Entrevista
Entrevista com Miguel Rosa
Desde muito cedo ingressou no Benfica e agora conseguiu concretizar um sonho de criança, assinar contrato profissional com o clube. Depois de uma época em que apontou quase duas dezenas de golos, o médio falou-nos da falta de sorte na decisão do título e da geração de 89, uma das mais promissoras dos últimos anos.
Academia de Talentos: Assinaste há poucos dias contrato profissional com o Benfica. Foi o concretizar de um sonho?
Miguel Rosa: Sim, foi o realizar de um sonho, há muito tempo que esperava assinar o meu primeiro contrato profissional e consegui atingir esse sonho há cerca de uma semana, estou muito feliz por isso.
ADT: Que expectativas tens para a próxima época nos seniores?
M.R.: As minhas expectativas passam por tentar fazer o melhor possível na pré-época e tentar conquistar um espaço no plantel principal do Sport Lisboa e Benfica.
ADT: O Benfica já comprou o Ruben Amorim, o Carlos Martins e o Yebda. Achas que ainda há espaço para ti no meio campo?
M.R.: Depende do que se passar na pré época, o treinador é novo e quer conhecer os jogadores, por isso acredito que se eu estiver bem nos treinos e se trabalhar bem posso ter o meu lugar na equipa.
ADT: Ainda não tiveste oportunidade para te estrear num jogo oficial pela equipa principal. Sentes-te preparado para esta nova aventura?
M.R.: Sim, claro, eu já fiz algumas digressões com eles e já fiz vários jogos de treino contra eles, por isso, sinto que estou preparado para assumir essa função.
ADT: Na digressão que fizeste ao Canadá no final da época 06/07 quem foram os jogadores que te acompanharam?
M.R.: O Sami, o Miguel Vítor e o Romeu Ribeiro.
ADT: Existem muitas diferenças do futebol júnior para o sénior?
M.R.: Sim, um bocado, o futebol sénior é muito mais rápido e é muito jogado ao primeiro toque, enquanto que no futebol júnior os jogadores ainda se agarram muito à bola.
ADT: O Benfica não conseguiu atingir o seu objectivo principal que era ser campeão nacional de juniores. Como é que analisas esta época?
M.R.: Foi uma boa época para os juniores, falta-nos ainda aquela pontinha de sorte que os outros clubes andam a ter. Não vou falar também das oportunidades que tivemos e das constantes alterações tácticas a meio da época, que nos fizeram alterar o ritmo de jogo.
ADT: Para além da falta de sorte que já disseste, o que achas que faltou ao Benfica na fase final?
M. R: Penso que houve dois jogos decisivos contra o Sporting, onde a arbitragem não esteve ao seu melhor nível. No jogo em casa não nos assinalaram um penalty e na jogada seguinte o Sporting marcou o golo, e em Alvalade o segundo golo deles apareceu já no fim do jogo e num lance em que me pareceu estar fora-de-jogo. Apesar de termos ficado em segundo lugar acho que fomos a melhor equipa ao longo do campeonato.
ADT: Esse golo em Alvalade foi decisivo na luta pelo título?
M.R.: Sim, penso que sim. Até porque no jogo seguinte recebíamos o Porto e em caso de derrota ou empate ficávamos logo de fora da corrida.
ADT: Conseguiste apontar 18 golos esta época. Foi uma das mais produtivas para ti?
M.R.: Foi, esta e a dos juvenis A onde apontei 21 golos.
ADT: Como é que te sentiste ao marcar tantos golos e a seres um elemento tão preponderante na equipa?
M.R.: Senti-me bem, senti-me mais um a ajudar em prol do colectivo. Este ano tive a oportunidade de jogar em várias posições mas ao longo da época fui-me habituando.
ADT: Qual é a posição em que te sentes melhor e qual é o esquema táctico que melhor se adapta às tuas características?
M. R: É o 4-4-2 losango em que jogo a médio ofensivo (Nº10).
ADT: Mencionavas que jogaste em várias posições esta época. Quais foram?
M.R.: Médio interior direito, médio ofensivo, extremo direito, médio interior esquerdo e lateral direito.
ADT: Em que sistemas tácticos jogaram?
M. R: 4-4-2 losango, 4-4-2 normal, 4-3-3 e 3-5-2.
ADT: Foste o capitão de equipa este ano. Como é a sensação de ser líder de uma equipa no Benfica?
M.R.: Estou muito orgulhoso por ser capitão do Benfica, já ando no clube há dez anos e só agora tive a oportunidade de o ser. Tenho muito apreço pelo mister João Alves por me ter dado a braçadeira.
ADT: Porque achas que foste tu o nomeado?
M.R.: No início o capitão era o Ruben Lima e só com a sua saída para o Desportivo das Aves é que eu fui nomeado. Acho que foi por estar à bastante tempo no Benfica.
ADT: Recordo-me que foste expulso contra o Sporting na vitória por 4-2. O que se passou nesse jogo?
M.R.: Eu ia chutar a bola para fora mas havia um jogador do Sporting (William Owuso) que estava no chão e eu acertei-lhe na nuca, o árbitro julgou que foi de propósito e mostrou-me o vermelho.
ADT: Fizeste toda a tua formação no Benfica. Como é que começaste a jogar futebol e como chegaste ao clube?
M.R.: Foi na rua a jogar futsal com os meus amigos que comecei a dar os primeiros toques na bola e depois vi no jornal "A BOLA" que o Benfica estava a fazer treinos de captação e a procurar jovens jogadores. Depois fui lá à experiência e passado algum tempo tornei-me jogador do Benfica.
ADT: Sempre foste um jogador de tendências ofensivas?
M.R.: Nos dois anos de escolinhas joguei a defesa direito e quando passei para os infantis é que comecei a jogar a médio ofensivo.
ADT: Disseste há pouco que durante a tua época de Juvenil A e agora nos juniores, foram as épocas em que mais golos marcaste. Nos outros escalões não tinhas por hábito marcar golos?
M.R.: Tinha, mas sinto que estas duas épocas foram aquelas em que mais produzi ao longo do campeonato.
ADT: Em média quantos golos marcavas por época?
M.R.: Em escolinha cheguei a marcar 32 golos numa época, mas nas restantes não apontei muitos.

ADT: Qual foi o escalão em que sentiste maiores dificuldades?
M.R.: De iniciado B para iniciado A, porque eu era muito pequeno e a nossa equipa não tinha passado à segunda fase no campeonato. Na altura, o director Rui Oliveira queria mandar embora os jogadores mais pequenos, mas o mister Bastos Lopes não o permitiu porque dizia que nós tínhamos um futuro risonho pela frente.
ADT: O que sentiste quando soubeste que isso podia acontecer?
M.R.: Senti-me tranquilo porque na eventualidade de sair do Benfica, eu sabia que tinha outros clubes interessados em mim.
ADT: Que outros jogadores estiveram para ser dispensados?
M.R.: O André Carvalhas, o Tengarrinha, o André Magalhães, o Ruben Lima, entre outros.
ADT: Qual foi o treinador que mais te marcou durante a tua formação?
M.R.: O Bruno Lage, porque foi ele que me pôs a jogar ao nível que me apresentei este ano. Foi também com ele que eu consegui ser internacional.
ADT: Qual foi a sensação de vestir a camisola do Benfica durante a digressão com os seniores?
M.R.: Foi uma sensação muito boa apesar de só termos jogado quinze minutos em cada jogo, uma vez que o mister Fernando Santos não gostava muito de apostar nos jovens. Mas vestir a camisola do Benfica é um sonho.
ADT: Que títulos conquistaste durante a formação?
M.R.: Escolas A e B e Infantis A.
ADT: Que escalões já representaste na selecção?
M.R.: Sub 17, Sub 18 e Sub19.
ADT: Como foi a tua primeira experiência na selecção?
M.R.: Foi boa, foi com a Itália e por acaso correu muito bem. A partir daí fiquei definitivamente na selecção.
ADT: Como foi vestir a camisola de selecção e ouvir o hino?
M.R.: Foi uma coisa do outro mundo, lembro-me de que quando eu estava a cantar o hino, eu estava a tremer por todo o lado. Foi uma coisa sem explicação.
ADT: Que objectivos tens a nível de selecção?
M.R.: Como qualquer outro jogador, o meu objectivo é chegar à selecção A.
ADT: Em que fase da tua carreira tiveste noção que podias mesmo ser jogador profissional de futebol?
M.R.: Quando era Juvenil A.
ADT: Como é que tens encarado esta nova situação de assinares pelos seniores?
M.R.: Tenho encarado bem, mas sinceramente, o que eu quero é concentrar-me no meu trabalho, ser um jogador humilde e chegar à pré-época e fazer o meu trabalho o melhor possível.
ADT: O contrato que assinaste é até quando?
M.R.: 2011.
ADT: O apoio da tua família tem sido importante ao longo da tua carreira?
M.R.: Sim, eles têm ido comigo para todo o lado e eu sentir que eles estão comigo tem sido muito importante para mim.
ADT: Na eventualidade de não ficares no plantel principal e se tiveres que ser emprestado, como é que vais encarar essa hipótese?
M.R.: Vou encarar com naturalidade, efectivamente, já falei disso com o Rui Costa e se eu não ficar no plantel, eu vou ser emprestado a um clube da I Liga ou então para clubes ingleses que já se mostraram interessados.
ADT: E se isso acontecer quais vão ser os teus objectivos?
M.R.: Continuar a trabalhar para depois voltar ao Benfica.
ADT: Qual é o campeonato que mais te seduz?
M.R.: Inglês.
ADT: Qual é o teu clube de sonho para jogar?
M.R.: Manchester United.
ADT: A tua geração de 89 foi tida como uma das mais promissoras dos últimos anos. Como é que a analisas?
M.R.: É uma geração com muita qualidade e isso tem-se vindo a notar com os nomes que vão surgindo.
ADT: Qual foi o melhor momento da tua carreira?
M.R.: Foi a época de Juvenil A.
ADT: E o pior?
M.R.: A época de Iniciado A quando estive para ser dispensado.
ADT: Qual foi o jogo que mais te marcou?
M.R.: Foi contra o Sporting em juvenil A, quando ganhámos por 2-1 e eu apontei um dos golos.
ADT: Tiveste algum jogador referência durante a tua formação?
M.R.: Não, apenas me baseei em mim próprio e seguiu os conselhos dos meus pais.
ADT: Tens algum ídolo?
M.R.: Kaká.
ADT: Quais são as tuas principais características?
M.R.: O remate de meia distância e os passes longos.
ADT: Em que aspectos achas que tens de melhorar?
M.R.: O aspecto defensivo.
ADT: Tem-se falado muito que o público do Benfica é bastante exigente. Estás preparado para o encarar?
M.R.: Já joguei em alguns estádios cheios e isso nunca foi problema para mim, por isso, quando eu subir ao relvado tenho apenas de pensar em mim e no melhor para a equipa.
ADT: Gostaste de trabalhar com o Fernando Santos?
M.R.: Por um lado gostei porque fui chamado algumas vezes para os torneios, no entanto, depois ele apostava pouco nos jovens.
ADT: Sentes que esta tua performance ao longo da temporada foi a gota de água para a tua ascensão?
M.R.: Não só por esta época mas também por todo o trabalho que desenvolvi na formação.
ADT: Durante muito tempo o Benfica andou com a casa às costas, mas agora com o Seixal tudo é diferente. Foi importante a criação de um centro de estágio?
M.R.: Sim claro, na época de juvenis o que nos faltou foi termos uma casa e condições para chegarmos ao titulo. Agora já existem todas as condições para podermos trabalhar e para se poderem criar grandes jogadores.
ADT: Que conselhos darias aos jovens que agora começam a jogar?
M.R.: Para trabalharem muito e para nunca desistirem.
ADT: O que achas que é fundamental para conseguir chegar longe no futebol?
M.R.: Ouvirem os conselhos dos mais velhos.
BI do Jogador:
Nome: Miguel Alexandre Jesus Rosa.
Data de Nascimento: 13/01/89 (19 Anos).
Peso: 67kg.
Altura: 1,74cm.
Posição: Médio Ofensivo.
Internalizações: 16.
Entrevista realizada no dia 2 de Julho de 2008 no Parque da Quinta das Conchas (Lumiar) em Lisboa.
Texto: Ricardo Nascimento.
Imagens: Academia de Talentos.
Dia 08.07.2008, às 04:49, Mad*Max disse...
Em 1º lugar gostava de vos dar os parabéns pela entrevista a Miguel Rosa.
Quero também deixar aki o meu voto de solidariedade pro Miguel, força e coragem, acredita ke vais conseguir!
Em 3º lugar, penso ke detectamos um erro... o jogador xama-se Miguel Rosa, mas no BI aparece como Miguel Rocha!!!
Poderá ser um caso como o d'Nuno Gomes, mas... penso ke não, d'qualker forma este foi + 1 post entre tantos ke publicamos em www.pluribus-unum.com c/a devida vénia à Academia de Talentos.
Saudações desportivas
SLB 4EVER
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