Entrevista
Entrevista com Bruno Matias
Foi na casa que o acolheu durante nove anos que Bruno Matias revelou o seu desejo de jogar em Alvalade de leão ao peito. O capitão da equipa Campeã Nacional de Juniores da última época revelou a vontade de ir rodar durante uma época para amadurecer, falou-nos das goradas negociações com o Valência, da experiência de ter trabalhado um dia com a selecção A e com o mister Scolari e falou-nos ainda do seu fascínio pelo futebol praticado pelo Arsenal.
Academia de Talentos: Como analisas a época que terminou?
Bruno Matias: A temporada foi boa, foi uma boa época, a equipa desde o inicio demonstrou que estava muito unida e que queria ganhar, era esse o grande objectivo no balneário, e quando assim é e todos os dias se trabalha com intensidade, com ambição de ganhar todos os jogos, normalmente o que se espera dessas equipas é o título e foi isso que demonstrámos, desde aqueles que jogaram mais até aos que normalmente não eram convocados, foi uma atitude excepcional, todos queriam ajudar o grupo, todos queriam ser campeões e acho que foi esse o grande segredo do nosso triunfo.
ADT: A nível individual como te correu a época?
B.M.: Penso que fiz uma época bastante boa, trabalhei muito, o grupo ajudou-me bastante, consegui finalmente chegar à condição física que mais desejava e fiquei bastante satisfeito porque consegui dar um grande contributo à equipa e sinto-me muito feliz por chegar ao ultimo ano de formação e ter feito aquilo que fiz.
ADT: Como foi ser capitão do Sporting?
B.M.: É uma grande responsabilidade, trabalhar com o Diogo Amado e com o André Santos, foram um grande exemplo de profissionalismo, nós falávamos bastante sobre a equipa e tentávamos ajudar aqueles que não jogavam, mas é um grande privilégio ser capitão e sentir a confiança dos treinadores e dos directores. É bastante positivo e sinto-me bastante orgulhoso por ter atingido essa meta na minha vida.
ADT: O jogo com o Benfica em Alvalade foi determinante para a conquista do título?
B.M.: Eu penso que sim, penso que foi bastante determinante até porque a equipa estava a jogar mais com o coração do que com inteligência, estávamos a começar a perder o controlo do jogo mas acreditámos, os jogadores que saíram do banco nesse jogo foram essenciais e ajudaram bastante e depois numa situação de alguma dúvida de fora-de-jogo conseguimos aproveitar, se calhar se fosse outro atleta ou noutra situação, ele não teria a frieza para finalizar, mas o Marco estava inspirado e confiante o que ajudou bastante a equipa e demonstra que a nossa equipa luta até ao fim e que é uma equipa que enquanto o árbitro não apita, nós queremos é ganhar o jogo.
ADT: Foi uma boa experiência jogar em Alvalade?
B.M.: Sinceramente fiquei bastante surpreendido quando nos disseram que íamos jogar em Alvalade, eu não queria acreditar, penso que são daquelas experiências que vão ficar para toda a vida porque nós infelizmente não sabemos se vamos voltar a jogar naquele estádio, se vamos algum dia voltar a sentir aquela emoção dos adeptos a torcerem por nós com o emblema do leão ao peito, por isso, é uma experiência excepcional e que eu espero vir a repetir mais tarde, se possível envergando a camisola do Sporting.
ADT: Achas que a equipa poderia render mais se tivesse jogado na Academia?
B.M.: Esse foi um aspecto falado no seio da equipa, nós sentirmos aquele ambiente no estádio, olharmos à nossa volta e estar a ver aquela coisa enorme, é um sonho jogar ali, se calhar, ficámos um bocado mais inibidos, um bocadinho mais nervosos porque sabíamos que estavam "pessoas muito importantes" a ver os jogos, os grandes adeptos do Sporting dirigiram-se mais facilmente ao estádio, o que criava um nervosismo maior e uma pressão ainda maior sobre nós, por isso, sentimos que jogar na academia poderia ser mais vantajoso em termos de exibição. Mas em termos de experiência e de adaptação para um futuro, porque todos nós queremos um futuro risonho e jogar nos grandes palcos e jogar ali num grande palco a fase final, penso que isso supera todos os outros temas, de jogar ou não na academia. Penso que o mais importante é sentir o ambiente do estádio, aquela grandeza, e depois penso que todos os atletas da formação querem é jogar no estádio.
ADT: Como foi lidar com uma massa associativa impaciente?
B.M.: Foi bastante complicado, realmente não estávamos à espera de uma atitude dessas mas sabemos que isso no futebol existe, quando vamos ver os jogos dos seniores sentimos muito isso, e os adeptos às vezes não sabem ou não lhes vem à cabeça naquele momento que quem quer ganhar o jogo primeiro somos nós os jogadores, que estamos lá dentro, depois são eles, e que por uma razão ou por outra as coisas não estão a sair bem e sentíamos às vezes que eles estavam a entrar em desespero, que queriam um golo rapidamente, que queriam a vitória, e quando assim era, nós tentávamos unir a equipa e dar o nosso melhor para dar uma alegria a eles, mas enfim, temos de estar preparados.
ADT: No último jogo contra o FC Porto a partida terminou com alguns desacatos. Não foi a melhor forma de fechar a época e a formação...
B.M.: Não, nós estávamos felizes por termos atingido os nossos objectivos, mas houve uma situação de alguns nervos à flor da pele por parte de alguns jogadores do Porto em que alguns jogadores nossos reagiram e aquilo que se passou da minha parte foi tentar acalmar os outros, mas se calhar com os nervos à flor da pele reagimos de uma maneira assim mais incorrecta, mas depois as coisas resolveram-se no túnel, também com a ajuda da policia e de alguns directores. É triste acabar assim um jogo, ainda para mais no último ano de formação e no jogo do título, mas enfim, compreende-se também a parte deles por terem vindo a Alvalade lutar pelo título e saírem derrotados quase no fim.
ADT: Tu foste o jogador escolhido para bater o penalty. O que estavas a sentir na altura?
B.M.: Nós treinámos bastante os livres, os cantos e os penalties, era uma preocupação do treinador e naquela altura eu só tinha de pensar em fazer golo, porque se nós vamos pensar que o guarda-redes vai defender estamos é sujeitos a falhar a baliza. É claro que sentimos alguma pressão ainda para mais perante um resultado negativo. O que eu pensei foi: "bem, tenho que fazer golo senão o estádio vai me cair em cima", também com alguma frieza dos treinos e com a confiança que o mister me dava a bater os penalties, estava perfeitamente tranquilo.
ADT: Quantos golos apontaste esta época?
B.M.: Isso foi uma pergunta que já fiz a mim próprio mas que não sei ao certo. Mas julgo que foram 17.
ADT: Estavas à espera de marcar assim tantos golos?
B.M.: É assim, para quem tem acompanhado a minha formação no Sporting, sabe que eu tenho feito bastantes golos, o ano passado não joguei tanto e foi uma época em que não marquei tantos, mas desde os Infantis que eu sempre marquei muitos golos. Não sei se a finalização é uma característica minha, sei que tem sido um hábito marcar golos, este ano não estava à espera de marcar assim tantos até porque estava a jogar mais encostado à linha, vinha buscar o jogo, funcionava mais como organizador, a dar mais assistências para os outros avançados. Mas foi bom ter marcado tantos golos, já tinha saudades, porque tive um ano mais apagado na época anterior e fiquei feliz com a forma como correu esta última.
ADT: Qual foi o teu numero máximo de golos numa época?
B.M.: Penso que 29 ou 30.
ADT: Falou-se muito da tua ida para o Valência. O que falhou nas negociações?
B.M.: É verdade que houve um grande interesse da parte deles mas como hoje (15/07) também já saiu na imprensa, vou renovar pelo Sporting por dois anos. É verdade que houve diálogo até entre os clubes, eu sempre demonstrei que a minha vontade era ficar no Sporting e quando as coisas se meteram nesse sentido, fiquei bastante feliz por isso. É sempre bom saber que clubes de fora estão atentos ao nosso trabalho, mas também é bom saber que o clube do nosso coração está de olho em nós e nos está disposto a dar uma oportunidade de trabalhar noutro clube mas sempre de olhos postos na nossa evolução e foi a isso que eu me agarrei, querer demonstrar às pessoas que quero voltar ao Sporting e que tenho valor para estar no Sporting. Agora em relação aos outros clubes, fico bastante contente, não posso esconder o meu orgulho, por clubes de grande nome europeu estarem atentos ao meu trabalho, mas a minha intenção foi sempre ficar no Sporting e quando isso se meteu em cima da mesa, com as condições todas de eu poder evoluir e de continuar o meu processo de formação, foi por isso que eu optei.
ADT: Hoje saiu na imprensa a possibilidade de seres emprestado ao Fátima. Já te informaram de alguma coisa ou ainda vais treinar com a equipa principal?
B.M.: Eu tenho estado de férias e o meu empresário é que tem falado com todas as pessoas, com os clubes que mostraram interesse em mim, etc foi ele que tratou de tudo e eu tenho a máxima confiança nele e portanto, deixei isso tudo ao critério dele. Ele é que tem falado com os responsáveis do Sporting, tem falado também com alguns clubes que demonstraram interesse na minha aquisição para a minha primeira época de sénior, por isso neste momento não sei de mais nada a não ser que há clubes interessados nos meus serviços e que o Sporting esta já a falar com esses clubes a respeito de um empréstimo. Agora, se vou treinar na equipa principal ou se vou já directo para outro clube, ainda não tenho nenhuma informação relativamente a isso.
ADT: Estás preparado para começar a jogar nos seniores?
B.M.: Depois da época que eu fiz sinto-me mais preparado do que na anterior, porque joguei bastante e também porque tivemos a sorte de ter um treinador já com experiência no futebol sénior, que lidava connosco como atletas profissionais e ao longo das semanas fizemos alguns jogos amigáveis com equipas seniores o que deu para também de alguma forma termos mais conhecimento do que é realmente o futebol sénior. Se me perguntassem há um ano atrás se eu estava preparado, eu diria que não, mas neste momento sinto que estou preparado, foi um ano em que eu treinei muito a sério, com o objectivo de chegar ao futebol profissional já bastante preparado e quando assim é, sinto que neste momento posso encarar qualquer equipa ou desafio com uma disponibilidade que um ano atrás eu não tinha.
ADT: Treinaste alguma vez com a equipa principal?
B.M.: Não, penso que fui o único avançado que não foi chamado.
ADT: Ser emprestado vai ser o melhor para ti?
B.M.: Sim, penso que isso está mais do que provado, que nós na primeira época de seniores sermos emprestados a um clube de escalão inferior é a estratégia mais acertada, porque temos o exemplo do Miguel Veloso, do Bruno Pereirinha, do Yannick Djaló, do Daniel Carriço, enfim, temos tantos jogadores que ao darem um passo atrás depois provavelmente vão dar dois à frente, e quando assim é, nós só temos de encarar aquele escalão inferior como um grande passo em que ou é agora ou nunca mais vai ser e se nós encararmos isso com trabalho e seriedade, é mais que certo que vamos ter êxito no futuro, porque se nós formos directos à primeira liga é muito difícil jogar, e se nós conseguirmos jogar numa equipa de escalão inferior estamos a demonstrar às pessoas que já temos condições para jogar numa liga acima, e penso que isso é a estratégia mais acertada para um jogador que acaba a formação.

ADT: Como é que começaste a jogar a bola?
B.M.: Tudo começou com uma brincadeira em casa, o meu avô é fanático pelo Sporting, é "doente" pelo clube, então, estava eu a brincar com os meus amigos lá do bairro e ele chegou lá com o equipamento do Sporting e levou-me a treinar à Académica de Santarém. Treinei com jogadores dois anos acima da minha idade e quando lá entrei aquilo para mim era o melhor clube do mundo. Eu nunca tinha imaginado jogar, nunca tinha pedido a ninguém para me levarem a um clube, partiu dele, foi uma prenda de aniversário que ele me deu, e se eu algum dia chegar lá acima, é a ele que eu vou estar agradecido, foi ele que realmente fez força para eu ser jogador e para eu trabalhar neste mundo.
ADT: Quanto tempo jogaste lá?
B.M.: Quatro anos.
ADT: Qual era a tua posição na altura?
B.M.: Jogava como avançado centro, mas no futebol distrital é pontapé para o ar e quem se conseguir safar... aquilo é mesmo assim, não há futebol corrido não há nada. Comecei a jogar como avançado, depois houve alturas em que joguei como médio ofensivo.
ADT: Como se deu a tua transferência para o Sporting?
B.M.: Eu jogava dois anos acima da minha idade na Académica e eu tinha ido a um jogo em Salvaterra de Magos e o meu avô durante o aquecimento entrou no meio do campo e disse-me que estava ali um olheiro do Sporting a ver o jogo e eu surpreendido mandei-o sair do campo (risos). Ele disse-me que eu tinha que marcar golos, senti uma pressão enorme mas correu tudo bem e nesse jogo marquei três golos e o senhor Garret que é olheiro tratou de tudo passando pelo senhor Aurélio Pereira.
ADT: Como foram os primeiros passos de leão ao peito?
B.M.: Assim que entrei no balneário não conhecia ninguém, eu era muito tímido, não falava com ninguém, entretanto o Vivaldo Arrais veio ter comigo, foi ele que me puxou para o grupo, foi ele que foi o meu grande amigo e isso foi-se demonstrando em todos os escalões de formação. Foi ele que conseguiu fazer com que eu me integrasse no grupo e depois nos treinos com a ajuda do mister Nuno Naré, penso que o Vivaldo foi um grande amigo enquanto cá esteve no Sporting. Depois, o grupo sempre me ajudou, sabiam que eu tinha algumas qualidades e tive a sorte de encontrar um grupo espectacular, que nunca me tratou mal sabendo que eu era de longe e que vinha todos os dias de Santarém.
ADT: Quem é que te trazia?
B.M.: Era o meu avô.
ADT: Qual foi o teu primeiro escalão?
B.M: No primeiro ano não pude jogar porque a carta não tinha chegado e só fiz alguns torneios, mas no campeonato comecei a jogar em Infantil A.
ADT: Como é que lidaste com as viagens?
B.M.: Naquela idade nós só pela dimensão do Sporting queremos é chegar e treinar e jogar à bola, não pensamos em mais nada, foi um grande sacrifício, lembro-me que saía das aulas a correr para chegar a tempo aos treinos, quando estava trânsito a caminho do estádio saía muitas vezes a correr para ir para o estádio para chegar a horas. Eu equipava-me no estádio e depois ainda íamos de autocarro para o campo da torre, foi um ano muito desgastante mas que foi um grande ano também porque todos os objectivos foram atingidos.
ADT: Quando se deu a tua afirmação?
B.M.: Logo no primeiro jogo oficial pelo Sporting fui titular, mas ao longo dos torneios eu jogava na equipa (de 1988) um ano mais velha, normalmente jogávamos futebol 7 e eu jogava com o Fábio Paim na frente. O meu treinador sempre me deu confiança e apostava em mim, porque ir lá treinar e não jogar era complicado e nos torneios dava-me essa confiança. Nos infantis A ele voltou a dar-me confiança e no primeiro jogo contra o Odivelas ganhámos por 12 ou 13 a 0 e eu marquei 6 golos na estreia. Foi a melhor estreia que eu alguma vez podia desejar.
ADT: Qual foi o treinador que mais te marcou?
B.M.: A maior ligação que eu tive foi com o mister João Couto, porque ele era um treinador que dizia que se nós temos a sorte de fazer na vida aquilo que mais gostamos, que era jogar à bola, então ele não admitia a ninguém que entrasse no campo com cara de chateado. Ele queria que jogássemos com um sorriso, com alegria e se um jogador tem a capacidade de driblar um ou dois adversários, então é isso que ele tem de fazer no jogo. Não aceitava que os jogadores estivessem tristes dentro do campo, queria é que todos jogassem com alegria e desfrutassem jogo a jogo. Isso tocou-me bastante, porque nós entrávamos em campo com uma vontade espectacular. Mas depois, também tive outros treinadores, o Mister Luís Dias, o Mister Nuno Naré e também o Mister Lima por ter sido o treinador que fechou o meu capítulo na formação e nos ajudou bastante a preparar-nos para o futebol profissional. Mas é difícil escolher um porque todos são especiais e nunca tive nenhum tipo de problemas com eles.
ADT: Concordas que a tua melhor época foi a de Juvenil A?
B.M.: Eu com o Mister João Couto tinha a felicidade de jogar como eu gosto que era como organizador de jogo, como segundo ponta de lança. Eu gosto bastante de fazer diagonais mas com a bola controlada, de criar espaços para os meus colegas e de aparecer nas costas do avançado, na zona de finalização. É isso que eu mais gosto mas tenho que respeitar se o treinador quiser que eu jogue mais encostado à linha e dou sempre o meu melhor.
ADT: Tiveste algum jogador como referência durante a formação?
B.M.: Tive o Cristiano Ronaldo, o Ricardo Quaresma e o Miguel Veloso. E também tive um jogador que pela sua força de vontade, pela forma como trabalha e pela sua postura, que eu jamais vou esquecer, que foi o Daniel Carriço. Ele é daqueles jogadores que espero que tenha a maior sorte do mundo e sei que vai ter porque merece, porque ele desde os Infantis manteve sempre a sua postura, a sua maneira de trabalhar e quando assim é, esse jogador vai ter muito sucesso. A maneira como ele encarava qualquer tipo de treino era excepcional e fiquei bastante feliz pela sua chamada aos seniores.
ADT: Quando foi que te transferiste em definitivo para Lisboa?
B.M.: Foi no segundo ano de academia, foi em 2003, tinha 12 ou 13 anos.
ADT: Como foi ficar longe de casa, da família e dos amigos?
B.M.: Foi complicado, nós chegarmos aqui e estarmos sozinhos. A grande dificuldade foi começarmos a arrumar as nossas coisas e arrumar o nosso quarto. Mas nós na altura vinhamos atrás de um sonho e também apanhámos jogadores que vinham nas mesmas condições, que vêm de muito longe e que choravam bastante com as saudades que tinham das suas familias. Eu tive a sorte de os meus pais e dos meus avós conseguirem facilmente deslocar-se aqui à academia mesmo durante a semana para me acompanharem e isso foi bastante positivo também para mim. E depois, era eu e a minha família a tentarmos ajudar aqueles que vieram de mais longe e fazer com que eles se sentissem mais confortáveis e quando assim é, as coisas são mais fáceis, e quando temos uma família sempre a apoiar-nos é tudo mais fácil de suportar e sinto-me muito orgulhoso por ter a família que tenho.
ADT: Foi essencial o apoio da família?
B.M.: Foi crucial o apoio da minha família e também do mister Jean Paul e do Sr. Aurélio Pereira, foram pessoas que esteja eu onde estiver nunca me posso esquecer que eles me ajudaram bastante quando as coisas estavam a correr menos bem e falaram bastante comigo, e nunca mais posso esquecer que eles lembravam-me sempre que se eu tinha qualidade então tinha de trabalhar e aproveitar esse talento porque as coisas iriam surgir. Vou estar sempre muito agradecido a eles e à minha família, tendo sucesso na minha carreira ou não.
ADT: Durante a tua estadia na academia tinhas algum dia de folga?
B.M.: Nós aqui na academia nos iniciados jogávamos ao domingo e na sexta feira a seguir ao treino podíamos ir para casa e regressávamos no domingo para o jogo e depois do jogo podíamos ir passar a tarde e jantar com a família e até às 23 horas tínhamos de voltar. Fiz isso muitas vezes, porque estávamos uma semana inteira só a treinar e a estudar e tínhamos a necessidade de aliviar a cabeça porque naquela idade nós queremos é brincar e estar com os amigos e eu aproveitei bastante as folgas que nos eram dadas. Era mesmo o que o gabinete psicopedagógico exigia, era que nós saíssemos daqui da academia e passássemos algum tempo com a família, porque senão depois começamos a tornarmo-nos pessoas muito isoladas, muito egoístas, porque uma pessoa que vive sozinha é diferente de uma pessoa que vive acompanhada pela família, a partilhar o seu espaço.
ADT: Concordas que o ano mais difícil para ti foi o primeiro ano de juniores?
B.M.: Foi o ano em que eu senti mais dificuldades, foi ano em que eu tive de me apoiar mais nas pessoas que realmente gostam de mim, porque nós estamos habituados a jogar. Todos os fins-de-semana jogávamos, trabalhávamos durante toda a semana e depois chegar ao fim-de-semana e ou não jogar ou entrar só alguns minutos é bastante diferente e isso acontece uma, duas e à terceira semana uma pessoa começa a ficar em baixo psicologicamente e até começamos a duvidar do nosso valor e isso é bastante mau. Mas é por isso que o Sporting tem um gabinete psicopedagógico para também falar com os jogadores e manter em alta o estado psicológico dos jogadores. É complicado um jogador estar em baixo e não ter ninguém que o ajude, é bastante difícil e eu compreendo a situação dos meus colegas nesta época transacta que eram de primeiro ano, nós tivemos a grande preocupação de falar com eles e quase todas as segundas feiras tínhamos uma reunião de equipa e falávamos entres nós, porque não nos podemos esquecer que para trabalharmos bem e termos um grupo unido também precisamos deles, daqueles que jogam menos. E tivemos essa preocupação, eu, o André Santos e o Diogo Amado falávamos bastante disso e também foi um prazer enorme trabalhar com o Diogo Amado, porque ele sem dúvida que terá sucesso na sua carreira porque não jogou muito esta época mas nunca fez uma má cara num treino, nunca treinou menos bem por não jogar, foi excepcional. Os jovens de primeiro ano foram brilhantes, tivemos a sorte também de trabalhar com eles porque nunca fizeram má cara por jogarem menos ou por não serem convocados e isso ajudou bastante. E se conseguimos atingir os nossos objectivos também se deve a eles, porque todos os treinos queriam dar mais e todos os jogos eles puxavam para a equipa ganhar e isso é difícil de acontecer, tivemos sorte de ter este grupo fantástico.
ADT: Da primeira volta para a segunda volta subiste muito de rendimento. Concordas?
B.M.: Também senti isso, desde que parti a rotula aumentei bastante o peso e sempre foi uma preocupação que nós tivemos que era eu voltar ao peso ideal, e eu senti bastante isso também devido à grande ajuda do mister José Lima e do fisioterapeuta Carlos Lima. Trabalhei muito nesse aspecto e quando cheguei à fase final estava na forma física ideal e conseguia aguentar 90 minutos em vez de apenas 60 e isso é bastante positivo. Também os jogos de treino à quarta-feira ajudaram bastante nesse sentido. Penso que foi das melhores coisas que me aconteceu esta época foi atingir esse nível físico.
ADT: Emagreceste muito?
B.M.: Neste momento em relação ao início de época estou com 8,5Kg a menos, estou com o nível de massa muscular bastante elevado em relação há dois anos e ao ano passado e com o nível de gordura normalíssimo em relação aos meus colegas.
ADT: Já tinhas sido capitão antes desta época?
B.M.: Já o tinha sido nos infantis, nos iniciados e nos juvenis. Na Académica também era, sempre foi uma característica minha comunicar bastante com a equipa e penso que essa era uma das característicass que os técnicos viam em mim e por isso escolhiam-me para essa função. E fico bastante orgulhoso por ter tido sempre uma grande relação com a equipa, sempre fui um jogador e uma pessoa que se deu bem com os meus companheiros e amigos e também eles me facilitaram essa tarefa e nunca tive nenhum desentendimento com nenhum deles. Tive a sorte das pessoas que me rodeavam aceitarem uma critica construtiva, sempre foi para ajudar a fazer melhor e se calhar por isso, eu tenho mesmo quase a certeza que foi essa a razão porque desempenhei esta função.
ADT: Que títulos conquistaste durante a tua formação no Sporting?
B.M.: Fui Bi-Campeão Distrital infantil B e A, Campeão Distrital Iniciados B. Bi-Campeonato Nacional de Iniciados A. Campeão Distrital de Juvenis B, Bi-Campeão Nacional de Juvenis A e Campeão Nacional de Juniores.
ADT: Qual o que teve sabor especial?
B.M.: Este agora porque foi a despedida da formação, foi um ciclo que se fechou na minha vida e que foi o culminar de todos os anos e foi o resultado de nove anos de trabalho nesta casa.
ADT: Era importante sair a ganhar?
B.M.: Sim acho que era fundamental porque um jogador que chega emprestado a um clube como campeão nacional é diferente, penso que reforça ainda mais a qualidade de um jogador e a confiança que a outra equipa vai ter nesse mesmo jogador, porque um treinador ou um presidente que está a avaliar um currículo de um jogador e vê que um jogador está habituado a títulos é um jogador que à partida quer é vencer e se nós estamos habituados a trabalhar para ganhar e a festejar títulos na formação é com estes jogadores que um treinador e um clube querem trabalhar.

A nível de selecções
ADT: Que escalões já representaste na selecção?
B.M.: Sub16, sub17, sub18 e sub19.
ADT: Como foi a tua primeira internalização?
B.M.: O meu primeiro jogo foi contra a Dinamarca no torneio de Santarém.
ADT: Como correu?
B.M.: Fui surpreendido, a associação de Santarém homenageou-me na minha primeira chamada à selecção e fiquei bastante feliz até porque estava a começar um capitulo novo na minha vida desportiva e o professor Carlos Dinis confiar em mim também foi muito positivo porque eu estava a fazer um bom trabalho aqui no Sporting e quando assim é, estamos sempre à espera de uma chamada para representar o nosso país.
ADT: Achas que é fundamental jogar nos "grandes" para ir à selecção?
B.M.: Penso que sim, até porque para quem acompanha os estágios nota-se que os jogadores dos ditos grandes, sem estar a faltar ao respeito aos restantes clubes, estão melhor preparados fisicamente e psicologicamente para encarar os objectivos da selecção do que os jogadores das outras equipas. Porque nós nos clubes grandes estamos habituados a pressões, porque se tivermos um empate ou uma derrota é complicado e nos clubes como o Sporting nós temos é de ganhar e é isso que os adeptos esperam, e nos outros clubes já não é assim e quando chegamos à selecção onde o objectivo é ganhar, ganhar e ganhar penso que estamos mais bem preparados.
ADT: Como foi vestir a camisola e ouvir o hino pela primeira vez?
B.M.: É uma sensação única, sempre que ouvimos o hino a tocar sentimos um arrepio e um orgulho que não tem palavras, neste momento até hoje foi a melhor sensação que já tive na minha vida. É extraordinário nós estarmos com o equipamento vestido e sentirmos que estamos a representar uma nação, é um motivo de orgulho para todos nós e já posso dizer aos meus filhos e aos meus netos que fui internacional e isso deixa-me bastante feliz e orgulhoso pelo trabalho que desenvolvi até agora.
ADT: Quantas Internalizações tens?
B.M.: 26.
ADT: E golos?
B.M.: Sei que fui o melhor marcador na primeira fase de grupos de sub17 para o apuramento, no primeiro torneio de elite fiz 5 golos em 3 jogos e no segundo torneio também fui o melhor marcador, em três jogos fiz 4 golos. Recordo-me destes porque são os torneios mais importantes. Nos sub17 claramente as coisas correram-me de uma forma extraordinária, agora nos sub19 eu estava a jogar encostado à linha mas também correu de uma forma espectacular e o professor Agostinho é uma pessoa excepcional que transmite confiança aos jogadores, que consegue tirar o máximo proveito de um atleta e foi bastante positivo estar quase um ano (2006/07) ausente da selecção e voltar com o professor Agostinho que eu não conhecia, foi formidável.
ADT: Competiste no Torneio Inter-Associações Lopes da Silva?
B.M.: Sim, na selecção do Carriço, um ano acima da minha idade. Na altura perdemos 2-1 contra a selecção do Porto com dois golos do Daniel Candeias.
ADT: Consideras a fase dos sub17 a melhor até agora?
B.M.: Eu sinceramente sentia-me melhor preparado agora nos sub19 do que nos sub17. Nos sub17 estava a fazer uma época extraordinária no Sporting mas na selecção estava a jogar como ponta de lança fixo e não é a posição que eu mais gosto, mas realmente com alguma dedicação as coisas correram bem. Mas sentir-me preparado foi agora nos sub19, porque a nível físico estava muito bem, conseguia aguentar qualquer ritmo de jogo e a selecção dos sub 19 era diferente da dos sub17, e se eu tinha um grupo espectacular no Sporting o da selecção não lhe ficava atrás, mesmo com atletas de diversas equipas nós estávamos todos na selecção a pensar no mesmo.
ADT: Qual foi o jogo que mais te marcou na selecção?
B.M.: Foi contra a Hungria, em que bastava um empate para o apuramento e perdemos 1-0. Foi um jogo que eu nunca na minha vida esperava que existisse um árbitro que fosse capaz durante os 90 minutos de puxar sempre para o mesmo lado, é uma coisa que não tem explicação, a equipa quase toda a levar amarelos, a ser ameaçada de ir para a rua e depois num lance em que toda a equipa vê o Miguel Vítor a ser agarrado e a levar pontapés e o árbitro marca pontapé de canto, de onde a bola sai ao segundo poste quando já tinha ultrapassado a linha de fundo e de onde surge o golo, é uma coisa que não tem explicação. Foi o jogo que mais me marcou até porque eles fizeram durante o jogo todo um remate e só faltava o árbitro vestir o equipamento da Hungria e começar a jogar por eles. É triste os atletas estarem a dedicarem-se ao jogo e depois as pessoas que mandam no jogo estarem a estragar um jogo que à partida seria bastante interessante.
ADT: Foi o pior momento na tua carreira?
B.M.: O pior momento da minha carreira até ao momento foi o ano passado porque não jogava na selecção e não jogava no Sporting, foi bastante complicado para mim. Foi o ano em que eu senti mais dificuldades em termos psicológicos. O jogo da Hungria não foi o pior momento, mas é daqueles jogos que eu vou recordar como um dos piores em que já participei.
ADT: Qual é o teu objectivo a nível da selecção?
B.M.: Eu agora quero afirmar-me num clube, seja ele qual for, depois é a chamada aos sub20 e o mais rápido possível quero fazer parte dos sub21, e daqui por uns anos espero fazer mundiais e europeus pela selecção A, penso que seja esse o objectivo de todos os atletas que estão nesta vida e eu não fujo à regra.

Treinar junto da selecção A e dos ídolos
ADT: Quem foi treinar à selecção (Outono de 2006)?
B.M.: Fui eu, o Diogo Amado e o Adrien.
ADT: Como se passou tudo?
B.M.: Lembro-me que nos disseram que o Professor Scolari recolheu algumas informações dos jogadores do Sporting que estavam nas selecções, e realmente eu tinha feito uma grande época nos sub17 juntamente com o Adrien, o Amado era o capitão dos sub16 mas jogava regularmente com os sub17, e depois falaram com o Sporting e recolhendo informações positivas fomos os jogadores seleccionados para lá ir.
ADT: Como te sentiste no treino da selecção?
B.M.: É uma coisa inesquecível, em que estamos junto dos nossos ídolos, um ambiente único e que só vivido é que se sabe o que se sente. As pessoas vêem a postura de um jogador na televisão e pensam que um jogador é antipático e depois nós chegarmos lá e tratarem-nos de uma forma excepcional, meterem-nos à vontade, brincarem, puxarem-nos para o meio do grupo, foi uma coisa sem palavras.
ADT: Que memórias guardas do Ricardo Fernandes e do Fábio Ferreira?
B.M.: O Ricardo era um dos meus melhores amigos no Sporting, fiquei bastante triste porque ele estava envolvido no mesmo negócio que eu e o Adrien. Eu e o Adrien decidimos ficar no Sporting e o Ricardo e o Fábio decidiram ir e se calhar hoje arrependem-se. Mas guardo boas recordações de um jogador que se calhar se tivesse ficado no Sporting hoje toda a gente ouvia falar dele e hoje por uma razão ou por outra já muita gente não se lembra do Ricardo Fernandes. Se ele tivesse ficado aqui teria sido o ideal para o futuro dele e hoje era um jogador mais forte, porque um jogador que vai para o Chelsea e que tem uma lesão e depois deixa de jogar e deixa de vir à selecção é complicado, desejo-lhes as melhores felicidades e muito sucesso.
ADT: Porque decidiste não ir para o Chelsea e ficar no Sporting?
B.M.: Eu falei muito com o Adrien e decidimos ficar e hoje vê-se que foi o melhor para ele e foi isso que eu também procurei para mim, sempre o melhor para o meu futuro, senti que não estava na altura, que era muito novo e se nós com 15 / 16 anos vamos atrás de outras coisas em vez de nos continuarmos a formar no clube do nosso coração, penso que realmente não seja o mais indicado. Eu com 16 anos queria era jogar no clube que mais gosto e acreditar que um dia ia chegar ao plantel principal e foi isso que procurei e não estou arrependido de forma alguma da opção que tomei.
ADT: Em que momento da tua carreira sentiste que podias ser jogador profissional?
B.M.: Foi com o mister Luís Dias em Juvenil porque comecei a jogar com jogadores mais velhos e o mister começou a incutir-me a responsabilidade do futebol, o que realmente era o futebol e penso que foi com ele que eu comecei a levar isto como uma opção de vida e que tinha de trabalhar todos os dias para ter uma carreira de sucesso.
ADT: Já assinaste contrato com o Sporting?
B.M.: Ainda não, neste momento o que me liga ao Sporting é um contrato de formação que assinei ao mesmo tempo que o Adrien quando era Juvenil B.

Curiosidades:
ADT: Qual é a liga que mais te fascina?
B.M.: Gosto muito da portuguesa porque é sinal que vou representar o Sporting. Se estivermos a falar de um jogador que vive o clube, que tem esse clube no coração e chega a casa e a família toda vive o clube da mesma forma, penso que o seu discurso é diferente, e eu respeito muito o Sporting e tenho um grande sonho que é jogar naquele estádio com o emblema do leão ao peito, e não consigo falar de outra maneira sem ser com muito respeito pelo Sporting por tudo aquilo que eles fizeram por mim, por isso, a liga portuguesa é a que mais me fascina porque é onde joga o Sporting e é a que me dá mais prazer ver, mas também gosto bastante da espanhola.
ADT: Clube de sonho onde gostavas de jogar?
B.M.: Real Madrid e Manchester United ou o Manchester United e o Real Madrid (risos), mas também gosto muito da mística do Arsenal, porque penso que seja o clube que dá mais valor ao futebol bonito do que ao futebol para ganhar, e falo bastante com o Rui Fonte nesse sentido e penso que seja o clube que joga o futebol mais bonito e de forma mais regular.
ADT: Qual é o treinador que mais gostavas de encontrar?
B.M.: Quando fui treinar à selecção A gostei muito do mister Scolari e todos os jogadores o respeitavam bastante e ouviam com muita atenção aquilo que ele dizia e adorei o método de trabalho dele. Tenho muitos treinadores que aprecio, gostei muito deste seleccionador da Croácia, da forma como vive o futebol, aprecio o Sir Alex Ferguson, o Bernd Schuster e o Wenger por causa do futebol bonito e apoiado.
ADT: Qual foi o golo que mais te marcou até hoje?
B.M.: O golo marcado ao Porto na fase final dos juvenis A, faltavam dois minutos para acabar o jogo e lembro-me que o Vivaldo isolou-me e meti a bola por cima do guarda-redes. Também gostei muito do golo que marquei este ano ao Real Massamá aqui em casa, que foi um remate a cerca de 30 metros da baliza, foi um golo que dificilmente vou esquecer e em termos de beleza talvez tenha sido o mais bonito. Agora em termos de importância e infelizmente para os Portistas vão ser os que eu mais vou recordar, foi este agora de penalty na última jornada e o que lhes marquei nos sub17.
ADT: Para além do futebol continuas a estudar?
B.M.: Já deixei de estudar há dois anos, na altura dos sub17 porque estávamos muitas vezes fora. Na fase de apuramento fazíamos duas semanas de preparação e houve alturas em que eu chegava às onze da noite e meia noite à academia e no dia seguinte às 8 da manhã tinha exame, e era impensável estudar a matéria de duas semanas numa noite e tive que deixar por causa dos treinos e das semanas que estava fora. Mas espero um dia, como fez o Miguel Garcia, concluir o 8º e o 9º e tirar o secundário, porque eu fiquei pelo 8º e não quero morrer burro (risos), quero de facto acabar a escolaridade.
ADT: Qual é o esquema táctico em que mais gostas de jogar?
B.M.: Penso que seja o 4-3-3 (versão 4-3-1-2) em que eu jogava atrás dos dois pontas de lança, foi a maneira de jogar que mais gostei porque não sou jogador de ficar fixo, gosto de vir buscar a bola dentro e de fazer desmarcações para os meus colegas. Mas esta época tive de jogar encostado à linha e aceitei, porque eu quero é jogar e ficar no banco de suplentes não é coisa que me agrade muito, por isso um treinador que me diga que tenho de jogar a central eu não me importo de fazer essa posição.
ADT: Qual é a tua posição de raiz?
B.M.: Segundo ponta de lança ou ponta de lança mesmo, penso que é a mais adequada às minhas características, mas penso que estou preparado para jogar encostado à linha e criar desequilíbrios em lances individuais. Penso que temos de estar preparados para mudar de posição a qualquer altura.
ADT: Quais são as tuas principais características?
B.M.: Sou um jogador com uma boa qualidade técnica e com uma boa visão de jogo, a velocidade não é dos meus aspectos mais fortes mas consigo criar desequilíbrios em lances individuais e em vir em diagonais para dentro e a criar passes de desmarcação para os meus colegas. Não sou um jogador que goste de criar desequilíbrios pela linha mas se o tiver que fazer faço, tenho uma boa finalização e penso que sou bom nos lances de bola parada.
ADT: Que conselhos dás aos jovens da academia do Sporting?
B.M.: Nós fizemos um jantar de despedida da nossa equipa e eu tive a sorte de falar para os meus colegas e para a equipa e disse-lhes que me sentia orgulhoso de ter jogado com eles, e para eles aproveitarem todos os minutos em que podem vestir a camisola do Sporting porque não sabemos se amanhã vamos continuar com ela vestida, e trabalharem todos os dias de forma séria e que acreditem neles próprios, porque se for mesmo assim podem ir longe, e se trabalharem de forma regular penso que todos os que estão na academia podem ir longe. É aquilo que eu posso dizer a todos os que cá estão, que desfrutem do mundo que é o futebol, porque como os treinadores dizem e é verdade, nós temos a sorte de fazer na vida aquilo que gostamos e de desfrutar durante muitos anos dessa profissão ao mais alto nível, por isso aproveitem, dediquem-se, porque os anos da formação passam a correr e todos os dias se trabalharem de forma séria provavelmente vão ter um futuro risonho no futebol profissional. Levem isto a sério, com muito trabalho porque vai valer a pena.
ADT: Na tua geração há algum jogador que admires particularmente e que um dia não te importasses de pagar bilhete para o ver jogar?
B.M.: Gosto bastante de ver jogar o André Pinto do Porto, também gosto bastante do Romeu Ribeiro e do David Simão do Benfica. São jogadores que eu terei todo o prazer de um dia mais tarde ir a um estádio e pagar bilhete para os ver jogar, porque são jogadores que eu acompanhei na formação e admiro muito as suas qualidades. No Sporting gosto bastante do Weliton e do André Martins, que é um pequeno grande jogador a quem eu sempre chamei de "meu filho" na academia e vai ser aquele jogador que eu vou acompanhar sempre.
ADT: Houve algum defesa que te criasse muitas dificuldades e que entravas em campo a pensar como o irias ultrapassar?
B.M.: Houve um jogador que eu estava em casa e pensava bastante e via DVDs de jogos antigos que nós tínhamos para saber quais as dificuldades que ele mais tinha, que era o Ruben Lima. É um jogador muito inteligente no um para um.
ADT: Qual é o teu grande objectivo para a próxima época?
B.M.: O meu grande desejo agora é apresentar-me num clube e fazer uma grande pré-época, conseguir desde cedo agarrar um lugar na equipa e mostrar que tenho valor para regressar ao Sporting, porque eu ir para um clube agora e não trabalhar a pensar que é certo que vou voltar, isso seria um erro tremendo. Aquilo que vou fazer é trabalhar todos os dias para voltar a esta casa.
BI do Jogador:
Nome: Bruno Filipe Santos Matias.
Data de Nascimento: 04/04/1989 (19 Anos).
Peso: 75 Kg.
Altura: 1,78cm.
Posição: Avançado.
Entrevista realizada no dia 15 de Julho de 2008 na Academia Sporting / Puma em Alcochete.
Texto: Ricardo Nascimento.
Imagens: Academia de Talentos.
Dia 07.08.2008, às 11:13, forever disse...
grande entevista! sem palavras... tens tudo para voltar a tua casa (scp) trabalha e luta, porque vais conseguir! aprendi uma frase com uma pessoa que não sei se ainda está ente nós: todos erramos e quem nunca errou que atire a primeira pedra e quem cai e se levanta nunca caíu na vida. beijinhos muito grandes e acredita sempre em ti...
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