Entrevista
Entrevista com Carlos Saleiro
Foi à beira Tejo, no Parque das Nações, que Carlos Saleiro nos falou da sua época no Fátima, da sua primeira experiência fora de Lisboa e da sua passagem pela formação do Sporting. Ainda ligado ao clube de Alvalade, o avançado falou-nos nos projectos para o futuro, o desejo de integrar a equipa de Alvalade e a vontade de um dia ir jogar para o estrangeiro.
Academia de Talentos: Esta foi a tua terceira época de sénior e aquela em que mais sobressaíste, foi uma época positiva para ti?
Carlos Saleiro: Sim, penso que sim, porque fui sempre opção na equipa, fiz golos e principalmente porque em termos colectivos e em termos gerais foi uma época muito positiva para uma equipa que tinha chegado pela primeira vez a um campeonato profissional.
ADT: Como caracterizas a tua época?
CS: Foi como disse na pergunta anterior, joguei sempre, joguei muitos minutos em todas as competições, fiz golos também em todas as provas e também rubriquei boas exibições. E foi muito positiva porque consegui chegar pela primeira vez à selecção nacional de sub-21.
ADT: Qual foi o momento alto desta época?
C.S: Houve muitos esta época, destaco o jogo da segunda eliminatória da Taça da Liga frente ao Sporting e também a nossa vitória frente ao FC Porto.
ADT: E o pior?
C.S: Foram dois os momentos que para mim foram os piores, o jogo da segunda mão da Taça da Liga frente ao Sporting, em que faltava cerca de cinco minutos para o final da partida e o Sporting fez o golo que nos tirou da prova. Outro momento mau foi também a descida de divisão.
ADT: O apoio da família é sempre importante ao longo da carreira, a tua família tem estado sempre contigo?
C.S: Sim, é verdade, a família tem muito peso nas nossas carreiras e a minha não foge à regra, é muito importante para mim ter o apoio e a confiança deles.
ADT: Sentes que evoluíste e aprendeste ao longo deste campeonato?
C.S: Sim, foi muito importante para mim, pois nas outras épocas tive vários problemas desde lesões, até não jogar na minha posição de origem, mas este ano foi diferente, joguei sempre na minha posição e joguei com regularidade e penso que esses aspectos fizeram-me crescer muito.
ADT: O Fátima fez uma boa carreira na Carlsberg Cup mas no campeonato acabou por ser despromovido. O que correu mal ao clube?
C.S: Sim, é verdade, no meu ver o nosso "problema" foi no momento das transferências em Janeiro, houve algumas saídas e não houve entradas nenhumas. Não servindo de desculpa, mas penso que foi esse o problema.
ADT: O que sentiste nos jogos contra o Sporting?
C.S: Foi um sentimento muito estranho, jogar contra a equipa com a qual tenho contrato, jogar contra a equipa na qual joguei desde os 8 anos de idade ate sénior, foi realmente muito estranho, mas como vinha a dizer, eu sou profissional e claro dei sempre o máximo pelo Fátima.
ADT: Marcaste um golo ao Sporting na segunda mão da Taça da Liga. Como te sentiste?
C.S: Foi um golo diferente dos outros, não sei descrever o que senti nesse momento, mas foi diferente.
ADT: Falou-se da tua eventual saída do Fátima para o Sporting em Dezembro mas acabou por não se concretizar. Houve realmente algum contacto para o regresso?
C.S: Falou-se na imprensa que podia voltar, é verdade, mas comigo nunca falou nenhum responsável do Sporting sobre isso.
ADT: Conta-nos como foi a tua primeira experiência no Sporting?
C.S: Fui a um treino à experiência com um amigo meu e não ficámos. Mais tarde voltámos a ir lá, embora eu não tivesse muita vontade, pois já me tinham rejeitado no treino anterior, mas nessa segunda vez correu tudo muito bem e acabei por ficar, tinha na altura 8 anos.
ADT: Foste campeão de Juniores com o Paulo Bento e podes vir a reencontrá-lo, fala-nos um pouco dele?
C.S: É um treinador competente, percebe bem os jogadores, talvez pelo facto de ainda recentemente ele próprio ter sido jogador.
ADT: Que títulos já venceste no Sporting?
C.S: Vários distritais na formação, fui campeão nacional de juniores, campeão da Europa 2003 em sub-17, fui o segundo melhor jogador da Taça da Liga e jogador revelação da Taça da Liga.
ADT: Renovaste por quatro anos com o Sporting e agora falam na possibilidade de vires a fazer a pré época com o Sporting. Era um dos teus objectivos?
C.S: Sim, era um dos objectivos prolongar o meu contrato com o Sporting, renovei para jogar no Sporting claro, mas ainda não tive até ao momento indicação se faço ou não parte do plantel.
ADT: Recebeste mais algumas propostas para além do Sporting?
C.S: Sim, tive várias abordagens de clubes tanto nacionais como estrangeiros, mas sempre disse que queria renovar pelo Sporting.
ADT: O Sporting já tem o Postiga, Derlei, Djaló, Liedson e o Tiui para a frente de ataque, achas que ainda há espaço para mais um?
C.S: O Sporting tem avançados de grande qualidade, se há ou não espaço para mais um, isso é com os responsáveis do Sporting. Se houver, claro que vou ficar feliz e aí todos vão partir do mesmo "posto" e depois logo se vê.
ADT: Em 2004 fizeste a pré época com Peseiro mas acabaste por não ficar no plantel, sentes que esta época é a tua grande oportunidade?
C.S: Sinto que com os anos que passaram sinto-me mais jogador e mais maduro, penso que não ia defraudar as expectativas de ninguém, especialmente as minhas.
ADT: Quais são os teus grandes objectivos para o futuro?
C.S: Estar no plantel do Sporting, jogar e continuar a ser chamado à selecção nacional sub-21.
ADT: Como te caracterizas como jogador?
C.S: Sou um jogador de área mas que também posso "buscar" jogo mais atrás, jogando como segundo avançado. Penso que tenho um bom jogo de cabeça e um bom remate. Finalizo bem. Em termos tácticos, sei ler bem as situações do jogo.
ADT: Qual foi o treinador que mais te marcou?
C.S: De uma forma geral, todos me marcaram, cada um tem o seu método de trabalhar, aprendi muito com todos. Penso que todos têm potencial para treinar um clube de primeira liga.
ADT: Qual seria o treinador com quem mais gostarias de treinar?
C.S: Neste momento o meu objectivo passa por estar no Sporting e se assim for... o treinador com quem mais gostaria de trabalhar seria o Mister Paulo Bento.
ADT: Estiveste dois anos no Olivais e Moscavide e agora esta época no Fátima, Como caracterizas as tuas primeiras épocas de profissional?
C.S: Não começou nada bem a minha primeira época, tive cerca de 9/10 meses lesionado e nessa época fiz apenas 2 ou 3 jogos. Depois na segunda época fiz a temporada toda, mas joguei sempre fora da minha posição de origem, mas penso que foi uma época positiva para mim, visto que aprendi novos movimentos de outra posição no terreno. Agora, esta última época para mim, penso que foi a mais positiva, o mister Rui Vitória optou por me colocar na minha posição de origem e a época correu-me muito bem em todos os aspectos.
ADT: Ficaste desiludido quando foste emprestado pela primeira vez?
C.S: Sinceramente, fiquei um pouco desiludido, tinha feito a pré-época no ano anterior e pensava que a ia fazer novamente, mas tal não aconteceu e tive que pensar que para mim se calhar era melhor sair para poder jogar.
ADT: Os estudos como estão?
C.S: Já não estudo, tive que optar entre a escola e o futebol quando estava na equipa B no Sporting.
ADT: Pensas voltar a estudar?
C.S: Penso voltar para acabar o 12º Ano.
ADT: Depois do futebol o que pretendes seguir?
C.S: Gostava de continuar ligado ao futebol.
ADT: Gostavas de ser treinador?
C.S: Gostava (risos).
ADT: Qual é o futebol que mais admiras?
C.S: O futebol inglês, por causa do público e também pelo futebol que se pratica.
ADT: Qual pensas ser o esquema táctico que mais se adapta às tuas capacidades e características?
C.S: 4-3-3 tanto como o 4-4-2.
ADT: Quais são os teus jogadores de referência?
C.S: Pauleta, Raúl e Van Nistelroy.
ADT: Conta-nos como foi a tua primeira chamada à selecção?
C.S: Fui chamado porque um jogador se tinha aleijado. Quando soube, obviamente que fiquei muito feliz, era um dos meus grandes objectivos na altura.
ADT: Quem foi esse jogador que se lesionou?
C.S: Penso que foi o Bruno Filipe.
ADT: Foste campeão europeu de sub-17, como descreves essa sensação?
C.S: Não há palavras, só quem lá está é que sente... foi um momento que nunca mais vou esquecer.
ADT: Qual foi o jogo que mais te marcou?
C.S: Foi na meia-final do campeonato da Europa, penso que já passava do tempo e estávamos a perder 1-2 e em cima do apito final do árbitro fiz o golo de cabeça que empatou o jogo. Depois fomos a penalties e acabámos por vencer.
ADT: E o golo que mais te marcou?
C.S: Foi o golo contra a Bulgária no apuramento para o europeu de 2009.
ADT: Como analisas a tua geração de 86?
C.S: Penso que esta geração pode e está a dar grandes jogadores ao futebol mundial. A maior parte dos jogadores jogam todos em ligas superiores e penso que isso é importante.
ADT: No mundial (sub-17) seguinte, Portugal defraudou as expectativas, o que se passou a teu ver?
C.S: Penso que foi devido à altura em que o mundial foi disputado. Havia selecções que estavam em competição por causa dos seus campeonatos (Brasil) e penso que isso foi determinante.
ADT: Qual ou quais foram os momentos altos da tua carreira até agora?
C.S: Ser campeão europeu e os jogos contra o Porto e Sporting em que o Fátima venceu.
ADT: Agora que estamos no Euro2008, o que achas da selecção?
C.S: A selecção tem tudo para vencer o euro. Tem grandes jogadores de nível mundial e isso já é meio caminho...
ADT: Expectativas para o Euro?
C.S: Penso que se a selecção estiver bem fisicamente, podemos chegar longe e esse longe obviamente que é vencer a competição.
ADT: Portugal tem revelado uma enorme carência na formação de avançados, sentes que podes ser uma solução para esse problema e uma opção para a selecção?
C.S: Penso que Portugal tem bons avançados, se calhar o problema passa pela falta de oportunidade que lhes dão.
ADT: Gostarias de ir jogar para o estrangeiro?
C.S: Sim, qualquer jogador pensa em ir jogar para o estrangeiro, mas primeiro quero-me afirmar em Portugal.
ADT: Como vês a formação de jogadores a nível nacional?
C.S: Penso que começa a haver muitos estrangeiros nos planteis da formação, e isso é um erro tanto para os clubes como para as selecções nacionais mais jovens.
ADT: Que conselhos dás aos jovens que agora começam no futebol?
C.S: Que apostem tanto nos estudos como no futebol. Que sejam sempre humildes e responsáveis, pois temos que provar o nosso valor dia após dia.
Nome: Carlos Miguel Mondim Saleiro.
Posição: Ponta de lança.
Data de Nascimento: 25/02/1986.
Pé Dominante: Direito.
Peso: 79 Kgs.
Altura: 1,86.
Entrevista realizada no dia 10 de Junho de 2008 no Parque das Nações.
Texto: Ricardo Nascimento.
Imagem: Academia de Talentos.
Dia 20.06.2008, às 03:15, Rui Moço disse...
Na minha opiniao, o Saleiro deveria fazer parte do plantel, entre o Saleiro e Tiui, Saleiro sem duvida.
Dia 21.06.2008, às 03:18, www.forumsporting.com/forum/ disse...
A sua ida para o Setúbal vai ser positiva para ele, visto que vai poder jogar com maior regularidade. O Sporting conta actualmente no seu ataque com Liedson, Postiga e o Derlei, entre outros, com esta concorrência a probabilidade de este jogar como regularidade seria reduzida, por isso aplaudo a decisão.
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