Carlos Vela (Arsenal Football Club)
Que o futebol sul-americano não se resumia só a Brasil e Argentina, toda a gente já sabia. No entanto, os próprios países sul-americanos parecem fazer também questão de o demonstrar, "exportando" jovens talentos para o exterior a um ritmo bastante regular.
Neste capítulo, o México tem-se destacado, afirmando-se nos últimos anos como um interessante viveiro de talentosos jogadores. De Rafael Márquez já todos ouviram falar, mas nomes como Omar Esparza, Éver Guzmán e Carlos Vela têm servido para manter aquela nação sul-americana dentro do "radar" dos conhecedores de futebol.
O jogador de quem hoje vimos falar é precisamente o último nome citado no parágrafo anterior, Carlos Vela, avançado que, aos 19 anos, já representa o Arsenal. O avançado chegou, aliás, ao clube inglês com várias recomendações de respeito: para além de ser irmão de Alejandro Vela, jogador do Cruz Azul, Carlos tinha também sido o principal responsável pela vitória do México no Campeonato do Mundo de sub-17, em 2005, e conquistado a Bota de Ouro desse certame. Razões mais que suficientes para que dediquemos algumas linhas a este interessante jogador.
Golpe de sorte
A carreira de Carlos Alberto Vela Garrido começa no Chivas de Guadalajara, onde o seu irmão mais velho também jogava. É neste emblema que Vela faz os primeiros anos da sua formação, militando no clube entre as épocas de 2002/2003 e 2004/2005. Dada a sua reduzida idade, o jogador acaba por nunca conseguir o seu big break na equipa principal do Guadalajara, apesar de se destacar o suficiente para justificar uma convocatória à Selecção sub-17 mexicana, com vista à participação no Mundial da categoria. Sem o saber, Carlos Vela caminhava para a sua afirmação.
No Mundial de sub-17 FIFA 2005, realizado no Peru, o México é a equipa-sensação da prova, e Carlos Vela o melhor jogador da equipa. O jovem marca cinco golos ao longo da prova, e é o principal responsável pelos esmagadores 3-0 ministrados ao Brasil na final. Na altura de erguer a taça, Vela empunha o troféu e caminha na direcção do seu pai, cujo aniversário se celebrava precisamente no dia da final. O título de Campeão Mundial sub-17 era, assim, singelamente dedicado pelo jogador ao seu pai, uma das figuras mais importantes da sua vida. Para aumentar a felicidade de Vela sénior, o jovem é também, no mesmo dia, galardoado com a prestigiada Bota de Ouro, prémio maior entre os avançados mundiais, quer a nível da formação, quer dos seniores.
Como seria de esperar, esta dupla distinção colocou Carlos Vela nas bocas do Mundo, e rapidamente o nome do jovem mexicano começa a circular insistentemente entre os altos círculos do futebol europeu. No entanto, ainda antes de se concretizar o interesse de qualquer potência europeia, é o Guadalajara quem avança com um primeiro contrato profissional para o jovem jogador. Carlos aceita, com a condição de o clube realojar a sua família, cuja casa havia sido inundada por uma tempestade.
No entanto, Carlos Vela nunca chega a vestir a camisola principal do Chivas, pois é nesta altura que tem início a disputa dos grandes clubes europeus pelos seus préstimos. Esta "corrida" acabaria por ser ganha pelo Arsenal, que assina o jogador ainda no defeso de 2005, por uma verba de 2,5 milhões de libras.
Um mexicano em Espanha
Chegado a Londres, o jovem Vela depara-se com um enorme problema: o facto de as autoridades britânicas dificilmente concederem licenças de trabalho a jovens da sua idade. Assim, o avançado de 17 anos, em conjunção com os gunners, dispõe-se a arranjar outra solução. Esta, como em tantos outros casos, acaba por passar pelo empréstimo.
Após uma rápida prospecção de mercado, o destino encontrado para Carlos Vela acaba por ser o campeonato espanhol. O jovem é assim cedido ao Celta de Vigo, por seis meses, em Fevereiro de 2006. No entanto, este empréstimo não corre bem, e Vela acaba por nunca alinhar com a camisola azul-celeste do clube galego. O avançado regressa assim ao Arsenal no final da época 2005/2006, para descobrir que ainda não tem licença de trabalho e que terá que ser novamente emprestado.
Pelo menos, desta vez, o empréstimo corre melhor: Carlos Vela ingressa no UD Salamanca por uma época, conseguindo afirmar-se como peça regular nos planos da equipa. O jovem mexicano realiza, durante a temporada, 31 jogos, contribuindo com oito golos para os objectivos da equipa. Para além disso, o jovem afirma-se também como um especialista em assistências, criando muitos dos restantes 45 golos que a equipa consegue nessa temporada.
Quando se aproximava o término da aventura de Vela em Salamanca, vários clubes da Segunda Divisão espanhola tentaram assegurar os seus préstimos junto do Arsenal, pelo qual o jogador continuava a não poder alinhar. A batalha acabou por ser ganha pelo Osasuna, ao qual Vela se junta no início da nova temporada, num empréstimo com a duração de uma época, mais uma de opção. Aqui, Vela causa de imediato uma boa impressão, estreando-se a marcar frente ao Real Bétis, e suscitando rasgados elogios da imprensa.
No entanto, Carlos Vela acabaria por não justificar a excitação em seu redor. Apesar dos 33 jogos realizados com a camisola do Osasuna (mais dois do que na época anterior), o avançado fica-se pelos três golos, uma marca bastante inferior aos oito que conseguira em 2006/2007. Os adeptos do Salamanca conseguem, no entanto, ver que se trata de um jogador de qualidade, facto que também não escapa à Selecção sub-20 mexicana, pela qual Carlos se estreia em 2007, realizando oito jogos sem golos. Nesse mesmo ano, consegue os seus primeiros minutos pela Selecção principal do seu país, onde é um dos jogadores mais novos. Estreia-se a marcar a 18 de Outubro, num particular frente à Guatemala, e realiza no total dez jogos, com uma marca pessoal de quatro golos.
"London Calling"
Com o início do ano de 2008, estadia de Carlos Vela por terras espanholas estava prestes a acabar. A 22 de Maio, o jovem mexicano consegue finalmente a tão esperada licença para jogar em Inglaterra, e no final da época regressa ao Arsenal, onde é inserido no grupo de trabalho principal. É-lhe atribuída a camisola número 12.
A 30 de Agosto, o técnico Arsène Wenger - que comparara Vela ao brasileiro, naturalizado croata, Eduardo - dá finalmente ao avançado a sua tão esperada estreia com a camisola dos gunners. Os primeiros minutos são conseguidos no jogo da Premier League frente ao Newcastle, vindo o seu primeiro jogo a titular a ser conseguido um mês depois (23 de Setembro), no jogo da Carling Cup frente ao Sheffield United. Vela estreia-se em grande, conseguindo nada mais nada menos do que um hat-trick, num jogo que termina com a vitória arsenalista por 6-0. Este jogo fica também na história do clube por ter feito alinhar o onze titular mais jovem de sempre, com uma média de idades de 19 anos.
Para esta época, o futuro de Carlos Vela deve passar pela equipa principal. Wenger já fez saber que conta com ele, e isso deve assegurar ao jovem mexicano um lugar junto dos "grandes", em vez de na equipa B, junto de outros jovens talentos como Rui Fonte ou Nacer Barazite.
Características
O jogo de Carlos Vela é a habitual mistura de velocidade, técnica apurada, poder de desmarcação e sentido de baliza. A maioria dos golos do avançado nascem de desmarcações rápidas nas costas da defesa, "apimentadas" aqui e ali com alguns pormenores técnicos destinados a deixar para trás os adversários.
O avançado apresenta também grande mobilidade, partindo muitas vezes da meia-esquerda ou meia-direita no início das jogadas de golo. No entanto, dentro da área o avançado denota também excelente sentido posicional, estando sempre no sítio certo para aplicar a finalização.
Enfim, um típico avançado de talento. Esperemos que possa ter sorte na sua carreira...
Nome: Carlos Alberto Vela Garrido.
Data de Nascimento: 01/03/1989 (19 anos).
Altura: 1,77m.
Peso: 66kg.
Posição: Ponta-de-lança
Clube: Arsenal Football Club.
Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Jamie McDonald/Getty Images.
09.10.2008 12:39h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Jogadores
Dia 16.10.2008, às 11:12, PF disse...
podia haver um site de jovens promessas só sobre o plantel do Arsenal, tamanha é a qualidade e a juventude do plantel! devia haver uma reportagem sobre a euipa que alinhou no ultimo jogo da Taça da Liga, cuja média de idades era de 19 anos, a mais nova de sempre até para o arsenal, e ganou por 6-0 num exibição de fazer qualquer adepto gunner sonhar com maravilhas no futuro.
Tem que estar logado para poder comentar.
Caso ainda não tenha uma conta registe-se!