A.F. Porto 0 - 1 A.F. Ponta Delgada
Competição: Torneio Inter-Associações Lopes da Silva.
Escalão: Sub-14.
Local: Estádio Nacional - campo número 4.
Data: 27 de Junho de 2008.
Hora: 09h30.
Árbitros: Roberto Rebelo (AF Madeira); Carlos Alexandre (1º assistente); Jorge Brito (2º assistente); Hélder Ferreira (4º árbitro).
Resultado ao intervalo: 0-1.
Marcadores: João Medeiros.
Melhores em Campo: Miguel Maia (A.F. Porto) e João Medeiros (A.F. Ponta Delgada).
ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DO PORTO: Jorge Magalhães, Rui Casimiro, Hugo Baldaia, Bruno Silva, Leandro Silva, António Crespo (capitão), Carlos Macedo, Miguel Maia, Diogo Moreira Sá, Luís Costa Ribeiro e Diogo Magalhães.
Suplentes utilizados: Diogo Mota, Gonçalo Paciência e Nuno Costa.
Acção Disciplinar: Cartão vermelho por acumulação de amarelos a Luís Costa Ribeiro (A.F. Porto); cartão amarelo a Gonçalo Paciência (A.F. Porto).
Equipa Técnica: Sérgio Ribeiro (coordenador técnico); Sérgio Santos e Ricardo Nogueira (treinadores); Carmindo Silva (Massagista).
ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DE PONTA DELGADA: Ruben Marques, Rodrigo Batista, João Miguel Santos, Pedro Cabral Tavares, Francisco Rodrigues (capitão), João Borges, Elson Correia, Leandro Costa, João Medeiros, Florido Raposo e João Vieira Alves.
Suplentes utilizados: Filipe Rodrigues e Júlio Moniz.
Acção Disciplinar: Nada a registar.
Equipa Técnica: Rogério Barroso (coordenador técnico), Pedro Andrade (treinador); João Costa (director-desportivo).
Crónica:
A.F. Porto em manhã para esquecer
A Associação de Futebol do Porto tinha frente à congénere de Ponta Delgada uma oportunidade única para limpar a imagem deixada nos primeiros quatro jogos do Torneio Inter-Associações Lopes da Silva, que termina amanhã (sábado, dia 28 de Junho) no Complexo Desportivo do Jamor. Antes da partida o saldo era francamente negativo para o conjunto do norte: duas derrotas, um empate e uma vitória. E a situação ainda piorou no final dos 50 minutos de jogo, já que a A.F. Porto perdeu de forma surpreendente (ou não, pelo que se viu durante o jogo) com a equipa dos Açores por 1-0.
Quem teve a oportunidade de assistir ao encontro, deu por mal empregue o tempo gasto. Em campo entraram duas equipas sem ambição, sobretudo a A.F. Porto, que raramente quis assumir as despesas de jogo. Parecia que ninguém queria marcar um golo. A prova disso mesmo foram as várias tentativas, feias e inconsequentes, de sair em contra-ataque que as equipas arranjaram. Quantas e quantas vezes os defesas despejaram bolas "lá para a frente" à espera que os avançados fizessem o resto. O resultado foi, por isso, previsível: um encontro feio e mal jogado durante grande parte dos 50 minutos.
A falta de ambição foi compensada, no entanto, pelo prazer de ver jogar João Medeiros. O número dez da AF. Ponta Delgada foi um autêntico quebra-cabeças para a equipa do continente. Um esquerdino que com a bola nos pés fazia lembrar (peço desculpa pelo exagero) o médio argentino Juan Román Riquelme. Punha o pé em cima do esférico, rodava para um lado, virava para o outro e seguia, deixando os adversários pelo caminho. Depois parava, levantava a cabeça e, se não tivesse ninguém a quem passar a bola, repetia o processo anterior. A técnica refinada do médio açoriano, autor do único golo da partida, na marcação de uma grande penalidade, valeu a expulsão de Luís Ribeiro, por acumulação de cartões amarelos.
Sinal mais para a A.F. Ponta Delgada
Assim que se ouviu o apito inicial do árbitro, percebeu-se que iria ser a A.F. Ponta Delgada a tentar pegar no jogo. Os jogadores insulares entraram mais atrevidos e não se amedrontaram por ver que do outro lado estavam, por exemplo, jogadores do F.C. Porto.
O único golo da partida apareceu aos nove minutos. Após uma longa desmarcação da defesa, que apanhou o sector defensivo da A.F. Porto desprevenido, Elson Correia isola-se na área e é travado em falta de forma infantil pelo guarda-redes Jorge Magalhães. Na cobrança do penalty, João Medeiros fez o 1-0, resultado com que iria terminar o encontro.
A tendência manteve-se e a segunda ocasião de golo nasceu, como não poderia deixar de ser, dos pés do 10 da A.F. Ponta Delgada. Após a marcação de um livre curto, o médio, a meio do meio campo da equipa formada por jogadores da zona da Cidade Invicta, rematou com muita força para a baliza. O guarda-redes Jorge Magalhães, com um ligeiro toque, evita o segundo golo, sendo que a bola ainda bateu no poste antes de sair. Grande momento de futebol (dos melhores do jogo) aos 11 minutos.
A AF. Porto reagiu e podia ter marcado pouco depois, mas era João Medeiros quem ia brilhando, com refinados pormenores individuais. Luís Costa Ribeiro que o diga, o extremo perdeu a cabeça e, numa entrada mais dura, viu o cartão amarelo à passagem do quarto de hora.
O jogo estava morno e as oportunidades de golo tardavam em aparecer. O lance individual de Miguel Maia, aos 20 minutos, foi uma excepção. O médio, um dos mais inconformados da equipa do continente, culmina uma boa jogada com um remate perigoso. Mas Ruben Marques estava atento.
Logo a seguir surgiu outro dos momentos do jogo. João Medeiros, sempre ele, segura a bola e, quando ia a fugir, é travado em falta por Luís Costa Ribeiro, que viu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Logo a seguir chega o intervalo.
A.F. Porto reage com o coração
No segundo tempo assistiu-se, curiosamente, a uma boa resposta da A.F. Porto, que com menos um jogador em campo tentou surpreender e chegar à igualdade. Ainda assim, a primeira grande ocasião de golo nasceu outra vez dos pés de João Medeiros, que depois de deixar dois adversários pelo caminho atirou ao poste. Seria um grande golo do médio da AF. Ponta Delgada.
A partir daqui os açorianos, em vantagem no marcador e com mais um jogador em campo, tentaram adormecer o jogo para depois saírem em contra-ataque e pôr um ponto final no marcador. No entanto, aos 37 minutos, a equipa formada por atletas do norte do país quase empatava a partida na marcação de um livre directo. Ruben Marques respondeu bem ao excelente remate de Leandro Silva.
Até ao final o marcador manteve-se inalterado, sendo no entanto de louvar a entrega dos jogadores da A.F. Porto, que mesmo estando em desvantagem numérica tentaram com muito coração - embora de forma atabalhoada - chegar ao golo. De pouco valeu o esforço.

Análise individual aos jogadores da Associação de Futebol do Porto:
Jorge Magalhães: Esteve na origem do golo da A.F. de Ponta Delgada, saindo fora de tempo e de forma atabalhoada aos pés de Diogo Moreira Sá. A sua exibição fica definitivamente marcada por este lance, até porque, de resto, esteve bem.
Rui Casimiro: Foi, sobretudo na primeira parte, um dos jogadores mais inconformados da A.F. Porto. Apesar de ser lateral-direito, tentou muitas vezes lançar a equipa para o contra-ataque ou sair com a bola nos pés.
Hugo Baldaia: Tal como Rui Casimiro, foi dos jogadores que mais tentou remar contra a maré, mas de pouco valeu. É um jogador muito lutador, mas teve um jogo complicado pela frente, já que a A.F. Ponta Delgada mostrou ser um "osso duro de roer".
Bruno Silva: Formou com Leandro Silva uma dupla de centrais que pareceu algo instável, pouco sincronizada. Ganhou muitas bolas no ar, mas no chão sentiu algumas dificuldades para travar os adversários.
Leandro Silva: Tal como Bruno Silva, esteve um pouco apagado. Ambos apanharam pela frente um endiabrado número dez (João Medeiros), que espalhou o pânico na área da A.F. Porto. Mostrou, porém, grande eficácia a fazer as dobras quando os laterais subiam no terreno e bom jogo de antecipação.
António Crespo: É um jogador que impõe respeito no meio campo. É forte fisicamente, o que lhe dá vantagem quando disputa lances individuais. Tecnicamente não mostrou ser muito dotado, mas compensa com a entrega e dedicação.
Carlos Macedo: Passou um pouco ao lado do jogo, pois esteve quase sempre bem marcado pelos médios de cobertura da A.F. Ponta Delgada. Não teve um dia fácil e acabou por ser substituído na segunda parte.
Miguel Maia: A espaços, apareceu bem no meio campo, tendo inclusive estado perto de marcar um golo. Lutou muito e tentou empurrar a equipa para o ataque, mas nem sempre tomou as melhores decisões. Os elementos do meio campo da A.F. Porto pecaram por não colocar a bola a rolar no chão, privilegiando antes o futebol aéreo.
Diogo Moreira Sá: Tentou utilizar a sua principal arma para criar perigo, a rapidez. Mas o seu esforço acabou por não ser recompensado, já que, talvez pelo facto da A.F. Porto estar a jogar com dez elementos, foi substituído ao intervalo.
Luís Costa Ribeiro: Fez uma exibição para esquecer, apesar de parecer ser um jogador interessante. Entrou desconcentrado no jogo e acabou por prejudicar a equipa, já que foi expulso por acumulação de amarelos ainda na primeira parte.
Diogo Magalhães: Muito batalhador quer na ala esquerda quer a avançado centro. Correu, correu e correu mas, como estava muito desapoiado e a A.F. Porto jogava sobretudo pelo ar, passou um pouco ao lado do jogo. Ainda assim assinou uma exibição interessante.
Diogo Mota: Entrou na segunda parte, mas não teve grandes oportunidades para se mostrar. Passou praticamente 25 minutos ao lado do jogo.
Gonçalo Paciência: Entrou bem na segunda parte, tentando imprimir velocidade ao jogo. Esteve bem a nível colectivo, não tanto a nível individual, mas mostrou ser um jogador que deixa tudo em campo.
Nuno Costa: Entrou bem a meio da segunda parte, já que pelo menos tentou pôr a bola no chão e levar a equipa para o ataque.
Texto: Frederico Gerardo.
27.06.2008 18:20h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
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