Hugo Leal (Clube de Futebol “Os Belenenses”)
Decorria a época 1997/98 do campeonato português quando um jovem da "cantera" da Luz fez cair o recorde do fabuloso Fernando Chalana: aos 16 anos Hugo Miguel Ribeiro Leal estreava-se com a camisola do Sport Lisboa e Benfica, clube onde realizou a sua formação.
Nessa mesma época, o jogador foi emprestado ao Alverca, clube satélite dos "encarnados", onde ganhou experiência, depois de ter participado em 20 jogos. O seu valor estava provado. Era tempo de regressar ao Benfica e enfrentar uma "prova de fogo": demonstrar que tinha qualidades para jogar num clube com enorme prestígio nacional e internacional. Na temporada 1998/99, Hugo Leal não tardou a mostrar que estava à altura. Assumindo-se como um organizador de jogo nato, impôs o seu futebol criativo, vistoso e seguro no transporte da bola. A excelente visão de jogo, aliada à qualidade de passe, tornava-o num jogador imprescindível para o Benfica. Resumindo, Hugo Leal notabilizou-se em poucos meses e, aos 19 anos, já era um titular indiscutível do plantel. Como se isso não bastasse, o jogador já tinha provas dadas nas diversas selecções jovens. Todos estes factores despertaram o interesse de colossos do futebol europeu. Dado como certo na Juventus, Hugo Leal acabaria por rescindir unilateralmente com o Benfica e integrar o Atlético de Madrid, assinando um contrato de oito anos.
Aventura espanhola
Hugo Leal chegou a Madrid num dos perídos mais conturbados do história do clube, liderado na altura por Gil y Gil. A sua primeira época ao serviço dos "colchoneros" ficou marcada pelo insucesso, sendo apenas "mais um" do plantel, recheado de estrelas (um dos mais caros do campeonato espanhol). O Atlético de Madrid acabaria por descer "escandalosamente" de divisão, o que originou a saída de grande parte dos jogadores. Insatisfeito com a pouca utilização, Hugo Leal também pretendia deixar o clube. A transferência não se concretizou e, na época 2000/01, o jogador acabaria por realizar uma boa temporada, participando em 36 jogos e marcando quatro golos. No entanto, a sua prestação foi insuficiente para ajudar o clube a regressar ao escalão principal. Elemento de destaque na selecção de sub-21, Hugo Leal merecia melhor: era tempo de voltar à "alta-roda" do futebol. Chegaram várias propostas ao jogador (Juventus, Fiorentina, Fulham), mas o Paris Saint Germain foi o clube eleito.
O início das lesões
A equipa parisiense estava a formar um plantel com qualidade e o nome de Ronaldinho Gaúcho figurava entre as inúmeras estrelas. Luis Fernandez, o técnico do clube, contava com Hugo Leal para o plantel principal, factor positivo para o jogador, que pretendia integrar a lista de convocados para o Mundial de 2002, na Coreia do Sul/Japão. Jogando com regularidade, o jogador foi crescendo de forma, mas na ponta final do campeonato gaulês o pior aconteceu: lesionou-se com gravidade no joelho esquerdo, rompendo o ligamento lateral externo. Foi o fim do sonho. A lesão inviabilizou a sua presença no Campeonato do Mundo.
Depois de efectuar uma boa recuperação, regressou em plena forma na época 2002/03. No entanto, as lesões continuaram a importunar o jogador e Luis Fernandez acabou por afastar, gradualmente, Hugo Leal da equipa. A época chegou ao fim e o balanço era negativo: 20 encontros, sem qualquer golo. Tais estatísticas levaram Vahid Halilhodžić, o novo técnico contratado para a temporada 2003/04, a colocar o jogador na lista de dispensas. Alternando entre a equipa B e o plantel principal (participou em 14 jogos), ajudou os parisienses a conquistar Copa da França e o vice-campeonato.
Depois de duas épocas em Espanha, três épocas em França e com apenas uma convocação para a selecção principal, Hugo Leal, já com 24 anos, parecia perder o fulgor de outros tempos.
Regresso à pátria
No Verão de 2004, Hugo Leal era um jogador livre, após rescisão com o PSG. Para o espanto de muitos, o antigo jogador do Benfica firmou um contrato de quatro anos com o eterno rival da "invicta". O Futebol Clube do Porto, recentemente consagrado Campeão da Europa, parecia o clube ideal para o relançamento da carreira. Apesar da saída de José Mourinho e de alguns nomes sonantes, a equipa estava forte e era uma séria candidata ao título. Hugo Leal não conseguiu afirmar-se, sobretudo devido à deficiente condição física que o tornava um jogador pouco consistente. Como se isso não bastasse, os "portistas" atravessavam um período conturbado e, na mesma época, contrataram três treinadores: José Couceiro, Victor Fernández e Luigi Del Neri.
Sem surpresas, integrou o grupo de jogadores a emprestar no "mercado de Inverno". O destino escolhido foi a Académica e a sua prestação foi positiva, contribuindo para a recuperação classificativa do clube.
Na época 2005/06, era tempo de mudar novamente de emblema. De Coimbra a Braga foi um pequeno passo, e, nos "arsenalistas", Hugo Leal reencontrava Jesualdo Ferreira, que o orientou na selecção de sub-21. Para sua infelicidade, as lesões voltaram a assombrá-lo, impossibilitando o seu objectivo de jogar regularmente. Em duas épocas jogou apenas 17 jogos, tornando a sua passagem pelo Braga praticamente nula.
Depois de sair do Braga, Hugo Leal rumou ao Sul, para ingressar no Belenenses. Iniciou um programa de preparação física individual, capaz de o tornar apto para a alta competição. Apesar deste esforço, na época passada realizou apenas oito jogos e o seu regresso à "boa forma" tarda em aparecer. Na verdade, poucos acreditam que toda a técnica e influência do jogador sejam, de novo, uma realidade. Quando se olha para trás e se observa a sua trajectória, fica a sensação de que podia ter ido mais além, de que um grande talento ficou pelo caminho. Talvez se os problemas físicos não tivessem sido uma constante, Hugo Leal poderia ser um influente "número 10" de Portugal.
Nome: Hugo Miguel Ribeiro Leal.
Clube: Clube de Futebol "Os Belenenses".
Posição: Médio-centro.
Data de nascimento: 21 de Maio de 1980.
Idade: 28 anos.
Nacionalidade: Portugal.
Altura: 1,80 m.
Peso: 75 kg.
Texto: Tiago Galhano.
Imagem: FRANCISCO LEONG/AFP/Getty Images.
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