Perguntas frequentes
PERGUNTAS FREQUENTES
A capacidade de fazer perguntas interessantes e que vão ao âmago dos assuntos ou a capacidade de colocar questões que põem em causa o funcionamento das coisas é uma habilidade que requer perícia, mas que denuncia também o espírito analítico e a finura intelectual de quem o executa. Levantar as dúvidas certas, aquelas que, pela mera enunciação, destroem teorias, é por isso um modo interessante de exibir problemas e afirmar pontos de vista relevantes. Este texto colocará questões que, não necessitando propriamente de uma resposta, têm o objectivo de deixar no ar o sentimento vago da insatisfação acerca das ideias que, ao de leve, explorarão.
Reedição do Desafio e Resultado Oposto
No importante desafio que opunha o Braga ao Sporting, boa estratégia por parte do Braga, dando iniciativa de jogo a uma equipa que, sem Matías Fernandez e Hélder Postiga, frente a equipas bem organizadas, sente sempre enormes dificuldades. Será que Domingos, ao afirmar que a ideia de conceder a iniciativa ao adversário foi a estratégia adoptada para este jogo, estava consciente do quão improfícuo é o futebol do Sporting sem os dois jogadores mencionados?
O espaço que o Braga concedia entre linhas nunca foi bem explorado pela equipa leonina. Por outro lado, a equipa arsenalista, através de Hugo Viana e Mossoró, ia causando grandes embaraços à equipa de Carvalhal. Teria o Sporting sido o mesmo, em termos de exploração do espaço entre linhas, se Postiga, o avançado do plantel que melhor baixa para servir de apoio frontal, jogasse no lugar de Liedson?
A vitória da equipa minhota chegou com um erro grosseiro de João Pereira, deixando Paulo César flectir para o meio e encontrar espaço para o remate. Quão verdadeiramente melhor está este Sporting, em termos defensivos, desde que João Pereira substituiu Abel na lateral direita?
E para animar um pouco mais as coisas, aqui vai uma pergunta inocente: Qual a diferença maior entre este Sporting, em Braga, e o de Alvalade? Uma dica: não é a condição de visitado ou visitante...
Vitória Fácil na Choupana
Muitos acham que o Nacional é das equipas mais temíveis do campeonato e que é dos principais obstáculos para os grandes. Não partilhamos dessa ideia e achamos mesmo que é das equipas com ideias defensivas mais primitivas da prova. Demonstra isso não só esta goleada, como o facto de ser a defesa mais batida da prova, o que para o sexto classificado é obra. Será que marcar dois golos a uma equipa que defende tão mal, como alguém fez a semana passada, é assim tão extraordinário?
O Porto fez um bom jogo e apresentou várias ideias interessantes. Em primeiro lugar, a presença de Belluschi e Rúben Micael, lado a lado, conferiu à equipa melhor qualidade nos processos ofensivos. Será que Jesualdo Ferreira compreende a extensão do que significa utilizar dois criativos?
Já na parte final do desafio, quando a partida estava ganha, Jesualdo Ferreira experimentou um 4-4-2 losango, com Belluschi e Mariano Gonzalez como interiores e Rúben Micael como médio mais ofensivo. Com o regresso de Raúl Meireles, a configuração da equipa neste sistema será, muito provavelmente, o único modo de fazer coabitar o madeirense e o argentino na mesma equipa. Será que interessa a Jesualdo Ferreira manter estes dois jogadores em campo e estará ele preparado, caso isso lhe passe pela cabeça, para abdicar de dois jogadores de entre Varela, Rodriguez e Hulk?
Com Martins a louça é outra
O Benfica, que tem princípios defensivos muito semelhantes ao Sporting de Braga, com especial foco na forma como se comporta a sua linha defensiva, tem mais quatro golos sofridos que os líderes. Sendo óbvio que, de um modo geral, as individualidades que compõem a linha defensiva encarnada são melhores jogadores que os de Braga, não estará a diferença deste registo no comportamento errático de um ou outro elemento da defesa encarnada que comprometa o comportamento defensivo do colectivo?
Carlos Martins fez dois golos e foi decisivo na forma como a equipa adquiriu vantagem. No entanto, o impacto de Carlos Martins no jogo encarnado vai muito para além dos golos que marcou ou da sua excelente meia-distância. Ramires é um jogador extraordinário sem bola e torna o Benfica mais forte nas duas fases de transição. Tem ainda, em organização ofensiva, o predicado de se movimentar muito bem sem bola, normalmente aparecendo com facilidade em zonas de finalização. Carlos Martins, no entanto, confere à equipa melhor qualidade de posse de bola. Quando não aparece precipitado, é importantíssimo na capacidade que confere ao conjunto para jogar apoiado. Sendo a postura de maior parte dos adversários na Liga a aposta num bloco baixo e na manutenção da organização defensiva, não ganhará o Benfica se optar por um jogador que confere maior qualidade com bola do que um que confere mais rapidez e maior aproveitamento nos momentos de desorganização?
Em Guimarães, mora um jogador fenomenal, que passou ao lado de uma carreira que poderia ter ido bem mais longe. Desaproveitado sistematicamente no Benfica, incompreendido por ser mais inteligente que a maioria dos jogadores, Nuno Assis volta agora a brilhar. Com o Mundial à porta, pode bem ser uma das surpresas para a África do Sul. A Selecção bem precisa de alguma imaginação. Mas será Queiroz mais susceptível ao facto de Rúben Micael ter ido para o Porto, ou ao facto de os dois melhores médios ofensivos portugueses deste campeonato serem claramente Hugo Viana e Nuno Assis?
Goleada na Taça
Excelente inicio de jogo do Porto, a apresentar de longe o melhor futebol que já praticou esta época: a jogar apoiado, muitas vezes ao primeiro toque, com Belluschi e Mariano Gonzalez em grande plano. Será tão complicado assim as pessoas perceberem que o que Mariano Gonzalez pode dar à equipa é claramente mais importante que o que pode dar qualquer outro dos extremos no plantel?
O Porto beneficiou ainda de um Sporting a roçar o ridículo e, à boa circulação dos da casa, respondia o conjunto de Carvalhal com uma incapacidade brutal em ter a bola. Terá falhado o Sporting na agressividade, como sugeriu Carvalhal, ou terá sido, isso sim, profundamente inepto sempre que precisou de segurar e circular a bola para fugir ao pressing do Porto?
Liedson é porreiro para defrontar equipas desorganizadas, que defendam mal, ao homem, mas no que toca a equipas que sejam minimamente organizadas, que obriguem a que os jogadores do Sporting mostrem boa capacidade de decisão... bem, com o Braga e com o Porto foi o que se viu. Será apenas coincidência que, com Liedson, o Sporting seja uma equipa perfeitamente medíocre e incapaz de assumir o jogo com qualidade?
Um pequeno pormenor: o primeiro lance positivo de Liedson apareceu aos 27 minutos, quando concluiu com sucesso um passe de 5 metros para um colega. Isto após um sem número de lances perdidos. Elucidativo. Quantas mais evidências é preciso para que as pessoas se convençam do logro que é estarem apaixonadas por um jogador que é visivelmente pernicioso para qualquer equipa que queira jogar ao ataque?
Quando o terrível início de partida parecia encaminhar o jogo para um desfecho que, afinal, até aconteceu, valeu Izmailov, adiando a humilhação para a segunda parte. Após uma série interminável de jogos a tentar o golo de longe, ele apareceu. A que custo? Muita gente não quis reparar e até acharam que o regresso do russo foi a principal causa das melhorias colectivas. A verdade é que Izmailov, ao regressar de lesão, veio menos inteligente. Acumulou falhas inesgotáveis a nível da decisão e esteve muito longe daquilo que revelou o ano passado. Até que ponto deve um jogador ter estatuto de imprescindível e de que modo jogadores que fazem exibições muito boas mas que a seguir são trocados por outros que, apesar de não estarem bem, têm de jogar, se podem sentir confortáveis com o papel irremediavelmente secundário que desempenham na equipa?
No final da primeira parte, o 3-1 era simpático para a equipa de Alvalade. Com a segunda parte veio o 4-1, mantendo o mesmo rumo da primeira. Matías Fernandez e Sinama Pongolle iam tentando remar contra a maré, mas muito sós. Foi então que Mariano Gonzalez alcançou a consagração, com um enorme golo, enquanto a equipa do Sporting ia rastejando dentro de campo. Se não correram? Correram! Pensar?! Nem por isso. Não é engraçado que Carvalhal tenha falado em falta de agressividade, que toda a gente tenha visto uma equipa de braços caídos, e que as estatísticas indiquem que o Sporting correu bem mais que o Porto?
De resto, o momento hilariante foi protagonizado pelos comentadores televisivos de serviço, ao elegerem Liedson como o melhor elemento do Sporting. Marcou o segundo golo do Sporting? Verdade. Teve mérito na conclusão de um excelente cruzamento? Sem dúvida. O problema vem com o resto do jogo nos outros momentos de jogo. Foi novamente miserável. Será apenas acidental o facto de o Sporting, que tinha ganho sempre e jogado bem sem Liedson, ter passado a jogar francamente pior, além de ter perdido os dois jogos e de ter sido humilhado num deles, desde que Liedson regressou de lesão e remeteu Hélder Postiga para o banco de suplentes?
Não perceber a pouca importância que marcar um golo tem na exibição de um jogador é não perceber a verdadeira razão de o Porto ter jogado tanto. O nível exibicional está relacionado com as características dos seus jogadores: Belluschi, Mariano, Fernando, até mesmo Rúben Micael, são jogadores muito fortes a decidir, o que resulta num acréscimo de qualidade nas relações entre os vários elementos da equipa. Os processos colectivos são privilegiados em desfavor dos individuais e estes só emergem após certos comportamentos colectivos serem atingidos. O problema surge quando estes jogadores, que valem sobretudo pelas suas capacidades e características colectivas (capacidade de decidir bem em função da estrutura e modelo de jogo preconizado, deixando que as suas decisões sejam sustentadas em função do colectivo, tornando-se por isso menos visíveis os seus méritos), são inseridos num conjunto de outros que privilegiam apenas aspectos individuais. Daí que Mariano Gonzalez não renda tanto quando coabita com Raúl Meireles, ou com Hulk, ou com Guarín, etc. Será pura coincidência que a melhor exibição do Porto esta época, ainda por cima contra uma equipa supostamente forte, tenha sido conseguida tendo em campo Mariano Gonzalez, Belluschi e Rúben Micael, e estando ausentes Raúl Meireles e Hulk, por exemplo?
O mesmo se passou e se passa em Alvalade, com Romagnoli, Farnerud, Pereirinha, ou até Matías Fernandez, quando estes jogadores são obrigados a jogar numa equipa que quer retirar todo o "potencial" de jogadores como Liedson, que procuram e apenas compreendem aspectos individuais nas suas acções (correr atrás dos adversários de forma acéfala não é um movimento predominantemente colectivo!). Este contra-senso, aliado à estupidez patenteada pela maioria dos agentes do futebol, fez o resto. O ponta-de-lança, desde que faça golos, é sempre bom, não é? E o futebol, tão simples como isto, não tem muito por onde crescer. Até quando vai a tacanhez de espírito daqueles que vêem futebol prolongar a sua existência e até quando terão os jogadores mais inteligentes de permanecer limitados por um desporto que continua a ser manifestamente maltratado pela estupidez que nele impera?
Texto: Nuno Amado e Gonçalo Borges.
Imagem: MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images.
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Comentários
Até choro
De facto, há coisas que para além de dar vontade de chorar, já me começam a dar vómitos. Como é possível que só preciso de ler o título da crónica para adivinhar quais os autores. Pois criticam criticam e continuam a criticar. Agora, para estes especialistas, se Postiga tivesse jogado em vez de Liedson, o Sporting não sairia goleado querem ver? Então mas o Postiga nem quando entrou contra o Mafra consegue jogar de jeito, as poucas vezes que tocou na bola não estava a dar apoio frontal mas sim em posição de fora-de-jogo ( aliás a única maneira de Postiga conseguir criar perigo é estando em fora-de-jogo pois é lento, lentinho). Convido-vos a observar esse jogo da taça outra vez para discutirmos o assunto. Um ponta-de-lança que nem se lembra de quando marcou o último golo. Liedson, claramente um jogador que estava a jogar muito só láà frente e que consegui fazer a pouca mossa que o Sporting fez. Agora, continuam a criticar Raúl Meireles e passam a adornar Rúben Micael com elogios, sendo que há bem pouco tempo criticavam o mesmo (ver crónicas anteriores destes autores). De igual modo com Mariano. Decidam-se. Sejam coerentes. Tentem numa crónica futura elogiar alguém sem precisar de criticar outros e disfarcem com o título ao menos para as pessoas não adivinharem logo que são vocês os autores. Já vos disse isso anteriormente: Não vos fazia mal nenhum estudarem um pouco, realizarem um estudo mais pertinente baseado nos vários parâmetros do jogo. O que vocês estão a fazeré aproveitar todas as oportunidades (com isto dizendo jogos melhor ou pior conseguidos e alguns lances do jogo) para mostrarem que um jogador é bom ou mau na vossa maneira de ver. Fazem-no de uma forma completamente subjectiva e sem rigor. Aquele abraço e espero que se esqueçam de respirar
Coisas que dão vontade de chorar
Caro Anónimo, coisas que dão vontade de chorar são os disparates que pessoas que vêem futebol dizem, os pontapés na gramática, a incapacidade de perceber as palavras escritas num texto, etc. Para abreviar, 1) sempre elogiámos Mariano, não sei onde foi buscar a ideia de que estaríamos a ser incoerentes; 2) De Rúben Micael, apenas se disse que não era tão criativo quanto se dizia, que não traria ao Porto nada que Belluschi não traga e que a sua vinda acabaria por não ser positiva pois, à partida, seria para substituir Belluschi. Agora, no lugar de Meireles, faz todo o sentido e, sim, é bem mais adorado (e não "adornado"); 3) quanto ao conselho para estudar um pouco mais, além de não me parecer que faça sentido, não entendo como é que pessoas iletradas têm lata para dar conselhos, seja de que espécie for; 4) quanto à "mossa" que o Liedson fez, foi visível: goleada e humilhação no Dragão, derrota com o Braga e mau futebol nos últimos 2 jogos, ao contrário do que se passar nos sete jogos anteriores, em que não jogara. Outra "mossa" que foi visível foi o facto de perder praticamente todas as bolas em que tocou. Marcou um golo? Sim, marcou. Numa altura em que o Porto já estava em descompressão e em que só um jogador com cérebro de tartaruga é que ainda achava que valia a pena andar a correr que nem tontinho. Nos restantes 70 minutos, em que de facto era preciso estar concentrado e mostrar qualidade, Liedson mostrou perdas de bola infindáveis, burrice, disparates, desconcentração, problemas técnicos graves, comprometeu todas as tentativas de saída para o ataque da sua equipa, não ganhou um único duelo individual. No fim, mostrou que sabe correr. Para quem vê futebol sem pensar, isto basta. Para quem sabe o que é futebol, isto não é nada. Lamento que não consiga perceber mais coisas numa equipa de futebol além de quem marca golos e de quem corre muito. Seriam certamente menos absurdos, os seus comentários. (Nuno Amado)
Só para terminar, aquilo
Só para terminar, aquilo que é apontado a Liedson pelos autores, é aquilo que é apontado pelos adeptos azuis e brancos a Farías.
Farías nunca reuniu mt simpatia nem nunca se conseguiu impôr.
A explicação é fácil. É um jogador que trabalha pouco para o colectivo, que apenas aparece quando solicitado para o último toque, algo em que é realmente forte.
Porque o futebol azul e branco á muito que deixou de comteplar um ponta de lança mais clássico, que se alheia do jogo para aparecer nas zonas de finalização correctas, Farías é um mal amado. Esconde-se, intervém pouco no jogo, quando o tempo fazer a 30 metros da baliza, fa-lo com dificuldade. Mas quando a bola cai na área é felino.
Seria um erro dizer que Farías não tem qualidade como ponta de lança. Mas se me perguntarem se o jogador talhado para o Futebol do FCP, terei de admitir que não e talvez por isso o FCP tenha tentado troca-lo por um brasileiro mais móvel, que assume um papel mais relevante em termos de construção, etc.
Fica só este exemplo que me parece pertinente.
ps: peço desculpa pelos mts erros mas estou a escrever "á pressa".
Farías
Caro Ice-Man1, acho importante a comparação com Farías. Farías é um ponta-de-lança de área, que vale essencialmente pelo último toque, que é, de facto, felino e que precisa de poucas oportunidades para marcar. Não é muito forte fora da área e, como tal, tem pouco protagonismo fora dela. Embora não seja pernicioso, como Liedson, fora da área, é de facto na finalização que se destaca. E nunca passou de suplente. É um jogador útil para entrar nos últimos minutos quando os jogos estão complicados, ou para jogar muito esporadicamente, mas jamais poderá ser um titular indiscutível de um grande. Isto porque as exigências de um grande são bem maiores e um avançado tem que fazer mais do que marcar golos. O Farías, ainda assim, difere em duas coisas do Liedson. A sua média de golos por minutos jogados é bem superior à do Liedson e, quando a bola lhe vem para os pés, embora não seja muito bom, tenta sempre jogar o mais simples possível. Mas isto nem interessa para aqui. O Liedson, se fosse visto como é visto o Farías, já não era mau. É que é um jogador do mesmo tipo. Ao passo que um é eternamente suplente, útil às vezes, mas jamais titular, o outro é uma espécie de Deus. É isto que não faz sentido. Já aqui tinha referido essa comparação. A diferença é que o Sporting deifica um jogador deste tipo, enquanto que no Benfica e no Porto, com Mantorras e Farías, que são jogadores em tudo idênticos ao Liedson, são apenas jogadores úteis ou nem isso. (Nuno Amado)
Não concordo que o Liedson
Não concordo que o Liedson trabalhe pouco para o colectivo, quando se trata de defender: Acho que, bem pelo contrário, ajuda imenso no pressing e desce muitas vezes para auxiliar o meio-campo. Ricardo Pereira
Porque apesar de não
Porque apesar de não partilhar de algumas opiniões, achar que é uma discussão saudável, esta dos avançados e de alguns jogadores com determinado tipo de caracteristicas serem ou não pertinentes para o jogo das suas equipas, deixo mais uma opinião, baseada em algo dito por Freitas Lobo, só para partir daí e não pq concorde em absoluto com o que ele diz:
"é tudo uma questão de golos e bolas a beijar as malhas. Por definição, o ponta-de-lança é o homem solitário que vive destemido nos últimos 20, 30 metros do campo e que sabe e adora jogar de costas para a baliza, em cunha entre os seus adversários. O típico avançado-centro latino, o clássico n.º 9, gosta antes de recuar dois ou três metros no terreno e jogar de frente para os centrais adversários. Gosta de entrar de trás, aparecendo quando a bola cai nas costas da defesa. É este o seu movimento táctico de marca. Quando um este exemplar futebolístico surge no contexto de um onze latino, estes tornam-se temíveis aos olhos de todos."
Neste pequeno texto julgo que se resume parte desta "discussão".
No fundo este texto refere dois tipos de avançados: aqueles que jogam em cunha sobre os centrais e que gostam de jogar isolados, e aqueles que gostam de jogar um pouco mais atrás, mais móveis, mas que também são felinos na procura do golo.
No texto não estão incluídos aqueles que, jogam mt bem de costas para a baliza, mas não tÊm pelo golo.
Eu consigo compreender as críticas ao Liedson pq já li vários textos destes autores e portanto já consigo identificar o seu conceito de futebol, de jogo.
E é por isso, pelo conhecimento que é possível ter através dos vários textos destes autores, que compreendo as críticas ao Liedson, porque de facto não é o tipo de avançado que encaixa no conceito de jogo "defendido" pelos mesmos.
Contudo, avaliando numa panorama mais geral, aquilo que me parece pertinente dizer é que um jogador terá de ser avaliado de uma forma menos redutora, uma vez que há varios estilos de jogo, várias formas de conceber o jogo e portanto o Liedson terá características que fazem dele um belo ponta de lança, num outro contexto que não o contexto de jogo que os autores defendem com unhas e dentes (q eu também louvo pq no fundo revelam que têm pelo menos uma ideia de jogo, algo que a maioria de quem comenta futebol não tem).
Quanto a mim o Liedson tem características muito interessantes.
Contudo não é o avançado perfeito para jogar de costas para a baliza, que garanta apoios frontais e que contribua dessa forma para uma maior posse de bola, não é o jogador que saiba jogar de costas para a baliza segurando a bola de forma a que os seus colegas subam no campo e dessa forma o Sporting possa construir de forma mais pensada, não é até o típico avançado de fazer rasgos de vários metros para fazer golo.
É ponta de lança clássico, um jogador de último toque, que se esconde "por entre" os defesas e aparece no timing certo para finalizar. O seu futebol é isto. Não é um futebol que faça dele um "farol", por assim dizer, constituindo-se um apoio importante para a construção do jogo ofensivo da equipa. É antes um jogo de "escondidas", pois Liedson desaparece para aparecer no sítio certo para finalizar.
Aquilo que se pode questionar é se este tipo de futebol é o ideal para as características de Liedson, provavelmente não é. Mas também não é pela falta de dinâmicas colectivas que não permitem camuflar aquilo que Liedson não tem e potenciar aquilo que tem: o faro de golo.
Pela caracterização que fiz de Liedson facilmente se percebe porque é que os autores não gostam do referido jogador. Analisam-no á luz de uma concepção de jogo muito própria e na qual Liedson se encaixaria com menor dificuldade.
Mas também terei de dizer que será um erro, "defender" jogadores de qualidade mediana como Postiga ou Saleiro, apenas e só para "sublinhar" que Liedson prejudica o futebol do Sporting.
Realmente terei de dar razão ao último comentário a este texto.
Os problemas do Sporting não se resumem a Liedson e diria até que Liedson é vítima dos problemas do Sporting.
Os problemas do Sporting são vários: a permeabilidade de uma defesa bastante fraca, um meio campo pouco elástico, pouco dinâmico, que teima em não garantir largura ao futebol do Sporting, um meio campo sem qualquer tipo de vontade no que diz respeito a mobilidade (sobretudo sem bola), onde não se identificam trocas posicionais, movimentos de ruptura, no fundo onde não se consegue encontrar o "elemento surpresa", que muitas vezes é essencial para desmontar equipas que defendem com muitos elementos.
São estes os problemas que o Sporting terá de resolver mas que não se avizinha fácil. Começa a estar enraízado no Sporting (pois passou de Bento para Carvalhal..embora em pouco tempo não seja fácil alterar), um tipo de futebol previsível e pouco dinâmico e os jogadores que chegam não conferem ao Sporting instrumentos para alterar.
Pedro Mendes é um jogador magnífico, com uma leitura de jogo assombrosa e que garantirá mt qualidade na construção ao Sporting, mas não será ele a garantir largura, mobilidade, etc.
Ou seja, o Sporting formou médios talentosos e agora tenta aproveita-los. Mas nem sempre á fácil fazer coexistir todos esses jogadores no meio campo e para o fazer teriam de existir outro tipo de jogadores para darem um tom mais "camaleónico" ao futebol leonino.
Quanto a mim Liedson podeeria encaixar que nem uma luva no Futebol do Sporting, mas caso este futebol fosse diferente, mt difeerente.
Para este Sporting, faz mais sentido um jogador como o Falcão que é fortíssimo na finalização, mas que trabalha imenso sem bola, que sabe jogar muito bem de costas para a baliza, que sabe garantir posse de bola, etc.
Liedson é muito bom..mas é diferente.
Compreendo as vossas
Compreendo as vossas críticas ao Liedson e de certa forma partilho das mesmas em alguns aspectos. Porém, as vossas crónicas e análises não se tornam demasiado redutoras quando na grande maioria das vezes baseiam as vossas críticas negativas à forma de jogar e actuar do Sporting, somente neste jogador? Ou seja, na minha opinião: não é liedson e mais 10 e tão pouco será Postiga e mais 10. A falta de mobilidade sem bola, principalmente do meio campo do sporting, a inteligência na ocupação dos espaços, movimentos de ruptura, diagonais, capacidade de alargamento da equipa em posse de bola, etc., ou seja, tudo o que não existiu no Sporting, não pode ser tão omitido e o jogador Liedson ser tão culpado por tudo isso. O Porto conseguiu sempre um pressing formidável, acompanhado por uma ocupação de espaços e mobilidade sem bola, que criava sempre linhas de passe e estiveram também no capítulo do passe, muito mais acertado do que o Sporting. Se me permitem uma sugestão, como leitor: gostava que se centrassem mais numa análise que considero, profunda (uma vez que muito provavelmente terão a capacidade/conhecimentos para tal) do que, continuamente, centrarem-se nas limitadas capacidades técnicas do Liedson (que é um facto evidente, apesar de isso não o ter impedido de marcar por diversas vezes, contra Porto e Benfica, sempre consideras defesas organizadas em comparação com as demais equipas da liga).
Cumprimentos, Ricardo Pereira
Eu pego neste texto e vou
Eu pego neste texto e vou por outro lado.
Será por acaso que o FCP apresenta outro tipo de futebol com Ruben Micael, o tal jogador subrevalorizado que os autores falavam, que não substituiria Lucho, e que provavelmente atiraria para o banco o tal "melhor jogador" do FC Porto chamado Beluschi?
Pois bem, Ruben Micael bem transfigurar o jogo dos Portistas e não é só uma questão de ter Hulk ou não ter, pq o Porto não tem Hulk á muito tempo e nem por isso passou a jogar bem.
Também não é uma questão de ter ou não ter Mariano, uma vez que Mariano fez um excelente jogo frente ao Sporting mas teve manifestamente infeliz frente ao Nacional, embora até concorde que é um jogador que estando com confiança dá mais inteligencia e equilíbrio á equipa do que dá neste momento Rodriguez, que tem feito jogos de corre, corre.
Se é por Meireles não jogar? É algo a que não posso responder já, quiça num futuro próximo Jesualdo Ferreira nos possa dar essa resposta.
Aquilo que eu posso concluir é que um jogador não faz uma equipa mas pode dar-lhe outra cor, outra inteligencia, outra vivacidade. E Ruben Micael é esse tipo de jogador.
A arroganciazinha que foi deixando patente noutros palcos, ainda com a camisola do Nacional, garante-lhe a confiança necessária para chegar ao FCP e com uma naturalidade impressionante se impor, jogar de cabeça levantada, sem se esconder, assumindo o jogo, incentivando e berrando com os colegas quando é necessário, parecendo um jogador com muitos anos de casa, parecendo um jogador com uma experiencia enorme.
Depois aqueles pés de veludo. Quando a bola chega aos pés do tal jogador "sobrevalorizado pelos adeptos", a bola fica mais redonda. Como diria um amigo meu, Micael é o "jogador dos passes difíceis". Quando a bola vem, ganha vida nos seus pés, ora circulando com critério na tentativa de criar rupturas, ou entrando em tabelas, ora fazendo algo que faltava a este Porto: posse de bola, a toda a largura.
De facto o jogo do FCP desta época foi sempre um "corre corre". Um futebol sem sentido, pouco pensado e sempre baseado na velocidade e talento dos seus jogadores.
Com Micael o jogo do FCP ganha inteligencia e ganha "pinta" de jogo de equipa grande. Posse de bola, bola a circular pelos diversos corredores, obrigando o adversário a desgastar-se e com a paciencia necessária para atacar a baliza quando o desequilíbrio defensivo adversário aparece. O Sporting correu mais 5kms que o Porto neste ultimo jogo. Pké? Pq no FCP, enquanto houve Micael, quem correu foi a bola, não os jogadores e não há nenhum jogador mais rapido do que a bola.
Por outro lado a capacidade posicional do jogador. Sem bola sabe fechar espaços, sabe ser agressivo no pressing. Em missões ofensivas aparece como apoio, faz até muitas o apoio frontal, aparece no espaço entre linhas ou pede a bola já dentro da área.
O Ruben Micael não vai camuflar todos os problemas do FCP, não vai ser a resposta para todos os problemas que o Porto teve esta época. Mas é um jogador com um talento muito acima da média, que assume o jogo como ninguém (ou melhor como só Lucho, Deco, Maniche, assumiam) e que com 23 anos e com a chegada no timing certo a um grande (pois não entra para ser mais um, mas para ser figura), vai concerteza ter uma carreira de grande sucesso e vai concerteza ser ídolo no Dragão, ao contrário do que os autores vaticinavam.
E só refiro isto, pq este texto está todo ele construído quase como prova de que os autores têm razão, mas falando do FCP esqueceram-se da real questão que se coloca agora.
Em relação a Belluschi, é um jogador pelo qual tenho grande admiração, desde os tempos do Futebol Argentino, onde segui com particular atenção este jogador.
Tem predicados assinaláveis, mas continua a ter vícios que o prejudicam e que aos olhos de Jesualdo são imperdoáveis.
Já teve tempo mais do que suficiente para reduzir em grande número as perdas de bola em plena transição ofensiva, que dão constantemente contra-ataque adversário, com o FCP em situações de algum desiquilibrio.
Não se pode pedir a um maestro para ser simples nos seus processos, mas se Belluschi revelar maior concentração e equilíbrio no seu jogo, poderá ser muito importante. E importante não como todos esperavam na posição 10, mas a pautar o jogo um pouco mais recuado, um pouco á imagem do que um Xavi faz (sem querer comparar qualidade) no Barcelona.
Agora, aquilo que me parece é que Jesualdo Ferreira não terá a astucia e a coragem de relegar Raul Meireles para o banco de suplentes, ainda mais em ano de Mundial.
Se o censuro? Acredito que a opção de deixar Raul Meireles de fora, em termos de gestão de grupo, iria causar alguma turbulencia que nesta fase da época não é aconselhável.
Mas também me parece que se o FCP quer ser mandão e quer jogar no meio campo adversário como deveria jogar sempre, terá de dar "espaço" para estes dois criativos (Micael e Belluschi) jogarem juntos, pois o futebol azul e branco ganha mais cor, mais vida, mais critério.
Portanto, é verdade que Meireles é um jogador influente na estrutura do Porto e um médio de equilíbrios muito interessante.
Contudo e porque o FCP ganhou um Micael, que não tinha, hoje é legítimo pensar que o FCP sem Meireles, sobretudo em jogos com um determinado número de características, ganhará mais fantasia, criatividade.
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Quando ao Sporting, Liedson continua a provar que é um avançado de grande nível.
Resolveu recentemente jogos que não pareciam fáceis, com golos que o classificam como um ponta de lança de grande nível, demonstrou contra o FCP um grande brio profissional, sendo um dos jogadores que não baixou os braços.
Os avançados podem e devem ter peso no jogo colectivo. Determinados avançados encaixarão melhor numa determinada forma de jogar do que noutra.
Mas sem golos não há futebol, e esperar que Postiga ou Saleiro sejam opções no Sporting é esperar que o Sporting não seja candidato ao título nos proximos anos.
Cada jogador tem a sua função e deles se esperam determinadas coisas. Dos avançados exigem-se golos, quer se tenha uma visão muito romÂntica das coisas ou não.
O Jardel não dava um grande contributo ao futebol colectivo da sua equipa, o Fernando Gomes também, o Magnusson também não, eram finalizadores natos. E eles são raros e são valiosos, não sendo por acaso que um ponta de lança de grande nível valha muitos milhões.
O problema do Liedson chama-se Sporting. A estabilidade do Clube não tem permitido ao Liedson o reconhecimento (apesar de amplamente o ter) que provavelmente merecia.
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