estes pequenos detalhes que podem fazer a diferença. Passei de não convocado a um jogador chamado regularmente e acho que isso se deve à vontade que tenho de ajudar o grupo.
O apuramento não está a correr da melhor forma. Achas que é no ataque, que reside o maior problema?
Ainda temos três jogos e se os ganharmos garantimos a qualificação. Temos um jogo acessível na Lituânia e depois temos de vencer em casa a Macedónia e a Inglaterra. Está complicado, mas tudo é possível.
Penso que não é no ataque que residem os nossos problemas. É um conjunto de factores. Por exemplo, estávamos empatados com a Grécia e se tivéssemos mais experiência talvez conseguíssemos evitar a derrota.

O balneário ainda acredita no apuramento ou está consciente das dificuldades que vão ter para atingir esse objectivo?
Todo o plantel está confiante, mesmo os que não têm sido chamados com frequência e que eu tenho falado, demonstram essa confiança de que vamos conseguir.
Que opinião tens do actual seleccionador nacional?
Penso que é um bom técnico. O facto de ter sido jogador faz com que perceba os problemas dos jogadores e, por isso, tem-nos ajudado imenso.
Concordas com a opinião generalizada, de que faltam avançados portugueses de categoria internacional e capazes de marcar golos?
Não sei. Discordo um pouco dessa opinião. Temos avançados de enorme valor. São os casos do Orlando Sá (FC Porto) e do Yazalde (SC Braga), por exemplo. Não são só os golos que fazem os bons avançados.
Sentes esse preconceito ou achas que isso te pode situar como uma das principais promessas num futuro próximo? Sentes isso como uma responsabilidade acrescida?
Sim, acho que é um preconceito. No que me diz respeito, acho que tenho todas as condições para triunfar. Estou a realizar um bom trabalho e acredito nisso. Trabalhamos diariamente para ter sucesso e para melhorar as nossas vidas. Como jovem, não fujo à regra e também tenho essa ambição.
Viveste dois momentos, particularmente, negativos. Ambos, com consequências ao nível da Selecção. Um deles envolveu um atraso de 2 minutos ao controlo anti-doping. Na altura, passava-te pela cabeça que podias ser afastado do Campeonato da Europa de Sub-19?
Não, até porque esse castigo só saiu passado dois meses. Soube do castigo quando estava num estágio ao serviço da Selecção Nacional. Foi um momento muito negativo para mim e que influenciou a minha carreira. Fiz toda a qualificação para o Campeonato da Europa e de repente, vi-me privado de o disputar. É muito frustrante.
Mesmo no FC Porto, fiquei resumido aos treinos e isso influenciou muito o resto da temporada.
O Seleccionador da época lamentou a tua ausência, mas os órgãos da Federação decidiram-se pelo afastamento. Achas que existiu justiça nesse caso? O que é que te foi dito?
Eu nunca soube bem quem é que teve culpa, aquilo que sei é que quem pagou foi o jogador. Não foi justo, porque eu não tive qualquer responsabilidade. Houve um pequeno erro e isso prejudicou-me imenso.
Esse episódio deixou sequelas no seio da Selecção? Como é que viveste essa situação? Houve alguma intervenção por parte do FC Porto?
Acompanhei o Campeonato da Europa com alguma tristeza. Pensava que podia estar ali a contribuir. O regresso à Selecção Nacional foi normal e toda a mágoa ficou para trás, pois eu só penso em fazer o meu trabalho da melhor forma e estou optimista em relação ao futuro.
O FC Porto sempre me ajudou imenso durante todo o processo, mas não foi possível resolver a tempo a situação.
Mais recentemente, estiveste envolvido no lance do célebre penalty à Cruyff, juntamente, com o Pereirinha. Era algo que tinham combinado entre vocês um pouco à imagem de Thierry Henry e Robert Pires?
Não. Surgiu no momento. Não deu resultado e pagamos por causa disso.
O que é que sentiste quando o mister Carlos Queiroz vos afastou a ambos do estágio dos Sub-21? O que é que te foi dito na altura?
Soubemos do afastamento através do mister Rui Caçador. Mas, num estágio antes de um jogo contra a equipa B, o mister Carlos Queiroz falou connosco e disse-nos para não voltar a fazer isso. Nós tínhamos perfeita noção do erro que tínhamos cometido.
Tendo em conta a experiência e a reputação do professor Carlos Queiroz, achas que foi uma medida justa e construtiva? Sentes-te capaz de repetir a façanha?
Não convém repetir esse lance, mas serviu para aprender e acho que o mister Queiroz adoptou uma postura correcta e justa.

OBJECTIVOS DE UM JOGADOR COM ALVOS BEM DEFINIDOS
Como é que te descreves como jogador? Quais os aspectos mais fortes do teu jogo?
Sou bom tecnicamente. Acho que penso bem o jogo e apareço bem nas zonas de finalização. Sou rápido e todas estas características têm-me ajudado imenso.
Envergas a camisa 10 e já foste comparado a Rui Costa. O Rui Pedro é um portista com um ídolo benfiquista?
Não. Sou portista desde pequenino e sempre gostei do Deco, mas quando era pequeno gostava muito do Dennis Bergkamp e do Ronaldo “Fenómeno”.
Qual foi o defesa mais difícil que tiveste pela frente?
O Daniel Carriço foi o defesa mais difícil que encontrei durante o meu percurso na formação.
O FC Porto é o teu clube de sonho ou jogar no estrangeiro é um objectivo de carreira?
Sonho em representar o FC Porto, mas gostava de representar o Liverpool, que é um clube que eu aprecio, particularmente.
Que planos o FC Porto tem reservados para ti? Existe a possibilidade de integrares o plantel na próxima temporada? Essa é uma realidade com a qual os adeptos podem contar?
É um objectivo pessoal que tenho, mas só o FC Porto poderá dizer se isso vai acontecer ou não. Se existir interesse, os adeptos, certamente, me verão com a camisola azul e branca.
BI do jogador:
Nome completo: Rui Pedro Couto Ramalho.
Data de Nascimento: 1988-07-02 (21 anos).
Local de Nascimento: Vila Nova de Gaia.
Altura: 182cm.
Peso: 72kg.
Clubes: FC Porto, Estrela da Amadora (empréstimo), Portimonense (empréstimo) e Gil Vicente (empréstimo).
Posição: Avançado.
Pé dominante: Direito.
Entrevista realizada no dia 8 de Janeiro de 2010 na Residencial Monte Carlo - Porto.
Texto: Nuno Rocha.
Imagens: www.ojogo.pt

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Comentários
Acredito..
Acredito que quando o FCP tiver um treinador que aposte nos jovens de qualidade do clube, tanto o Rui Pedro,
como André Pinto, Sergio Oliveira.... serão aproveitados!!
A avançado é irregular, e a
A avançado é irregular, e a médio não é lá muito inteligente e prático. tem de treinar mais todos os aspectos
Tem melhorado muito nos
Tem melhorado muito nos ultimos tempos. Quando o vi no estrela pensei que era um jogador que nunca ia ser nada, mas desde ai que nunca desistiu e trabalhou sempre e notam se varias melhorias quer ao nivel de jogo quer a nivel mental. ele ainda nao ganhou nada nem fez nada no futebol, mas certamente que esta a trabakhar para isso e é um bom exemplo para os mais jovens.
coment
muito bom JOGADOR, fiquem atentos ;)
ja vi jogos dele e parece me
ja vi jogos dele e parece me que pode um dia ingressar no plantel do fcp
So é bom porque está na liga
So é bom porque está na liga Vitalis.. se estivesse na primeira liga era tipo Rui Fonte... nunca jogava
quando se chega a esta fase e
quando se chega a esta fase e ainda nao se sabe bem o que quer ser (avançado, médio, extremo, etc) então algo está mal
esta entrevista está boa. o
esta entrevista está boa. o rui pedro demonstrou muita maturidade e ser um jogador que sabe bem o que quer. força miudo
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