Entrevista
Entrevista com Nélson Oliveira
Ele é uma das maiores figuras da equipa encarnada, que conquistou o título de campeão nacional de juvenis esta época. Nélson Oliveira é considerado o melhor jogador da formação do SL Benfica, tranquilo e bem-disposto, o jovem avançado contou-nos um pouco da sua história em Barcelos, a cidade que o viu nascer e que presenciou os seus primeiros "toques na bola".
Desde os primeiros treinos no Santa Maria FC até à chamada à selecção sub-19, com a passagem pelo Braga e com a transferência para o Benfica, a ainda curta carreira do "barcelense" tem já muito para contar, fique com todos os detalhes desta entrevista.
Academia de Talentos: Quase todos sabemos que vieste do Sporting de Braga para o Benfica, mas onde e como é que começaste a jogar futebol?
Nélson Oliveira: Comecei a jogar no Santa Maria FC, um clube modesto na cidade de Barcelos. Na altura tive convites do Gil Vicente mas preferi ingressar no Santa Maria, porque achei que tinha melhores condições para me desenvolver como jogador, podíamos treinar em relva, enquanto o Gil treinava num pelado e os meus pais e eu achámos melhor eu começar a jogar lá. Não com o objectivo de ser jogador de futebol mas para poder praticar desporto, para poder distrair-me e conhecer novos amigos.
ADT: Nesses teus primeiros "pontapés na bola", enquanto escolinha, conseguias perceber que realmente tinhas grande potencial?
N.O.: Não, não conseguia perceber isso, estava lá mais para me divertir. Gostava de jogar futebol mas não conseguia perceber que um dia poderia ser jogador de futebol, esse era o meu sonho mas achava muito difícil.
ADT: Como se processou a tua mudança para o Braga?
N.O.: Tinha cerca de 11 anos, foi a meio da minha primeira época de infantil, e resolvi ir lá fazer uns treinos, ninguém me chamou, e logo no primeiro treino os misters gostaram de mim, falaram com os meus pais e convidaram-me para eu ir para lá.
ADT: Apenas com 11 anos passaste de um modesto Santa Maria FC para o Sporting de Braga, um clube de dimensão superior, como viste essa mudança?
N.O.: Vi essa mudança como uma possibilidade de evoluir, aí já confiei mais no meu valor e já achei que realmente poderia seguir esta carreira, porque lá em Braga geralmente estavam os melhores jogadores desta zona, os melhores do Minho. Entravam em campeonatos mais competitivos, com outras divisões e outros objectivos e eu encarei isso como uma possibilidade de eu poder melhorar e de me comparar a esses jogadores. Pensava que era um pouco inferior a eles mas depois com essa mudança tentei me enquadrar com eles e acho que foi muito bom para mim.
ADT: Como foram os teus primeiros tempos no Braga, sentiste muitas dificuldades?
N.O.: Não, pensei que era um ambiente totalmente diferente, por serem jogadores melhores e tudo mais mas o ambiente foi muito bom, as pessoas eram muito humildes, algo que nunca pensei que fossem, apoiaram-me, integraram-me muito bem no grupo e assim as dificuldades não foram muitas, acabou por ser praticamente igual a jogar no Santa Maria, só que com outra qualidade.
ADT: Na tua primeira época nos arsenalistas competiste na primeira equipa, como correu essa temporada?
N.O.: Correu bem, joguei pelos mais velhos até ao final da época, realizei dois torneios e alguns jogos por essa equipa. Foi bom mas poderia ter sido melhor. Mas depois na época seguinte, quando eu fui infantil de segundo ano, apresentei-me como uma das figuras da equipa, fui o melhor marcador, foi uma época muito boa e que me correu muito bem em termos individuais, serviu para marcar a minha posição no Braga, a partir daí comecei a ser mais respeitado, etc.
ADT: No ano seguinte, com a passagem aos iniciados foste para o Bairro da Misericórdia, filial do Braga, esse ano foi bom para ti?
N.O.: Esse ano foi bom porque jogámos contra jogadores mais velhos e nessa situação desenvolvemos sempre mais depressa mas foi um ano muito difícil porque fui afectado com dores de crescimento, os jogos não me correram assim muito bem, sentia-me fraco, com pouca força, constantemente com dores e lesionei-me algumas vezes. Foi uma época em que não fiz muitos golos, foi uma época boa mas que não me correu muito bem, serviu apenas para eu crescer fisicamente.
ADT: De volta à equipa do Braga fizeste o teu último ano no Minho, como correu...
N.O.: Foi o melhor ano futebolístico da minha carreira, tive um mister que engraçou comigo logo desde o inicio e me ajudou muito, foi o melhor ano... correu-me bem em todos os aspectos, foi a minha "época revelação".
ADT: Durante esse ano tiveste algum momento que te marcou?
N.O.: Todos os momentos desse ano foram marcantes, todos foram bons, acaba por ser difícil escolher algum em especial...
ADT: Em três anos de Braga, quem foram as pessoas/misters que mais te marcaram?
N.O.: Foram os meus primeiros misters, nos infantis, o Mister Carlos Baptista e o Mister Sousa, foram os que mais me marcaram porque foram os que me ajudaram a transitar do Santa Maria para o Braga, porque eu vinha com alguns hábitos do Santa Maria e eles ajudaram-me a criar novos hábitos, adequados a um clube com a dimensão do Braga. Foram misters muito importantes para mim e com os quais eu aprendi mais.
ADT: Depois dessa época em grande, começaram os rumores sobre a tua saída do clube, como lidaste com isso?
N.O.: Lidei bem, isso não me afectou muito... afectou-me mais o facto de na altura as pessoas que sabiam que havia clubes interessados em mim, tentarem fazer pressão para eu assinar contrato com o Braga e pressionavam o meu pai, pressionavam-me a mim. Nessa altura da época havia o Torneio Lopes da Silva, onde todos os miúdos gostavam de ir e eu pensei, porque me disseram que poderiam fazer isso, que não me iriam deixar ir ao Lopes da Silva por causa de eu não querer assinar, ou de eu eventualmente ir para outro clube. Isso era o que mais me preocupava.
ADT: Qual foi a tua reacção quando os responsáveis do Benfica te contactaram pela primeira vez?
N.O.: Fiquei surpreso, porque foi muito no inicio da época, foi logo no segundo jogo do campeonato nacional de iniciados A, e eu ainda pouco tinha mostrado, pouco ou quase nada, tinha feito o primeiro jogo, no segundo contra o Gil Vicente ganhámos por 2-0 e depois na segunda-feira quando fui para fazer o primeiro treino da semana contactaram-me. No principio achei que era uma brincadeira de algum amigo do meu pai ou algo assim (risos).
ADT: Nessa primeira abordagem e durante o processo da transferência quem do Benfica falou contigo?
N.O.: O Mister Bruno Maruta, foi o primeiro.
ADT: Houve também interesse de outros clubes? Quais?
N.O.: Primeiro apareceu o Benfica, depois o FC Porto, por quem chegou a vir muitas vezes à minha casa o Sr. Craveiro e depois o Sporting. Entretanto, também fui convidado para ir treinar uma semana ao Chelsea, mas já tinha assinado pelo Benfica, e o Benfica não me deixou ir fazer essa semana de treinos.
ADT: Porque optaste pelos encarnados?
N.O.: Optei pelos encarnados porque, achei que ia ser melhor para mim, adorei o Centro de Estágio e achei que tinha muito boas condições, era uma coisa nova e as atenções iam estar focalizadas lá. Falava-se muito na mudança, que tudo ia ser totalmente diferente, mas o principal para mim foi o facto de eu ser benfiquista e o meu sonho foi sempre poder jogar no Benfica.
ADT: Olhando agora para trás, pensas ter tomado a decisão mais certa?
N.O.: Acho que sim, estou muito contente no Benfica, estou feliz, as pessoas gostam de mim, eu gosto de estar lá, acho que não estou em nada arrependido de ter ido para o Benfica, antes pelo contrário.
ADT: O que achou a tua família dessa tua mudança para a Luz?
N.O.: O meu pai também é benfiquista e gostou muito mas ao principio custou um bocado, porque eu tinha apenas 14 anos e tinham medo da minha reacção, por causa de eu mudar-me para uma cidade bastante longe daqui de Barcelos, estavam com medo que eu reagisse mal, que eu não me adaptasse e tinham razões para isso porque a minha adaptação não foi fácil. Mas apoiaram-me e sempre me disseram que se realmente era isso que eu queria, então davam-me todo o apoio.
ADT: E para ti? Como foi enfrentar uma nova realidade, estar longe de casa e assinar por um "grande"?
N.O.: Mudou tudo, o meu dia-a-dia mudou completamente, estava habituado a ter muita liberdade, estar com os amigos no meio da cidade e depois fui metido ali num espaço fechado, no Centro de Estágio, com o principal objectivo de treinar e ser jogador de futebol. A adaptação foi um bocado difícil mas ao fim de três, quatro meses consegui adaptar-me.
ADT: A nível competitivo, como correram os primeiros tempos de águia ao peito?
N.O.: Foram difíceis porque ingressei na equipa A, uma equipa muito reforçada a época passada, tinha grandes jogadores, foi a melhor equipa do Benfica na época passada, aquela de que todos tinham esperanças, era a equipa que mais pensavam que podia ser campeã nacional, pelos grandes jogadores e foi difícil porque tive de ir algumas vezes para o banco, muitas até e isso não contribuiu muito para a minha evolução, apesar de nos treinos ter conseguido evoluir, porque treinava com jogadores mais velhos, e superiores em termos de jogo, não joguei muitas vezes. Comecei a ser utilizado com mais regularidade na terceira fase, a fase mais importante, foi também a fase onde eu já estava mais adaptado ao Benfica e a todas as outras condições, o Rui Ferreira lesionou-se, abriu-se uma oportunidade para mim, o Mister João Couto confiou em mim e acho que não o desiludi.
ADT: No final desse primeiro ano como jogador do Benfica sentiste que tinhas evoluído como pessoa e como jogador?
N.O.: Sim, senti que tinha evoluído, pelo facto de ter competido contra jogadores mais velhos e pela terceira fase, onde o Benfica lutou para ser campeão e isso foi muito importante para mim porque participei nesses jogos, senti-me muito útil à equipa, acho que foi bom para mim por fazer parte de uma equipa um ano mais velha que eu e estar a lutar para ser campeão nacional.
ADT: Apesar de não teres estado mal na época de adaptação, não jogaste tantas vezes como estavas habituado e por isso mesmo o número de golos foi menor, isso deu-te motivação extra para esta época?
N.O.: Sim, sim, isso deu-me motivação, até porque o meu Mister da primeira época no Benfica foi o mesmo desta, o João Couto e ele disse-me muitas vezes que "para o ano vai ser o teu ano!" e estava confiante que assim seria, e que ia conseguir fazer no Benfica o que fazia aqui em Braga, algo que me escapou na primeira época pelos encarnados.
ADT: Ao que tudo indica deu resultado... este ano sagraste-te campeão nacional e conseguiste uma época brilhante a nível individual, estavas à espera?
N.O.: Estava, sentia-me confiante, logo no inicio da época, o primeiro jogo também me ajudou, porque fiz um grande jogo e a partir daí embalei, ganhei muita motivação e fui por aí fora.
ADT: A nível de números e resultados foi a tua melhor época até aqui?
N.O.: Não, considero que a minha melhor época foi a de segundo ano de iniciados, mas mesmo assim esta foi também uma grande época, muito semelhante à de iniciados em termos de golos, nos iniciados fiz 58 golos mas também o nível de dificuldade é muito menor, acho que os 33 golos desta época comparados com os 58 são equivalentes.

ADT: Já no final da época, numa fase decisiva para o Benfica, foste chamado à selecção sub-19, foi complicado deixar a equipa num período tão difícil?
N.O.: Sim, eu queria fazer as duas coisas (risos), queria jogar pelos juvenis do Benfica e queria ir à selecção sub-19, já que era um passo muito importante para mim, ia subir não só um escalão mas dois. Era um passo muito importante para mim mas também queria jogar numa terceira fase onde eu fosse uma figura da equipa, porque apesar de ter lá estado no ano passado, nunca vivi uma terceira fase como sendo um titular indiscutível da equipa, na última época era suplente, tive algumas oportunidades porque se lesionou o Rui Ferreira mas queria fazer muito mais desta vez e queria marcar o meu lugar, contudo a selecção nacional era um passo muito grande para mim. Pensei, juntamente com os dirigentes do Benfica que foram excelentes para mim nesse aspecto, chamaram-me e perguntaram-me o que é que eu queria fazer, eu disse que gostava de fazer as duas coisas, mas como só podia fazer uma, escolhi a selecção sub-19 pelo facto de ser muito importante para mim, eles disseram que eu poderia ir mas nos jogos em que eu estivesse com a equipa do Benfica tinha que dar 200% ao invés de 100%.
ADT: Como reagiram as pessoas do Benfica, colegas e treinadores a essa chamada à selecção?
N.O.: O meu treinador penso que ficou um bocado chateado comigo (risos), ele nunca falou disso mas eu falei com o psicólogo e tudo mais e sentia que ele não me tratava da mesma maneira que tratava antes, mas penso que é normal, ficou para a fase mais importante da época sem um jogador que considerava importante. Penso que no lugar dele eu tinha ficado da mesma forma que ele ficou.
ADT: Depois dessa difícil decisão, tiveste de encarar uma equipa sub-19, com jogadores mais velhos mas mesmo assim conseguiste-te impor e ser uma das figuras da selecção, como foram esses dias?
N.O.: Foram dias muito bons, onde aprendi muito, pelo facto de eles serem jogadores mais velhos e com outras atitudes, totalmente diferentes das minhas, eu tinha atitudes mais jovens em relação a eles. Viver por exemplo duas semanas com o Romeu Ribeiro, foi muito bom, ele ajudou-me muito na integração na selecção e penso que foi muito bom para mim. O Romeu, o Ruben Lima, o André Carvalhas foram todos pessoas que me ajudaram muito e que facilitaram muito a minha integração para conseguir mostrar o meu valor na selecção sub-19.
ADT: A chamada aos sub-19 e as boas exibições pela equipa despertaram muito interesse à tua volta, consideras-te, como muitos o afirmam uma grande promessa do nosso futebol?
N.O.: Não, não me considero uma grande promessa, sei o valor que tenho mas isso de grande promessa não... acho que ainda é um bocado cedo e que são os outros que têm de considerar isso sobre mim. Sei o valor que tenho, sei que sou um bom jogador mas para ver isso assim... penso que ainda é cedo.
ADT: Depois dessa magnífica experiencia ao serviço de Portugal, ainda tiveste tempo de voltar ao Benfica para festejar o título de campeão nacional de juvenis, como foi?
N.O.: Foi muito bom, um dos momentos mais felizes da minha carreira futebolística, estava realmente apostado em conseguir este título, porque é importante conseguir títulos e até porque esta geração do Sporting vinha desde à muito a ganhar tudo e eu estava apostado em conseguir esta conquista, foi realmente muito bom para mim.
ADT: No último jogo com o Sporting, estiveste muito bem, e foste para a ADT um dos homens do jogo, como estava a confiança da equipa antes do jogo?
N.O.: A equipa antes desse jogo estava um pouco mais relaxada porque já éramos campeões nacionais, um pouco desligada do jogo mas o Mister ao longo da semana falou connosco e disse-nos que o campeonato ainda não tinha acabado e que aquele jogo ia servir não para sermos campeões nacionais mas para mostrarmos porque fomos campeões nacionais, e para demonstrar a todos que fomos os melhores e que o título foi merecido. Com as palavras do Mister o grupo juntou-se e percebeu que o campeonato ainda não tinha acabado.
ADT: De quem achas que foi o mérito para esta importante conquista?
N.O.: O mérito foi de todos os jogadores...acho que na terceira fase todos estiveram ao seu melhor nível, nenhum esteve em má forma, nenhum esteve em baixo, estiveram todos no seu melhor e só assim foi possível conquistarmos o título, até porque todas as equipas eram muito fortes, o Sporting tem uma geração da minha idade muito forte, o Porto também tinha uma boa equipa, o Boavista, que era o Boavista, tinha também uma equipa forte e só assim era possível vencermos o campeonato.
ADT: O papel do Mister João Couto foi crucial?
N.O.: Foi, foi muito importante, o Mister João Couto é um mister que a sua principal qualidade é detectar nos jogadores os pontos fortes e os fracos e tenta potenciar sempre os fortes e eliminar os fracos. Teve muitas conversas connosco ao longo do ano, dá-nos motivação e diz-nos no que devemos melhorar. Este ano por exemplo, um dos pontos fracos da nossa equipa, apesar de termos jogadores altos, eu, o Roderick, o Silvério Camará, era o jogo aéreo, tínhamos um mau jogo aéreo, e o Mister detectou logo isso no inicio da época. Perdíamos lances contra equipas que não devíamos perder, e se contra equipas mais fracas perdíamos esses lances, contra as mais fortes iríamos perder ainda mais. Ele durante toda a época tentou eliminar esse aspecto menos bom, fizemos treinos de finalização só de cabeça, ataque à bola de cabeça, muito treino de cabeceamento para potenciar esse tipo de jogo, e de facto viu-se melhoramentos, porque na terceira fase a nossa equipa esteve bem em todos os aspectos, incluindo o jogo aéreo.
ADT: Depois desta época fantástica existem vários clubes europeus interessados em ti, como encaras esse interesse?
N.O.: Prefiro não comentar esses aspectos porque eu estou bem no Benfica, gosto de estar no Benfica e quero ficar no Benfica. O facto de clubes estrangeiros estarem interessados em mim, isso não me diz muito e não me afecta.
ADT: Neste momento pensas que seria bom para ti sair do Benfica?
N.O.: Não, pelo contrário, penso que seria bom para mim, ficar no Benfica.
ADT: No entanto, caso isso acontecesse tens algum país/campeonato em que gostasses de jogar?
N.O.: Inglaterra, gostava muito de jogar em Inglaterra, era o meu sonho, até porque o clube dos meus sonhos é o Manchester United e gostava muito de um dia poder jogar lá.
ADT: Fala-se que o Benfica está a pensar em oferecer-te contrato profissional, vês isso como uma certeza da chegada aos seniores?
N.O.: Isso está a ser tratado, está a ser negociado o contrato profissional mas penso que isso não está muito ligado com uma possível chamada aos seniores. Pelo facto de eu assinar contrato profissional não quer dizer que eu vá para os seniores, até poderei ir mas penso que não está relacionado.
ADT: A nível pessoal o que achas que seria o melhor para ti?
N.O.: Ficar no Benfica e tentar fazer um grande campeonato de Juniores, neste ano, para poder ingressar nos seniores na próxima época.
ADT: Num futuro próximo quais os teus principais objectivos?
N.O.: Gostava de este ano conseguir alcançar novamente a selecção nacional de sub-19 e gostava de fazer uma grande época, tão boa ou até melhor que a que fiz este ano ao serviço do Benfica para assim poder ascender aos seniores o mais rápido possível.
ADT: Na próxima época vais passar para os juniores e terás o Mister João Alves como teu treinador o que esperas desta nova etapa?
N.O.: Penso que o Mister não influencia muito porque eu tenho que ser igual com todos os misters, tenho que tentar convencer todos os misters, tentar mostrar o meu valor para poder jogar, acho que nesse aspecto todos os misters são iguais, temos de tentar convence-los para poder jogar. Pode ser uma etapa boa se jogar, pode ser uma etapa menos boa, se não me correr bem e se eu não jogar.
Numa análise à tua ainda curta carreira, diz-nos...
ADT: Qual o momento mais importante?
N.O.: O título de campeão nacional de juvenis pelo Benfica.
ADT: A maior alegria?
N.O.: Foram duas, o título e a primeira vez que cantei o hino com a camisola da selecção portuguesa.
ADT: O jogo que mais te marcou?
N.O.: Humm... isso é difícil (risos) talvez o jogo com o Sporting, quando ganhámos 2-1 em Alcochete, não este último jogo mas o da primeira fase.
ADT: Aquele que consideras ter sido o teu melhor golo?
N.O.: Um na selecção nacional de sub-19, o segundo golo que marquei pela selecção nacional de sub-19, contra a Lituânia, penso que foi um dos melhores, também já não me lembro de alguns que marquei aqui no Braga (risos).
ADT: Como te defines enquanto jogador?
N.O.: A nível posicional, não gosto de jogar como ponta-de-lança fixo como muita gente me vê, muitos olham para mim e dizem que eu sou um ponta-de-lança de área mas eu não gosto de jogar assim, gosto de jogar com mais liberdade, de cair nas alas, de jogar atrás de outro avançado como segundo ponta-de-lança. Acho que sou rápido, relativamente bom tecnicamente mas preciso de potenciar mais o meu jogo aéreo.
Para além do futebol conta-nos um pouca da tua vida, num contexto mais pessoal...
ADT: Neste momento estudas em que ano? Pensas seguir os estudos?
N.O.: Passei agora para o 12º, quero acabar o ensino secundário e depois se a vida futebolística realmente estiver a dar certo, se optar por esse caminho, quando acabar a carreira, talvez possa tirar um curso, ir para a universidade...
ADT: A vida fora da família é difícil ou já estás habituado a isso?
N.O.: Agora já estou adaptado, já foi difícil... é sempre complicado na altura em que vamos, porque sentimos que vamos deixar isto, mas já foi muito mais difícil, os meus pais já estão habituados e eu também.
ADT: Como é o ambiente no centro de treinos, criam-se muitos amigos?
N.O.: O ambiente foi uma das coisas que mais me surpreendeu ano passado, eu quando lá cheguei levava dois amigos, aqui de Barcelos, dois jogadores que me acompanharam e não estava com muito medo porque sabia que tinha estes dois que conhecia. Mas estava expectante para saber como seriam os jogadores lá, se seriam jogadores mais manientos, sem humildade, pelo facto de jogarem no Benfica, mas foi totalmente o contrário, jogadores super humildes, que me receberam e recebem toda a gente muito bem, é um ambiente onde é fácil de alguém se integrar, comparado com o Sporting, não é estar a fazer uma critica ao Sporting, mas penso que seria mais difícil a minha adaptação no Sporting do que no Benfica.
ADT: Para terminar, qual a mensagem que gostarias de deixar aos que começam agora a sua carreira?
N.O.: Que acreditem sempre no seu valor, que não desistam de jogar futebol, que se realmente têm vontade de jogar, que trabalhem, que se esforcem nos treinos, porque só com trabalho é que podem conseguir o que desejam.
B.I. do jogador:
Nome: Nélson Miguel Castro Oliveira.
Idade: 16 Anos.
Peso: 75kg.
Altura: 1,87 cm.
Data de Nascimento: 1991-08-08 (16 anos).
Posição: Avançado.
Clube: Benfica.
Entrevista realizada no dia 1 de Julho de 2008 na Cidade de Barcelos.
Texto: Dário Pinto.
Imagens: Academia de Talentos.
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