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Entrevista com Bruno Pereirinha do Sporting
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"Não temo passar de bestial a besta"
O nome de Bruno Pereirinha passou, no espaço de um ano, a surgir amiúde em jornais, revistas e na televisão. O camisola 25 do Sporting, porém, não se ilude e explica como a sua vida... pouco mudou, apesar do mediatismo crescente que acompanha as suas boas exibições. Humilde, lida bem com a crítica, afirma não se sentir o "puto do momento" e não teme cair do pedestal, até porque nunca se sentiu vedeta. Demorou um ano a impor-se em Alvalade, olhado com alguma desconfiança pelo público e pela crítica, mas nunca desanimou, agradecendo agora a Paulo Bento os puxões de orelhas com que ia corrigindo as suas "burradas". Anular Quaresma permitiu a sua afirmação na equipa. Tudo foi abordado na sua primeira grande entrevista de carreira, concedida a O JOGO. No final da conversa, despediu-se e partiu rumo à Amadora, ao volante do seu "bólide", um Opel Corsa...
P | Ao contrário da maior parte dos jovens da formação, o Bruno Pereirinha não chegou, viu e venceu. Após um ano na equipa principal, começa finalmente a mostrar o seu valor. Chegou a desanimar neste período?
R | Nunca desanimei. Sabia que vinha para os seniores e que até poderia jogar nos juniores. Foi o que me comunicaram, e eu assumi-o com normalidade. Trabalhar com os seniores já era óptimo. Tentei agarrar as minhas oportunidades, mas aí entraram outros factores: a falta de experiência, de confiança, o momento de forma. Nem sempre tudo se proporciona, mas cada um leva o seu tempo a adaptar-se e a impor-se.
P | Alguma vez sentiu desconfiança, por parte do público, no seu valor?
R | Se a desconfiança surgisse, teria de fazer orelhas moucas. O que me interessa, em primeiro lugar, é a confiança do técnico e depois, aí sim, retribuí-la em campo e esperar que agrade ao público. Falaram do tempo que me demorei a impor, mas, se ainda não o tivesse feito, estaria a fazer o mesmo de sempre, que é trabalhar mais a cada dia para estar em forma quando a oportunidade surgisse.
"Jogo com o FC Porto foi de afirmação"
P | O jogo com o FC Porto e a marcação a Quaresma foi o ponto de viragem?
R | Não sei se foi o ponto de viragem, mas deu-me muita confiança. Já tinha feito dois jogos antes e cheguei ao jogo com o FC Porto com alguma confiança. Dei continuidade e saiu reforçada. Mas antes acho que tinha feito jogos tão bons como aquele. Talvez tenha sido o ponto de afirmação.
P | E como lateral-direito...
R | Onde me meterem, eu tento dar o meu melhor. Calhou ser a lateral e fazer um bom jogo. Sinto-me melhor no meio-campo e na ala, pois foi onde sempre joguei. Tenho sido adaptado a defesa-direito e não tenho qualquer problema com isso. A polivalência é benéfica. É importante que me possa adaptar, e bem.
P | As expectativas ficaram mais elevadas?
R | As expectativas ficaram elevadas - e que continuem assim, para, quando voltar a jogar a lateral, fazer igual ou melhor.
P | Considera-se o "puto do momento"?
R | Não... o meu trabalho tem é sido mais mediatizado agora. Temos de saber aproveitar os bons momentos, sem esquecer os menos bons. E continuar a trabalhar para surgirem mais bons momentos. Não temo passar de bestial a besta. As pessoas abordam-me mais na rua, mas não me incomoda.
A diferença de desempenho do Sporting na Bwin Liga e nas competições a eliminar é gritante, sobretudo no capítulo dos resultados, e Bruno Pereirinha não consegue justificar esse facto. O entusiasmo dos jogadores sportinguistas vira-se para as competições a eliminar (estão ainda em prova na Taça da Liga, na Taça de Portugal e na Taça UEFA), e é já este sábado a primeira final, com o Setúbal (Taça da Liga).
P | O percurso do Sporting esta temporada tem sido um pouco ilógico e incaracterístico: surpreende pela positiva e pela negativa em termos de Campeonato, e, nas taças, os jogos têm corrido de feição. Como se explica isso?
R | Ninguém se tem poupado, todos têm dado o máximo, mas há uns dias em que as coisas saem, noutros não. Não é por falta de atitude ou de seriedade dos jogadores, nem tem que ver com o facto de ser Campeonato ou provas a eliminar. Todos têm motivação para jogar pelo Sporting. Não é falta de confiança, de motivação, de seriedade ou displicência.
P | O excesso de jogos serve de justificação?
R | O desgaste físico é normal. Temos feito a recuperação possível. Tentamos sempre ganhar. Nunca jogámos para empatar ou defender o resultado.
P | E avizinha-se um jogo decisivo: a final da Taça da Liga. O Sporting é favorito?
R | Pelo que o Setúbal fez contra nós até agora, acho que não é favorito, mas virá para cima de nós com muita confiança e moral. Temos de fazer o nosso jogo para arrumar o mais depressa possível o desafio.
P | Mas o Sporting não tem entrado bem nos jogos...
R | Temos de começar a entrar com outra agressividade...
P | Como é que se explica que, já perto do final da temporada, ainda precisem de dizer que têm de entrar melhor nos jogos?
R | Tem que ver com a forma como os adversários entram em campo e porque as coisas não saem bem, por algum movimento mal feito, algum erro tecnicamente... Às vezes, queremos, e as coisas não acontecem.
P | O Sporting tornou-se uma equipa previsível?
R | É natural que as equipas portuguesas tenham maior conhecimento da nossa forma de jogar, mas acho que não somos previsíveis, senão não ganhávamos a ninguém!
P | Com a época perto do final, existe grande expectativa com a conquista das taças?
R | É normal que as expectativas cresçam à medida que vamos subindo degraus. Temos de sair de campo de consciência tranquila. Depois, se tivermos o mérito e a sorte, vamos sair, de certeza, vencedores.
Rangers é ultrapassável
O Glasgow Rangers, da Escócia, é o próximo rival do Sporting na Taça UEFA. Bruno Pereirinha não esconde o desconhecimento acerca do adversário, mas mostra-se confiante na história recente de sucesso dos leões contra equipas a praticar o estilo do futebol britânico. "Conheço pouco. Mas agora as equipas são todas de topo e não há facilidades em nenhum campo, apesar de se falar em equipas mais fortes. Se calhar o Manchester United, que nos derrotou esta época na Liga dos Campeões, não tem um estilo muito britânico! Não sei. Os factos dizem que nos temos dado bem, espero que nos continuemos a dar bem e a jogar com a bola no chão e sem entrar no estilo deles. Acho que podemos passar esta eliminatória", comentou.
"Mudaremos com o benfica"
Sporting e Benfica vão voltar a enfrentar-se na meia-final da Taça de Portugal, e o empate em Alvalade (1-1) deixou um sabor amargo de boca ao plantel leonino... "Podíamos ter acabado o jogo com uma vitória. Se calhar, mudaremos alguma coisa, porque, mesmo quando jogamos bem, há sempre coisas erradas. Temos de continuar a evoluir", aponta Pereirinha.
Ídolo
"Sempre admirei Figo"
A resposta do centrocampista é rápida e precisa quando questionado acerca do seu ídolo e leva mesmo tons de verde e branco. "Sempre admirei o Luís Figo. É um grande jogador, mas, mais que isso, é um profissional cuja postura dentro e fora do campo sempre me influenciou. É a minha referência. Já quanto a adversários "duros de roer", o 25 não consegue particularizar: "Já joguei contra grandes equipas, com grandes jogadores, mas não consigo apontar só um."
No público
"Impaciência de nada vale"
Assunto que aqueceu Alvalade nesta época foi a relação entre equipa e adeptos. Para o jovem médio, a insatisfação tinha antecedentes, mas deixou uma recomendação. "Já no ano passado essa contestação crescia, apesar de termos feito uma grande época. A exigência é sempre grande no Sporting, mas não me perturbo com isso desde que logo a seguir apoiem. De nada vale mostrar só impaciência. A seguir à falha, deve-se incentivar o jogador."
Velocista
"Só Djaló é mais rápido"
A velocidade é arma de Pereirinha. O camisola 25 tem, porém, um rival à altura: "Dos que fizeram o último jogo a titular, sou capaz de ser o mais rápido, mas, embalado, o Djaló é bem mais rápido do que eu!"
Rejeitando a ideia de falta de maturidade no grupo de trabalho a nível dirigente, técnico e do plantel, Pereirinha vinca que empenho sempre tem sido o seu lema, sendo sempre o mesmo, quando a responsabilidade lhe é transmitida ou reclamada.
P | Paulo Bento é tido como disciplinador, que tem, num dos seus pontos fortes, o lançamento de diversos jovens, entre os quais o Bruno é um exemplo. É um treinador marcante para si?
R | Sim. Quando voltei à Academia, depois de seis meses em Moscavide, ele disse-me o que esperava de mim e transmitiu serenidade. É um bom treinador, defensor das suas ideias e da sua forma de trabalhar. Gosto dele e já tinha boa impressão a seu respeito, quando trabalhámos juntos nos juniores.
P | Tem correspondido às expectativas que o treinador lhe transmitiu nesse contacto que mencionou?
R | Às vezes, não, mas na maior parte sim. Simplesmente, as coisas não me saem tão bem por vezes. Contudo, empenho não me tem faltado.
P | Nani confessou que levava muitas broncas de Paulo Bento. É assim consigo?
R | Dá-me as broncas que tem de dar. Se faço alguma burrada no jogo ou no treino, é normal que me corrija.
P | Há quem defenda que falta liderança a este jovem plantel, factor que alguns atribuem à própria capitania da equipa, entregue a João Moutinho. Concorda com esta ideia?
R | Não, até porque acho que o João tem o perfil indicado para ser capitão. Todos o respeitam e ouvem. Não é por ser mais novo nem mais pequeno [risos]. Isto sem esquecer a sua posição e rendimento em campo. É muito bom capitão. Não nos falta liderança.
P | Pedro Barbosa é outra personalidade do Sporting, que fez nove épocas como jogador, foi capitão da equipa e hoje é director de futebol da SAD. Que influência tem ele no grupo, especialmente para si, que é um jovem?
R | Tem sido muito importante para mim e outros jogadores, pelo que observo. Transmite muita confiança, é uma pessoa que nos tenta deixar confortáveis para nos exprimirmos bem em campo.
P | Outra pessoa importante no futebol do Sporting era Carlos Freitas, que saiu recentemente. Que relação tinha com o antigo administrador. O grupo sente a sua falta?
R | Tal como o Barbosa, é alguém que sempre se preocupou em deixar os jogadores à-vontade e tentava resolver todos os problemas que surgissem. Não comento a sua saída, pois ela deve-se a assuntos que me ultrapassam.
Pereirinha recusa pensar, para já, na Selecção principal. "Não. Para isso, ainda tenho um longo caminho a percorrer. Até lá, ainda falta muito. Comecei a ser chamado para as Selecções nos sub-17... Quando vim para o Sporting, estava na equipa B dos juniores, e eram os da principal equipa que eram chamados. Só nos sub-18 é que comecei a ser chamado com regularidade, e não parei, estou agora nos sub-21", aponta o camisola 25. A evolução nas Selecções foi uma questão... de oportunidade. "Fui continuando sempre a trabalhar, e, quando as oportunidades surgiram, eu estava bem e consegui aproveitá-las. Nos juvenis, por exemplo, o João Gonçalves, que era o mais importante e mais utilizado, lesionou-se. Fui chamado no lugar dele para a Selecção e consegui agarrar a titularidade. As experiências menos felizes em provas internacionais também foram abordadas. "Fiz um Europeu e um Mundial com as Selecções jovens. Não havia nem indisciplina nem confusão. Não estávamos entrosados."
Embora mais à frente se assuma como sportinguista desde os cinco anos, Bruno Pereirinha não esquece a casa de partida. O seu obrigado ao clube da cruz de Cristo aqui fica, após sete anos de ligação que terminaram com o desejado ingresso na fábrica de talentos leonina.
P | O seu pai foi futebolista e treinador, ou seja, viveu sempre com uma bola por perto. O gosto pelo futebol partiu de si ou foi consequência natural do ambiente que o rodeava?
R | Deve ter surgido por influência do meu pai. Ele era jogador, jogava muito comigo em casa. Não me lembro, mas a minha mãe dizia que eu passava a vida a jogar à bola. As brincadeiras com o meu pai metiam sempre a bola.
P | Ingressou no Belenenses muito jovem. Pediu ao seu pai, então técnico dos juniores azuis, para tentar lá a sua sorte?
R | Nem me recordo bem. Devo ter dito ao meu pai que queria jogar à bola. Comecei a ir com ele ao Belenenses com seis, sete anos. Era o Vicente Lucas quem treinava os miúdos, mas não havia competição. No ano seguinte, comecei a ir com assiduidade, a treinar e competir. Gostaram de mim e inscreveram-me na equipa de escolinhas.
P | Tem boas recordações desses tempos no Restelo?
R | Muito boas. Saía da escola e ia logo para o Restelo. O meu pai dava treino às 17h30, e eu ficava lá até às quinhentas, porque o meu treino era depois. Enquanto não chegava a vez de o meu escalão trabalhar, assistia aos treinos dos seniores, juniores, ou agarrava-me à bola e ficava lá a brincar para passar o tempo.
P | Quando chegou a juvenil, o seu pai saiu do Belenenses, e o Bruno também. Foi um choque essa primeira mudança?
R | Estive sete anos no Belenenses, mas não me foi difícil sair de lá. Conhecia mais de metade da equipa de juvenis do Sporting. Não foi complicado.
P | Transitar para o Sporting foi o concretizar de um desejo ou uma boa surpresa?
R | O meu pai já tinha sido sondado por Aurélio Pereira [n.d.r.: coordenador do departamento de prospecção e recrutamento leonino], ainda eu era escolinha no Belenenses. Quando saímos os dois de lá, o sr. Aurélio mostrou-nos a Academia, as condições de trabalho. Gostei e tomei a decisão de vir para o Sporting.
P | Estreou-se oficialmente pelos seniores do Sporting justamente no Restelo, contra o Belenenses, e apontou o seu primeiro golo, também, ao ex-clube, em Alvalade. Como é "bater" no primeiro amigo?
R | Foi ironia do destino. Não me motivo mais por enfrentar o meu antigo clube. Aconteceu....
P | Olhando para trás, o que sente pelo Belenenses?
R | De início, não era do Belenenses, mas depois cresceu aquela simpatia, que me ficou.
P | O Abel foi uma pessoa importante na sua evolução, pelo apoio e conselhos para o jogo com o FC Porto, e notou-se também a alegria dele, quando Pereirinha marcou o último golo. Tem sido um colega exemplar?
R | Sim. Tal como eu, é daqueles que se preocupa mais com o bem da equipa que com o bem individual. Não quer dizer que, de vez em quando, não olhe para o seu umbigo... É um jogador exemplar, que, vendo que eu não tinha a experiência nem as rotinas necessárias, me tentou ajudar o máximo possível em posicionamentos, na forma de encarar os lances... Foi muito importante.
P | Ele disse recentemente que gosta de estar e conversar consigo, referindo que também aprende...
R | Toda a gente tem sempre coisas a aprender. Ninguém aprendeu tudo. Falamos muito, e ele não se limita a ensinar. Discuto, com ele, maneiras de abordar lances, posicionamentos. Quando fala comigo, não é como professor, é como colega.
P | Isso também contraria a ideia de que há grupos no balneário do Sporting: de jovens, brasileiros, de Leste...
R | Toda a gente se dá bem. Podem ver isso naquele período que antecede os treinos - encontra-se lá de tudo!
P | Ficou surpreendido com o ambiente do balneário?
R | Sim. O Nani, que morava perto de mim, ia comigo para casa, e tínhamos um bom relacionamento. O Miguel Veloso também... íamos juntos de autocarro para Lisboa. Foram quem mais me ajudou, mas todo o grupo foi muito receptivo e acolhedor.
P | Como explica que se falhem tantos penáltis?
R | Não encontro explicação. Nós treinamos penáltis, toda a gente treina. Já falhamos bastantes, parece fácil, mas não é. Tem de se dar confiança a quem vai marcar.
P | Também os treina?
R | Só marcava nas escolinhas e nos infantis, no Belenenses. De resto, nunca fui primeira escolha.
P | E livres?
R | No Belenenses, batia os livres. Depois deixei de fazê-lo no Sporting. Quem tem batido é quem tem mais capacidade.
P | Como tem lidado com a maior atenção em seu redor?
R | Quando um jogador dá mais nas vistas, é o normal. Há que saber lidar com isso, e não fico eufórico nem triste.
P | Esta é a sua primeira entrevista de fundo. Já não se sente nervoso, como quando se estreou nas conferências de Imprensa?
R | Aí estava nervoso, mas por falta de hábito. Vi depois na televisão que estava vermelho e tudo [risos]. Já na segunda conferência que dei, estive normal.
O médio-ofensivo do Sporting tem adornado as suas boas exibições com golos de belo efeito, por sinal nos encontros decisivos ante o Basileia e o Bolton, nas duas últimas eliminatórias da UEFA que os leões passaram. No entanto, o 25 não é caprichoso na concretização e até divide os louros. "Sinceramente, não sou de olhar muito à beleza dos golos. Se forem feios, são golos à mesma - e eu gosto. Quero é marcá-los e que a equipa ganhe. O João Moutinho também marca golos bonitos, e isso viu-se agora contra o Nacional."
P | Esteve emprestado ao Olivais e Moscavide por uma época - que seria abreviada para seis meses - ainda em idade de júnior. Alguns jogadores da Academia Sporting que passaram por lá sofreram um choque inicial com a mudança. Passou pelo mesmo?
R | Não me fez confusão. Já esperava que as condições fossem outras. Propuseram-me uma época de empréstimo para ganhar ritmo competitivo, e encontrei jogadores mais experientes, pois, se aqui ficasse, continuaria nos juniores. Passei lá uma óptima meia época.
P | Em Dezembro de 2006, Paulo Bento decidiu chamou-o para se integrar no plantel principal. Ficou surpreso?
R | Sim, embora soubesse que era possível regressar antes, se o Sporting assim o entendesse. Porém, sofri uma lesão e não considerava a hipótese, quando ela surgiu.
P | Em que aspectos sente que evoluiu nesse meio ano?
R | Na agressividade. Nos juniores, não se trabalhava tanto esse aspecto, mas, no Olivais, competíamos num nível em que se exigia mais fisicamente.
P | Rui Dias, seu técnico no Olivais e Moscavide, é quem mais o elogia. Foi importante?
R | Sim, não só pelo que me ensinou, mas pela confiança que me dava em todos os jogos e treinos.
Inscrito em Fisioterapia
A política da Academia do Sporting, que conjuga as vertentes educativa e desportiva, induziu o futebolista Pereirinha a precaver o seu futuro. Com o 12.º ano, está inscrito no Curso Superior de Fisioterapia: "Sempre quis ser jogador de futebol. Mas sempre ponderei alternativas. Nunca soube ao certo o quê... Estou inscrito em Fisioterapia, mas, devido ao horário de treinos, jogos e estágios, não tenho tido hipótese..."
"Sou sportinguista desde que me lembro"
Pese embora a simpatia pelo azul do clube da cruz de Cristo, Bruno Pereirinha assume-se como sportinguista desde a infância, mas a mãe recorda-o sempre de quão atribulada foi a decisão. "Ela diz-me que, quando eu era pequenino, mudava muito de clube, mas, desde que me lembro, fixei-me no Sporting quando tinha cinco, seis anos," relembra com um sorriso, confessando as influências: "O padrinho da minha irmã era 'maluquinho' pelo Sporting, adepto ferrenho, e andava sempre de volta de mim. A partir daí... decidi-me."
"Lido bem com a crítica"
P | A sua irmã é jornalista. Ajuda-o de alguma forma lidar com a crítica?
R | É capaz de me chamar a atenção para algumas coisas... mas não é como o meu pai. Oiço as críticas, mas não fico ofendido ou desanimado com nada. Quando acho que está correcta e bem feita, digo: "Sim, senhor, está bem feita, se calhar tenho de mudar de acordo com a análise..." Mas, se achar que não está bem feita, não dou importância. Cada pessoa tem a sua opinião.
FORA DE CAMPO
Amores
"Mafalda, a minha namorada. Andámos juntos na escola. Ela gosta de futebol, mas percebe pouco, é compreensiva, e já não lhe custam tanto as minhas ausências."
Melhor amigo
"Não tenho um só, mas há pessoas com quem falo mais, como o Miguel Veloso, o João Moutinho e o Abel. O Veloso é o meu companheiro habitual de quarto."
Vícios
"Jogos de vídeo na PlayStation 3. Não vejo mais nada à frente quando estou a jogar."
Moda
"Não ligo. Tenho uma maneira simples de me vestir. Não gosto de dar nas vistas e prefiro passar despercebido."
Carro
"Os meus colegas brincam por causa do meu carro, um Opel Corsa. Passam a vida a dar-me na cabeça, dizendo que tenho de mudar, mas tudo a seu tempo."
Música
"Gosto, mas não sou de andar sempre com o iPod. Ouço música no carro, mas por vezes desligo o rádio para ficar com os meus pensamentos."
Cinema
"Sou mais de jogos, mas não dispenso um bom filme. Mas ir ao cinema tem sido raro, confesso."
Leitura
"Li o último do Harry Potter e antes a obra do Dan Brown. Lia muito o Astérix, o Homem-Aranha, nada de muito pesado, agora estou a ganhar mais o gosto. Leio nos estágios e viagens."
Lida da casa
"Vivo com os meus pais e ajudo no que posso. Arrumo o meu quarto e também desenrasco qualquer coisa na cozinha para comer, ponho a mesa..."
Reconhecimento
"O que vou tendo não me alterou a vida. Mantenho os mesmos contactos. Vou sendo reconhecido na rua, e as abordagens têm sido agradáveis."
Fonte: www.ojogo.pt
Imagem: Academia de Talentos.