Entrevista
Entrevista com Marco Matias
Foi uma das peças mais importantes na conquista do título nacional de juniores, e agora está de saída para a II Liga onde vestirá a camisola do Varzim Sport Club. Na manhã do dia em que se despediu de Lisboa, Marco Matias revelou-nos o seu amor pelo Sporting e a vontade de um dia ser campeão nacional pela equipa principal do Sporting.
Academia de Talentos: Vamos começar pela época que agora terminou. O Sporting foi campeão e tu despediste-te da formação com mais um título, como analisas a época?
Marco Matias: A época foi bastante boa, penso que fizemos uma grande temporada e conseguimos cumprir todos os objectivos que tínhamos ambicionado cumprir e por isso o plantel está de parabéns.
ADT: O Sporting acabou por ser um justo vencedor?
M.M.: Sim, sem dúvida. Fomos a equipa que mais lutou, com mais querer e mais vontade de ganhar e isso viu-se nos últimos jogos.
ADT: Foi importante para vocês jogar em Alvalade na fase final?
M.M.: É sempre importante jogar em palcos a sério porque começamos a habituarmo-nos mais e os jogadores assim ficam mais entusiasmados, mas também sei que se tivéssemos jogado na academia, nós não teríamos tantas dificuldades como tivemos. As pessoas podem dizer que o campo em Alvalade é maior e isso nos favorece, mas as vezes que treinámos lá não foram as suficientes para jogarmos como jogamos na academia. Mas não deixa de ser uma experiência muito boa e um sonho que cumprimos. Como o mister nos disse na altura, se calhar para muitos que ali estavam, aquela ia ser a primeira e única vez que eles teriam oportunidade de pisar aquela relva.
ADT: A pressão exercida pelos adeptos em Alvalade, que por vezes já vos vêem como seniores, às vezes também se torna um obstáculo?
M.M.: Sim, por vezes os adeptos do Sporting não percebem que nós ainda estamos na formação e é necessário um pouco mais de compreensão. Apesar de gostarmos que nos tratem como homens, como seniores, é necessário que a equipa seja apoiada porque por vezes quando jogámos em casa parecia que jogávamos fora porque alguns adeptos não ajudam tanto e não nos facilitam a tarefa.
ADT: A nível individual como achas que te correu a época?
M.M.: Acho que me correu bem, tenho vindo a melhorar cada vez mais e acho que esta época foi muito positiva. Foi uma temporada muito produtiva porque consegui alcançar um objectivo que era ser campeão nacional e também ser chamado e estar presente no apuramento da selecção de sub 19. Estou bastante feliz e espero continuar a evoluir.
ADT: Quantos golos marcaste esta época?
M.M.: 25.
ADT: Qual era o teu recorde anterior?
M.M.: 12 golos.
ADT: E em que escalão tinha sido?
M.M.: Juvenil A.
ADT: Estavas à espera de marcar tantos esta época?
M.M.: Por acaso eu tinha um objectivo que por coincidência era de 25 golos. Foi uma meta que quis traçar para conseguir alcançar muitos golos. Estou feliz por ter marcado tantos e por ter ajudado a equipa a conquistar o título. Penso que foi importante para o grupo e para mim.
ADT: Tu não és propriamente um avançado mas ainda assim conseguiste marcar muitos golos, como consegues facturar tantas vezes?
M.M.: Podia ter conseguido marcar ainda mais se marcasse os penalties que sofri. Muitas pessoas dizem que alguns golos são sorte mas eu penso que não, acho que tem mais a ver com o posicionamento do jogador e com a leitura de jogo. Penso que não é difícil marcar assim tantos golos, desde que uma pessoa jogue para o colectivo as coisas aparecem com naturalidade.
ADT: Foste o autor do golo frente ao Benfica quase no final do jogo. O que é que sentiste na altura?
M.M.: Foi um momento muito especial. Marcar ao Benfica, ajudar a equipa a conquistar os três pontos, jogar em Alvalade e perante todo aquele público, foi um sonho realizado.
ADT: No jogo da decisão do título o Sporting chegou ao empate já nos descontos. Durante todo o período em que estiveram em desvantagem o que pensaste? Ainda acreditavas que era possível?
M.M.: Penso que se não tivéssemos acreditado não teríamos conseguido. Foi complicado, até porque se repararem o Sporting foi a equipa que mais jogadores teve na selecção nacional e a maioria são titulares e isso desgastou bastante os jogadores. Notou-se que nos últimos jogos fomos um bocado abaixo, muito por culpa do esforço de uma época muito prolongada. Mas a equipa acreditou sempre até ao fim e saiu justamente vencedora.
ADT: Concordas que estas duas últimas épocas foram decisivas para a tua afirmação?
M.M.: Nos últimos dois anos eu dei um pulo muito grande porque eu era ainda mais franzino e mais magro e na altura os maiores é que jogavam. Em juvenil A tive a infelicidade de me lesionar na última fase e acabei por não poder jogar, mas agora, cada vez mais eles têm acreditado em mim e os resultados estão à vista e o importante é continuar da mesma forma.
ADT: Qual foi o teu primeiro escalão no Sporting?
M.M.: Infantil A.
ADT: Nestes 7 anos de Sporting que títulos conquistaste?
M.M.: Conquistei quase todos os títulos. Fui campeão nacional de Iniciados, Juvenis e Juniores e fui campeão distrital de Infantis, Iniciados B e Juvenis B. Só não consegui ser campeão a época passada (06/07).

ADT: Onde é que começaste a jogar futebol?
M.M.: No Barreirense quando tinha 9 anos.
ADT: Quem é que te descobriu e te levou para o Sporting?
M.M.: Foi uma história engraçada. Vim aqui treinar ao Barreirense por opção minha, na altura eu vinha com um colega de carro. Não consegui habituar-me logo porque eu era muito pequeno e não apostavam em mim, e só no segundo ano é que consegui afirmar-me. Depois subi para infantil B e na altura o treinador era olheiro do Sporting. Comecei a evoluir e ele gostou de mim e falou com alguém do Sporting para eu lá ir treinar. Fui lá fazer um treino e eles gostaram de mim e eu comecei a ir lá treinar uma vez por semana até a época do Barreirense terminar, até que fiquei lá definitivamente.
ADT: No Sporting quem foram as pessoas que falaram contigo?
M.M.: O mister Nuno e o mister Lourenço.
ADT: Sempre jogaste na frente ou já jogaste em outras posições?
M.M.: Já joguei como defesa direito, como número 10, extremo e ponta de lança.
ADT: Qual é a posição em que te sentes mais à vontade?
M.M.: Há dias em que gosto mais de jogar a ponta de lança e parece que a bola vem sempre ter comigo, mas também gosto de jogar a extremo.
ADT: Quais são as tuas principais características?
M.M.: Penso que são a velocidade, o jogar simples, o fazer circular a bola, a visão de jogo, a técnica e o bom posicionamento, isto apesar de saber que ainda faltam aperfeiçoar todos os aspectos.
ADT: É correcto afirmar que és um jogador com garra?
M.M.: Sim, eu nunca desisto de nada e se o jogo tem 90 minutos acho que é para se correr durante esse período, para dar a vida em campo nesse tempo. Dou sempre o máximo nos treinos e depois nos jogos também. Este ano fiz excelentes resultados nos treinos físicos da academia.
ADT: Vais agora para o Varzim mas de certeza que levas um plano de treinos do Sporting ou algumas indicações certo?
M.M.: Sim, está tudo tratado com o mister Carlos Bruno (coordenador do treino físico), está tudo falado entre Sporting e Varzim em relação a isso, agora é preciso é trabalhar no máximo para poder evoluir.
ADT: Qual foi o treinador que mais te marcou?
M.M.: Todos os treinadores me marcaram, porque com todos eles passamos por fases de formação e de aprendizagem. Mas o mister Lima foi o que mais me marcou e o que mais acreditou em mim, ajudou-me imenso e deu-me muita vontade de trabalhar. Foi devido a ele e ao meu empenho que me afirmei em definitivo.
ADT: A partir de que altura acreditaste mesmo que podias ser jogador?
M.M.: Eu sempre acreditei desde pequenino, mas como em todos os jogadores, há fases em que uma pessoa está mais em baixo e que pensamos que não vai dar. Mas depois de ver todo o trabalho que já fiz e por todos os sacrifícios que já passei, todas as vitórias, derrotas e o quanto evolui, agora só penso em ir para a frente, não há quaisquer pensamentos negativos.
ADT: Tiveste alguma referência durante a tua formação?
M.M.: Quando era mais pequeno gostava muito do Figo, agora a partir dos juniores foi mais o Cristiano Ronaldo.
ADT: Muitas pessoas comparam a tua forma de jogar à do Ronaldo, muitas vezes fazes o sprint em "biquinhos de pés" (risos). Concordas que existem algumas parecenças?
M.M.: Não reparo nisso, as pessoas que estão de fora é que vêem o meu estilo e comentam. Mas por acaso já algumas pessoas me disseram que éramos parecidos.
ADT: Já houve algum defesa em que sentisses receio de o defrontar por ele te criar muitas dificuldades?
M.M.: Acho que quando estamos bem as coisas tornam-se mais fáceis, e quando não estamos bem... qualquer defesa nos pode criar dificuldades. Acho que não houve nenhum que eu tivesse medo de ir para cima dele, o meu objectivo é sempre ultrapassar e criar dificuldades.
ADT: Quais são as maiores dificuldades que um jogador pode enfrentar durante a formação?
M.M.: Não há assim grandes dificuldades de adaptação na passagem de um escalão para o outro, o que pode haver é um jogador não jogar tanto durante uma época e depois quando finalmente é aposta ele pode acusar a falta de ritmo competitivo.
ADT: Ficaste desiludido com o empréstimo ao Varzim?
M.M.: Não, acho que foi o melhor para mim. No Sporting podia não jogar muitos jogos porque há jogadores com muita experiência. A ida para o Varzim vai ajudar-me a jogar mais e a trabalhar muito. Vou com o objectivo de ganhar experiência, maturidade e para poder evoluir para quando for chamado ao plantel principal eu poder corresponder da melhor maneira.
ADT: Quais são os teus objectivos para a próxima época?
M.M.: Em termos pessoais eu quero alcançar uma marca de golos (25) superior à da última época e quero evoluir a nível físico, até porque eu já meti na cabeça que quando eu voltar de lá vou ser um novo Marco Matias e vou surpreender muita gente.

ADT: Esta vai ser a tua primeira experiência fora de casa. Como achas que te vai correr?
M.M.: Eu sei que é sempre importante o apoio das pessoas mais próximas, e indo para o Varzim sei que vai ser um pouco difícil, mas a vida é mesmo assim nem tudo pode ser fácil e acho que vai correr tudo bem.
ADT: Sentes-te preparado para o futebol sénior?
M.M.: Nós somos seniores mas ainda estávamos na fase de formação, foi isso que o sr Aurélio Pereira e o Jean Paul sempre me disseram. Penso que tudo se pode tornar fácil se trabalharmos para isso, com querer, com garra e com talento consegue-se chegar longe.
ADT: O objectivo passa por voltar ao Sporting?
M.M.: Sim, sem dúvida. É um grande sonho meu representar os seniores, tenho um sonho que um dia acho que vou realizar, que é ser campeão nacional pela equipa principal e cada vez mais vejo que esse sonho se pode tornar realidade. Basta continuar a evoluir porque eu julgo ter capacidade para integrar o plantel.
ADT: Que escalões já representaste na selecção?
M.M.: Comecei por ser chamado à selecção distrital de Lisboa e consegui vencer logo o torneio de Lisboa. Depois fui ao sub18 onde acho que fiz uns bons jogos e trabalhava sempre no limite e também aos sub19, onde tive a felicidade de me impor nos jogos e de ganhar a titularidade e confiança do treinador.
ADT: Como foi a primeira vez que vestiste a camisola da selecção e ouviste o hino?
M.M.: Foi um momento que vai ficar marcado para sempre para mim, uma sensação de um modo estranha mas muito boa. Lembro-me que no balneário eu olhei-me ao espelho e não queria acreditar que tinha aquela camisola vestida, ainda por cima logo com o número 10. Mas é uma sensação muito boa.
ADT: Quais são as metas para o futuro na selecção?
M.M.: Passa por ser chamado aos sub-20 e continuar o meu trabalho da melhor maneira e fazer o maior número de jogos possíveis.
ADT: Como analisas a tua geração de 89 no Sporting e na selecção?
M.M.: A geração de 89 é uma geração que tem vindo a demonstrar que há muitos talentos espalhados por Portugal. Em relação à equipa do Sporting de 89 acho que todos tem muita qualidade e é natural que haja alguns que sobressaiem mais que outros. É normal que não vão chegar todos ao plantel principal, mas se chegarem 2 ou 3, temos todos de ficar contentes, porque é sinal que trabalhámos com eles e ajudámo-los a evoluir.
ADT: Para além do futebol continuas a estudar ou deixaste?
M.M.: Foi uma opção que tive de tomar, estive para fazer as duas coisas ao mesmo tempo quando passei para o 11º, mas como tinha que apanhar barco, metro e autocarro para ir para a academia era muito complicado. Pensei muito com a minha família e optei por aquilo que mais gosto de fazer que é o futebol e agora é só olha em frente. Espero que as coisas me corram bem.
ADT: Qual é o campeonato que mais te fascina?
M.M.: O Inglês.
ADT: Clube de sonho onde gostarias de jogar?
M.M.: Manchester United ou Real Madrid.
ADT: Gostavas de um dia ir jogar para o estrangeiro?
M.M.: Por acaso é uma coisa engraçada, pois tenho um tio que geralmente acerta sempre nestas coisas e o meu tio diz que daqui por três anos eu vou estar no Real Madrid (risos). Se regressar e integrar o plantel do Sporting, e se eu der nas vistas e se eu conseguir sobressair o que não vão faltar são clubes interessados em mim. Mas temos de pensar uma coisa de cada vez.
ADT: Qual é o treinador que mais gostarias de encontrar?
M.M.: Alex Ferguson, porque ele acredita muito nos jovens, está sempre presente e é amigo dos jogadores.
ADT: Tu conquistaste muitos títulos pelo Sporting. Qual foi o que teve um sabor mais especial?
M.M.: Sem dúvida que foi este último, porque era importante sair da formação e deixar uma vitória como última imagem nossa perante os nossos adeptos.
ADT: Já pensaste no que vais fazer depois do futebol?
M.M.: Ainda não pensei muito nisso mas certamente que quero continuar ligado ao futebol, mas digo desde já que não quero ser treinador.
ADT: Qual foi o pior momento da tua carreira até agora?
M.M.: O pior momento foi não poder representar e ajudar a equipa na fase final de juvenis, foi quando tive necessidade de ser operado a uma lesão no pulso e decidimos então que era melhor não adiar mais o procedimento cirurgico.
ADT: E o melhor momento?
M.M.: Os melhores são as vitórias sobre o Benfica, podem me tirar tudo mas as vitórias sobre o Benfica é que não. Fico mesmo fora de mim quando ganho ao Benfica.
ADT: Que conselhos deixas para os jovens que agora começam no futebol?
M.M.: Que nunca facilitem, terão que dar sempre o melhor deles e acreditem sempre nas suas qualidades e capacidades, porque se não acreditarem em si próprios mais ninguém vai acreditar. Que tenham sempre cabeça e que não queiram ter tudo de uma vez, porque apressar as coisas não é o caminho mais correcto para atingirem os seus objectivos. Não larguem a escola e acima de tudo, joguem com alegria.
ADT: Tens contrato até quando?
M.M.: Até 2012 com mais um de opção.
ADT: Quando assinaste?
M.M.: Assinei contrato de formação no Verão de 2005 e assinei contrato profissional nesta última época.
ADT: Sentes que o Varzim é o clube ideal para evoluíres?
M.M.: Porque não? Eu acho que é um clube que acredita nas minhas capacidades, porque fez chegar uma proposta por mim ao Sporting ainda antes da fase final, e agora eu só tenho de mostrar a eles que fizeram a opção certa.
ADT: Tiveste mais propostas?
M.M.: Sim, tive de alguns clubes de fora de Portugal interessados em contratar-me em definitivo, mas não é do meu interesse desvincular-me do Sporting, sou sócio do clube desde bebé e quando me disseram que tinha essas propostas para poder sair eu disse que nem queria saber o nome dos clubes. A minha prioridade é o Sporting e fico lá até me dizerem que já não me querem. Temos de ter esta mentalidade.
B.I. do Jogador:
Nome: Marco André Silva Lopes Matias.
Data de Nascimento: 10/05/1989 (19 Anos).
Peso: 64kg.
Altura: 1,77cm.
Posição: Extremo ou Avançado.
Clube: Sporting.
Entrevista realizada no dia 29 de Junho de 2008 no Campo da Verderena no Barreiro.
Texto: Ricardo Nascimento.
Imagens: Academia de Talentos.
Dia 15.07.2008, às 01:05, tapadinhas disse...
nao tenho duvidas k o marco matias tem um grande futuro.
tem velocidade, tem boa tecnica e marca mts golos, sera um grande jogador
Dia 15.07.2008, às 10:56, Fonz disse...
Espero que tenha razão... Já disse diversas vezes que este ano assisti a uns 5 jogos dos juniores do SCP e em nenhum o Marco tenha feito uma exibição que me agradasse.
Dia 17.07.2008, às 12:02, Ideiafix disse...
Eu vi bons jogos do Marco.De facto ele teve jogos em que o rendimento não foi o esperado.Isso sucedeu na fase final,depois dos jogos pela selecção,jogos estes que provocaram uma grande oscilação na equipa.E diga-se tb,que muitos sócios em nada os ajudaram,pois em Alvalade fartaram-se de os assobiar.
Força Marco,o futuro é teu e oxalá passe pelo nosso Sporting.
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