Bakar Mirtskhulava (Sport Lisboa e Benfica)
Os países lusófonos são a principal fonte de novos reforços para os grandes clubes portugueses. Brasil, Angola ou Guiné-Bissau têm "exportado" jovens talentos que fazem nome - ou não - nos diferentes emblemas do nosso país. Recentemente, a abertura aos mercados hispânicos - sobretudo à Argentina - tem também contribuído para a descoberta de alguns valores interessantes, quer jovens, quer de mais idade.
No entanto, há menos de uma década atrás, não era bem assim que as coisas se passavam. Nesse tempo, a principal fonte de jovens talentos para Portugal eram os países do Leste Europeu. Muitos e bons jogadores vieram da Rússia, Jugoslávia ou Bulgária para fazer carreira no nosso país, e basta lembrarmo-nos de Balakov ou Zahovic para confirmarmos esta afirmação. Mas com o passar do tempo, o interesse nos mercados balcânicos foi decrescendo, e eram cada vez menos os "jogadores que vinham do frio". Os próprios clubes de Leste se começaram a abrir à "invasão brasileira", que ameaça cada vez mais tomar o Mundo de assalto. As selecções dos Balcãs perderam expressão, e os jovens valores viram-se - salvo raras excepções - sem saídas profissionais.
Bakar Mirtskhulava assume-se como um resquício dos dias em que o futebol de Leste era grande e produtivo. Apesar de contar apenas 16 anos, o jovem central georgiano já se vê num dos maiores clubes da "segunda linha" europeia, e inserido numa estrutura que lhe pode abrir muitas portas, caso se venha a confirmar o seu valor.
Experiência extra
Ao contrário de muitos outros reforços para as camadas jovens, Bakar chega ao Benfica já com alguma "bagagem" em termos de experiência. O central é oriundo do Torpedo Kutaisi, um dos principais clubes do campeonato georgiano, onde, apesar da tenra idade, se encontrava já a jogar acima do seu escalão. "Na Geórgia, estava a jogar nos seniores", explica a nova contratação do clube da Luz. Indicativo de talento acima da média? Ou apenas uma prática comum em clubes de menores recursos? Apenas o tempo o dirá...
O certo é que esta "dose extra" de experiência poderá favorecer Bakar. O jogador terá certamente ganho experiência durante a sua estadia com os seniores, a qual será posta em uso nesta nova etapa da sua carreira. Para já, nos jogos que até agora realizou, o georgiano tem-se revelado como uma boa aquisição, possuidora de um jogo de rins acima da média e forte em termos de posicionamento e marcação.
Aliás, estas qualidades já valeram a Bakar uma vasta experiência internacional, nomeadamente a nível das camadas jovens. "Estive nos sub-17, sub-19 e treinei nos sub-21", revela o rapaz. "Pelas Selecções da Geórgia, fiz 25 jogos", completa. Aliás, foi precisamente ao serviço da equipa do seu país que o central se fez notar. "Foi no jogo Geórgia-Portugal [em sub-19]", conta o jogador de Leste. "O treinador do Benfica viu-me, e falou com a Federação da Geórgia". E assim Bakar fazia as malas e rumava à sua primeira grande aventura.
No Benfica, já fez os jogos "do Torneio em Almería Espanha, onde joguei três jogos", e do Torneio de Juniores da Guarda, "onde alinhei duas vezes". O que continua a faltar à sua carreira são os golos, sendo que ainda não marcou nenhum quer pela Geórgia, quer pelos dois clubes que representou.
Problemas de comunicação
A primeira barreira a transpôr, à chegada a qualquer país novo, é a língua. E Bakar encontra-se ainda, neste momento, a braços com essa considerável dificuldade. A verdade é que é muito difícil ao jogador, quer fazer-se entender, quer entender os seus interlocutores, o que representa obviamente um problema quando a nossa vida diária implica comunicação constante com iguais e superiores.
Mesmo assim, o jovem georgiano lá se vai fazendo entender, numa mistura de português e inglês, ao mesmo tempo que aperfeiçoa ambas as línguas. E os próprios colegas dos juvenis já revelam que "ele está a melhorar" e que em breve conseguirá entender e ser entendido por todos.
Para já, a capacidade de comunicação do jogador vai sendo suficiente para asseverar que o Benfica "é bom" e para explicar que pode jogar, quer a central, quer a defesa-direito, embora a sua rotina seja na primeira posição. Quanto ao melhor pé, "são os dois bons". Pontos fortes? "O cabeceamento".
Puyol e Nesta são os ídolos
Face à dificuldade de recolher dados adicionais sobre Bakar, a conversa acaba por abordar os seus clubes e jogadores preferidos. E aqui o diálogo revela-se bem mais fácil. "O meu clube preferido é o Barcelona, e também gosto do Benfica", declara o georgiano. No entanto, não se revela muito seguro quanto ao desejo de representar o Barça no futuro. "Não sei", responde simplesmente.
Em termos de jogadores favoritos, a resposta também é segura e concisa. "Nesta. E Puyol. Os dois no centro", acrescenta, quando confrontado com o facto de o espanhol também poder jogar no flanco direito. "E também gosto do Kaka Khaladze, do Milan e da Selecção da Geórgia", completa. Naturalmente, visto que é georgiano...
Nome: Bakar Mirtskhulava.
Idade: 16 anos.
Altura: 1,84m.
Peso: 75kg.
Nacionalidade: Georgiana.
Posição: Defesa-central.
Clube: Sport Lisboa e Benfica.
Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Academia de Talentos.
16.09.2008 17:01h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Apresentando
Dia 18.09.2008, às 14:08, klm disse...
MAIS UM KRAKE QUE O BENFICA TEM NAS SUAS FILEIRAS!
É PORTUGUES NÃO É?
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