Iniciados A: CD Aves 0-8 FC Porto

Clube Desportivo das Aves 0-8 Futebol Clube do Porto.
FICHA:
2ª Jornada - Campeonato Nacional de Iniciados – Série B.
Data: 20/09/09.
Hora: 11:00.
Local: Campo Bernardino Gomes - Vila das Aves.
CLUBE DESPORTIVO DAS AVES: 12 – André; 2 – Zé Miguel (26 – Miranda, 60’); 17 – Ricardo Vilas Boas; 3 – Diogo; 14 – Zé Carlos (25 – Rui Jorge, int.); 4 – Pedro; 20 – Gomes (96 – João Carlos, int.); 10 – Fábio; 18 – Rui Manuel (11 – Miguel, int.); 13 – Duda (Capitão) e 19 – Tiago (21 – Nuninho, 60’).
Suplentes não utilizados: 35 – Fonseca e 16 – João Monteiro.
Treinador: João Paulo.
FUTEBOL CLUBE DO PORTO: 1 – Xavier; 2 – João Oliveira; 3 – André Ribeiro; 4 – Marcelo (13 – Rui André, int.); 5 – Luís Rafael; 6 – Vítor Andrade; 7 – Raúl; 8 – João Graça (15 – Francisco Ramos, int.); 9 – Ivo Rodrigues (17 – Francisco Costa, int.); 10 – Diogo Belinha (Capitão) (16 – João Santos, 47’) e 11 – Nuno Santos (18 – Diogo Cardoso, 47’).
Suplentes não utilizados: 12 – Paulo Jorge e 14 – Tomas Podstawski.
Treinador: João Brandão.
Árbitro: Pedro Maia (AF Porto).
Árbitros auxiliares: Paulo Nogueira e Nuno Soares (AF Porto).
Disciplina: Nada a registar.
Resultado ao intervalo: 0-5.
Resultado final: 0-8.
Marcadores: Raúl (3’, 22’ e 67’), Rui Manuel (p.b., 15’), Ivo Rodrigues (32’), João Graça (35’), João Oliveira (52’) e Francisco Ramos (57’).
Melhor em campo: Pedro (C.D. Aves); Raúl (F.C. Porto).
CRÓNICA:
Depois de uma vitória algo sofrida frente à A.D. Sanjoanense na jornada inaugural, os dragões cilindraram por completo a formação do C.D. Aves.
Promovidos este ano ao principal escalão, os avenses não tiveram armas para contrariar a superioridade portista. O jogo culminou com uma goleada de 8-0, a favor dos dragões, que ainda desperdiçaram algumas ocasiões pelo meio.
A história deste encontro começou-se a escrever muito cedo. Logo aos três minutos, já o F.C. Porto se adiantava no marcador. Belinha colocou a nu as fragilidades defensivas dos avenses e desmarcou Raul, que aplicou um chapéu perfeito ao guardião local.
O F.C. Porto continuou a carregar, especialmente por intermédio da velocidade de Raúl, que fazia gato-sapato de Zé Carlos. O extremo portista voltou a estar perto do golo aos oito minutos, mas o remate era de ângulo difícil e acabou defendido por André. Na sequência do pontapé de canto, André quase sacudia a bola para a sua própria baliza, valendo-lhe a ajuda da barra.
Ao ritmo de goleada
À passagem do quarto de hora, surge o segundo dos azuis e brancos. Canto apontado por Rafael e Rui Manuel, sobre a linha de golo, não conseguiu afastar da melhor forma o esférico, fazendo ele próprio o segundo golo dos visitantes. Nesta fase, os cantos de Rafael já davam mostras de serem verdadeiros tormentos para a defensiva local, sendo muito puxados à baliza numa tentativa de explorar a baixa estatura de André.
Aos 21’, e novamente na sequência de um pontapé de canto apontado pelo lateral esquerdo azul e branco, João Graça esteve muito perto de aumentar a contagem, mas o cabeceamento saiu caprichosamente ao lado.
Um minuto depois, Raúl voltava a materializar o ascendente dos dragões na partida. Após um excelente passe de ruptura de Belinha, o extremo portista contornou André e encostou para o fundo das redes, ampliando o marcador para 0-3.
A três minutos do intervalo, quando já se pensava que pior era impossível, o F.C. Porto chegou ao quarto. O golo foi da autoria de Ivo Rodrigues, que não desperdiçou na cara do golo. Ainda antes do descanso, João Graça fez o 0-5, num remate frontal sem hipóteses para o guardião avense.
No reatamento, ambos os treinadores decidiram mudar o figurino. Certamente, agastado com a imagem deixada no primeiro tempo, João Paulo retirou Zé Carlos Rui Manuel e Gomes, colocando em campo Rui Jorge, Miguel e João Carlos.
Com mais opções, João Brandão fez descansar João Graça, Marcelo e Ivo Rodrigues, lançando Rui André, Francisco Ramos e Francisco Costa.
Rotatividade, golos e Raúl
Apesar da toada mais morna no início do segundo tempo, o F.C. Porto esteve perto do sexto quando Nuno Santos interceptou um mau passe de Zé Miguel, mas desta feita André conseguiu defender o remate. O extremo-esquerdo portista viria a dar lugar a Diogo Cardoso pouco tempo depois, numa dupla alteração que proporcionou a entrada em cena de João Santos, em detrimento do capitão Belinha.
Com o passar dos minutos, a equipa do Aves demonstrava maiores debilidades físicas, um facto bem aproveitado pelos dragões que voltaram a saborear o golo.
Aos 52’, João Oliveira foi à área contrária cabecear para o 0-6, num lance em que beneficiou de grandes facilidades, pois não fosse o seu cabeceamento, já lá estava André Ribeiro para a conclusão.
Durante largos períodos, os dragões conseguiam trocar a bola praticamente dentro da grande área do C.D. Aves, o que tornava o avolumar do resultado num dado praticamente adquirido.
Foi isso mesmo que aconteceu, cinco minutos após o sexto. João Santos assinou uma bela jogada individual sobre o flanco esquerdo e cruzou atrasado, bem à medida do remate de Francisco Ramos. Estava feito o sétimo tento da partida, numa boa jogada ensaiada por dois elementos saídos do banco, um pormenor que atesta bem as diferenças entre as duas formações.
A quatro minutos do final da partida, foi Rui André que decidiu marcar pontos para as unidades saídas do banco. O central portista posicionou-se bem na zona do ponta-de-lança, mas o remate acabou por ser devolvido pela barra, para alívio do guardião André.
Contudo, Raúl decidiu escrever a sua própria história neste encontro. A três minutos do final, teve frescura e capacidade para um sprint que começou no seu meio-campo e só terminou no fundo da baliza. Estava consumado o resultado final, com o F.C. Porto a aplicar chapa oito aos novatos do C.D. Aves.
Com este resultado, o F.C. Porto saltou para o comando da sua série, em igualdade pontual com outras quatro equipas (Feirense, Leixões, Salgueiros e Gondomar). Por outro lado, o C.D. Aves mantém-se no fundo da tabela classificativa sem qualquer ponto conquistado, a par de Penafiel, Abambres e Freamunde, embora os avenses sejam a única equipa sem qualquer golo apontado na prova.
ANÁLISE INDIVIDUAL (Clube Desportivo das Aves):
André: Teve muitas dificuldades para acudir às bolas pelo ar, devido à sua baixa estatura. Mas não foi o principal responsável pela goleada.
Zé Miguel: Foi controlando como pôde as movimentações de Nuno Santos.
Ricardo Vilas Boas: Faltou-lhe maior concentração nas marcações.
Diogo: Denotou os mesmos problemas que o seu colega de sector, contribuindo para a permeabilidade da zona central defensiva.
Zé Carlos: Foi completamente massacrado no duelo com Raúl.
Pedro: Não é fácil eleger o melhor em campo de uma equipa que perde por oito golos de diferença, mas Pedro conseguiu destacar-se pelo físico interessante. Por vezes, pareceu andar alheado do jogo, ao dar pouco combate no jogo a meio-campo, mas quando aparecia dava ideia de ser o mais esclarecido dos avenses.
Gomes: Muita vontade, mas foi presa fácil para Rafael.
Fábio: Andou perdido na luta do meio-campo.
Rui Manuel: Contribuiu para o avolumar do resultado, quando aos quinze minutos não conseguiu sacudir a bola e permitiu que ela entrasse na sua própria baliza.
Duda: O capitão avense tem ritmo, mas este jogo não deu para mostrar muito mais.
Tiago: Andou completamente perdido na frente de ataque.
Miguel: Não trouxe nada de novo ao jogo dos locais.
Rui Jorge: Entrou para uma missão impossível.
João Carlos: Praticamente não tocou na bola.
Nuninho: Entrada voluntariosa, mas pouco eficaz.
Miranda: Teve grandes dificuldades para suster as investidas de Francisco Costa.
ANÁLISE INDIVIDUAL (Futebol Clube do Porto):
Xavier: Foi um mero espectador.
João Oliveira: À falta de trabalho defensivo, foi à área contrária cabecear para o golo, naquele que foi o sexto tento do desafio.
André Ribeiro: O desafio ideal para transmitir a tranquilidade necessária.
Marcelo: Foi sacrificado ao intervalo, num ensaio de rotatividade do plantel.
Luís Rafael: Controlou todas as movimentações e ainda deu um contributo importante no ataque.
Vítor Andrade: Foi uma unidade fundamental para o equilíbrio da equipa, especialmente nos momentos de construção de jogo.
Raúl: Logo aos dois minutos mostrou para o que vinha, ao fazer um chapéu perfeito ao guarda-redes. Aos 22’, aproveitou bem a desmarcação de Belinha e só teve de contornar o guardião para bisar no encontro. Fechou a conta pessoal sobre o apito final, depois de um sprint que começou no meio-campo e só terminou no fundo das redes.
João Graça: Foi muito importante a construir o jogo ofensivo dos dragões, conseguindo alcançar o golo sobre o apito para o intervalo. Ainda falhou outro, à boca da baliza, após a marcação de um canto. Ficou nos balneários ao intervalo, depois de uma missão bem cumprida.
Ivo Rodrigues: Esteve bem como pivô do ataque, mas a defesa baixa do Aves prejudicou-o um pouco. Ainda assim, apontou o quarto golo dos dragões, aos 32’, antes de ser preterido para o segundo tempo.
Diogo Belinha: É um importante jogador de equipa, com uma enorme capacidade de recuperação e de construção de jogo. Merecia o golo, por tudo o que fez, mas fica o registo de uma exibição bem conseguida.
Nuno Santos: Procurou causar os desequilíbrios pela banda esquerda, mas por vezes perdeu-se em demasia nos lances individuais. Podia ter marcado, aos 45’, quando aproveitou um mau atraso de um defensor avense, mas André opôs-se bem ao remate.
Rui André: Teve 35 minutos de tranquilidade.
Francisco Ramos: A sua entrada não retirou o ímpeto à equipa. Aos 57’ apontou mesmo o sétimo da partida, concluindo uma bela jogada iniciada por João Santos.
Francisco Costa: Procurou dar mobilidade à zona central do ataque, mas com a entrada de Diogo Cardoso encostou-se ao flanco esquerdo, onde deu muito trabalho à defensiva do Aves.
João Santos: Foi autor de uma grande jogada que furou por completo o lado direito da defesa da casa. Depois, foi só cruzar para o miolo, onde apareceu Francisco Ramos a concluir.
Diogo Cardoso: Não teve grandes oportunidades para aparecer.
DECLARAÇÕES:
Mister João Paulo (Clube Desportivo das Aves):
Apesar do poderio do adversário, esperava mais da sua equipa?
Esperava mais da minha equipa, mas esta é uma equipa que ainda se está a habituar ao Campeonato Nacional. Tem muito que evoluir, crescer e aprender.
Apanhamos um F.C. Porto bastante forte, numa fase muito inicial do campeonato. Mas, sem querer tirar mérito ao F.C. Porto, acho que poderíamos ter feito mais. Penso que falhamos alguns posicionamentos e coberturas, em termos defensivos. Nas bolas paradas, especialmente nos pontapés de canto, estivemos muito mal. Com 0-5 ao intervalo, era muito difícil uma reacção diferente no segundo tempo.
O que faltou ao C.D. Aves para ter mais presença no meio-campo adversário?
Faltou confiança. A equipa acusou muita pressão, talvez pelo nome do adversário. O F.C. Porto também pressionou muito bem no momento em que perdia a bola e isso complicou a nossa tarefa nos momentos de construção.
Acha que as duas derrotas, esta particularmente, vão condicionar a equipa?
Estamos no início do campeonato, e tendo em conta a nossa inexperiência nestas andanças, é normal que não esteja a correr de feição. Para a semana há outro jogo e é preciso lutar pela vitória. De certeza absoluta que vamos conseguir atingir os nossos objectivos, que passam obviamente pela manutenção.
Mister João Brandão (F.C. Porto):
O que mais gostou na sua equipa?
Fundamentalmente, gostei da forma como entramos no jogo, ao contrário do que se passou na primeira jornada. Depois, gostei da forma séria como encaramos o jogo até ao final, mesmo tendo em conta o avolumar do resultado, ainda bastante cedo. O comportamento dos jogadores até ao final é de louvar. Uma palavra de apreço para o Aves, que fez um jogo digno e nunca desistiu.
Apesar do piso, queria realçar a qualidade de jogo que conseguimos ter. Nunca abdicamos da nossa forma de jogar, apesar das adversidades que esse mesmo piso nos poderia colocar em determinadas fases de construção. Mas o grupo assumiu claramente que não iria alterar a sua forma de jogar, acabou por ter sucesso o que também é bastante positivo.
Esta equipa dá-lhe garantias para conquistar o Campeonato Nacional?
Todas as equipas do F.C. Porto dão garantias para cumprir um dos objectivos, e um deles, obviamente, passa pela conquista do Campeonato Nacional. É um trajecto longo, que tem de apresentar um crescimento contínuo e é isso que me satisfaz, pois a equipa demonstrou melhorias claras face ao jogo anterior. A equipa cresceu, melhorou, corrigiu determinados erros que tinha cometido, embora ainda existam situações que precisam de ser trabalhadas, mas é para isso que cá estamos.
Queria dedicar esta vitória e tudo de bom que a envolveu, ao nosso técnico assistente, o Folha, que está a passar por um dia menos feliz (recebeu a notícia de que o pai tinha sido hospitalizado de urgência, durante o período de aquecimento), por isso queria deixar um abraço e uma palavra de incentivo para ele.
Texto e Imagem: Nuno Rocha.
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