Entrevista
Entrevista com Eduardo Simões
Defesa central de processos simples, cedo impressionou os seus treinadores pela frieza na abordagem aos lances e pelo excelente sentido posicional. Eduardo Simões chegou a ser apontado como uma das maiores promessas do Benfica, onde foi capitão de equipa em todos os escalões do clube que representou durante cerca de 14 anos.
Academia de Talentos - Podes dizer-nos como começou a tua carreira?
Eduardo Simões - Os meus pais queriam que eu e o meu irmão tivéssemos uma actividade de ocupação de tempos livres. O meu pai sugeriu que fossemos para a natação do Benfica, mas nós insistimos para irmos para as escolas de futebol.
ADT - Então entraste logo para as escolinhas?
ES - Mais ou menos. Era uma actividade semanal, não eram treinos de uma equipa. Pagávamos uma mensalidade e estávamos ali como que com uns professores que nos ensinavam algumas perícias e truques. Mais tarde, os treinadores começaram a gostar das minhas capacidades e decidiram convidar-me para a equipa oficial. Na altura perguntaram-me o que fazia ao fim-de-semana e eu na minha ingenuidade disse que ia à missa.
ADT - Que idade tinhas?
ES - Tinha 8 ou 9 anos.
ADT - E lembras-te quem foram os teus primeiros treinadores?
ES - Eram o Mister José Paisana e o Mister José Morais, que acabou por ser meu treinador em vários escalões, incluindo na equipa B.
ADT - Em que escalão foste nomeado capitão de equipa pela primeira vez?
ES - Não me lembro ao certo. Penso que fui capitão em todos os escalões por que passei. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa serena e leal, acabei por ser sempre uma referência para os meus colegas.
ADT - E ao longo dessas épocas no Benfica, quais os principais títulos que conquistaste?
ES - Parece impossível e apesar de todas as boas equipas que tivemos ao longo dos anos, apenas conquistei o título de campeão nacional no meu primeiro ano de júnior.
ADT - Nessa época, quem fazia parte do plantel e quem era o vosso treinador?
ES - Assim dos jogadores mais conhecidos, tínhamos o Moreira, o Jorge Ribeiro, o Bruno Aguiar e o Mawete Junior. O treinador dessa equipa era o Chalana.
ADT - Sendo tu um defesa central, ao longo dos campeonatos que disputaste, qual foi o avançado que te deu mais trabalho?
ES - Bem, houve vários mas o Hélder Postiga era uma carraça. Em conversas entre nós, sobretudo na selecção, dizíamos que ele era o Pedro Barbosa. Tem aquele estilo meio molengão, mas de um momento para o outro conseguia fazer uma jogada perigosa ou arranjava espaço para rematar à baliza.
ADT - E qual é para ti o melhor jogador da tua geração?
ES - É sempre complicado escolher um só jogador. Tive o privilégio de jogar com grandes jogadores como o Postiga, o Moreira, o Carlos Martins e até mesmo o Quaresma, mas para mim, o melhor jogador da minha geração é o Bosingwa. Fosse no Boavista ou na selecção, o Bosingwa fazia sempre grandes jogos em qualquer posição por ser polivalente. No meu tempo jogava mais a trinco. Era incrível a disponibilidade física com que ele se apresentava em campo. Agora a atingiu a notoriedade a jogar a lateral e acredito que pode vir a ter muito sucesso.
Selecções
ADT - Tens um percurso interessante nas camadas jovens. Quando foi a tua primeira internacionalização?
ES - Já não me lembro qual foi o meu primeiro jogo mas antes disso era sempre chamado à selecção de Lisboa. Aos 15 anos, penso que era o único jogador da minha equipa que era convocado para a selecção nacional.
ADT - Com que jogadores jogaste nas selecções jovens?
ES - Os guarda-redes eram o Moreira, o Beto (Leixões) e o Eduardo (Braga). Os laterais eram normalmente o Ricardo Pessoa (Portimonense) e o Hugo Luz (então no Porto). Eu fazia dupla com o Santamaria e às vezes trocava com o Bruno Sousa (Guimarães). No meio campo havia o Bosingwa, o Carlos Martins, o Pedro Nuno, que era do Porto, e em algumas alturas o Hugo Viana e o Raul Meireles. No ataque, costumavam jogar o Lourenço, o Postiga, o Zamorano e o Quaresma também era convocado regularmente.
ADT - Então, a tua geração tinha uma grande equipa...
ES - Tínhamos mesmo uma grande equipa. No Europeu Sub16 na República Checa, eliminámos a Itália na qualificação e como a França também já estava fora de competição éramos considerados favoritos juntamente com a Espanha. No entanto, fomos eliminados pela Polónia nos quartos de final.
ADT - Depois não conseguiram o apuramento para o Europeu Sub-18
ES - Pois não. Fomos eliminados pela Espanha.

ADT - Esse grupo de jogadores chegou a vencer alguma competição?
ES - Ganhamos o último torneio que jogamos todos juntos, o Torneio Internacional de Lisboa em 2000. Lembro-me de estarmos no balneário e começamos a falar que aquela podia ser a última vez que jogaríamos juntos. Partimos para aquela competição completamente motivados e demos tudo que tínhamos e acabámos o torneio só com vitórias e demos provas do nosso real valor.
ADT - E quando é que foi a última vez que estiveste na selecção?
ES - Foi num estágio da selecção de sub21 mas que acabei por não jogar. Na altura estava na equipa B do Benfica que estava na III Divisão. O mister Agostinho foi frontal comigo e disse que não podia convocar-me já que eu estava na III Divisão e depois não sabia como justificar a minha convocatória.
ADT - Como reagiste?
ES - Ao menos foi sincero... Nunca fui jogador de levantar ondas e por isso aceitei os seus argumentos com todo o respeito.
Problemas com o Benfica
ADT - Como foram os tempos no Benfica quando João Vale e Azevedo decidiu reduzir o número de equipas nos escalões de formação?
ES - Essa medida apenas me afectou ao ver o meu irmão a sair para o Futebol Benfica. Com a direcção do Vale e Azevedo tive uns problemas por causa do pagamento da pensão. Como eu era internacional, queriam pagar-me 15 contos - enquanto por exemplo os jogadores do Boavista que estavam na selecção já ganhavam uns 50 contos. O presidente instituiu uma regra em que os jogadores que recebessem mais de 10 contos tinham de passar recibo verde. Eu tinha 15 anos e o meu pai não tinha hipóteses de passar o recibo por mim.
ADT - Então como deste a volta à situação?
ES - O meu pai perguntou se podíamos apresentar recibos de passe ou facturas de gasolina, qualquer coisa desde que não fosse necessário passar recibo verde. E a situação tardou em resolver-se...
ADT - Mas acabaste por assinar um contrato profissional com o Benfica.
ES - Pois foi, mas também foi uma história curiosa. O meu irmão jogava no Fofó e teve um convite para ir jogar para o Sporting, mas nessa altura também se falou no interesse do Sporting em mim. O Jorge vai treinar ao Sporting e começa a correr a notícia que um Simões estava no Sporting.
ADT - E qual foi a reacção do Benfica?
ES - Houve um dia que cheguei mais tarde ao treino por causa das aulas e quando estava no balneário a equipar-me e aparece o treinador que disse que tinha ouvido dizer que eu me tinha ido oferecer ao Sporting. Eu só respondi que não tinha de me oferecer a ninguém pois os clubes sabiam a minha qualidade. O meu pai na boa fé, foi falar com o Benfica a ver se queriam ficar com o Jorge. O Benfica disse que não o queria porque ele não tinha ido a um estágio de observação, porque optou ir a França num estágio pelo Fófó. Com estes rumores, o Benfica acaba por me oferecer um contrato profissional - numa altura em que eu só queria que me pagassem o que me deviam ainda por causa dos problemas com os recibos verdes.
ADT - O teu pai é que era o teu representante na altura?
ES - Sim, cheguei a ser aliciado por diversos empresários mas não aceitei. Mais tarde, tive o José Veiga como agente mas ele nem das minhas negociações com o Benfica tratou. Hoje, estou por mim e prefiro não me comprometer com ninguém.

A chegada aos seniores
ADT - Quando foste chamado a treinar pela primeira vez com a equipa principal?
ES - Foi em 2000 quando o Benfica era treinado pelo José Mourinho.
ADT - E na altura, ele já era "The Special One"?
ES - Não tenho nada a apontar. Era a primeira equipa principal que ele treinava e logo ali mostrou métodos e capacidade de liderança. Falava com todos os jogadores, dava conselhos, etc... No dia que treinei pela primeira vez, chamou-me à parte e disse que ia voltar aos treinos dele. Desde aí, passei a treinar regularmente com a equipa principal.
ADT - Estavas apostado em singrar no Benfica?
ES - Tive um convite para ir para a Roménia e outro para o Real Madrid B ou C. Nunca pensei muito nisso, não queria aventurar-me. Achei que tinha hipóteses para ficar no Benfica e que as pessoas confiavam em mim.
ADT - Primeiro foi na equipa B mas chegas-te a jogar na equipa principal.
ES - Pois foi. Entre 2001 e 2003 tive quase sempre na equipa B, embora treinasse muitas vezes com a equipa principal, ora com o Toni, Jesualdo ou Chalana. Até que em Junho de 2003, o Camacho convocou-me para a jogar na última partida da temporada contra o Guimarães (ndr: vitória 4-0).
Amora
ADT - Estreias-te na equipa principal, mas depois és emprestado ao Amora. Que aconteceu?
ES - Depois do jogo contra o Guimarães, o Benfica propõe-me a renovação de contrato por dois anos. No primeiro ano seria emprestado a uma equipa das divisões de topo e depois havia a hipótese de integrar o plantel principal.
ADT - Mas o Amora na altura estava na 2ªB...
ES - É um pouco difícil entender o que se passou. Sei que o Estrela da Amadora tentou o meu empréstimo mas depois recuou quando o Benfica pediu dinheiro pelo empréstimo. Há medida que o tempo foi passando, não foram surgindo oportunidades e emprestaram-me ao Amora. Disseram-me que ia integrar um projecto para subir de divisão.
ADT - Isso não se verificou pois não?
ES - Na verdade, tínhamos uma boa equipa e bons jogadores como o Cílio Souza (Ex-Beira Mar), o George Jardel, Matias (ex-Gil Vicente) e o João Oliveira Pinto (Campeão do Mundo em 1991) mas havia alguma instabilidade e sobretudo problemas financeiros. Um projecto para subir de divisão que por pouco não garantia a manutenção e acabei a época com quatro meses de ordenados em atraso.
ADT - Os problemas do clube afectavam o rendimento da equipa...
ES - Claro! Mas uma coisa é certa, éramos um grupo mesmo muito unido. Não tínhamos apoio quase nenhum dos dirigentes, íamos treinar e só estava lá o treinador e o massagista, nos balneários não havia papel higiénico etc... Chegámos a aparecer no jornal uma vez porque a equipa foi para o aeroporto numa carrinha de caixa aberta porque não havia carrinha do clube e tiveram de pedir boleia. Nós a ligarmos aos nosso colegas que nunca mais chegavam e de repente aparecem eles naquele veículo. Foi um ano de aventuras...
Pré-Epoca e Equipa B
ADT - Na época seguinte, como foi o regresso ao Benfica?
ES - No inicio do ano fui falar com o José Veiga para saber como é que ia ser a minha vida. Falou-me no interesse de dois clubes da IIªB com projectos para subir. Eu recusei logo, uma vez que o Amora supostamente também era para subir e ainda estava com os salários em atraso. Então, ele disse que ia falar com o Carraça (ndr: coordenador do futebol de formação) e que iam encontrar uma solução para mim.
ADT - E quando é que soubeste que ias fazer a pré-época com a equipa principal?
ES - Uns três dias depois ligou-me o Shéu a dizer para me apresentar no Estádio da Luz numa dada data e que ia com a equipa para estágio.
ADT - Obviamente que ficaste contente
ES - Fiquei, mas também desconfiei. Primeiro queriam emprestar-me a um clube da segunda e depois chamam-me para estágio? Claro que percebi o objectivo...
ADT - E qual era?
ES - Queriam dar-me visibilidade na esperança de que aparecesse mais algum clube interessado.
ADT - Como decorreu o estágio?
ES - Correu normalmente. Treinei com grandes jogadores e aprendi com um excelente treinador. Em termos de jogos, o Trapattoni usava quase sempre os mesmos jogadores e penso que só joguei uma vez e foi a lateral-esquerdo porque o Tiago Gomes se tinha lesionado.
ADT - O estágio abriu-te novas portas?
ES - Penso que não. Quando voltei a Lisboa, passei a treinar com a equipa B. Depois, joguei a titular com o Estoril, faço uma boa exibição e mais uma vez dá tudo uma grande volta. Era de novo o maior, já queriam renovar o contrato e tudo.
ADT - No entanto, apesar dessas boas indicações, foste novamente para a equipa B.
ES - Exactamente. Fui com a equipa B jogar um amigável com o Imortal. Supostamente, da equipa principal estava eu e o Manuel Fernandes e antes no inicio do jogo, o Manuel Ribeiro e o Carraça chamaram-me aparte e perguntaram "O que achas de ficar aqui e orientar os miúdos?"
ADT - Qual foi a tua reacção?
ES - Eu respondi que eles já estavam mais do que orientados. Mas depois acrescentei que tinha contrato com o Benfica e que era profissional do clube. Se eles achavam que eu devia ficar na equipa B a orientar os mais novos, apesar de não ser o que eu queria para mim, eu tinha de aceitar e fazer o meu papel.
ADT - E achas que conseguiste cumprir o teu papel?
ES - Julgo que sim. Fui sempre uma boa ligação entre os jogadores e os dirigentes. Ajudei os meus colegas e eles ajudaram-me a mim. Lembro-me de ir com o Fernando Alexandre (ndr: actualmente no Estrela da Amadora), que era o sub-capitão e termos perguntado se não havia algum prémio por sermos campeões da nossa divisão.
ADT - E conseguiram?
ES - Naquela altura, não se entendia bem quem é que mandava ou se quem parecia mandar, mandava mesmo. Penso que fomos apanhados em disputas internas entre dirigentes em que de um lado estava a equipa principal e do outro estávamos nós da equipa B. Os nossos directores diziam que iam tentar mas depois o topo não dava grandes esperanças.
ADT - Com essas guerras, as pessoas se calhar não acompanharam a tua progressão e fizeram com que não quisessem que ficasses no Benfica...
ES - Não sei sinceramente. Fiz a pré-época, joguei alguns jogos e lembro-me até do Luís Filipe Vieira - na altura já era o presidente - uma vez num jantar com os capitães do Benfica me ter perguntado se já tinha renovado o contrato. Falámos sobre isso algumas duas ou três vezes durante a época, mas nunca tivemos uma conversa a sério. E assim foi, não houve renovação, terminei o contrato e procurei outro clube.

Olivais e Moscavide e Desportivo de Mafra
ADT - Acaba o contrato, começas uma nova etapa, agora no Olivais e Moscavide.
ES - Pois foi. O Rui Dias que tinha sido meu treinador no Amora viu que eu não tinha renovado o contrato com o Benfica e então telefonou-me para ir para o Olivais.
ADT - Esse sim era um projecto para subir de divisão.
ES - E subimos. Tínhamos uma grande equipa com o Nené, Saleiro, o Nuno Abreu, o Miguel Veloso, o Pedro Hipólito, entre outros.
ADT - A equipa subiu para a Liga Vitalis, reforçou-se mas tu não continuaste no Olivais. O que é que aconteceu?
ES - O objectivo era subir de divisão e nós conseguimos. A época começou com alguns resultados menos positivos e o treinador acabou por tomar certas decisões tácticas. Deixei de jogar regularmente e entretanto tive uma lesão no joelho. Não ia ter grandes oportunidades de jogar.
ADT - Olivais sobe de divisão e tu segues para o Mafra. Porquê o Mafra?
ES - Eu estava parado e a recuperar da lesão. Nisto, o prof. Fernando Vieira, treinador-adjunto do Mafra, que é meu amigo e tinha sido treinador do meu irmão convida-me a ir treinar ao Mafra e acabei por ficar.
ADT - Tornaste-te um jogador preponderante na equipa?
ES - Sim, joguei quase sempre a titular e no final de época a direcção não hesitou em convidar-me a renovar o contrato, com melhoria nas condições.
Vihren
ADT - Como surgiu a hipótese de ires jogar para a Bulgária?
ES - Mais uma vez, o Rui Dias (então treinador do Vihren) recomendou a minha contratação para a equipa. Noutras alturas, optei por não sair de Portugal, mas vi no Vihren uma oportunidade para relançar a carreira e obviamente que as condições financeiras eram aliciantes.
ADT - Como classificas a experiência?
ES - A adaptação ao inicio foi complicada mas felizmente tinha lá mais companheiros. O meu irmão casou-se entretanto e eu nem vim ao casamento porque estava concentrado na equipa. Em termos desportivos, acho que correu tudo bastante bem e eles gostaram do meu desempenho. Durante o tempo que lá estive, acabei por ser o jogador português mais utilizado.
ADT - O Vihren tem um presidente, digamos, extravagante...
ES - Sim, é verdade. Investe muito dinheiro no clube e gosta bastante de futebol. Houve vezes em que entrou no balneário e ofereceu um prémio adicional em caso de vitória, simplesmente por se tratar de uma equipa rival.
ADT - Se estava tudo a correr bem, porque é que voltaste ao Mafra a meio da época?
ES - Voltei única e exclusivamente por motivos familiares e pessoais. Não tenho qualquer razão de queixa do presidente nem do clube. Quando voltei, surgiram algumas declarações sobre o presidente, mas não foram minhas. Já expliquei a situação ao clube e sei que gostavam que eu voltasse para o clube.
Rescaldo
ADT - Arrependes-te de alguma decisão na tua carreira?
ES - Bem, isto é futebol. Cheguei à conclusão que o futebol é 20% talento e 80% de sorte. Penso que acabei por não ter sorte. Quantos não são os jogadores que uma simples exibição lhes valeu o contrato da vida?
ADT - Apesar de toda a tua carreira na alta competição, com jogos em campeonatos nacionais e chamadas à selecção, não abdicas-te dos estudos. Foi difícil conciliar as duas actividades?
ES - A carreira de um jogador pode sofrer um revés qualquer e nunca se sabe quando temos de abandonar o futebol. Por isso é que me esforcei pelo menos para concluir o 12º. Na minha escola estudaram o Vargas, o Caneira e o Márcio Santos, todos eles internacionais por Portugal. Por isso, na minha altura eu e o Beto (Leixões) contámos sempre com a compreensão dos professores. Nunca nos facilitaram a vida mas ajudaram a conciliar o futebol e o ensino.
ADT - Toda a formação passada no Benfica, capitão dos escalões jovens, uma pré-época com a equipa principal... O que faltou para singrares pelos encarnados?
ES - Não quero apontar responsáveis nem arranjar desculpas, simplesmente acho que não tive oportunidades. Muita gente acreditava que eu tinha futuro, desde treinadores a jornalistas, mas nunca consegui demonstra-lo. Em Portugal, duvidam muito dos jogadores nacionais e importam-se demasiados estrangeiros, até nas camadas jovens. Por outro lado, o jogador português vale pouco para quem gere este negócio...
ADT - Durante tanto tempo se falou que o Benfica precisava de um lateral-esquerdo mas se calhar não te aproveitou.
ES - Ao longo da minha carreira já joguei em diversas posições, mas a minha posição de formação é central. Acho que o meu ponto forte é o posicionamento e embora não seja um jogador veloz, sou forte nas antecipações. Por isso, apesar de ter jogado algumas vezes a lateral, sinto que não é a melhor posição para mim. Um lateral é um jogador que corre muito e eu prefiro pensar mais o jogo.
ADT - Para as pessoas conhecerem um pouco melhor o teu percurso, consegues dizer-nos os dez jogadores que formariam contigo o teu onze preferido?
ES - Mais uma pergunta difícil (risos)... O Nené do Olivais é um excelente guarda-redes. Vi ele fazer coisas que nunca vi um guarda-redes de Liga fazer. O João Pereira tem aquele feitio que irrita os adversários mas também consegue motivar os colegas. No Mafra, o Miranda tem 37 anos e é um lateral-esquerdo muito raçudo. A completar a defesa, sem dúvida, o Ricardo Rocha de quem sou muito amigo. Acho que o Ricardo é o complemento ideal para a minha forma de jogar. No meio campo, para além do Bosingwa, escolho o Raul Meireles que também chegou a jogar comigo na selecção, o Tiago da Juventus e o Hugo Machado que está agora no Chipre. Esse para mim passou ao lado de uma grande carreira. As pessoas falam do Hugo Viana e do Carlos Martins, mas para mim o Machado era superior a ambos. Para o ataque, escolho o Postiga e o Sokota que jogou comigo na equipa B do Benfica.
ADT - E os treinadores que mais te marcaram?
ES - No Benfica, gostei muito de trabalhar com o mister Bastos Lopes e com o Chalana, com quem fui campeão pelos juniores. Depois, gostei dos métodos do meu segundo treinador no Vihren. A actual equipa técnica do Mafra também é impecável.
ADT - Eduardo, para terminar, quais as tuas perspectivas para os próximos tempos da tua carreira?
ES - Por agora, estou completamente dedicado ao Mafra a quem estou completamente agradecido por me ter recebido quando voltei da Bulgária. Depois de resolver os meus problemas pessoais, logo se verá o que o futuro me reserva. Penso que terei de voltar a tentar o estrangeiro. Em Portugal as coisas estão complicadas e são muitos os casos de clubes com salários em atraso. Agora, quero assegurar a minha estabilidade e assegurar condições para a minha família.
Nome: Eduardo Manuel Melico Simões.
Data de nascimento: 25 de Janeiro de 1982.
Obrigado ao Jornal "O Benfica" por disponibilizar fotografias do jogador
Texto: Hugo Malcato.
Imagens: Academia de Talentos e Jornal Benfica.
Entrevista com Eduardo Simões realizada em Odivelas.
Dia 20.11.2008, às 10:25, Fonz disse...
"José Morais, assinou um contrato de um ano e meio com o clube tunisino Esperance Sportive de Tunis, da primeira divisão tunisina, anunciou o clube no seu “site” oficial. Morais, de 43 anos, foi seleccionador nacional do Iémen durante dois meses, entre Setembro e Outubro, e vai agora suceder ao brasileiro Carlos Cabral, dispensado por comum acordo na passada sexta-feira." In O JOGO
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