Juniores: SC Braga 1-2 FC Porto.

Share this
Dom, 27.09.2009

FICHA DE JOGO:

Sporting Clube de Braga 1-2 Futebol Clube do Porto.

5ª Jornada - Campeonato Nacional de Juniores - Série A.

Data: 27/09/09.
Hora: 17:00.
Local: Estádio 1.º de Maio.

SPORTING CLUBE DE BRAGA: 1 – Rui; 2 – Tiago Gomes (Capitão); 3 - Aníbal; 4 – Lucas; 5 - Anjo; 6 – Veiga (14 – Rui Luís, 66´); 7 – Januário Jesus; 8 – Paulo Jorge (14 – Elvis, 45´); 9 – Cardozo (17 – João Manuel, 74´); 10 – Guilherme e 11 – Toumany Sambou.
Suplentes não utilizados: 12 - João; 13 – Marco Vaz; 16 – Diogo Rodrigues e 18 – Zé Pedro.
Treinador: Dito.

FUTEBOL CLUBE DO PORTO: 1 - Maia; 2 – Bosingwa; 3 - Ramon; 4 - Abdoulaye; 5 - David; 6 – Ricardo Dias (Capitão); 7 – Caetano (16 – Filipe Barros "Pipo", 78'); 8 – Edú; 9 – Coulibaly Yero (17 - André Claro, 90'); 10 – Amorim (18 - Yegin, 29') e 11 – Alex (18 - Engin, 69').
Suplentes não utilizados: 12 - Rafa; 13 - Tiago; 14 – Hugo e 15 – Jaroslav
Treinador: Patrick Gravegaars.

Árbitro: Arnaldo Araújo (A.F. Vila Real).
Árbitros Auxiliares: José Teixeira e Sérgio Correia (A.F. Vila Real).

Disciplina: Cartão amarelo a Alex aos 53´; Caetano, aos 65’ e duplo amarelo para Bosingwa, expulso aos 90+5’

Resultado ao intervalo: 0-1.
Resultado final: 1-2.

Marcadores: Coulibaly Yero (42') e (82’) e Elvis (90’)

Melhor em campo: Cardozo (S.C. Braga); Yero (F.C. Porto)



CRÓNICA:

O Estádio 1º de Maio foi mais uma vez palco de um jogo “grande” à 5ª jornada. Desta feita, os “arsenalistas” recebiam no seu reduto um dos grandes candidatos a chegar à final deste campeonato de Juniores, o F.C. Porto.

Mais uma vez, e apesar do mau início de campeonato dos minhotos, que saíram derrotados na jornada frente a uma já surpreendente Académica, os adeptos acorreram em grande número na tentativa de “embalar” os jovens “arsenalistas” rumo ao triunfo.

Ao F.C. Porto nada mais interessava que não a vitória, para se manter no comando da tabela classificativa, depois de um jogo intensamente disputado frente ao Vitória.

Sistemas tácticos semelhantes:

O início do jogo revelou esquemas tácticos semelhantes, com pequenas nuances no miolo do terreno. O Braga apresentou um duplo pivot defensivo no meio campo, ao passo que o Porto deixava apenas Ricardo Dias no sector mais recuado do meio campo.

Os minhotos actuaram com o esquema táctico que vem sendo habitual, embora com a permuta de alguns dos seus intérpretes. A baliza ficou entregue a Rui. O quarteto defensivo foi composto por Tiago Gomes na direita, Anjo na esquerda, Aníbal e Lucas, formaram a dupla de centrais. No meio campo, um duplo pivot defensivo composto por Veiga e Paulo Jorge, Guilherme ao centro, Januário Jesus na direita e Cardozo na esquerda, no apoio ao ponta-de-lança senegalês Toumany Sambou.

Já o F.C. Porto efectuou apenas duas alterações relativamente à equipa que derrotou no passado Sábado, o Vitória no seu reduto. Alex por troca com André Claro, relegado para o banco de suplentes e na frente de ataque Yero, substituiu Filipe Barros "Pipo" na equipa inicial, acrescentando assim mais estatura e poder de “fogo” à ofensiva portista.

Mais Porto, pouco Braga:

Ainda as equipas estavam a estudar-se sobre o relvado, quando aos 2 minutos surge o primeiro lance duvidoso na grande área. Abdoulaye parece “estorvar” a acção de Januário Jesus, com uma carga de ombro. Arnaldo Araújo não viu razão para assinalar grande penalidade e deixou prosseguir o jogo.

O F.C. Porto começou paulatinamente a tomar conta do jogo, com a Braga a ter grandes dificuldades para fazer circular a bola no seu meio campo. Os forasteiros apesar do domínio territorial não pareciam apresentar soluções para criar ocasiões de perigo. Mas eis que começa o festival Yero.

O primeiro sinal de perigo viria a ser dado pelo senegalês aos 15 minutos, com um potente remate de fora da área, para uma defesa a dois tempos de Rui.

Nesta fase, o Braga parecia algo temeroso perante a pressão efectuada pelo conjunto portista. As linhas de jogo, pareciam estar muito distantes, com Toumany muito desamparado na frente de ataque.

Á passagem da meia hora, o “gigante” Yero protagoniza uma excelente arrancada pelo lado direito tirando partido da sua estampa física para suplantar os adversários. Após ultrapassar 3 jogadores minhotos, já na grande área endossa o esférico para Alex, que na zona da grande penalidade dispara para a baliza, com Rui a realizar excelente defesa.

Nos instantes finais da primeira parte, o F.C. Porto deu início a uma verdadeira avalanche atacante, perante a passividade da equipa minhota, quase sempre com Yero em foco.

Na jogada seguinte é Bosingwa a imprimir velocidade pelo lado direito e a cruzar para Claro que proporciona a Rui mais uma boa defesa.

A maior agressividade e qualidade do F.C. Porto viriam a ser recompensadas quando aos 42 minutos, o inevitável Yero inaugura o marcador. Displicência de Lucas em zona proibida ao tentar colocar a bola em Aníbal, permite a intercepção de Yero que se isola e cara-a-cara com Rui não falha e faz o primeiro golo da tarde.

Ainda tempo na primeira para mais dois lances de perigo favoráveis ao F.C. Porto. Sobre o intervalo Amorim tenta um remate em arco mas a bola sai ligeiramente por cima da baliza à guarda de Rui.

No minuto seguinte e após grande confusão na grande área do Braga, a bola acaba por desviar num jogador do F.C. Porto, permitindo a Rui mais uma excelente defesa.

O resultado chegava assim ao intervalo, com o F.C. Porto a vencer por 0-1, com plena justiça, face a um Braga pouco agressivo.

Mais Braga:

Para o segundo tempo o Braga registou uma alteração. Elvis entrou para o lugar de um apagado Paulo Jorge. Dito procurava conferir à equipa mais agressividade sobre os flancos, com Cardozo a derivar para o meio, juntando-se assim a Guilherme no apoio a um desamparado Toumany.

E foi um Braga mais agressivo, que se viu no 1º de Maio durante toda a segunda parte. O F.C. Porto, tal como havia acontecido no jogo de Guimarães, em que saiu para intervalo em vantagem, entrou mais expectante, jogando em contra-ataque, para explorar o natural adiantamento da equipa da casa.

O primeiro sinal de perigo é responsabilidade de Januário que cobra o livre do lado direito do seu ataque, com a bola a ser desviada por um seu colega de equipa e a sair ligeiramente ao lado da baliza de Maia.

A alteração de Dito começava a produzir efeitos, sobretudo pela colocação de Cardozo no meio campo, fundamental nas transições dos minhotos para o ataque.

O mesmo Cardozo, protagoniza ao minuto 60 uma melhores oportunidades de golo do Braga em toda o desafio. Pouco depois do grande círculo, e com Maia ligeiramente adiantado, Cardozo tenta o chapéu, com a bola a passar a centímetros da barra da baliza dos azuis e brancos.

O Braga, mais rápido sobre a bola, continuava a dominar. Aos 61 minutos é a vez de Maia brilhar após Abdoulaye na sequência de um canto, ter tocado, involuntariamente a bola para sua baliza. Valeram os reflexos de Maia neste lance.

Quando o Braga começava claramente a justificar a igualdade, depois de uma segunda parte com maior ascendente sobre o F.C. Porto, eis que Yero, sempre ele, volta a deixar a sua marca no jogo. Contra-ataque conduzido por Edú a ver muito bem a desmarcação de Yero nas costas dos centrais minhotos. O jogador senegalês mais uma vez, completamente isolado frente a Rui volta a não claudicar e, com frieza, bate Rui, fazendo assim o segundo golo do F.C. Porto, e o segundo da sua conta pessoal.

O golo faria quebrar animicamente os jogadores do Braga, que já ao cair do pano consegue ainda reduzir por intermédio de Elvis, num lance muito confuso na grande área do F.C. Porto. Toumany ainda tenta ser ele a introduzir o esférico na baliza, mas a bola parece já ter transposto a linha de golo.

No minuto seguinte, os minhotos ainda tentaram, em desespero, chegar à igualdade, bombardeando bolas para a grande área dos azuis e brancos. No entanto, o tempo já escasseava e o F.C. Porto acabaria por levar de vencida este jogo.



ANÁLISE AO JOGO:

Num jogo com duas partes distintas, o F.C. Porto acaba por vencer este seu segundo encontro consecutivo fora de portas, curiosamente ambos no Minho, frente a Braga e Vitória de Guimarães.

Um resultado que acaba por ser justo, e que penaliza um S.C. Braga demasiado “macio” na primeira parte. Dito terá que rever ainda alguns aspectos desta equipa, caso o Braga se queira afirmar como um candidato à luta por um lugar na fase final deste campeonato de Juniores.

Já o F.C. Porto, que teve em Yero, o herói desta partida, depois do pleno por terras minhotas, continua no comando da tabela classificativa, a par de uma surpreendente Académica, que começa já a revelar-se com umas das sensações deste campeonato.



ANÁLISE INDIVIDUAL (Sporting Clube de Braga):

Rui: Sem culpas nos golos sofridos, não foi a ele que se ficou a dever a derrota do conjunto minhoto. Conseguiu efectuar ainda um punhado de excelentes defesas, demonstrando mais uma vez que a baliza do Braga está bem entregue.

Tiago Gomes: O capitão foi um dos elementos mais constantes da equipa. Demonstrou quase sempre um notável acerto defensivo, subindo a preceito em algumas ocasiões. Está de “pedra e cal” neste Braga.

Aníbal: Sem André Campos, seu habitual companheiro no eixo defensivo, viu-se um “pouco perdido”, consequência da falta de rotina com Lucas. A presença de Yero foi um tormento constante ao longo de todo o jogo.

Lucas: Não foi feliz neste jogo. Pareceu intimidado com a presença de Yero, que em duas ocasiões se antecipou ao defesa minhoto. O primeiro golo nasce de uma desatenção sua.

Anjo: Exibição regular. Com alas como Caetano e Alex e ainda Yero que “caiu” inúmeras vezes no seu flanco seria difícil fazer melhor. Revela, para já, pouca apetência ofensiva que compensa com um excelente acerto defensivo.

Veiga: Mais vocacionado para cobrir as subidas de Tiago e obstruir linhas de passe, teve tarefa difícil durante a primeira parte perante a dinâmica de jogo do F.C. Porto. Subiu de produção na segunda parte mas acabaria por ser substituído ao minuto 66 numa fase em que o Braga estava obrigado a arriscar.

Guilherme: Não tão activo como em jogos anteriores, muito por culpa da solidariedade defensiva da equipa do F.C. Porto que preencheu bem os espaços a meio campo. Parece render mais na posição 8.

Paulo Jorge: “Mastigou” muito o jogo da sua equipa na primeira parte, o que levaria Dito a substituí-lo ao intervalo. A acusar, apesar de tudo, alguma natural falta de ritmo de jogo.

Cardozo: Actuou na primeira parte sobre a esquerda do meio campo, numa posição em que andou alheado do jogo. Após o intervalo derivou para o miolo, o que lhe permitiu entrar no jogo. Foi protagonista de um melhores lances do Braga, num chapéu que passou a centímetros da barra de baliza à guarda de Maia.

Januário Jesus: Imprimiu alguma velocidade às alas, mas foi no capítulo das bolas paradas que mais se destacou. Pareceu ser um dos elementos mais inconformados na equipa do Braga.

Toumany Sambou: Muito distante do que já se lhe viu fazer. Alvo de marcação cerrada da dupla de centrais do F.C. Porto, teve pouca bola e espaço de manobra para visar a baliza de Maia. Exibição, por isso, cinzenta deste jogador senegalês.

Elvis: Conseguiu acrescentar alguma vivacidade ao flanco esquerdo dos minhotos, apesar de ter sempre um intratável Bosingwa pelo caminho. Deixou a sua marca no encontro ao apontar o tento de honra dos minhotos, num lance confuso na grande área do F.C. Porto.

Rui Luís: Teve pouca bola e assim ficou difícil ter alguma influência no jogo.

João Manuel: Entrado para se juntar a Toumany na frente de ataque, para o “assalto” final à baliza dos azuis e brancos, foi mais um para ajudar numa fase em que se sucediam os cruzamentos para a grande área dos forasteiros, no entanto, sem sucesso.



Análise Individual (Futebol Clube do Porto):

Maia: Uma actuação positiva deste guarda-redes do F.C. Porto que se vem exibindo a bom nível neste início de temporada. Sempre que a equipa necessita, intervém com grande qualidade. Destaque para excelente defesa após desvio de Abdoulaye.

Bosingwa: Apenas a expulsão, ao “cair do pano”, pode manchar uma exibição de grande qualidade de Bosingwa. Grande eficácia defensiva e igual apetência para subir no terreno de jogo. Mais uma boa exibição do defesa lateral direito portista.

Ramon: Manteve a consistência defensiva sobretudo na segunda parte, na qual teve mais trabalho, muito por culpa das bolas paradas de Januário. Uma exibição sem mácula.

Abdoulaye: Começa a ser um hábito atribuir nota positiva às exibições de Abdoulaye. A sua estampa física joga a seu favor, mas é nas marcações e bolas paradas que mais se distingue. Ainda revela alguns momentos de descontracção que deverão ser corrigidos ao longo do tempo.

David Bruno: Mais discreto do que Bosingwa, teve que se haver não raras vezes com situações de dois para um com Tiago Gomes e Januário Jesus às quais conseguiu responder com maior ou menor dificuldade. Cumpriu a sua missão.

Ricardo Dias: Distinguiu-se sobretudo pela capacidade de sacrifício em prol da equipa, sobretudo na segunda parte, na fase de maior ascendente do Braga. É um elemento fundamental na estratégia de Gravegaars.

Edú: Ocupou-se e bem das transições ofensivas na maior parte do tempo de jogo. Bom toque de bola e qualidade de passe viram-se neste jogador que foi uma das unidades mais produtivas do F.C. Porto neste encontro.

Amorim: Joga simples, o que lhe permite descobrir espaços para servir em boas condições os seus companheiros. Faz o jogo da equipa fluir, mas também veste o “fato macaco” quando é necessário. Está em crescendo.

Rui Caetano: A técnica e velocidade são atributos que se lhe reconhecem mas neste jogo foram poucas as vezes em que conseguiu aplicá-las. Tiago e Anjo foram os principais responsáveis por este “insucesso”.

Alex: Tem alternado com Claro na equipa inicial, e ainda que sem uma sequência de jogos tem mostrado muita confiança nos duelos individuais, sendo um dos principais impulsionadores do ataque. Promete.

Coulibaly Yero: O homem do jogo. A impressionante estampa física pareceu intimidar a defensiva bracarense, que teve grandes dificuldades em travá-lo sempre que partia em velocidade. Dois golos plenos de oportunidade contribuíram decisivamente para a vitória do F.C. Porto nesta partida.

Filipe Barros “Pipo”: Entrou para com a sua velocidade tentar “sacudir” a pressão que o Braga estava a encetar. Cumpriu.

Engin: Raça e velocidade marcaram os cerca de 20 minutos deste jogador em campo. Teve ainda tempo para a cobrança de um livre directo, com a bola a passar muito perto da baliza à guarda de Rui.

André Claro: Uma substituição já em período de compensação, apenas para quebrar o último “suspiro” do emblema minhoto.



DECLARAÇÕES:

Dito (Treinador do S.C. Braga):

Dito, duas desconcentrações defensivas acabam por ditar este resultado. Concorda?

A primeira é uma desconcentração defensiva, a segunda é uma desconcentração do árbitro auxiliar.

Foi uma primeira parte muito fraca da nossa equipa. Estivemos muito inibidos, injustificadamente, mesmo tendo em conta o valor do adversário.
"

Alguma dificuldade para o Braga fazer circular a bola na primeira parte…

"Podíamos ter feito muito mais e melhor na primeira parte. Ainda assim o Porto não criou grandes dificuldades, pelo contrário, fomos nós a criá-las ao oferecer o primeiro golo. São coisas que acontecem e que vamos trabalhar para que não se repitam.

Na segunda parte a equipa melhorou substancialmente. Mandou mais no jogo e criou algumas situações que colocaram em alerta o Porto.

Depois sofremos um golo em fora-de-jogo nítido. O árbitro optou por decidir assim, e o que é facto é que foi decisivo para o desfecho final.

Julgo que por tudo o que fizemos na segunda parte, o resultado mais justo seria o empate.




Patrick Gravegaars (Treinador do F.C: Porto):

Mais uma vitória do F.C. Porto num campo sempre difícil…

Na primeira parte penso que o jogo foi equilibrado apesar de o Braga não ter criado oportunidades de golo. Acabamos por fazer o golo numa altura sempre boa, antes do intervalo.

Na segunda parte, foi a mesma história. O Braga conseguiu criar mais perigo nos lances de bola parada. Nós acabamos por fazer o nosso golo num contra-ataque. O Braga continuou a ser perigoso até ao final do jogo, quase sempre em lances de bola parada. Tiveram alguma sorte no golo que fizeram e que ainda nos fez sofrer um pouco.

Ganhámos o jogo não por sermos melhor equipa que o Braga. Foi um jogo equilibrado.
"

Pensa que foi justa a vitória da sua equipa?

"Foi um jogo equilibrado, mas apesar disso penso que a nossa vitória acaba por ser justa.



Texto: Hugo Pascoal.

Comentários

Submeter um novo comentário

CAPTCHA
Esta questão serve para identificar se é humano e para evitar envios automatizados spam.
5 + 4 =
Solucione esta simples equação e introduza o resultado. Ex. para 1+3 introduza 4.

Iniciar sessão