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As aventuras de Miguel Ruben em Milanello
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Paloschi é um exemplo
Milanello, 19 de Março (dia 4):
«- 09h00: Como não tínhamos nada agendado para esta manhã, deu para dormirmos mais uma hora em relação ao habitual. Tomámos o pequeno-almoço às 10 horas e depois estivemos na sala de convívio, a ler os jornais. Eu lá fui compreendendo quase tudo, foi mais fácil do que pensava. Ao 12h15, para o almoço, serviram-nos uma mista de carnes.
- 15h30: O nosso treino durou cerca de duas horas. Fizemos um aquecimento longo, mas sempre com bola. Aliás, tenho reparado nisso aqui. Todos os exercícios são com bola, isso só não aconteceu no final do aquecimento, quando fizemos uma corrida contínua.
- 16h15: Depois do aquecimento, fizemos vários exercícios de posse de bola, em zonas do terreno onde também se treinaram aspectos tácticos. Na parte final do treino, veio a peladinha, mas desta vez não houve balizas, os guarda-redes trabalharam à parte. Fizemos o jogo a campo inteiro mas sem o objectivo de marcar. Tínhamos na mesma as divisões no relvado para trabalhar a técnica e a táctica, rodando sempre entre 24/25 jogadores. Correu bem, senti-me bem da posse de bola.
- 18h00: Após o treino, fomos lanchar e seguimos para a sala de convívio. Eles estiveram a jogar Pro Evolution Soccer e eu fui um pouco até à Internet. No grupo, há cerca de sete jogadores estrangeiros, incluindo um brasileiro, mas não há divisões. Às 19h30, fomos jantar e lá veio a habitual massa, como não podia deixar de ser.
- 20h30: fomos todos assistir ao jogo do AC Milan frente à Sampdória (1-2), no plasma da sala de convívio. Eu não sou jogador do Milan mas queria que eles vencessem, claro, até por ver os meus colegas aos gritos, desesperados com mais um resultado complicado. Aqui, estão todos desiludidos com a temporada da equipa principal. Em 5º lugar no campeonato, eliminados da Champions, é pouco.
- 22h15: O AC Milan perdeu em casa e os jogadores ficam todos chateados. Ainda por cima, a equipa ficou sem o Kaká, que se sentiu mal nos primeiros minutos de jogo. Eles adoram o Kaká, estão loucos pelo Alexandre Pato e também pelo Alberto Paloschi. Entrou, marcou um golo e é um exemplo para todos os que estão nas escolas do Milan, porque veio agora da 'Primavera'. Às 22h20, recolhemos aos quartos para dormir.
Quero dizer que me sinto muito bem aqui, com todas estas pessoas que me têm integrado de forma maravilhosa, sempre preocupados em saber que estou bem. Têm sido excelentes. Deixo um beijo grande para a minha mãe e especialmente para o meu pai, já que hoje é o dia dele. Parabéns.»
Marquei no jogo-treino
Milanello, 20 de Março (dia 5):
«- 07h00: hoje tivemos de acordar mais cedo, porque foi dia de jogo-treino. Eu já sabia, mas preferi não contar antes. Às 7h30, tomámos o pequeno-almoço e às 9h30 estávamos no balneário, para nos prepararmos para o jogo com o Aldini Bariviera, uma equipa forte na formação.
- 10h30: Começou o nosso jogo contra o Aldini e até os preparativos foram especiais, tudo organizado. Árbitro equipado a rigor, equipamentos oficiais, tivemos de entregar as fichas de identificação, eu apresentei o meu bilhete de identidade e fui surpreendido com a forma como o árbitro confere os nomes. Os jogadores ficam em linha e, quando o árbitro chega ao pé deles, diz o nome, como o meu, Miguel Ruben. Então, tive de virar-me de costas para mostrar o número, levantar o braço direito, dizer o meu nome e dizer «grazzie», para agradecer.
- 11h15: Acabou a primeira parte e estávamos empatados a um golo. Tínhamos aquecido com o equipamento tradicional do Milan, mas como o Aldini joga de vermelho, acabámos por jogar com o branco. Fiquei com o número 9 e joguei o tempo todo. Estávamos em 4x4x2, com um ponta-de-lança fixo, eu neste caso, e um jogador como vagabundo no ataque. Na primeira parte, foi o Coppiardi. No meio-campo, também gostei do Matteo Lunati e do Giorgio Gianola.
- 11h30: A primeira parte tinha corrido bem, fiz a assistência para o golo do Milan, mas depois o Aldini empatou. Na segunda, consegui marcar o 2-1. Após um canto, um colega meu cabeceou, o guarda-redes socou para fora da área, outro jogador nosso rematou, o redes defendeu de novo, eu dominei de peito e atirei com o pé esquerdo. Tentei não festejar muito, mas fiquei extremamente feliz. Acabámos por vencer por 3-1.
- 13h15: No final do jogo, deixaram-me ficar com o equipamento branco, de manga curta, com o número 9 e deram-me ainda um cachecol, que vou levar de recordação. Ao almoço, comemos massa com carne grelhada, depois fomos descansar para os quartos, às 14h45.
- 17h30: Juntámo-nos na sala de convívio e eu fui até à Internet. Aproveitei para ver o meu diário no Maisfutebol e reparei mais uma vez nos leitores que me apoiam, alguns desde o primeiro dia, mesmo sem me conhecerem. A todos, muito obrigado. Às 19h30, fomos jantar, de novo massa com carne. Já tenho saudades do arroz. Depois, estivemos a ver um pouco do Valência-Barcelona. Ao intervalo, o Barcelona estava a perder por 2-0, mas depois viemos para os quartos, às 22h05, para descansar.
Queria dizer que estou muito feliz com este estágio, com a forma como me tem corrido, sobretudo porque no escalão 'Primavera' há jogadores com 20 anos e eu ainda tenho 16. Sinto-me triste por só faltar um dia, mas quem sabe se no futuro volto aqui. Estou maravilhado com o AC Milan, é realmente um clube diferente, fantástico.»
Dida desejou-me boa sorte
Milanello, 21 de Março (dia 6):
«- 08h00: acordei à hora que tem sido habitual ao longo desta semana e, meia-hora depois, estava a tomar o pequeno-almoço.
- 10h30: fizemos um treino, o meu último aqui no AC Milan, mas foi uma sessão ligeira, para recuperar do jogo-treino de ontem. Começou com uma corrida, cada um com uma bola. Aliás, com já tinha dito, isso é regra aqui, todos os exercícios são realizados com bola. Na segunda parte do treino, fizemos exercícios de finalização, mas ao fim de uma hora, mais ou menos, o treino terminou.
- 12h30: fomos almoçar e serviram-nos carne assada com batatas. Tinha de ser, para a despedida, não comi massa.
- 14h00: fui com uns colegas de equipa para a porta do balneário dos seniores, que iam ter treino. Tinha de ver os jogadores, treinam sempre aqui e nunca os tinha visto. Quando passavam por nós, cumprimentavam todo a gente e foram simpáticos comigo, principalmente os brasileiros, como o Dida, o Alexandre Pato, o Kaká e o Emerson.
- 14h15: quando passou por mim e ouviu um olá em vez de um ciao, o Dida parou e perguntou-se se eu era português. Disse-lhe que sim, ele perguntou-me o que estava ali a fazer e ainda ficámos uns instantes a falar. Expliquei-lhe que estava a fazer uma semana de testes e ele desejou-me boa sorte para o futuro. Foi simpático.
- 15h30: fui ao meu quarto buscar as malas. Antes de seguir para o aeroporto, o responsável pela formação do AC Milan esteve a falar um bom bocado comigo. Disse para eu ir descansado, que depois iria entrar em contacto comigo e com os meus pais. Despediu-se desejando Boa Páscoa. Agora, resta esperar para saber o que acontece.
- 17h00: um motorista do Milan levou-me até ao aeroporto e vou embarcar dentro de instantes. Vou fazer Milan-Lisboa, depois Lisboa-Porto, porque não há voos directos. Chego por volta das 23 horas.
Penso que esta experiência correu muito bem, fiz o meu melhor. Sinto que dei tudo o que tinha, agora cabe a eles decidir o que fazer. De qualquer forma, sou jogador do Trofense e gosto de representar o clube, o que importa foi ter aproveitado ao máximo uma experiência única. Quanto ao futuro, logo se vê.»
Fonte: www.maisfutebol.iol.pt
Imagem: Clube Desportivo Trofense