Carlos "O Professor" Queiroz (Parte 3)
Capítulo IV
"É preciso limpar a porcaria que há na Federação"
Impressionada com os excelentes resultados que este havia conseguido no comando das selecções jovens nacionais, a FPF decidiu aproveitar o talento do treinador colocando-o ao serviço da Selecção Nacional AA. Este foi um período negro para Queiroz, correndo tudo mal a nível dos resultados nas qualificações e emergindo uma guerra interna com a Federação entrando inclusivamente em rota de colisão com o organismo.
Durante quatro anos Portugal esteve afastado de grandes competições internacionais, falhando o Europeu de 92 na Suécia e posteriormente o Mundial de 94 nos Estados Unidos em detrimento da Itália e da Suíça. Em declarações no final do jogo com a Squadra Azzurra que culminou na derrota por 0-1 e selou o afastamento lusitano, Carlos Queiroz disparou fortes críticas em direcção da Federação Portuguesa de Futebol, abandonando a Selecção Nacional com a famosa frase "É preciso limpar a porcaria que há na Federação". Chegava assim ao fim a relação Queiroz-FPF e abria-se o caminho para novos projectos na vida do treinador.
Capitulo V
A Marca do "6 a 3"
Encerrado o episódio Selecção Nacional, abrem-se as portas para pela primeira vez se tornar técnico principal de um clube. Logo na sua estreia no cargo, Queiroz foi a grande aposta do Sporting para assumir essa responsabilidade, de resto acrescida pelo facto de ser o substituto de conceituado Sir Bobby Robson e por ter ao seu dispor um leque invejável de grandes talentos emergentes da altura como Luís Figo, Balakov, Valckx, Capucho, Paulo Sousa, Pacheco e Jorge Cadete.
Apesar de exibições e resultados positivos ao serviço daquela que foi considerado por muitos uma das melhores equipas que o Sporting teve nas últimas décadas, eis que no jogo decisivo do título, na chuvosa noite de 14 de Maio de 1994 e sobre a avalanche exibicional do "Grande Artista" João Vieira Pinto, acontece um dos resultados mais emblemáticos do futebol português e que marcou a carreira de Queiroz no Sporting, talvez injustamente.
A marca do famoso "Seis a Três" - na prática 3-6 - é prova de como no fim de contas só os resultados interessam no mundo do futebol, e que apesar de todo o trabalho desenvolvido por Queiroz no Sporting este foi esquecido ou desvalorizado por maior parte dos adeptos leoninos.
Continuou a treinar o Sporting nas temporadas de 94-95 e 95-96, mas a falta de resultados concretos, entenda-se, conquista do campeonato nacional, esgotou a paciência dos dirigentes leoninos, e nem as vitórias da Supertaça e da Taça de Portugal em 94-95, valeram de argumento a Queiroz que em 1996 saiu do clube de Alvalade.
Para trás, além desses títulos que muitos podem considerar de menores, deixou obra feita ao nível da formação jovem onde desenvolveu processos e estruturas inovadores para o futebol juvenil e com resultados excepcionais, que de resto têm sido verificados e são conhecidos.
Capitulo VI
Globetrotter do Conhecimento
Viveram-se momentos de indecisão para Queiroz após a sua saída do Sporting isto porque apesar do treinador gozar de boa reputação a nível internacional, estaria irremediavelmente "queimado" num contexto nacional.
Assim a solução de um novo projecto passaria por uma aventura além fronteiras. Seguindo este desígnio aliado à sua fama alcançada nomeadamente na capacidade de formação de jogadores, optou por prosseguir a sua carreira no estrangeiro, mais precisamente e numa primeira instância na formação norte-americana do Metro Stars.
Seguiu-se uma passagem pela equipa Japonesa do Nagoya Grampus Eight, sendo que no espaço de dois anos em que fez a ponte cultural e social Ocidente-Oriente, contextualizou essas realidades à verificada na Europa ao nível do futebol praticado e foi autor do livro "Q Report", um planeamento exaustivo para o futuro desenvolvimento do futebol profissional na Major Soccer League norte-americana.
The Queiroz Report
"The key recommendation in the Queiroz Report - "Q Report" - on the revamping of United States soccer to make this country competitive on the world stage is the establishment of a full-fledged professional league for players under the age of 19.
Queiroz points to a similar program established in France almost twenty years ago, whose graduates now make up most of the France squad that won this year's World Cup. The most likely scenario would be for this new junior professional league to be established as part of, or at least in cooperation with, Major League Soccer.
In other words, each MLS team would develop a youth side who would train in partnership with the senior club, and would play an active schedule among themselves, with minor league professional teams and with foreign youth sides.
As Queiroz envisions the system, it would seem to differ from MLS' current Project 40 in two major ways. Much younger players would be admitted, probably as young as 15 or 16 if they had the potential; and there would not be any of this putting money away for some future college education. You would finish your high school education, but in reality you would be a young professional soccer player, period."
In Soccertime.com
Passadas as estadias nos Estados Unidos e no Japão, que serviram não só para aprender novos métodos mas principalmente para passar aprendizagem e conseguir valias a nível financeiro, regressa em 1999 ao comando de uma selecção, no caso a dos Emiratos Árabes Unidos onde esteve cerca de um ano.
Depois dessa experiência pouco conseguida, ingressa na selecção Sul Africana conseguindo apurar os Bafana Bafana para o Campeonato do Mundo 2002 Coreia-Japão. Para Queiroz estava destinado o regresso aos grandes palcos e brevemente isso se iria verificar com o retorno à Europa do futebol e pela porta grande.
Texto: Ivo Alves.
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