Entrevista
Entrevista com André Campos
Tranquilo e bem disposto durante a maior parte da conversa, um pouco emocionado e triste quando se fala no Benfica, é André Campos, capitão da equipa encarnada que venceu recentemente o Campeonato Nacional de Juvenis mas que agora representa o Braga.
Desde os primeiros passos no Gil Vicente, passando pela mudança para a Luz, pela conquista do título e pela dispensa do Benfica, o defesa central contou um pouco da sua carreira, que agora conhece um novo capítulo, uma nova aventura, desta vez no Braga.
Academia de Talentos: Boa tarde André, nos últimos tempos todos temos ouvido falar de ti em virtude da tua saída do Benfica, mas onde e como é que começaste a jogar futebol?
André Campos: Comecei a jogar com oito anos no Gil Vicente, estive lá até aos quinze anos, até que me mudei para o Benfica.
ADT: Começaste bem cedo nas escolinhas do Gil Vicente, nessa altura de quem foi a ideia de entrares para o clube?
A.C.: Foi mais pela minha vontade de jogar à bola, não com o sentido de ser mesmo jogador de futebol mas mais pelo gosto de jogar e depois os meus pais apoiaram-me nisso.
ADT: Na altura já te vias como um daqueles miúdos «craques»?
A.C.: Não (risos), na altura via o futebol como um divertimento, um passatempo, uma coisa que gostava de jogar e de fazer.
ADT: Os teus pais sempre te apoiaram ou diziam para te dedicares mais à escola?
A.C.: Também, sempre tive apoio da parte deles sem nunca me deixarem descuidar com os estudos, apoiaram-me imenso.
ADT: Como foram as primeiras épocas, como escolinha?
A.C.: Só tive um ano de escolinha, não tínhamos campeonato, fazíamos apenas uns torneios de vez em quando mas nada de especial também.
ADT: Começaste em que posição?
A.C.: Ponta de lança (risos), mas com a transição para os infantis, onde fui ainda com idade de escola, porque sempre joguei em escalões acima, mudaram-me de posição, os treinadores acharam melhor mudar, comecei por ir para extremo direito, depois para lateral direito até que fiquei definitivamente a defesa central.
ADT: Quando realmente te afirmaste nos «gilistas»?
A.C.: Eu a partir dos infantis sempre joguei a titular mas comecei a dar mais nas vistas a partir dos iniciados.
ADT: Com a passagem para os infantis, onde começaste então a enfrentar uma realidade mais competitiva, sentiste mudanças?
A.C.: Senti, porque jogava com jogadores mais velhos do que eu três anos, e era sempre complicado para mim.
ADT: Como foram essas épocas como infantil?
A.C.: A primeira foi a época mais difícil, levávamos grandes goleadas (risos), foi mais complicado porque nós éramos crianças e o Gil Vicente não é assim um clube de grande dimensão e então quando jogávamos contra clubes como o Vitória de Guimarães, as diferenças no resultado eram elevadas e era complicado para nós. A segunda época já foi bem melhor a todos os níveis.
ADT: Quando foste chamado pela primeira vez à selecção de jogadores da Associação de Futebol de Braga?
A.C.: Em infantis de último ano penso eu.
ADT: Sentiste que na altura poderia ser um passo importante para ti?
A.C.: Senti mas no ano anterior eu via os meus colegas, mais velhos um ano, a irem lá e chegaram a ter torneios e isso, nós fomos lá no ano que só fizeram mesmo treinos, e por isso mesmo não deu para ver muita coisa.
ADT: Sabemos que desde cedo te afirmaste como capitão quer do Gil Vicente, quer da Selecção de jogadores da Associação de Futebol de Braga, como e porque achas que aconteceu isso?
A.C.: No Gil Vicente, desde os infantis fui sempre capitão, por escolha dos treinadores e dos meus colegas também que sempre quiseram que fosse eu. Depois na selecção de jogadores da Associação de Futebol de Braga, quando cheguei lá foi o treinador que decidiu.
ADT: Saíste do Gil Vicente depois do teu último ano como iniciado, como correram as duas épocas nesse escalão?
A.C.: Como iniciado de primeiro ano, correram mais ou menos, porque jogávamos na distrital, era competitivo porque jogávamos contra mais velhos mas não era um futebol tão bem jogado. Mas o segundo ano foi muito bom, começámos mal a época, mas fizemos uma segunda volta muito boa, não passámos à segunda fase por um golo, mas no geral foi uma época positiva e um ano muito bom para mim.
ADT: Dos anos que passaste aqui em Barcelos, fala-nos dos teus misters?
A.C.: O que mais me marcou foi o Mister Lim, que já foi jogador do Gil Vicente, e que me treinou no meu último ano de iniciados, penso que me ajudou muito. Além de evoluir, depois nas decisões para onde ia e não ia, andava um bocado confuso na altura e ele ajudou-me bastante.
ADT: Depois desses anos no Gil Vicente, rumaste ao Benfica, quando surgiu pela primeira vez o interesse dos encarnados?
A.C.: Foi no final da primeira fase da segunda época de iniciados, eles vinham a observar jogos meus desde o inicio do campeonato mas contactaram-me só no final da primeira fase.
ADT: Como te sentiste com o interesse de um grande clube como o Benfica?
A.C.: Confuso, porque na altura eu não estava de todo à espera e apareceu-me para além do Benfica, o FC Porto e fiquei na altura um bocado confuso porque era uma coisa nova para mim, mas obviamente muito orgulhoso e contente.
ADT: Para além do SL Benfica e do FC Porto mais algum clube te abordou?
A.C.: Não, na altura só mesmo esses dois.
ADT: Na época quem do Benfica falou contigo?
A.C.: Bruno Maruta.
ADT: Qual foi a razão que te levou a escolher os «encarnados»?
A.C.: Penso que era quem oferecia melhores condições para mim, para além de que eu ia para um sítio novo e já ia com colegas (Fábio Pereira e Nélson Oliveira) que conhecia, o que também ajudou na escolha.
ADT: Olhando agora para trás, pensas ter tomado a decisão mais certa?
A.C.: Penso que sim.
ADT: O que achou a tua família dessa tua mudança para o Benfica?
A.C.: No inicio foi complicado, sempre me apoiaram bastante mas a minha mãe (risos) ao ver um filho a sair de casa tão novo foi complicado para ela, e até para mim.
ADT: Como se processou a mudança para o Benfica?
A.C.: O Gil Vicente não me queria deixar sair mas na altura estava interessado num sénior do Benfica, o João Vilela, e então o Benfica arranjou uma forma de o tornar uma moeda de troca.
ADT: Como reagiu o Gil Vicente a essa mudança?
A.C.: Eles não queriam mesmo me deixar sair e na altura falaram comigo, disseram que se ficasse, quando fosse juvenil assinava logo um contrato profissional, disseram-me várias coisas mas na altura eu queria mesmo ir.
ADT: Passaste então do Gil Vicente, um clube de média dimensão, para um gigante do nosso futebol, como encaraste essa transição?
A.C.: O Benfica é o Benfica e chegar lá foi um sonho, também sou benfiquista e foi fantástico, o primeiro treino, vestir a primeira camisola, são coisas impossiveis de esquecer e que me deram uma grande alegria.
ADT: Como foram os teus primeiros tempos no Benfica, sentiste muitas dificuldades?
A.C.: Algumas, porque eu comecei os treinos e pouco depois tive uma lesão, em que parei um mês, penso eu, e foi uma fase um bocado complicada porque eu tinha acabado de chegar e lesionei-me logo, foi um bocado difícil para mim.
ADT: O período de adaptação ao Centro de Estágio foi complicado?
A.C.: Não, encontrei lá pessoas muito boas, fiz lá grandes amigos e acho que não foi difícil. Estamos lá todos a tentar seguir o mesmo sonho e cada um tem as suas dificuldades e tentámos todos apoiar uns aos outros.
ADT: Nessa fase quem te apoiou mais?
A.C.: O Nélson (Nélson Oliveira) e o Fábio (Fábio Pereira).
ADT: Quem foi o teu primeiro «mister» no Benfica?
A.C.: Foi o Mister Ricardo Dionísio.
ADT: Na tua primeira época nos «encarnados» começaste na primeira equipa de juvenis, como correu essa temporada?
A.C.: Competi até meio da época na equipa B e depois passei aos juvenis A. Mas na equipa B, correu bem, porque eu estava a jogar, joguei sempre, penso que até estava a fazer bons jogos, até depois, na altura do Natal, ir para a equipa A. Aí jogava menos vezes, o que também é normal, mas era bom para mim porque estava a treinar e a jogar com jogadores mais velhos e aprendi e evolui bastante.
ADT: No final desse teu primeiro ano como jogador do Benfica sentiste que tinhas evoluído como pessoa e como jogador?
A.C.: Sim, como pessoa evoluí porque o estar fora de casa e essas situações todas fazem as pessoas crescerem e eu sinto que cresci bastante e como jogador também, afinal passei do Gil para o Benfica, com jogadores muito melhores, com experiencias novas, campeonatos diferentes, etc.
ADT: Sabemos que nesse ano tiveste algumas lesões, isso de alguma forma atrapalhou a tua afirmação no clube?
A.C.: Um pouco, tinha acabado de chegar, ainda não tinha mostrado nada, e é complicado, afinal foi logo no inicio, depois perdi a pré-época, tive que começar tudo de novo mas felizmente ultrapassei isso tudo.
ADT: Apesar de ser o primeiro ano no Benfica e de estares na equipa B de juvenis, foste algumas vezes chamado aos «As», isso foi importante para te impores no clube?
A.C.: Bastante, porque penso que a chamada aos «A», tinha alguma razão de ser, nem todos eram chamados à equipa «A» e então sentia-me bem com isso. Tive até a oportunidade de jogar devido à lesão do João Pereira, joguei a segunda fase praticamente toda e foi muito bom para mim.
ADT: A nível de números e resultados, pessoais e colectivos, como correu essa época?
A.C.: Em termos de clube penso que foi bom mas em termos de selecção que era uma coisa que eu ambicionava tanto no primeiro como no segundo ano não correu bem, penso que foi o único objectivo que falhou realmente. Fui chamado para estágios mas nunca fui mesmo verdadeiramente internacional, que é o que todos os jogadores querem.
ADT: Depois dessa época como juvenil B, passaste à equipa A e nesta época conseguiste uma grande temporada, já estavas à espera disso?
A.C.: Sim, estava motivado para isso.
ADT: Para quem não acompanhou a equipa, conta-nos como correu esta época?
A.C.: No início o próprio treinador achou a equipa um bocado complicada, logo no início foram mandados quatro ou cinco jogadores embora, o que é estranho mas o treinador achou que era importante. Havia aspectos que ele referenciou muitas vezes onde tínhamos de melhorar, como o jogo de cabeça por exemplo, porque a equipa toda tinha dificuldades e nós por exemplo tínhamos jogos contra equipas inferiores ao Benfica e os jogadores do Benfica perdiam os lances aéreos com jogadores desses clubes e se nessa fase isso acontecia na terceira fase então iria ser muito pior e por isso foi muito trabalhado esse aspecto.
Mas ultrapassámos essas dificuldades e conseguimos uma grande época.

ADT: A nível colectivo a época foi muito boa para o Benfica, com a conquista do título, mas a nível individual como correram as coisas?
A.C.: A nível individual, a primeira fase foi normal, também porque para um defesa central, a equipa contra quem jogávamos faz muito a exibição dele e nós jogávamos contra um Pontinha e esse tipo de clubes, eles muitas vezes nem atacavam e então o defesa central não conseguia dar nas vistas, mostrar trabalho, mostrava sempre alguma coisa mas nada de especial, assim a segunda e terceira fase eram onde podíamos mostrar mais.
Mas na segunda fase eu não estive lá muito bem, tive uma lesão, depois da lesão voltei a jogar e as coisas não correram bem. A terceira fase penso que foi muito boa mesmo.
ADT: Foste capitão da equipa campeã nacional de juvenis, foi para ti uma responsabilidade muito grande?
A.C.: Já tinha sido capitão no Gil Vicente e na Selecção de Braga, foi uma grande responsabilidade para mim mas confiaram em mim para isso e acho que até cumpri bem (risos).
ADT: A quem atribuis o mérito da conquista do título?
A.C.: À equipa e aos treinadores, foram esses que trabalharam para isso.
ADT: Qual foi para ti o momento mais marcante desta temporada?
A.C.: Foi mesmo a conquista do título, especialmente o penúltimo jogo, contra o FC Porto, em casa, estávamos a perder 0-1 e assim o FC Porto era campeão, e nós demos a volta ao resultado. Também com a ajuda do Boavista que empatou (NDR o Boavista venceu esse jogo) com o Sporting.
ADT: Esse ano acabou por ser o teu último com o emblema dos «encarnados» durante o ano, esperavas que isso acontecesse?
A.C.: Não, quando soube fiquei um bocado surpreendido, não esperava de todo que tal pudesse acontecer, afinal de contas, joguei regularmente, penso que fiz uma boa época e não esperava que isso acontecesse.
ADT: Apesar do título, a equipa foi quase toda desmantelada, quais achas que foram os motivos para que isso acontecesse?
A.C.: Penso que a equipa que é agora de segundo ano de júnior é uma equipa bastante boa, mas mesmo assim acho que não tem justificação, afinal nós fomos campeões nacionais, fizemos uma boa época e penso que o esforço não foi recompensado, tivemos a recompensa de sermos campeões nacionais, claro mas quase a equipa toda foi embora, ficaram quatro ou cinco jogadores acho eu, e é um bocado estranho isso acontecer.
ADT: Quem do Benfica falou contigo sobre a dispensa?
A.C.: Foi o Mister Jaime Graça.
ADT: Na altura quando tiveram percepção do que estava a acontecer, como reagiu o grupo a essa situação?
A.C.: Penso que ninguém estava à espera que isso acontecesse e eles depois também não disseram a todos ao mesmo tempo, porque haviam exames na escola e eles diziam só depois de os exames acabarem, então muitos tinham exames outros não, alguns souberam logo no dia a seguir ao jogo do Sporting, outros só souberam uma semana depois, só mesmo no fim é que houve aquela certeza.
ADT: Sabemos que o Benfica pretendia emprestar-te a outro clube, como encaraste essa situação?
A.C.: Sim, eles queriam emprestar-me ao Oeiras ou uma coisa assim desse género, não me lembro bem qual é que era o clube. O Benfica falou com os meus pais sobre essa possibilidade mas eu achei que se aceitasse ia ficar longe da família e dos amigos, e ao vir para aqui (SC Braga), ao pé dos amigos e da família, com o apoio que nós precisámos muitas vezes, podia ser bem melhor.
Assim sendo, quis sair de lá, preferi assim, embora eu tivesse mais dois anos de contrato, o que ia tornar mais complicado arranjar um clube cá, pois hoje em dia ninguém quer jogadores emprestados. Mas consegui que o Benfica rescindisse amigavelmente comigo e as coisas resolveram-se.
ADT: Não achas que se tivesses aceitado esse empréstimo, no segundo ano de juniores poderias ter uma oportunidade no Benfica?
A.C.: Não sei, eu penso que sim, depende também de como a época corresse, mas penso que sim.
ADT: Achas que para o teu futuro foi a melhor opção?
A.C.: Acho que sim. Vou para um clube não com a dimensão do Benfica, porque o Benfica tem a dimensão que tem mas o Braga penso que é um grande clube e acho que está a apostar forte até na formação, penso que foi uma boa escolha.
ADT: Ficaste magoado com os responsáveis do Benfica?
A.C.: Não é magoado, eles têm a opinião deles, eu tenho a minha, o futebol é mesmo assim, mas fiquei triste por sair de lá.
ADT: O que é que um jogador sente quando é dispensado?
A.C.: Depende do jogador, há muitos que se vão abaixo, que depois pensam que já não conseguem nada porque isto aconteceu. Eu fiquei triste mas nada acabou e ainda falta muita coisa, agora venho para o Braga e no Braga vou tentar chegar onde queria chegar lá.
ADT: O que foi que os teus pais te disseram?
A.C.: Os meus pais ficaram tão surpresos quanto eu, na altura também não pensavam em nada disto. Penso que ficaram tristes por mim mas, a minha mãe principalmente, ficou contente por eu voltar para casa (risos).
ADT: Que balanço fazes do tempo que estiveste no Seixal?
A.C.: Penso que foram dois anos muito bons, aprendi muitas coisas, convivi com pessoas de vários países, várias línguas, várias culturas e acho que foi uma experiência muito enriquecedora, viver fora do contexto familiar penso que nos faz crescer, foram tempos muito bons.
ADT: Quando te sentiste realmente adaptado ao clube?
A.C.: Durante este ano que passou, nesta época.
ADT: Fala-nos dos treinadores que tiveste no Benfica?
A.C.: Tive o João Couto, um treinador que me ajudou bastante, gostei muito de trabalhar e é para mim um grande treinador.
ADT: Quais as pessoas que mais te marcaram?
A.C.: Para além do Mister João Couto como treinador, tínhamos também pessoas no Centro de Estágio de quem eu gostava muito, como por exemplo a Dona Lurdes, que era a nossa responsável pela comida, na cantina, é uma senhora espectacular e o Sr. Fernando, que era o responsável pelo Centro de Estágio, que tomava conta de nós. Penso que foram duas pessoas que eu conheci lá que eram fantásticas para comigo.
ADT: A tua mudança para o Braga foi uma surpresa para muitos, tu como encaraste essa possibilidade?
A.C.: Eu depois do que aconteceu queria era arranjar um clube, um clube bom e acho que no Braga me ia sentir bem, é um clube perto de casa e o Braga é o Braga, sempre gostei do Braga e por isso também escolhi esta possibilidade.
ADT: Como se processou essa mudança, foi depois da desvinculação ou já tinha surgido o interesse antes disso?
A.C.: Já, a proposta do Braga surgiu logo após eles saberem que eu tinha saído do Benfica, o Braga já tinha mostrado interesse em mim nos iniciados quando fui para o Benfica e logo que soube entraram em contacto comigo, depois a partir daí foram aquelas burocracias normais nestes casos.
ADT: Quem falou contigo sobre essa hipótese?
A.C.: Foi um director do Braga que falou com o meu empresário e com os meus pais.
ADT: O que mais te seduziu na proposta do Braga?
A.C.: Não sei, acho que vai ser bom, não sei explicar bem porquê (risos).
ADT: Quais são os teus objectivos para o futuro?
A.C.: Continua a ser o meu sonho de ser chamado à selecção, que é aquilo que está mesmo a faltar-me. Quero eventualmente conseguir um contrato profissional e chegar à equipa sénior do Braga.
ADT: O que esperas desta próxima época como júnior?
A.C.: Fazer um ano muito bom, jogar o máximo de jogos possíveis, e no próximo ano, quem sabe, uma pré-época com os seniores.
ADT: A nível de métodos de trabalho, achas que vais encarar uma realidade diferente?
A.C.: Penso que não será muito diferente, o Benfica é uma presença assídua na segunda fase de juniores, mas o Braga luta também muito por atingir esse patamar e penso que vai usar métodos parecidos para o conseguir.
ADT: Num futuro próximo esperas chegar à equipa principal do Braga?
A.C.: Sim.
ADT: Da parte da estrutura do Sporting de Braga, achas que isso é possível?
A.C.: Eu penso que sim, penso que eles têm apostado em jovens, há jovens que têm feito a pré-época, agora há até um clube satélite que é o Ribeirão, para onde têm também ido jovens bracarenses para lá e penso que é possível chegar à equipa principal.
ADT: Esta época marca uma mudança no clube minhoto, quer a nível profissional, quer na formação, achas que isso poderá ser benéfico para ti?
A.C.: Sim, entrou um ex-responsável do Sporting (Luís Martins) para a formação, que foi até quem tratou da minha transferência e penso que essa mudança será positiva para mim.

Numa análise à tua carreira, diz-nos:
ADT: Qual o momento mais importante?
A.C.: Foi a ida para o Benfica.
ADT: A maior alegria?
A.C.: A conquista do campeonato nacional de juvenis.
ADT: O jogo que mais te marcou?
A.C.: Foi o jogo da conquista do título pela emoção que trouxe.
ADT: Como te analisas como jogador?
A.C.: Penso que é difícil sermos nós a responder a isso, os outros podem mais facilmente responder a essas perguntas mas penso que tenho um bom posicionamento dentro de campo, penso que sou bom no jogo aéreo e tenho uma boa antecipação.
ADT: Se te pedissem para te comparares a um jogador de top, quem seria?
A.C.: Isso não há comparações, cada um é como é.
ADT: E quais são os aspectos em que ainda tens de melhorar?
A.C.: A velocidade.
Para além do futebol conta-nos um pouca da tua vida, num contexto mais pessoal:
ADT: Neste momento estudas em que ano? Pensas seguir os estudos?
A.C.: Sim, continuo a estudar, estou no 12º. Seguir com os estudos, isso não sei ainda se será possível mas quero pelo menos concluir este ano e depois logo se vê.
ADT: Agora no Braga, vais poder estar mais próximo da família, achas que isso será bom para ti?
A.C.: Sim, penso que os momentos menos bons no Benfica eram aqueles em que eu sentia saudades da minha familia, jogos maus ou quando acontecia alguma coisa que nós não gostávamos, aí é que fazia mesmo falta a presença da nossa família, porque quando as coisas estão bem nem pensamos nisso (risos).
ADT: Quem são os teus melhores amigos no futebol?
A.C.: O Fábio (Fábio Pereira) e o Nélson (Nélson Oliveira).
ADT: Ainda tens o sonho de jogar na equipa principal do Benfica?
A.C.: Sim.
ADT: Para além desse sonho, que outros desejos tens?
A.C.: Quero ser jogador profissional de um grande clube, é esse o sonho, o objectivo a que quero chegar.
ADT: Não queres ir para o estrangeiro, para um grande clube europeu?
A.C.: Claro, é algo que todos querem.
ADT: Qual é a tua Liga de referência na Europa?
A.C.: Duas, Inglaterra e Itália.
ADT: E nessas Ligas quais são os clubes que mais gostas?
A.C.: Manchester United e o Inter de Milão.
ADT: Quando começaste a tua carreira quais eram as tuas referências?
A.C.: Fabio Cannavaro.
ADT: Quais foram os lemas que te guiaram até hoje e que gostarias de transmitir aos mais jovens?
A.C.: Não tenho um lema, tenho uma meta, um objectivo e tento dar o meu melhor para que isso aconteça.
ADT: Qual a mensagem que gostarias de deixar aos que começam agora a sua carreira?
A.C.: Que nunca deixem os estudos porque é algo bastante importante e que se têm mesmo esse sonho de serem futebolistas, que trabalhem para isso, porque só mesmo com muito trabalho é que conseguimos lá chegar.
B.I. do jogador:
Nome: André Filipe Macedo Campos.
Idade: 17 Anos.
Peso: 74kg.
Altura: 1,78 cm.
Data de Nascimento: 1991-01-01 (17 anos).
Posição: Defesa Central.
Clube: SC Braga.
Entrevista realizada no dia 15 de Julho de 2008 na Cidade de Barcelos.
Texto: Dário Pinto.
Imagens: Academia de Talentos.
Dia 05.09.2008, às 03:11, lenon disse...
Boas André Campos
Nunca temos a certeza que as opções que tomamos são as melhores... e quando assim é tenta-se conciliar o que achamos ser melhor para nós.
A meu ver... a tua tomada de decisão foi a melhor...
Costuma-se dizer que por vezes temos que dar um passo atrás para depois conseguir dar 2 em frente... e é neste sentido que tens que pensar...
Nem sempre os melhores estão nos grandes...
Fiquei surpreendido ao saber que uma boa parte da equipa de juvenis do benfica da época anterior tivesse sido dispensada.
Não me apoio em nenhum clube (não tenho clube), mas pelo que sei e vou lendo, tenho a dizer que o pior clube nacional a nível de camadas jovens é o Benfica. E a nível dos seniores o Benfica fica muito distante do PORTO, do SPORTING e mesmo do BRAGA.
Portanto, caro André Campos, não podias ter tomado melhor decisão... para além de marcares presença no Braga, ainda estás perto de quem te ama... e quem se sente perto dos que nos amam melhor é o nosso rendimento a todos os níveis.
Estar longe de casa aprende-se muito, mas o que mais se aprende é que estar junto dos que amamos é o melhor!!!
Felicidades
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