Entrevista
Entrevista com William Carvalho
Começou no Algueirão mas foi no Mira-Sintra que deu nas vistas e foi alvo de uma disputa pelos rivais da 2ª Circular, acabou por escolher o Sporting e logo na primeira época sagrou-se campeão nacional. Este ano é uma das referências dos Juvenis A do Sporting e o objectivo passa pelo título nacional e o apuramento para o Campeonato da Europa de Sub17.
O Sporting...a última época...e os primeiros toques como jogador
Academia-de-talentos: Como correu a última época para a vossa equipa?
William Carvalho: Foi uma época positiva acho que melhorei bastante, evolui nos pontos fracos e agora este ano o meu desejo é estar a 100%.
ADT: O que achas que faltou à equipa para chegarem à conquista do título?
W.C.: Penso que faltou união de grupo.
ADT: Onde é que mais se sentia essa falta de união?
W.C.: Nos jogos mais difíceis era palpável que o grupo não estava muito unido e acho que foi por causa disso que não atingimos o nosso principal objectivo.
ADT: Porque achas que faltou união ao grupo?
W.C.: Nos treinos por vezes havia alguns grupinhos e apesar de nos darmos todos bem, por vezes não conhecíamos tão bem todos os colegas e não nos esforçávamos por isso.
ADT: Estavas à espera de uma época tão positiva da tua parte?
W.C.: Não, mas eu sei quais são as minhas capacidades e depois ao longo da época fui-me mostrando pouco a pouco, mas mesmo assim sei que tenho de melhorar bastante.
ADT: Quantos golos apontaste esta época?
W.C.: Oito.
ADT: Em que posições jogaste?
W.C.: Joguei em todas as posições do meio campo.
ADT: Qual é aquela em que te sentes melhor?
W.C.: Penso que seja a número 8, não só pelas minhas capacidades mas também por gostar de assumir o jogo e acho que essa é a posição ideal para mim.
ADT: A nível individual esta foi uma época muito positiva para ti?
W.C.: Acho que foi mas nesta próxima época espero fazer muito melhor que na última temporada, até porque vou jogar com jogadores da minha idade e por isso tenho que dar tudo por tudo.
ADT: O empate com o Porto em casa foi decisivo na luta pelo título?
W.C.: Penso que sim, porque começar logo com um empate em casa nunca é bom e penso que psicologicamente nos afectou um bocado sofrer um golo no último minuto.
ADT: Quando chegaste ao Sporting em Janeiro de 2007 tu fisicamente eras mais franzino, sabes o quanto já evoluíste a nível físico?
W.C.: Sim, noto uma grande diferença, na altura eu estava mais fraco e agora já ganhei 2/3 quilos de músculo em relação ao que era.
ADT: O teu crescimento a nível físico influenciou bastante a tua forma de jogar?
W.C.: Sim, acho que a capacidade física ajudou-me muito a fazer uma boa época porque eu sentia que agora tinha maior capacidade de confronto na disputa de bola com os outros jogadores.
ADT: Não ficaste completamente satisfeito com a última época?
W.C.: Não, eu sei que consigo fazer melhor e vou tentar fazer este ano tudo aquilo que não fiz o ano passado.
ADT: De uma época para a outra evoluíste muito a nível ofensivo. Apercebeste-te dessa evolução?
W.C.: Com o passar do tempo e com mais jogos nas pernas o mister foi-me dando mais confiança e eu passei a jogar mais a número 8 e a número 10.
ADT: Na selecção com o mister Carlos Dinis costumas jogar mais em que posição?
W.C.: Costumo jogar mais a número 6 porque eles gostam de ver jogadores grandes/altos nessa posição.
ADT: Este ano nos sub 17 continuas a jogar nessa posição?
W.C.: Sim, jogo quase sempre a número 6.
ADT: Como é que surgiram os primeiros "toques na bola"?
W.C.: Os primeiros toques surgiram no Algueirão porque os meus amigos desafiaram-me e eu acabei por ceder e fui para lá.
ADT: Depois do Algueirão saíste para o Mira-Sintra, porque decidiste mudar?
W.C.: Os meus amigos todos mudaram para o Mira-Sintra e eu não podia ser o único a ficar no Algueirão (risos).
ADT: Qual era a posição no terreno que ocupavas na altura?
W.C.: Jogava algumas vezes a 6 e outras a 8.
ADT: Nessa altura já se notava a diferença quando estavas em campo?
W.C.: Que eu saiba não, fiz uma época normal mas depois na terceira ou quarta época tive para ir para o Estrela da Amadora, mas um amigo meu disse-me para ficar no Mira-Sintra porque íamos jogar com o Benfica e o Sporting, e eu optei por ficar.
ADT: Na altura antes de saíres para o Sporting, o Benfica também mostrou interesse em ti, porque decidiste ingressar antes no Sporting?
W.C.: O meu clube é o Sporting, mas se o Benfica tivesse sido o único a mostrar interesse em mim eu teria ido para lá. Mas entre os dois preferi o Sporting, porque eu sou do Sporting, os meus pais também são e acho que foi uma boa escolha e não estou arrependido da decisão que tomei
ADT: Qual dos dois foi o primeiro a contactar contigo?
W.C.: O Benfica.
ADT: Quem é que te abordou?
W.C.: O Bruno Maruta.
ADT: E do Sporting quem foi que te contactou?
W.C.: Foi o Aurélio Pereira.
ADT: Chegaste a ir ao Centro de Estágio do Seixal?
W.C.: Sim, fui e fiz lá dois treinos.
ADT: É verdade que o Benfica enviou para a tua casa uma mala cheia de brindes?
W.C.: Sim, é verdade, deram-me alguns equipamentos, mas não era isso que me ia influenciar. Na altura o meu pai disse-me para não assinar nada porque no fim-de-semana seguinte eu jogava contra o Sporting e era melhor esperar.
ADT: Existe uma história de que na altura o Aurélio Pereira para te seduzir pediu ao Nani para te ligar. Confirmas?
W.C.: Sim. O Aurélio estava a falar comigo ao telemóvel e perguntou-me se eu queria falar com o Nani, eu disse que sim e minutos depois ele ligou-me.
ADT: O que te disse ele?
W.C.: Aconselhou-me a ir para o Sporting e que era o melhor clube para mim, mas não foi por ele dizer que era o melhor para mim que me influenciou, mas sim porque foi uma opção minha e dos meus pais.
ADT: Quando estiveste para ir para o Estrela como surgiu o interesse? Foste tu que foste lá treinar ou eles é que te abordaram?
W.C.: Eu é que fui lá treinar e estive quase para lá ficar.
ADT: Na tua última época no Mira-Sintra vocês venceram o Sporting por 2-0 e tu apontaste um golo. Achas que esse jogo foi decisivo para a tua transferência?
W.C.: Acho que sim, porque eu fiz um bom jogo e o Mister Nuno Lourenço veio logo falar comigo.
ADT: Como se deu a tua transferência para o Sporting?
W.C.: Foi fácil, os meus colegas ajudaram-me muito e felizmente correu tudo muito bem.
ADT: Como correu o teu primeiro jogo pelo Sporting e contra quem foi?
W.C.: Foi contra o Estrela da Amadora e não correu muito bem porque eu ainda não me sentia muito bem preparado, o ritmo de jogo era bastante elevado e eu estava a jogar dois escalões acima do meu, mas com o passar do tempo comecei a melhorar.
ADT: Nessa equipa de 1990 quem eram os teus melhores amigos?
W.C.: Não tinha assim grandes amigos ainda mas uma pessoa que me dava muita força quando os jogos não corriam bem era o Diogo Amado.
ADT: Tiveste que alterar o teu dia a dia com a transferência para o Sporting. Como estão os estudos?
W.C.: Agora estou a estudar num colégio em Lisboa para facilitar por causa dos treinos.
ADT: Tiveste de deixar os amigos e Mira-Sintra. Como se deu a adaptação?
W.C.: Adaptei-me bem, mas no início eu estava sempre habituado a estar com os meus amigos e custou-me um bocado e tive de passar a estar só com eles aos fins-de-semana e mesmo assim nem sempre era possível. Mas correu tudo bem.
ADT: Tiveste algum jogador de referência durante a tua formação?
W.C.: Gosto do Diogo Rosado e do Kikas (Luís Almeida).
ADT: E de jogadores profissionais?
W.C.: Apreciava o Zidane que actualmente já não joga e o Thierry Henry.
ADT: Em que posição começaste a jogar no Sporting?
W.C.: Foi a número 8, ainda cheguei a jogar um jogo a extremo mas de resto foi sempre no meio campo.
ADT: Como tem sido a tua relação com os treinadores?
W.C.: Até agora ainda só apanhei dois Misters (Nuno Lourenço e Luís Dias) mas a relação tem sido boa, tenho recebido muita confiança dos treinadores e penso que são pessoas que sabem o que estão a fazer, que sabem ver quem está mal e quem está bem.
ADT: Achas que ingressares na Academia foi importante para o teu crescimento enquanto jogador?
W.C.: Sim, eu acho que sim, os treinos específicos trabalhavam a minha coordenação de corrida, a ocupação de espaços e os cabeceamentos.
ADT: Estavas à espera de dar tanto nas vistas no Sporting?
W.C.: Eu fui para o Sporting com o objectivo de evoluir para poder jogar na equipa principal do meu escalão (Iniciados A em 06/07), mas as coisas acabaram por correr bem e joguei dois escalões acima no primeiro ano e um escalão acima no segundo ano. Este ano espero afirma-mer pela maturidade que já tenho no escalão de Sub-17.
ADT: Foi complicado jogares em escalões acima do teu e achas que foi importante para poderes desenvolver as tuas capacidades físicas?
W.C.: Sim, foi muito importante, ganhei mais resistência, mais técnica e mais físico e as coisas correram bem.
ADT: Que títulos conquistaste no teu primeiro ano de Sporting?
W.C.: Fui campeão distrital pelos Juvenis B e campeão nacional pelos Juvenis A.
ADT: Como foi andar dividido por duas equipas?
W.C.: Foi bom, andava mais com a equipa de 91 (sub16), mas também gostava muito da equipa de 90 (sub17).
ADT: Chegaste ao Sporting a meio da época e vinhas de uma equipa completamente diferente. Sentiste muita diferença no ritmo de jogo?
W.C.: Senti que os adversários eram mais difíceis, que tinha de soltar a bola mais depressa e que havia mais experiência, mas com o tempo fui aprendendo e adaptei-me bem.
ADT: Tens algum jogo que te marcasse no Sporting?
W.C.: Penso que o primeiro jogo contra o Benfica (Setembro de 2007) nos Pupilos do Exército em que ganhámos 2-0.
ADT: Quais são os teus objectivos para a próxima época no Sporting?
W.C.: Ser campeão nacional.
ADT: Esta equipa é a terceira que apanhas no escalão de Juvenis A. O que achas desta equipa?
W.C.: Acho que é uma equipa boa, ainda não conheço muito bem os jogadores, já soube que temos dois reforços argentinos e espero que venham para ajudar.

Experiência na selecção...
ADT: Como foi a tua primeira chamada à selecção?
W.C.: Penso que na altura não estava à espera da minha primeira chamada à selecção, até porque eu era sub16 e fui chamado aos sub17. Fiquei muito contente com a confiança do Mister Carlos Dinis, foi no apuramento para o Mundial contra a Estónia.
ADT: Quem foi que te disse que tinhas sido chamado? Foi alguém da selecção ou foi o Sporting?
W.C.: Foi o próprio Sporting que me disse.
ADT: Que escalões já representaste?
W.C.: Só os sub17.
ADT: Como foi ouvir o hino nacional e vestir a camisola da selecção pela primeira vez?
W.C.: Foi muito bonito, fiquei muito orgulhoso, em tão pouco tempo estava a jogar no Sporting e era chamado para jogar na selecção.
ADT: Quantas internalizações já tens?
W.C.: Neste momento tenho 14.
ADT: Marcaste quantos golos?
W.C.: Marquei um.
ADT: Como foi?
W.C.: Foi no segundo pela selecção, após um cruzamento do Januário Jesus apareci na área a finalizar de cabeça.
ADT: Quais são os jogadores da tua geração e da tua posição que mais aprecias?
W.C.: Gosto de ver o Amorim e o Sérgio Oliveira do Futebol Clube do Porto a jogar, acho que podem ter futuro como jogadores.
ADT: Como te correu este torneio agora no Brasil pela selecção?
W.C.: Correu-me bem, o mister ajudou-me muito e deu-me muita confiança, eu era o jogador com mais internalizações este ano nos sub17 e já sabia como eram as coisas.
ADT: A selecção fez um jogo no Maracanã. O que sentiste ao pisar aquele relvado?
W.C.: Foi muito importante, nem todos os jogadores têm oportunidade de lá jogar e nós quando lá chegámos pensámos: "bem, agora que já estamos aqui não vamos desperdiçar esta oportunidade".
ADT: Estavas à espera de ter esta ascensão também na selecção? De passares logo para os sub17?
W.C.: Por acaso até não, foi uma oportunidade que aconteceu e eu recebi-a com muito agrado.
ADT: Que objectivos tens a nível de selecção para a próxima época?
W.C.: O objectivo é a qualificação para o Campeonato da Europa de Sub17.
ADT: Qual foi o jogo que mais te marcou pela selecção?
W.C.: Foi contra a Inglaterra no apuramento, acho que fiz um jogo bastante bom e foi muito importante para os responsáveis saberem que podiam confiar em mim.

Curiosidades...
ADT: Já tens empresário?
W.C.: Sim, já tenho, assinei agora um contrato com o Pini Zahavi.
ADT: O contrato que tens com o Sporting é de formação ou é profissional?
W.C.: É de formação.
ADT: Qual é a liga que mais te fascina?
W.C.: A Inglesa.
ADT: E o clube de sonho?
W.C.: Arsenal.
ADT: Qual o treinador que mais gostavas de encontrar?
W.C.: O Ársene Wenger, porque é um treinador que aposta muito nos jovens e sabe ver a qualidade deles e acho que era um bom treinador para mim.
ADT: Nesta tua curta carreira como jogador qual foi o melhor e o pior momento que já viveste?
W.C.: O pior momento foi quando não nos apurámos para o campeonato da Europa por um golo e o melhor momento foi a conquista do campeonato nacional em Guimarães.
ADT: O apoio da família tem sido importante para ti?
W.C.: Sim, os meus pais ajudaram-me muito, estão sempre comigo, dão-me conselhos para nunca desistir e os meus amigos também. E eu tenho feito isso, tenho lutado por aquilo que quero e o meu sonho se Deus quiser será realizado.
ADT: Que conselhos darias aos jovens jogadores?
W.C.: Para nunca desistirem, para não decepcionarem e não desrespeitarem os seus misteres e para terem confiança nas suas próprias capacidades.
ADT: Quais os pontos fracos que achas que devias melhorar?
W.C.: O aspecto físico, mais maturidade em alguns jogos e ganhar mais resistência.
ADT: Gostas de jogar mais com a bola no pé ou de jogar simples?
W.C.: De jogar com a bola no pé, gosto de ter sempre contacto com a bola, gosto de servir os meus colegas e de assumir o controlo do jogo.
ADT: Qual foi o primeiro jogador que te abordou quando chegaste ao Sporting?
W.C.: As pessoas com quem me dei melhor foi o Hugo Fernandes e o Luís Oliveira, não sei se era por sermos da mesma cor (risos).
ADT: Já se colocou a hipótese de ires viver para a Academia?
W.C.: Ainda não se falou nisso, até agora os horários são compatíveis com a escola e não há essa necessidade.
ADT: Como é que vais para a Academia?
W.C.: Vou de comboio e metro e depois de autocarro.
ADT: Quem é que te paga essas passagens?
W.C.: Eu compro o passe e o Sporting depois dá-me o dinheiro.
BI do jogador:
Nome: William Silva de Carvalho.
Posição: Médio Centro.
Clube: Sporting Clube de Portugal.
Data de Nascimento: 07/04/1992 (16 Anos).
Altura: 1,87Cm.
Peso: 79Kg.
Entrevista realizada no dia 10 de Agosto de 2008 em Mira-Sintra.
Texto: Ricardo Nascimento.
Imagem: Academia de Talentos.
Dia 20.08.2008, às 07:42, Gualdino disse...
Vi este jogador há pouco tempo no jogo do FCP-SPC que a equipa do Porto ganhou e também no jogo do Boavista-SCP e achei ser um jogador já desenvolvido para a sua envergadura e altura. No entanto sou sempre suspeito.
Agora acho que é um jogador com qualidade mas para uma posição de médio-centro, já que para médio-defensivo acho um jogador sem capacidade de análise de jogo para jogar nesta posição.
Veremos o que o Futuro nos reserva!
A ver se é capaz de dar jogador!
Dia 15.09.2008, às 12:12, lenon disse...
Vê lá se passas de Burro para Cavalo Gualdino!!!!
Nunca vi tanto ignorância junta!!!! Se no minimo acertasses uma ficava mais descansado... mas vou perder a esperança em ti Gualdino.
ÉS BURRO E SEMPRE SERÁS BURRO!!!!
Dia 02.10.2008, às 10:53, roma disse...
O william se quiser ser verdadeiro, deveria dizer que fui eu quem o contactou primeiro e não o Bruno Maruta, foi num jogo estoril / mira sintra que eu o vi fazer uma assombrosa exibição, fiquei com o nº dele e comuniquei ao bruno Maruta para falar com o william, estou farto de ser desconciderado em favor de outros.
È um jogador muito interessante e se for bem acompanhado, como aliás é apanagio no sporting( o Bruno Maruta agora está lá no sporting ) vai dár jogador, força william
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