Cantera do Rio Ave, Hugo Leal...
Viveiros de talento na 'cantera' do Rio Ave
Formação. Alípio foi para o Real Madrid, mas é apenas o último exemplo. É nos produtos da sua formação que o Rio Ave tem vindo a garantir boa parte da sustentabilidade económica, transferindo jogadores que têm rendido milhares de euros. Actualmente, são mais de 300 os jovens futebolistas em formação no clube
Em Vila do Conde existe um viveiro de talentos do futebol português, fruto do trabalho desenvolvido nas camadas de formação do Rio Ave, que, ao longo dos últimos anos, tem "produzido" nomes como Hélder Postiga, Fábio Coentrão, Miguelito ou Paulinho Santos.
Aproveitando as características das crianças locais, nomeadamente as provenientes das Caxinas, uma comunidade piscatória de Vila do Conde, o emblema da foz do Ave tem encontrado nos produtos das suas escolas uma forma de equilibrar as contas, realizando, todos os anos, transferências vitais para a sua sobrevivência.
Vendendo jogadores oriundos da formação ou atletas que chegaram em tenra idade a Vila do Conde para aí completarem a sua aprendizagem, caso do jovem brasileiro Alípio, transferido recentemente para o Real Madrid com apenas 16 anos, o Rio Ave assume-se como um exemplo a seguir entre os clubes portugueses.
A aposta nas bases não é descurada e, neste momento, são mais de 300 jovens que, desde as escolinhas até aos juniores, distribuídos em várias equipas, são treinados para terem sucesso, não só no desporto mas também na sua integração na sociedade.
A coordenar todo o universo do futebol do Rio Ave está a equipa técnica do plantel sénior, formada por quatro elementos que supervisionam áreas específicas de toda a formação do emblema "verde e branco".
No topo da hierarquia está João Eusébio, treinador principal, que delega em Francisco Costa, preparador físico, a coordenação da formação e a "ponte" entre o sector profissional e as camadas jovens.
O responsável salientou ao DN sport a envolvência da equipa técnica no acompanhamento dos jovens atletas, garantindo que "há um visionamento constante da evolução dos miúdos dos diversos escalões, ora em situações de treino ora nos jogos".
Francisco Costa não escondeu que formar atletas que possam ser "uma mais-valia no futuro, para a sustentabilidade económica do clube" é um dos objectivos do trabalho desenvolvido, mas falou também em responsabilidade social: "Insistimos muito no aspecto humano, porque assim estes jovens terão mais possibilidades de ser bons jogadores. Depois, fazemo-los perceber o jogo, desenvolvendo, logo nas escolinhas, capacidades básicas como a destreza, a lateralidade e o equilíbrio, que por vezes lhes falta."
O técnico mostrou-se orgulhoso em ver que atletas como Fábio Coentrão ou Alípio, depois de trabalhados na formação do Rio Ave, estão encaminhados para terem sucesso, e salientou o facto desses exemplos "serem uma referência para as centenas de jovens atletas do clube, servindo, também, como uma forma de os motivar a trabalhar mais e melhor".
Tal como aconteceu com estes dois exemplos, é frequente elementos dos juniores, e até dos juvenis, serem chamados para treinar com o plantel da equipa sénior. Por isso, Francisco Costa não hesita em considerar que "há mais talento pronto a despontar" na foz do rio Ave.
Texto: www.dn.sapo.pt
Hugo Leal à procura da felicidade
Regresso. A ex-promessa do futebol português retomou a carreira no promovido Trofense com a Liga já a decorrer e passou a abordar a sua carreira por outra perspectiva: mais do que por prestígio, aos 28 anos, o médio corre pelo prazer de jogar
Há uma década poucos esperavam vê-lo no relvado da Trofa, a treinar com as cores do clube da terra, que entretanto passou a conviver com os grandes do futebol português. A estreia pelo Benfica, aos 16 anos, as aventuras em Espanha e França e o regresso a Portugal, para o FC Porto, indiciavam um percurso de sucesso para Hugo Leal.
Porém, após três épocas desafortunadas em Braga e Belém, o ex-menino-prodígio da Luz resolveu descer um degrau nas expectativas da sua carreira e mudar a sua lista de prioridades profissionais: quer voltar a ter o prazer de jogar e as afinidades com o técnico Tulipa foram determinantes para que o regresso aos relvados se cumprisse já com a época a decorrer.
Gorada a renovação com o Belenenses, durante o defeso, Hugo Leal voltou a enfrentar um período de desemprego, como tinha vivido entre Janeiro e Junho de 2007, após rescindir com o Sp. Braga. Foi uma contingência determinada por ter recusado convites do estrangeiro, conforme o próprio confessou ao DN sport. "Ponderei ir para fora, mas apareceram-me propostas da Roménia, Turquia, Grécia e eu... tremi. Acabei por não me decidir até ao fecho das inscrições."
O camisola 14 do Trofense, que se estreou na última jornada frente ao Marítimo, sublinha ter preferido esperar por uma situação que lhe desse "algum gozo pessoal", fazendo valer a possibilidade de poder ser inscrito a qualquer altura. A oportunidade surgiu no mês de Outubro, a convite do técnico trofense Tulipa, com quem Hugo Leal treinara no Estoril durante a pré-época, para manter a forma física.
Martírio deu para reflectir
A chegada ao Trofense representou o fim do calvário de dez meses para Hugo Leal, que começou por uma lesão grave, contraída em Janeiro ao serviço do Belenenses, e terminou num período de desemprego em que se tentou afastar ao máximo do contacto com o futebol. "O campeonato terminou quando recuperei da lesão no joelho. Não quis testar as minhas condições físicas, nem sequer em jogos com amigos. Mas senti muitas saudades dos relvados. Aliás, só consegui assistir a um jogo de futebol depois de ter assinado pelo Trofense. Antes, custava-me ver a maioria dos meus colegas a jogar e eu sem o poder fazer."
A paragem, contudo, foi encarada pelo jogador como um período de aprendizagem, onde, apesar dos pontos negativos, houve tempo para reflectir sobre "a carreira e os projectos que seria capaz ou não de aceitar".
Feliz por voltar à competição, a mais recente atracção trofense projecta o que ainda tem para dar, manifestando que não se arrepende das opções que tomou como profissional de futebol. "Apesar de haver situações que me custaram caro, aprendi com elas", salienta, reconhecendo que, "antigamente, sonhava muito".
Hoje em dia, Hugo Leal analisa a sua carreira com espírito crítico e traça objectivos bem mais realistas. O percurso para voltar à ribalta não foi posto de parte, mas será trilhado passo a passo, sendo que o próximo será impor-se como titular do Trofense e ajudar na luta pela permanência. "Não posso ambicionar o Real Madrid... Os meus objectivos são a curto prazo, quero ir crescendo e ajudar esta equipa a manter-se na I Divisão. Se no último jogo tive oportunidade de jogar vinte minutos, o objectivo para o próximo é jogar trinta"
Texto: www.dn.sapo.pt
Imagem: Academia de Talentos.
22.11.2008 12:19h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
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