Entrevista
Entrevista com Artur Lourenço
Terminou uma etapa...
Academia de Talentos (ADT): Estavas à espera de ser dispensado? Tinham-te dado sinais de que era uma situação que poderia acontecer?
Artur Lourenço (A.L.): Não. Eu sabia que o meu contrato de formação, que assinei nos Iniciados em 2006, iria acabar este ano. Sabia também que tinha tido uma época má, pois estive grande parte do tempo parado devido a lesão, tinha algum receio. Mas tinha o pensamento de que iam apostar em mim nos juniores, pelo que já fiz pelo Benfica, por todos os anos que representei o clube. O que é certo é que aconteceu a dispensa, agora não posso desistir e tenho de continuar a procurar o meu sonho.
ADT: Para um extremo nem és um jogador muito baixo, mas achas que foi por isso que foste dispensado?
A.L.: Sim, até tenho uma estatura aceitável para um extremo, não sei se foi por isso que me dispensaram, mas o que é certo é que eles decidiram assim e só tenho de respeitar.
ADT: Ficaste magoado com os responsáveis do Benfica?
A.L.: Fiquei, porque não esperava. Fiquei bastante triste, mais pelo clube, não tanto pelos dirigentes, porque o Benfica é o meu clube do coração, sempre acreditei que iria conseguir chegar aos seniores, mas tenho de pensar que ainda sou bastante jovem e nada está perdido.
ADT: O que é que te disseram quando te comunicaram a decisão? Não te deram nenhuma justificação?
A.L.: O que me disseram foi que estavam muito agradecidos pelo trabalho que eu tinha feito e pelos serviços prestados ao clube ao longo destes anos todos, mas que a partir daquele momento estava livre para procurar clube.
ADT: Mas não te deram nenhuma justificação?
A.L.: Não.
ADT: Quem te comunicou a tua dispensa?
A.L.: Foi o Mister Jaime Graça.
ADT: Quando assinaste o teu contrato de formação em 2006, quem foi o mentor dessa ideia?
A.L.: Foi o Sr. Manuel Ribeiro. Nessa altura queriam que eu assinasse até 2010 ou 2012, já não me recordo exactamente, mas eu era muito jovem, e não quis assinar por tanto tempo porque não sabia qual ia ser o meu futuro. Depois eu também não estava a ter um bom rendimento na escola e o meu pai não me quis iludir logo e por isso assinei apenas por dois anos.
ADT: O que é que um jogador sente quando é dispensado?
A.L.: Senti uma grande tristeza, porque é o meu clube e se calhar não reconheceram o trabalho que desenvolvi, mas só tenho de respeitar a decisão deles e não posso desistir porque há mais clubes, mais instituições e o importante é acreditar sempre no nosso valor.
ADT: O que foi que os teus pais te disseram?
A.L.: Que tinha acabado esta etapa no Benfica, para não ficar triste ou desiludido porque o que tiver de acontecer acontece, e se tiver mesmo de ser jogador irei ser na mesma, independentemente do clube onde jogar.
ADT: Não guardas qualquer ressentimento para com o Benfica?
A.L.: Não, apenas alguma tristeza.
O Futuro...
ADT: E agora, como vai ser o teu futuro?
A.L.: Neste momento não tenho clube, estou à espera de propostas, estou a tentar ir a algum lado treinar e mostrar serviço. O meu maior desejo é arranjar clube o mais rapidamente possível.
ADT: Tens preferência por algum clube?
A.L.: Não, se conseguisse ir para outro dos grandes era muito bom, mas se não acontecer também vou para outro emblema de menor expressão sem qualquer problema.
ADT: Mas em caso de ires para um clube de menor dimensão, preferes ficar aqui em Lisboa?
A.L.: Não, não tenho qualquer espécie de preferência, só espero que para onde eu for que tudo me corra bem e que eu tenha sorte porque o que eu quero acima de tudo é começar a jogar o mais rapidamente possível.
ADT: O Braga é hipótese para ti?
A.L.: Não, até agora não há qualquer proposta do Braga nem nada que se pareça.
ADT: Agora estás a treinar em algum lado?
A.L.: Fui ao Belenenses na terça-feira, mas o treino só se vai realizar na sexta-feira.
ADT: Falou-se também que poderias estar perto de assinar pelo Sporting? É verdade?
A.L.: Não, também não sei de nada.
ADT: Se essa hipótese fosse real, tu irias para o Sporting?
A.L.: Sim, gostaria muito de representar o Sporting. O Benfica é o clube do meu coração mas no futebol temos de ser profissionais e temos de representar bem a camisola que vestimos e a instituição que nos paga. Iria ser um pouco estranho, mas claro que vou lutar por qualquer que seja o clube que represente.
ADT: Estás preparado para a possibilidade de teres de ir para o estrangeiro?
A.L.: Tenho de estar preparado para todas as eventualidades. Se surgir alguma proposta ou alguma coisa parecida eu tenho de a agarrar com as duas mãos e é sem problema que saiu do país.
A Lesão da Moda: A Pubalgia...
ADT: Disseste que estiveste muito tempo parado, onde se deu a lesão?
A.L.: Foi nas virilhas, tive pubalgia devido ao esforço. É uma lesão complicada de debelar, por vezes é necessário o jogador submeter-se a uma cirurgia, mas no meu caso acharam que não era o mais apropriado. Estive muito tempo a recuperar, é um trabalho bastante físico, duro, de consistência e os resultados só se vêem a longo prazo. Só passados seis meses é que voltei aos relvados.
ADT: Quem te diagnosticou essa lesão?
A.L.: Foi o departamento médico do Benfica.
ADT: E isso aconteceu em que altura da época?
A.L.: Eu já vinha a ter algumas dores na virilha desde o início da época. Depois realizei ainda alguns jogos, mas o meu rendimento não era o mesmo, doía-me bastante. Até que cheguei a um ponto em que não aguentei mais e tive mesmo de parar. Passei seis meses no posto médico onde fui tratado e acompanhado e só regressei na parte final da época.
ADT: Como te diagnosticaram essa lesão? Normalmente ocorre em jogadores um pouco mais velhos...
A.L.: É verdade que a pubalgia ocorre geralmente nos atletas mais velhos, mas eu infelizmente tive mais cedo. Possivelmente por não alongar bem os meus músculos, por não ter tanta flexibilidade ou por não ter uma parede abdominal muito forte. E depois tudo isso é agravado com a sobrecarga de jogos e a sua intensidade. E sei que a culpa também é minha, porque logo no início da época quando senti a dor devia ter parado e não o fiz. Depois o departamento médico fez o melhor trabalho possível e consegui recuperar.
ADT: Que tipo de tratamento é que fazias?
A.L.: O tratamento percorreu várias fases. Na primeira fase o objectivo era o repouso, os exercícios em algumas máquinas e o tratamento com gelo. Depois como ao longo do tempo não evoluiu de forma muito favorável tive de fazer outro tipo de recuperação que passou pelo reforço da parede abdominal, pela execução de muitos alongamentos e pelo aumento da flexibilidade. É uma lesão que requer bastante tempo de recuperação, eu sabia que tinha de ter muita paciência mas por vezes andava bastante ansioso, preocupado e chateado por não poder jogar.
ADT: O mister João Couto falava contigo no período em que estiveste lesionado?
A.L.: Sempre que me via, e que podia, ele apoiava-me, dizia que a equipa precisava de mim, para não desmotivar pois são fases más mas que com o tempo iria conseguir recuperar.
ADT: Que recordações guardas dele? Foi um Mister que te marcou muito?
A.L.: Foi um treinador que me marcou por tudo o que já referi e também pelo facto de termos sido campeões.

Época 2007/2008: Campeões...
ADT: Quantos jogos jogaste esta época?
A.L.: Sem contar com os de pré temporada, joguei entre 16 e 18 jogos ao longo de toda a época.
ADT: Estiveste de fora muito tempo mas acompanhaste a época, porque é que achas que o Benfica sentiu tantas dificuldades para garantir o apuramento para a fase final durante alguns jogos da 2ª fase?
A.L.: Acho que a nossa equipa tinha algumas qualidades, mas nunca foi uma equipa de individualidades, de um jogador ou outro poderem só por eles decidir jogos, penso que fomos campeões devido ao grupo que tínhamos e ao mister pela garra e confiança que nos incutiu ao longo dos jogos. Sabíamos que para ganhar jogos tínhamos de ter uma união de grupo muito forte e foi mesmo isso que nos levou até ao título.
ADT: No jogo em que conseguiram garantir o apuramento para a fase seguinte, em Corroios, estiveram a perder por 2-0 mas conseguiram a reviravolta. Conta-nos como foi esse jogo?
A.L.: Foi mesmo emocionante, terminou 5-4. É mais uma prova da nossa persistência e união de grupo, virámos um resultado completamente adverso e isso ilustra tudo o que disse anteriormente sobre o grupo. Aos dez minutos já perdíamos por 2-0, e tivemos muita infelicidade na forma como sofremos os golos mas nunca deixámos de acreditar e conseguimos a reviravolta.
ADT: Achas que o mister João Couto foi o grande responsável pela coesão e união que existia no grupo?
A.L.: Sim, ao longo da época incrementou e depositou sempre muita confiança no grupo, e ele tentava sempre unir o grupo porque só assim iríamos chegar aos nossos objectivos, e com o decorrer da época percebemos que o mister tinha razão.
ADT: A tua equipa este ano teve vários jogos em que protagonizou reviravoltas espectaculares, talvez a mais espectacular foi contra o Porto no Seixal, no jogo do titulo? Como recordas esses momentos?
A.L.: Nesse jogo eu estava no banco, entrei quando ainda estávamos a perder por 1-0, joguei 15/20 minutos, e nunca deixámos de acreditar que era possível dar a volta ao marcador. Tivemos a felicidade de fazer o golo do empate, que até hoje foi o golo mais emocionante desde que estou no Benfica embora não tenha sido eu a marcar, e depois quando fizemos o segundo golo e soubemos que o Sporting tinha perdido foi uma alegria enorme, um momento indescritível.
ADT: Como foram os festejos?
A.L.: Foi mesmo muito emocionante, um momento de alegria enorme, de chegar ao fim da época e saber que o nosso trabalho foi recompensado e que tudo valeu a pena. É uma sensação muito boa.
ADT: Houve um colega teu, o Diogo Figueiras que também se lesionou como tu no início da época e depois marcou o golo que deu o título frente ao Porto. Todos ficaram muito felizes por ele?
A.L.: Sim, a situação dele foi parecida com a minha, embora a lesão tenha sido diferente. Mas conseguiu recuperar e ajudou muito a equipa e ainda bem.
ADT: Na tua opinião o que é que a tua equipa de Juvenis tinha de mais forte?
A.L.: Tinha algumas individualidades, bons jogadores mas penso que o importante mesmo foi o grupo.
ADT: Fala-nos dos jogadores que para ti mais sobressaíram esta época.
A.L.: O Nelson Oliveira, o André Campos que teve alguma infelicidade mas depois fez uma excelente segunda fase, o Roderick Miranda, e o Lassana Camará.
ADT: Muitos dizem que quando voltaste a jogar, as tuas prestações foram importantes para a equipa, concordas?
A.L.: Sim, concordo. Sempre que o mister apostou em mim, eu consegui ajudar a equipa. A infelicidade que tive durante a época foi recompensada pela felicidade do final da temporada.
ADT: Em que sistema jogaram nesta época?
A.L.: Utilizámos vários sistemas durante a época. Começámos em 4-3-3 e depois passámos para um 4-4-2 tradicional com dois médios centro, e dois médios-alas que no processo defensivo fechavam mais por dentro. Depois na parte final voltámos ao 4-3-3 mas com algumas alterações, pois jogávamos com um ponta de lança fixo na frente, enquanto o Nélson Oliveira jogava na esquerda mas também tinha muito liberdade.
ADT: Nos jogos que foste utilizado, foi em que posição?
A.L.: Joguei a extremo, e nos últimos dois jogos fiz uma posição mais central do meio campo, como médio ofensivo.
ADT: Onde te sentiste melhor?
A.L.: Eu acho que sou mais um extremo e é onde eu prefiro jogar, mas se for necessário também desempenho as funções de número dez. O importante mesmo é jogar.
8 Anos de Águia ao Peito...
ADT: Onde começaste a jogar futebol?
A.L.: Comecei a jogar perto da minha residência, no clube do meu bairro, o Varjense, naquela altura era ainda futebol de cinco. Estive lá pouco tempo, entrei com oito anos, e aos nove fui para o Benfica. E permaneci lá, até ao final desta época.
ADT: Quem te incentivou a ir para o Benfica?
A.L.: Sempre foi esse o meu clube do coração, e foi por minha iniciativa própria. Quando tinha nove anos pedi ao meu pai para me levar lá a treinar.
ADT: E quando jogavas futebol 5 lá no teu bairro, já era como atleta federado ou não?
A.L.: Não, aquilo era só mesmo nos tempos livres, mas o que é certo é que passava lá muito tempo, depois quando percebi que gostava verdadeiramente de futebol falei com o meu pai e pedi-lhe para me levar a treinar ao Benfica.
ADT: Quando lhe fizeste esse pedido, como é que ele reagiu?
A.L.: Reagiu bem, o meu pai também é benfiquista, a minha família também, e depois consegui ficar lá e graças a Deus correu tudo bem até hoje.
ADT: Os teus pais sempre te apoiaram ou diziam para te dedicares mais à escola?
A.L.: Sempre me apoiaram naquilo que eu mais gostava de fazer, que era jogar futebol. É claro que também diziam para eu não deixar de estudar, para me empenhar e para tentar ir o mais longe possível no que dizia respeito à escola.
ADT: Entraste para o Benfica em que escalão?
A.L.: Inicialmente fui aos treinos de captação ainda quando estava no escalão de escolas, depois consegui ficar lá e fui sempre progredindo.
ADT: Como correram os treinos de captação? Tiveste de passar por muitas etapas e ir fazer jogos à experiência?
A.L.: Não, quando fui lá fiz um treino de captação, e os responsáveis levaram-me de imediato para outra equipa onde estavam os melhores jogadores que eles tinham observado, os que tinham maiores qualidades. Depois fiz outros treinos, no primeiro não fiquei na equipa, mas no segundo consegui convencer os responsáveis do Benfica.
ADT: E foi em que período da época?
A.L.: Foi sensivelmente a meio da época, fiz um primeiro teste em que não fui admitido e depois no segundo consegui o meu objectivo.
ADT: Então em que escalão começaste efectivamente a representar o Benfica?
A.L.: Foi no escalão de escolas.
ADT: Em que sistema jogavam na altura?
A.L.: Não me recordo.
ADT: E em que posição jogavas nessa altura?
A.L.: Eu costumava jogar ora como médio ou como avançado, recordo-me que depois, quando subi para o escalão de Infantil jogava com mais frequência a avançado porque me desenvolvi mais rapidamente que os meus colegas. Com o passar do tempo foram-me avaliando de novo e comecei a jogar mais como médio ofensivo ou extremo.
ADT: Quem falou contigo para ficares no Benfica?
A.L.: Foram várias pessoas. Lembro-me do Sr. Porfírio Alves, do Nené e do Fonte Santa. Foram eles que me avaliaram e que gostaram de mim.
ADT: Quem foi o teu primeiro treinador lá no Benfica?
A.L.: Foi o mister José Paisana.
ADT: Nos treinos de captação já era ele o treinador?
A.L.: Não sei se era ele, mas recordo-me que ele já tinha feito observações nesses treinos.
ADT: Quem era a tua equipa nessa altura?
A.L.: Lembro-me do David Simão, do Fábio Pereira. Depois tinha outros colegas mas que se foram embora ao longo do tempo, eu fui sempre subindo com os jogadores que eram um ano mais velhos que eu. Normalmente estava a jogar um escalão acima com os de 1990.
ADT: Nessa altura em que posição gostavas mais de jogar?
A.L.: Era como avançado, o que eu gostava mais era marcar golos.
ADT: E marcavas muitos?
A.L.: Sim, ao longo das épocas conseguia fazer o gosto ao pé em muitas ocasiões.
ADT: Quais foram as maiores dificuldades que sentiste nesse período?
A.L.: Ainda era muito pequeno, as coisas por vezes nem sempre corriam bem, mas só quando não jogava sempre é que ficava triste. Naquela altura ainda havia muita diversão, era uma vertente mais lúdica, só nos Infantis é que as coisas se tornaram mais sérias e aí já senti mais responsabilidade.
ADT: Fala-nos dos treinadores que tiveste no Benfica?
A.L.: Nos Infantis tive o mister Bastos Lopes. Gostei muito de trabalhar com ele, tinha métodos mais antigos, a sua filosofia era mais com base na garra e na força, era um treinador à Benfica. Logo de seguida tive o João Costa, nessa altura eu era mais novo, mas já jogava com os mais velhos, ele apoiou-me muito. Era uma situação complicada, pois tinha de me integrar e ele foi bastante importante nesse aspecto. Nos Iniciados fui treinado pelo mister João Barbosa que até hoje foi o mister com quem mais gostei de trabalhar. Para além do Campeonato me ter corrido bem, eu gostava da forma dele trabalhar, da maneira como incentivava os jogadores, sempre me deu muito apoio e nunca deixou de acreditar em mim. Nos Juvenis fui orientado pelo mister João Couto durante dois anos. Eu não costumava jogar no Campeonato Distrital quando era juvenil B, estive sempre no Campeonato Nacional pelos Juvenis A.
ADT: Então jogaste sempre pelos juvenis A?
A.L.: Quase sempre. Cheguei a jogar a meio da época pelos juvenis B, lembro-me de um jogo contra o Sporting... mas estive quase sempre com os A. E continuando a resposta à pergunta anterior, este ano estive lesionado, e não pude mostrar serviço, mas também gostei muito de voltar a trabalhar com o mister João Couto.
ADT: Recentemente estivemos à conversa com Miguel Rosa e ele disse-nos que quando sentiu mais dificuldades foi na transição de Iniciado B para os A. E essa dificuldade ficou a dever-se ao facto de não ter dado o salto físico, de não possuir na altura uma grande compleição física, e que isso quase ia provocando a sua dispensa do clube. O mesmo ia acontecendo com o André Carvalhas, ou Rúben Lima por exemplo. Também sentiste alguma incerteza que te podiam dispensar por seres demasiado pequeno?
A.L.: Não, por vezes percebia que havia jogadores maiores no plantel e mais fortes fisicamente, mas os treinadores sempre me disseram que não era pelo facto de ser pequeno que ia ser dispensado, porque o que contava verdadeiramente era a qualidade. Eu nunca me preocupei com esse facto, porque se calhar se fosse mais alto já não tinha tanta técnica ou tanta coordenação motora. Tenho de trabalhar sempre e ainda tenho 17 anos, acho que ainda posso crescer mais um pouco até aos 20.
ADT: Estiveste no jogo em Guimarães na época 06/07 quando o Benfica hipotecou as hipóteses de vencer o Campeonato ao perder por 3-2?
A.L.: Sim, estive.
ADT: O que se passou nesse encontro? O Benfica parecia ter o título na mão...
A.L.: Começámos logo a perder o Campeonato na jornada que antecedeu essa partida. Estivemos a ganhar em casa frente ao Sporting, e depois no último minuto eles empataram. Se isso não tivesse acontecido tínhamos sido logo campeões, mas assim adiámos tudo para Guimarães. Só que esse jogo foi muito complicado, tínhamos forçosamente de ganhar, o árbitro tinha medo de apitar contra o Guimarães devido à pressão do público. Passaram-se cenas tristes, o nosso guarda-redes (Hugo Figueiredo) depois de um golo foi empurrado para dentro da baliza e os adeptos do Vitória deram-lhe pontapés, o jogo chegou mesmo a parar, mas por vezes é assim que se perdem campeonatos.
ADT: Qual foi a tua melhor época?
A.L.: Foi a de Iniciado A. Eu já tinha estado nos Iniciados A no ano anterior quando ainda era Iniciado B. Mas no segundo ano de Iniciado A foi mesmo quando me afirmei no Benfica e a época correu-me mesmo muito bem.
Principais Características...
ADT: Quais são os teus pontos mais fortes?
A.L.: O drible e a velocidade, é o que me caracteriza.
ADT: Se te pedissem para te comparares a um jogador de top, quem seria?
A.L.: Gosto muito do Cristiano Ronaldo, mas há muitas diferenças entre eu e ele. Mas o jogador com quem sou mais parecido na minha maneira de jogar é mesmo o Ricardo Quaresma, e também o aprecio bastante.
ADT: E quais são os aspectos em que ainda tens de melhorar?
A.L.: Tenho de melhorar algumas coisas, nomeadamente no físico, a consistência no jogo, o remate e o tempo certo de soltar a bola. E também o aspecto defensivo, pois tenho de ajudar mais a equipa nas tarefas defensivas. Penso que com o tempo vou conseguir melhorar nesses aspectos.
ADT: Muitos falam de ti como sendo um jogador fantasista, tal como o Cristiano Ronaldo ou como o Ricardo Quaresma. Concordas?
A.L.: Concordo, gosto de fazer essas "magias" e fantasias com a bola. Sei que tenho alguma qualidade técnica, mas quanto a essa comparação não posso dizer muito mais.
ADT: A nível mental achas que ainda tens de melhorar?
A.L.: Um pouco, penso que temos sempre de melhorar. Por vezes chateia-me o facto de não jogar, mas são coisas de momento, porque tudo passa rapidamente com uma conversa ou com um apoio. Estive seis meses parado, as pessoas pensavam que eu já não iria jogarmais nessa época, mas ainda apareci na recta final do campeonato. Não é a nível mental e psicológico que tenho de evoluir mais, penso que o que preciso de melhorar mesmo são os aspectos dentro do campo.

As Selecções...
ADT: E na selecção? Quantas internacionalizações já tens?
A.L.: Tenho sete.
ADT: Quando foi a primeira?
A.L.: Foi em Castelo Branco, numa partida contra a selecção distrital de Castelo Branco.
ADT: Quem foi o mister que te lançou?
A.L.: Foi o mister Paulo Sousa.
ADT: Que memórias tens dele?
A.L.: Durante o pouco tempo que trabalhei com ele, gostei bastante. Apreciei a personalidade dele, a forma como encarava o trabalho e penso que é um bom treinador.
ADT: Como recebeste a noticia?
A.L.: Eu estava no Benfica quando recebi a convocatória, fiz alguns treinos e jogos pela selecção, foi muito bom para mim.
ADT: Qual é o momento com a camisola da selecção que guardas com mais carinho?
A.L.: Foi o golo que marquei na minha estreia em Castelo Branco.
ADT: Descreve-nos o golo?
A.L.: Foi bastante simples, mas para mim teve um grande significado. O Cédric Soares (Sporting) cruzou para a área e eu limitei-me a encostar para a baliza.
ADT: Foste ao Torneio Lopes da Silva?
A.L.: Não, fui aos treinos todos, mas depois não fui chamado por opção técnica.
ADT: E a nível de selecções distritais, quais foram as que já representaste?
A.L.: Fui chamado aos sub 15 mas apenas fui aos treinos. Nesse ano até fiquei surpreendido por não ser convocado para ir ao Torneio Lopes da Silva porque nessa época eu tinha sido muito influente no Benfica, e realizei uma boa época.
ADT: E na selecção Distrital sub 16? Foste chamado?
A.L.: Não, apenas fui convocado para a selecção Nacional.
Curiosidades ...
ADT: Como é que é a tua vida fora do futebol? Estudas?
A.L.: Estudei até este ano, mas nunca fui bom aluno nem nada que se pareça (risos). A minha prioridade sempre foi o futebol, sei que tenho que ter a escolaridade obrigatória, mas a minha paixão é mesmo jogar futebol.
ADT: E vais abdicar da escola?
A.L.: Vou.
ADT: E fora do futebol, o que costumas fazer?
A.L.: Durante a época também estou sempre muito ocupado entre os treinos e a escola e não tenho assim muito tempo livre. Mas gosto muito de estar com os meus amigos, de ver televisão, de passear, de sair, em resumo levo uma vida bastante tranquila.
ADT: Quem são os teus melhores amigos no futebol?
A.L.: Gosto bastante do David Simão, é o meu melhor amigo no futebol, e depois na equipa deste ano também fiz bastantes amigos. Dava-me muito bem com o Nélson Oliveira, o Abdel Vieira, o André Campos, o Fábio Pereira, e o André Delfino, todos eles me marcaram muito. Mas o David Simão é mesmo aquele jogador que mais gostei de conhecer.
ADT: Ainda tens o sonho de jogar na equipa principal do Benfica?
A.L.: Claro que sim.
ADT: Para além desse sonho, que outros desejos tens?
A.L.: Para além de representar a equipa principal do Benfica, quero ser Internacional A por Portugal.
ADT: Não queres ir para o estrangeiro, para um grande clube europeu?
A.L.: Sim, isso também me passa pela cabeça, mas os dois sonhos que referi anteriormente são os que mais quero realizar.
ADT: Qual é a tua Liga de referência na Europa?
A.L.: Tenho duas, a Inglesa e a Espanhola.
ADT: E nessas Ligas quais são os clubes que mais gostas?
A.L.: O Manchester United e o Real Madrid são os mais emblemáticos e os que mais gosto. O Real Madrid para mim até é maior que o Man. United em termos de clube, dimensão e história.
ADT: Quando começaste a tua carreira quais eram as tuas referências?
A.L.: Entre os portugueses gostava muito do Figo, e do João Vieira Pinto. Lá fora, o Ronaldinho era o que mais me marcava. Mas neste momento o que mais gosto é mesmo o Cristiano Ronaldo.
ADT: Quais foram os lemas que te guiaram até hoje e que gostarias de transmitir aos mais jovens?
A.L.: Nunca deixem de lutar pelos sonhos que têm e acreditem que é sempre possível sermos os melhores.
ADT: É isso que te guia neste momento mais complicado?
A.L.: Sim, são esses lemas que me acompanham e que me vão guiar para sempre.
ADT: Quando estavas no Benfica que outras pessoas para além dos treinadores foram importantes para ti?
A.L.: As pessoas que mais me apoiaram foram sempre os treinadores, diziam-me sempre que tinha qualidade e incentivavam-me para trabalhar.
ADT: Na tua família quem esteve sempre mais próximo de ti?
A.L.: Tanto o meu pai como a minha mãe sempre me apoiaram e me acompanharam. Estiveram sempre presentes em todos os aspectos, e são eles que mais me apoiam e me dão força.
ADT: E o que te dizem agora? Dizem para ficares num clube aqui próximo de Lisboa?
A.L.: Eu sei que para eles quanto mais próximo estiver, melhor (risos), mas eles sabem que se eu tiver que ir para fora ou para longe, vão continuar a apoiar-me e a dar-me muita força.
Opiniões/ Pontos de Vista...
ADT: Fala-nos da tua geração de 1991, os jogadores que para ti mais se destacam?
A.L.: Pelo que vi no Benfica ao longo dos anos, e porque também já joguei muitas vezes com os jogadores de outros clubes penso que o Nélson Oliveira é um avançado muito promissor e com grande futuro e não tenho dúvidas que vai chegar ao topo. No Sporting gosto muito do Luís Almeida (Kikas), do Cédric, e acho que o Nuno Reis é um grande central. Gosto também do Alexandre do Porto, do Ricardo Cardoso e do Caetano. Penso que são alguns jogadores que têm vindo a mostrar serviço há alguns anos e poderão no futuro vir a ser jogadores de top no futebol nacional.
ADT: O que pensas do facto do teu colega de equipa Nélson Oliveira estar já a treinar com a equipa principal?
A.L.: É muito bom para ele, é preciso ter calma, mas penso que fazendo este ano de júnior ele vai ganhar mais experiência e maturidade e depois tem tudo para representar a equipa principal.
ADT: Para além da tua dispensa, num plantel que tinha 25 jogadores apenas 6 foram promovidos ao escalão de júnior. Achas que é muito, é pouco, ou que é o suficiente?
A.L.: Penso que é pouco, uma equipa que fez a época que esta fez, foi a única equipa campeã nacional que o Benfica teve este ano, merecia ter mais oportunidades. Mas como já referi os responsáveis do Benfica é que decidem e os jogadores que estão nessa situação só têm de respeitar.
ADT: De entre os vários jogadores que o Benfica dispensou este ano estão o Fábio Pereira e o André Campos. Tu que os conheces melhor, fala-nos um pouco sobre eles.
A.L.: O André Campos evoluiu muito esta época. É um jogador com muita garra, não é muito alto, tem 1,79, mas tem muita qualidade, sabe passar bem a bola, trata bem o esférico, tem um bom jogo aéreo. Para mim, foi mal dispensado. O Fábio tem também muita qualidade, se calhar esta temporada teve algumas falhas, alguns deslizes, mas na minha opinião também foi mal dispensado.
ADT: Entre os jogadores que foram dispensados, há assim algum que te causou mesmo uma grande surpresa e que achas que merecia ter ficado?
A.L.: Na equipa titular foi estranho ver o Fábio e o André saírem. Estes dois jogadores foram mesmo os que me causaram maior surpresa. Dos onze jogadores que habitualmente eram titulares eu pensava que iriam ser promovidos nove jogadores, mas nem isso aconteceu. E esqueci-me de falar do Toumany Sambú que também marcou muitos golos e merecia também uma oportunidade.
ADT: De todos os treinadores que tiveste há algum que te tenha prejudicado?
A.L.: Não, este ano correu-me pior, não estive tão ligado ao grupo, estive mais tempo de fora mas em todos os anos que estive no Benfica sempre fui bem tratado. As coisas correram-me bem, tinha um bom currículo, mas agora só me resta ir procurar a felicidade noutro lado.
ADT: Relativamente à equipa de Juvenis A do Benfica do ano passado, concordas que esse conjunto tinha mais individualidades, com jogadores acima da média, mas com menos humildade e que a de este ano tinha mais união, mais espírito de grupo?
A.L.: Sim, e isso via-se bem, porque essa equipa (1990) levava muitos jogadores à selecção, tinha muitos internacionais. Era mais adulta mas isso por vezes não chega para ganhar títulos, este ano a nossa equipa não tinha tantas individualidades e conseguiu ganhar o campeonato. Mas sem dúvida que essa geração (1990) de que falas é uma das mais fortes do Benfica.
ADT: Qual é a tua opinião sobre a alegada política que por vezes os clubes têm de mandar embora alguns jogadores portugueses, para depois contratarem jogadores estrangeiros que por vezes já revelam outra maturidade ou são mais desenvolvidos fisicamente?
A.L.: Não posso concordar com essa politica, porque há jogadores que estão no clube há bastante tempo e depois ficam sem hipóteses de jogar. Acho que nesse aspecto o Benfica não evoluiu, nem melhorou, mas não podemos fazer nada e se calhar por vezes até pode ser a sorte de alguns em sair porque podem ser bem sucedidos noutro clube.
ADT: Depois de tudo o que se passou, de positivo e de negativo, alguma vez te arrependes de ter ingressado no Benfica?
A.L.: Não, apesar de tudo, nunca me arrependo de ter representado durante oito anos o Benfica, que é o meu clube do peito. Fico triste por sair, mas não me arrependo de nada, e se puder, um dia gostava muito de voltar.
Nome Completo: Artur Gonçalo Carapinha Machado Lourenço.
Idade: 17 anos.
Peso: 63 kg.
Altura: 1,70.
Posição no Terreno: Extremo ou Médio Ofensivo.
Pé Dominante: Direito.
Entrevista realizada no dia 9 de Julho de 2008 no Parque da Nações em Lisboa.
Texto: Miguel Belo.
Imagens: Academia de Talentos.
Dia 14.07.2008, às 11:47, Mad*Max disse...
Artur c/vontade e determinação, vais conseguir!
As vezes existe a necessidade d'dar um passo a traz, para se poder dar dois em frente... não desistas, nunca.
A tua entrevista também foi publicada(parcialmente) em www.pluribus-unum.com , uma gentileza da Academia de Talentos.
Força rapaz...
Saudações desportivas
SLB 4EVER
Dia 02.10.2008, às 11:06, roma disse...
Força Artur, não desistas, tu sabes bem do teu valor e eu tambem, caso não te lembres eu sou o teu antigo delegado no Benfica, Paulo Fonseca.
um abraço e força porque tu vai vencer
Paulo Fonseca
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