Clube de Futebol Esperança de Lagos 2007/08 (2)
A opinião de Rui Capela do Departamento de Formação
P - Como surgiu a oportunidade do convite para o Esperança de Lagos?
R - Eu estava num período de paragem, após uma passagem de seis meses pelo Portimonense, mas com a mudança de direcção do Esperança houve uma mudança profunda no Departamento de Formação, onde eu fui incluído. A oportunidade para vir para o clube surgiu após uma conversa com amigos que me falaram deste projecto. Depois com responsáveis fiquei ainda mais a par e muito sensibilizado das intenções desta direcção para o futebol juvenil e analisei que eu poderia ajudar o clube com o meu conhecimento neste sector.
P - Que análise faz destes primeiros meses?
R - Primeiro, acho que o Esperança de Lagos tem uma administração boa e as pessoas estão cheias de vontade de conseguir objectivos ambiciosos dentro da formação. Depois as pessoas aqui conseguem reconhecer o que está mal e conversar e corrigir tendo em vista fazer melhor. O que, para mim é um sinal muito positivo da postura de dirigentes, treinadores e coordenadores. Penso que há muito para melhorar tendo em vista a excelência, mas o que já vi digo que não há muitos clubes com esta dinâmica e a trabalhar desta forma no Algarve.
P - Como vai ser a sua colaboração no próximo ano?
R - A minha actividade consiste na área da coordenação técnica. Como coordenador técnico tenho por missão um trabalho fundamental dentro do nosso modelo de jogo e de treino e a partir daí uniformizar processos de jogo e de treino, inter-agindo com os técnicos. Eu estarei no terreno e trabalharei directamente com eles.
P - Que ajuda poderá dar ao clube na captação de novos valores?
R - A captação no futebol juvenil não é fácil. Primeiro, porque um jovem quando entra nas Escolas, em principio cumpre um caminho até aos juniores, não sendo muito propicio a mudanças. Aqui no Esperança há algumas carências em alguns Escalões, quer ao nível de número, mas também de mais jogadores com qualidade técnica acima da média. Temos tentado encontrar atletas dentro de um raio de 20 km que ainda não tenham representado nenhum clube para os convidar a integrar os nossos plantéis. Porém este trabalho é complicado, porque procuramos atletas que ainda não tenham representado qualquer clube. A nossa política será de demonstrar que trabalhamos bem e ao vir para Lagos seja sinónimo de encontrar qualidade.
P - Quais os aspectos a melhorar neste clube?
R - Os processos de logística estão a funcionar muito bem e não vejo preocupações de maior, nem carências. A minha preocupação será a evolução técnica dos jogadores. Com um maior conhecimento do jogo e das suas formas. E neste capitulo poderei ser uma mais valia.
P - Quais as metas a atingir para o futebol juvenil? Subidas aos nacionais?
R - O trabalho com jovens não é tão linear que possamos colocar metas rígidas. Mas tenho como exemplo um projecto em Lagoa onde se colocou em prática um trabalho onde o objectivo era colocar uma equipa nos nacionais. E passados quatro anos esse objectivo foi alcançado. O Esperança está no bom caminho, tem uma base muito forte no futebol 7 e penso que, se não houver divergências, há condições a médio prazo, para ter uma equipa nos nacionais. Repare, este ano as Escolas B estiveram numa final, as Escolas A foram campeões do Algarve e a equipa de Infantis subiu de divisão, com uma equipa muito forte. Com esta base é possível sonhar com subidas e desenvolver um trabalho meritório. Mas aviso que este trabalho é, no mínimo, a médio prazo e há que ter muita paciência para ver os resultados.
P - Como avalia a opção de formação de equipas B que depois dão sustentabilidade às equipas A. É um método adequado?
R - Eu penso que é uma opção muito positiva e rumo ao caminho certo. Este caminho já vem a ser tomado de uns tempos a esta parte e eu estou em total acordo. As equipas B permitem aos atletas competirem, para depois, numa equipa A se lutar por triunfos e lugares cimeiros. Porque, na minha opinião, apesar da formação realizar um trabalho de estruturação do individuo, a competição é uma base saudável que importa incutir. Os triunfos podem ser a base para que as pessoas continuem com ânimo nos clubes.
P - Como está a formação no Algarve?
R - A região produz bons jogadores. Nas equipas dos clubes grandes há vários atletas oriundos do Algarve. Porém, na Formação o trabalho ainda pode passar por uma evolução significativa. Por vezes, as direcções não apostam na formação e isso limita o surgimento de um maior número de atletas de qualidade nas equipas seniores da região e mesmo dos clubes que buscam aqui talentos. É notória a evolução da formação dos treinadores, o que se deve, em parte, à Associação do Algarve. Mas, repito, ainda se pode melhorar muito.

Edmundo Silva, coordenador do Futebol Juvenil
"Formação do Esperança pode melhorar ainda mais"
Edmundo Silva é o coordenador do Futebol Juvenil do Esperança de Lagos. No final desta época impunha-se também ouvir este responsável sobre o balanço da mesma e sobre o que poderá vir a acontecer na próxima.
P - No final desta época qual o balanço que faz?
R - Penso que a época 2007/2008 foi muito positiva, uma vez que fomos campeões em dois escalões, no caso em infantis e em escolas A, fomos à fase final em escolas B, ou seja em termos globais foi tudo muito positivo face ao trabalho desenvolvido por todos no Clube de Futebol Esperança de Lagos. Tudo foi muito importante, o trabalho de todos foi essencial, técnicos, massagistas, directores, colaboradores, atletas, seccionistas e mesmo os pais.
P - E o futuro?
R - Estamos com bastante ambição para a próxima época. Queremos melhorar a qualidade e vamos aumentar o número de equipas, queremos dar oportunidades a jovens que jogaram menos esta época. Vamos fazer tudo para termos tudo em condições em termos de logística, campos, etc, para pôr esta máquina a funcionar.
P - Quantos jovens passaram pelas camadas jovens do clube nesta época 2007/2008?
R - Tivemos nove equipas de formação e as escolinhas, o que tudo junto perfaz cerca de 400 atletas.
P - Tanta gente implica também alguma dificuldade logística?
R - Em termos de estrutura, o futebol juvenil é mais onerosa que os seniores. Está a ser feito um grande investimento, mas penso que vale a pena. Para o ano vamos alargar as nossas captações em todo o concelho e também nos concelhos vizinhos de Aljezur, Vila do Bispo e Portimão.
P - A aquisição de técnicos com formação é também uma aposta forte?
R - Sim, claro, estamos a fazer um investimento nesse sector, mas face à qualidade demonstrada penso que estamos no bom caminho. O objectivo é trabalhar mais para levar as nossas equipas aos respectivos campeonatos da primeira divisão.
P - No que se refere aos campos, há a perspectiva de ser construído mais um campo, neste caso com piso sintético. Será uma mais valia importante?
R - Ao que sei esse campo já está projectado no plano da Câmara para 2009 e isso será muito bom para as camadas jovens do Esperança. Sobretudo quando chove a situação é complicada por se torna difícil utilizar os relvados e temos de nos cingir ao pelado do Trindade.
P- Uma das intenções da formação é aproveitar os jovens para a equipe sénior. Isso tem acontecido?
R - As pessoas sabem que a maior parte da equipa sénior é composta por atletas formados na casa. A nossa intenção é trabalharmos bem e melhorarmos a qualidade dos nossos jogadores para que eles passem para os quadros da equipa sénior.
P- E quanto ao aumento do número de equipas?
R - Para esta época vamos ter duas equipas de escolas B, duas de escolas A, três de infantis, uma de iniciados, uma de juvenis outra de juniores, para além dos seniores e dos veteranos.
P - E qual tem sido o apoio da comunidade lacobrigense ao clube?
R - Esse apoio é relativo. Claro que sabemos que estamos a passar uma crise financeira em todos os sectores. Em relação aquilo que o Esperança tem feito e está a investir, penso que poderia haver mais apoio por parte do tecido empresarial. Mas alguns também passam por dificuldade, enfim, vamos esperar que a situação melhore.
P - E quanto ao apoio das entidades oficiais?
R - Nunca ninguém está satisfeito com aquilo que tem e tendo em atenção a nossa ambição pedimos sempre mais. A despesa é elevada e a Câmara tem apoiado o clube conforme pode. Quanto a nós estamos a lançar alicerces fortes para que, de futuro, o Esperança seja melhor e mais forte.
P - Neste momento há dois jogadores que foram criados no Esperança que estão em grandes clubes. O Diogo Amado no Sporting e o Diogo Viana no Porto. Há atletas que lhes poderão seguir as pisadas?
R - Os três grandes clubes têm vindo a seguir alguns atletas, mas para já não há novidades, embora o interesse seja real, o que, claro nos satisfaz.
Texto e Imagem: www.esperancadelagos.pt
20.07.2008 13:48h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
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Dia 20.07.2008, às 14:50, eu disse...
alguem me pode explicar o q e q liga primavera?
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