Juniores: SC Braga 3-2 Vitória SC

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Dom, 13.09.2009

FICHA DE JOGO:

Sporting Clube de Braga 3-2 Vitória Sport Clube.

3ª Jornada - Campeonato Nacional de Juniores - Série A.

Data: 12/09/09.
Hora: 17:00.
Local: Estádio 1.º de Maio.

SPORTING CLUBE DE BRAGA: 1 – Rui; 2 – Tiago Gomes (Capitão); 3 - Aníbal; 4 – André Campos; 5 - Anjo; 6 – Veiga; 7 – Januário Jesus (16 – Diogo Rodrigues, 75´); 8 – Nuno; 9 – Elvis (14 – Paulo Jorge, 61´); 10 – Guilherme e 11 – Toumany Sambou (17 – João Manuel, 85´).
Suplentes não utilizados: 12 - Fábio Pereira; 13 – Lucas e 15 – Marco Vaz.
Treinador: Dito.

VITÓRIA SPORT CLUBE: 1 – Julien; 2 – Vieira; 3 – Josué (17 – António, 87´); 4 - Paulo; 5 - Xavier; 6 – Filipe (Capitão) (13 – Amorim, 68´); 7 – Rafael; 8 – Dani; 9 - Djalo; 10 – Tiago e 11 – Kaka (18 – Zé Pedro, 56´).
Suplentes não utilizados: 12 - Preto; 14 – Moreira; 15 – André Mendes e 16 – Edu.
Treinador: Luiz Felipe.

Árbitro: Pedro Barbosa (A.F. Porto).
Árbitros Auxiliares: Marcos Araújo e Fernando Ferreira (A.F. Porto).

Disciplina: Cartão amarelo a Toumany aos 5´; Filipe, aos 33'; Januário Jesus aos 48'; Vieira aos 54’; Josué aos 65´; Dani aos 80´e Guilherme aos 90’ (+2).

Resultado ao intervalo: 2-1.
Resultado final: 3-2.

Marcadores: Toumany (5') e (32’); Paulo (30’); Nuno (65’); Tiago (70’).

Melhores em campo: Toumany Sambou(S.C. Braga); Tiago (Vitória S.C.).



CRÓNICA:

A 3ª jornada do campeonato trouxe ao Estádio 1º de Maio um dos derbys mais aguardados. Os arsenalistas recebiam em casa, o rival minhoto, num jogo que se previa extremamente disputado.

Depois de uma derrota caseira na 1ª ronda, o Braga queria alcançar frente aos seus adeptos a primeira vitória no seu estádio. Já o Vitória partia para esta jornada, no pelotão da frente, com quatro pontos amealhados nas duas primeiras jornadas, mais um que o rival minhoto.

Nota para a boa moldura humana registada no Estádio 1º de Maio para assistir ao primeiro derby minhoto da época.

Sistemas tácticos semelhantes:

O início do jogo revelou esquemas tácticos idênticos com as equipas a “encaixarem” uma na outra. O S.C. Braga que, neste início de campeonato vem jogando de forma ligeiramente diferente em relação à época transacta, apresentou-se num 4x2x3x1 em detrimento do 4x4x2, preferencialmente utilizado por Dito na última época. A baliza ficou entregue a Rui. O quarteto defensivo foi composto por Tiago Gomes na direita, Anjo na esquerda, Aníbal e André Campos, formaram a dupla de centrais, reeditando assim a dupla mais vezes utilizada na época anterior por Dito. No meio campo, um duplo pivot defensivo composto por Veiga e Guilherme, Nuno no centro, Januário na direita e Elvis na esquerda, no apoio ao ponta-de-lança senegalês Toumany.

O Vitória apresentou-se num 4x2x3x1, com Julien na baliza, em detrimento de Cláudio, expulso na jornada anterior. O quarteto defensivo foi composto por Vieira na direita, Xavier na esquerda, Josué e Paulo formaram a dupla de centrais. No meio campo, um duplo pivot defensivo composto por Filipe e Dani. Tiago no centro, Rafael e Kaka nas faixas, tinham a missão de servir o ponta-de-lança Djalo.

Braga dominador:

Num relvado em excelentes condições para a prática de futebol, a equipa da casa, talvez galvanizada pelo apoio da sua massa adepta, desde cedo começou a dar sinais de querer rapidamente resolver o encontro.

Decorriam 3 minutos de jogo e já Nuno, lançado em velocidade consegue rasgar a defesa Vitoriana. Valeu Julien que saiu de entre os postes e conseguiu anular o remate do médio arsenalista. Estava dado o primeiro sinal de perigo.

Dois minutos volvidos, o Braga inaugura o marcador. Jogada construída no lado direito por Januário Jesus, com o jogador minhoto a efectuar, de pé esquerdo, o cruzamento para a grande área, onde Toumany entre os centrais vitorianos, consegue com um excelente gesto técnico, cabecear para o fundo da baliza de Julien. Estava feito o primeiro golo e decorriam apenas 5 minutos de jogo.

A partir do golo, o Braga partiu para uma exibição de grande qualidade na primeira parte. As saídas para o ataque começaram a suceder-se, com os jogadores arsenalistas a surgirem constantemente nas costas dos defesas vitorianos, que não raras vezes foram batidos em velocidade.

Aos 12 minutos é Januário a isolar-se frente a Julien. Valeu o desacerto do médio minhoto que perdeu ângulo de remate permitindo depois a recomposição da defesa vimaranense.

O Braga continuava a dominar, com o Vitória a ter grandes dificuldades para sair a jogar.

Aos 24 minutos, um jogador do Braga, surge novamente isolado perante Julien, desta feita é Nuno que permite nova defesa ao guardião vimaranense.

Quatro minutos volvidos e contra a corrente do jogo, o Vitória viria a fazer a igualdade através de um lance de bola parada. Canto cobrado na direita por Tiago, e Paulo solto de marcação no coração da grande área só tem que empurrar de cabeça para o fundo da baliza à guarda de Rui.

Sem que nada o fizesse prever, o Vitória chegava à igualdade, num jogo inteiramente dominado pela equipa da casa.

No entanto, o Braga viria a repor, dois minutos depois, a justiça no marcador. Nuno, após jogada individual desfere potente remate à entrada da área. A bola embate num defesa vitoriano e acaba por sobrar para Toumany, que isolado frente a Julien não enjeita a oportunidade e coloca a sua equipa em vantagem.

Tempo ainda na primeira parte para uma arrancada de Toumany, que surge isolado frente a Julien, mas o guardião vimaranense consegue anular o lance.

No lance seguinte, Januário Jesus cruza tenso para a grande área onde Julien deixa escapar a bola. Por pouco o Braga não consegue dilatar a vantagem. Julien começou a demonstrar alguns sinais de insegurança.

Segunda parte mais equilibrada:

A segunda parte trouxe um Vitória diferente e disposto a chegar rapidamente à igualdade. O Braga adoptava agora uma postura mais expectante, jogando no erro do Vitória para tentar sentenciar a partida.

O primeiro lance digno de registo, na segunda parte viria a pertencer ao Braga, aos 58 minutos por intermédio do inevitável Toumany. O senegalês consegue bater em velocidade os defesas vimaranenses e remata para defesa incompleta de Julien. A bola sobra novamente para Toumany que já desenquadrado com a baliza remata ao lado.

O Vitória continuava a dominar territorialmente, no entanto, uma grande penalidade cometida sobre Guilherme, aparentemente mal assinalada, viria aos 65 minutos, permitir ao Braga chegar ao terceiro golo. Nuno, chamado a converter, não desperdiça e dilata a vantagem.

Apesar do golo, o Vitória continuou a forçar o ataque e o seu esforço viria a ser recompensado quando aos 70 minutos, Tiago resolve, após galgar alguns metros com a bola controlada no meio campo arsenalista, desferir um potente remate a cerca de 30 metros da baliza à guarda de Rui. A bola acabaria por entrar junto ao canto superior direito. Um golo soberbo, do melhor elemento do Vitória em campo.

Nos vinte minutos finais acentuou-se o domínio do Vitória, na tentativa de chegar à igualdade, com o Braga à espreita de em contra-ataque poder fazer o quarto golo e sentenciar a partida.

No entanto, o jogo não viria a conhecer mais lances de verdadeiro perigo e o Braga acabaria por alcançar a sua primeira vitória em casa, segunda no campeonato.



ANÁLISE AO JOGO:

O S.C. Braga acaba por levar de vencida o rival Vitória, num jogo que dominou durante toda a primeira parte e que soube gerir no segundo tempo.

A vitória dos arsenalistas, acaba assim, por se ajustar ao que se passou no terreno de jogo.

Destaque para o grande golo apontado por Tiago, que promete ser um dos jogadores em foco neste campeonato.

Nota negativa para o árbitro ao assinalar uma grande penalidade inexistente, e ao mostrar alguns cartões amarelos perfeitamente escusados à luz das leis de jogo.



ANÁLISE INDIVIDUAL (Sporting Clube de Braga):

Rui: Não está isento de culpas no primeiro golo do Vitória, onde tinha a obrigação de sair dos postes e afastar a bola. Nada poderia fazer para travar a “bomba” de Tiago. Ainda assim ofereceu confiança ao seu sector mais recuado.

Tiago Gomes: O capitão bracarense ofereceu segurança ao lado direito da defesa. Entendeu-se bem com Januário, protagonizando boas jogadas de envolvimento no seu flanco. Parece estar em excelente forma neste início de campeonato.

Aníbal: Reedita a dupla que formou com André Campos na temporada transacta, o que é um ponto a seu favor. Actuou com a sobriedade e o pragmatismo a que nos tem habituado.

André Campos: Volta a formar com Aníbal, uma dupla que se notabilizou ao longo da temporada anterior. Apesar dos dois golos averbados, esteve sempre sereno e respondeu bem às exigências do jogo.

Anjo: Uma novidade este ano na equipa júnior. Rafael não lhe permitiu grandes veleidades, mas defensivamente conseguiu responder quase sempre bem.

Veiga: O jogador mais recuado do meio campo manteve o equilíbrio da equipa e permitiu a Guilherme conseguir sair a jogar. Algumas dificuldades perante a superior capacidade técnica de Tiago.

Guilherme: Correu quilómetros. Foi o principal impulsionador do ataque, com as jogadas de ataque a partirem invariavelmente dos seus pés. Um início de época bastante promissor.

Nuno: Alguns passes a rasgar e duas desmarcações em que poderia ter feito algo mais. Pecou apenas no capítulo da finalização.

Elvis: Não tão activo como Januário no flanco direito, ainda assim alguns bons lances de entendimento com os seus companheiros de ataque.

Januário Jesus: Bastante activo no flanco direito, mas perdulário na finalização. Flectiu inúmeras vezes para o centro do terreno, bem ao seu jeito, na tentativa de tirar partido do seu excelente pé esquerdo. Precisa ainda de lucidez em alguns capítulos de jogo.

Toumany Sambou: É, sem sombra de dúvida, o homem do jogo. Sempre muito activo na frente de jogo como é seu timbre. Fez dois golos e parece manter a veia goleadora que se lhe reconhece da época passada. Promete.

Paulo Jorge: Troca por troca. Mais recatado do que Elvis, entrando numa fase em que o Vitória tinha maior ascendente no jogo.

Diogo Rodrigues: Não conseguiu trazer nada de novo ao jogo.

João Manuel: Essencialmente para os aplausos a Toumany. Sem tempo para se mostrar.



DESTAQUES (Vitória Sport Clube):

Julien: Sem culpas nos golos sofridos, a verdade é que se mostrou sempre muito inseguro entre os postes, deixando a bola escapar-lhe entre as mãos em mais do que uma ocasião. Valeu o desacerto dos arsenalistas na hora de visar a sua baliza.

Veiga: Foi, apesar de tudo, um dos elementos mais regulares da equipa ao longo de toda a partida. Bem defensivamente, não tão acutilante no ataque. Acabaria com a entrada de Amorim por terminar o jogo a lateral esquerdo.

Josué: Não esteve nos seus melhores dias, tal como os seus restantes companheiros do sector defensivo, sobretudo na primeira parte onde as jogadas de perigo do Braga se sucederam nas suas costas.

Paulo: O golo marcado atenuou uma exibição “cinzenta”. A defesa do Vitória abriu, na primeira parte, uma autêntica “auto-estrada” aos avançados bracarenses. À espera de melhores dias.

Xavier: Sentiu grandes dificuldades, sobretudo na primeira parte para travar as jogadas de Januário e Tiago que o colocavam, por vezes, em inferioridade numérica. Tem como atenuante, a falta de entrosamento com a equipa.

Filipe: O capitão fez uma exibição regular. Na segunda parte conseguiu soltar-se um pouco mais quando a equipa procurava chegar à igualdade. A sua entrega não foi contudo suficiente.

Dani: Uma exibição apagada. Sentiu grandes dificuldade para travar o dinâmico meio campo dos arsenalistas, sobretudo Nuno que “caiu” inúmeras vezes no seu raio de acção.

Tiago: A melhor unidade do Vitória no encontro. Um jogador com bom toque de bola e o grande responsável pela subida de produção da equipa na segunda parte. A sua exibição foi coroada com um golo soberbo.

Kaka: Esteve algo distante do jogo. Seria o primeiro a sair do terreno de jogo, confirmando uma exibição menos positiva.

Rafael: Já com contrato profissional, tinha obrigação de fazer melhor. Algumas boas arrancadas pelo flanco direito, quase sempre inconsequentes.

Djalo: Aníbal e André Campos foram obstáculos praticamente intransponíveis para Djalo que raramente se viu no terreno de jogo.



DECLARAÇÕES:

Dito (Treinador do Sporting Clube de Braga):

Dito, uma vitória, três golos…qual é o seu comentário?

Julgo que poderia até ter havido mais golos, principalmente pelo que fizemos na primeira parte. Tivemos inúmeras oportunidades e poderíamos ter chegado ao intervalo com uma diferença de, no mínimo, dois ou três golos.

A segunda parte foi diferente. O treinador do Guimarães naturalmente rectificou algumas coisas, até porque na primeira parte conseguimos aproveitar bem, o facto de o nosso adversário estar a jogar com a defesa muito subida.

Conseguimos dilatar a vantagem, no entanto, depois o Vitória conseguiu fazer o segundo golo e aí as coisas complicaram-se um pouco. Os jogadores começaram a pensar em gerir a vantagem até ao final.

Julgo que a vitória do Braga é inquestionável porque foi a equipa que, pelo que jogou, mais mereceu ganhar
”.



Luiz Felipe (Treinador do Vitória Sport Clube):

Algumas dificuldades do Vitória na primeira parte, melhor na segunda. Qual a sua análise a esta partida?

O Braga foi superior na primeira parte. Nós estivemos muito desacertados. Concedemos muitos espaços nas costas e o Braga foi aproveitando. Fez uma excelente primeira parte.

Na segunda parte, depois de acertarmos os erros que cometemos na primeira parte, a equipa esteve mais compacta, mais sólida, com melhor posse de bola e equilibramos o jogo.

Na nossa melho fase na segunda parte, o Braga faz o golo de grande penalidade. A partir daí lutámos, conseguimos ainda fazer um golo mas acabámos por perder o jogo essencialmente pela má primeira parte que fizemos.




Texto: Hugo Pascoal.

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