Mário Rui (Valencia Club de Fútbol)
Mário Rui Silva Duarte, Marinho no mundo do futebol, poderá ser no futuro o lateral-esquerdo da Selecção Nacional. Uma posição que, pelo que se tem visto nas últimas grandes competições, tem sido a grande lacuna da principal equipa portuguesa. Nuno Valente, do Everton, foi provavelmente o último puro defesa-esquerdo que representou Portugal, já que Marco Caneira e Paulo Ferreira eram habitualmente os escolhidos de Luiz Felipe Scolari, ex-seleccionador nacional (actualmente no comando do Chelsea).
Agora, sob o comando de Carlos Queiroz, veremos quais serão as apostas. Para o jogo desta quarta-feira (dia 19 de Agosto) com as ilhas Faroe, de preparação para os encontros de qualificação para o Mundial de 2010, na África do Sul, o ex-treinador-adjunto de Alex Ferguson no Manchester United convocou Antunes, do Lecce, e Paulo Ferreira, do Chelsea. Quem sabe se daqui a uns tempos não veremos Mário Rui entre os eleitos de Carlos Queiroz? Para já o jovem lateral-esquerdo do Valência, que também pode jogar a extremo, vai alinhando pela selecção nacional de sub-19 que está a participar no Torneio Internacional da República da Irlanda. Na segunda-feira (18 de Agosto), por exemplo, Marinho foi titular na vitória frente à equipa da casa por 1-0 e na terça-feira (19 de Agosto) voltou a entrar no onze, desta vez na derrota por 1-0 com a Espanha.
Do Vasco da Gama para o Sporting
Foi no Vasco da Gama Atlético Clube, uma equipa de Sines, que Mário Rui começou a dar os primeiros passos. Cecília Costa, a mãe do jovem jogador do Valência, revela ao Academia de Talentos que foi apanhada de surpresa quando soube que, aos sete anos, o filho já estava a treinar numa equipa de futebol. "É uma história muito caricata, como muitas outras que o Mário tem. Nós moramos no centro de Sines e há aqui um jardim à volta onde ele andava sempre com a bola nos pés. Um dia vim a descobrir que ele já jogava no Vasco da Gama, tinha ele sete anos. Por causa do futebol o Mário chegou a levar umas palmadas", diz entre sorrisos.
Uma das histórias caricatas que a mãe de Mário Rui aceita contar é, de facto, reveladora da paixão do internacional português pelo futebol. "Ainda antes dele fazer sete anos eu comprei-lhe um par de ténis e comecei a reparar que o esquerdo gastava-se em 15 dias. Achei estranho e cheguei a pensar que ele tinha um problema nos pés, por isso decidi levá-lo ao ortopedista. Afinal não se tratava de qualquer problema, mas sim devido às muitas horas de jogo de futebol. Ele é esquerdino e por isso o ténis esquerdo estava sempre em mau estado", revela Cecília Costa.
Desde que começou a jogar no Vasco da Gama que Marinho começou a dar nas vistas. Ao fim de três épocas nas escolinhas do clube de Sines, dos sete aos nove anos, começaram a surgir clubes interessados. O Sporting levou a melhor. "Primeiro apareceu um senhor do Benfica a querer fechar contrato e uma semana depois veio falar connosco o senhor Paulo Cardoso, do Sporting, para dizer que estava muito interessado em ficar com o Mário. Ele acabou por ir para o Sporting porque nós achámos que oferecia melhores condições. Jogou lá desde os infantis até aos juvenis, altura em que se mudou para o Valência", conta a mãe do jovem lateral-esquerdo.
Saudades obrigaram a tirar a carta de condução
Emocionada, Cecília Costa apressa-se a dizer que a ida precoce do filho para Lisboa foi muito difícil de digerir, sobretudo no início. "Só na transição dos 12 para os 13 anos é que o Mário ficou a viver na Academia do Sporting, em Alcochete, antes disso nós levávamo-lo todos os sábados a Pina Manique para ele treinar e depois regressávamos no domingo a Sines. Só houve um ou outro dia que não o podemos fazer. Foi muito complicado para nós quando ele estava na Academia, falávamos todos os dias, mas não era a mesma coisa. Hoje ele tem 17 anos e eu olho para as fotos dele da altura e penso: como é que eu deixei ir uma criança tão pequenina ficar sozinha? Mas teve de ser e não me arrependo", começa por dizer a encarregada de educação de Mário Rui.
Um dos maiores esforços que Cecília Costa teve de fazer para ver o filho foi tirar a carta de condução: "Nunca gostei de conduzir, mas como o meu marido estava no estrangeiro a trabalhar, eu tive de tirar a carta aos 36 anos para o ir ver aos fins-de-semana a Lisboa. Foi um sacrifício que fiz, até porque as viagens saem caras, mas eu não podia cortar as pernas ao meu filho."
Durante o período em que Mário Rui esteve na Academia dos leões, as saudades eram mais que muitas. A mãe do internacional português garante que o filho também teve de amadurecer com essa experiência, até porque "deixou tudo para trás". "Foi tudo diferente na vida dele: os amigos, a casa, a cama. Mas ele sabia que ia ser assim, foi uma opção dele. Ele sempre foi uma pessoa decidida, mas, por outro lado, é um miúdo com uma personalidade muito forte. É daquele género de pessoas que quer, pode e manda e por causa disso chegou a levar algumas palmadas (risos). Nunca bati aos outros meus dois filhos, porque o Mário tem um irmão mais velho com 20 anos e outro mais novo com nove, mas a ele tive de dar umas palmadas" (risos), sublinha Cecília Costa.
Referindo que os três irmãos "são muito unidos", a mãe de Marinho não tem dúvidas ao afirmar que o Sporting ajudou o filho a crescer e amadurecer enquanto pessoa. "Ele teve dificuldade em aceitar algumas coisas que aconteciam no clube, porque as outras pessoas é que mandam e não é ele. A verdade é que em termos de educação e formação não me arrependo nada dele ter ido para a Academia. Agora, com 17 anos, vejo que tem uma maturidade bastante diferente, vê as coisas de forma distinta. Uma das coisas que me impressionou e que me deixou contente foi ver que quando ele recebeu o primeiro salário foi comprar prendas para os irmãos", frisa.
A ida para o Valência
Depois de seis épocas em Alvalade, Mário Rui decidiu abraçar uma nova aventura, agora no estrangeiro. Os espanhóis do Valência foram o destino do jovem lateral-esquerdo. Cecília Costa explica como tudo aconteceu. "Nem sei se posso dizer isso, porque há coisas que posso não estar autorizada a dizer, mas acho que não tem problema", começa por dizer antes de passar às explicações: "Aconteceu tudo numa altura conturbada, porque o pai vai para a Bélgica e o irmão casa. No meio disto tudo lá vou eu com ele a Valência para assinar um contrato de formação, já que o contrato profissional por três épocas apenas foi assinado agora, este verão. Sinceramente não sei como é que foram as negociações, mas acho que o Sporting ainda tem 25 por cento do passe dele", adianta.
E como é que terá surgido o interesse do Valência em Mário Rui? "Penso que foi através do senhor Paulo Futre (ex-futebolista e agora empresário). O senhor Artur Futre, sempre gostou muito do Mário Rui e conseguiu levá-lo para Valência. Muitas vezes, quando o Mário está chateado ou com algum problema, é o senhor Artur Futre que lhe liga e fala com ele. Acho que está tudo a correr bem em Espanha e eles dizem que gostam muito dele. Esta temporada ele deve jogar na equipa B, eles querem convence-lo para que isso aconteça, mas não sei como é que as coisas vão ficar. Ele só deve ter a certeza quando regressar a Espanha, o que deve acontecer dia 25 de Agosto, porque ele agora está na Irlanda com a Selecção Nacional sub-19", esclarece Cecília Costa.
Mas nem tudo são boas notícias e mais uma vez a mãe de Mário Rui lembra a dificuldade que é estar longe do filho. "Às vezes ele diz-me: ‘mãe se soubesses como é difícil estar longe de casa'!. Eu respondo e digo que foi esta a sua opção, o seu caminho, por isso tem de continuar em busca do seu sonho", sublinha.
O problema da escola
O futebol corre nas veias de Marinho e aos poucos outras portas foram-se fechando. A escola é um bom exemplo disso mesmo. Cecília Costa lamenta que o filho não tenha conseguido tirar pelo menos o 12º ano. "Em Espanha ele está no 10º ano, teve de aprender a língua espanhola e tudo... mas ele nunca foi muito dado à escola, que por causa do futebol acabava por ficar para trás. Quando ainda estava em Portugal ele estava a fazer um curso de formação com a duração de três anos que dava direito ao 7º, 8º e 9º ano", frisa.
O golo à Jardel
Outra das histórias que a mãe de Mário Rui jamais esquecerá remonta ao início de carreira (se assim pudermos dizer) do jovem jogador. Trata-se de um dia em que o filho lhe dedicou um golo à Jardel, "um jogador que ele gostava muito quando era pequenino". "Uma vez, devia o Mário ter sete, oito anos, ele marcou um golo pelo Vasco da Gama, levantou a camisola e tinha lá escrito ‘este golo é para a minha mãe'. Ainda hoje guardo essa camisola, nem sei se ele sabe desta história", conta, emocionada, a mãe do jovem jogador.
Agora, passados alguns anos, os ídolos ou as referências do lateral-esquerdo do Valência são outras. "Ele gosta muito do Cristiano Ronaldo e do argentino Lionel Messi", diz Cecília Costa. No que diz respeito à posição ideal para o filho jogar, a mãe de Mário Rui é esclarecedora: "Em pequenino, no Vasco da Gama, ele jogava a avançado. Depois no Sporting era lateral e agora em Espanha joga a extremo. Mas onde ele diz que se sente mais à vontade a jogar é a lateral", conclui.
Nome: Mário Rui Silva Duarte.
Clube: Valencia Club de Fútbol.
Posição: Lateral/extremo-esquerdo.
Data de nascimento: 27-05-1991.
Nacionalidade: Portuguesa.
Altura: 1,68 metros.
Peso: 63 kg.
Texto: Frederico Gerardo.
Imagem: Academia de Talentos.
20.08.2008 18:09h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Jovens Promessas
Dia 21.08.2008, às 18:50, saps disse...
um excelente jogar q o sporting perdeu, mario rui é sem duvidas um dos melhores defesas esquerdos da sua geraçao, o valencia ficou a ganhar pq nao se vao arrepender sem duvidas, com 17 anos q é junior do 2 ano, ja vai jogar para a equipa b do valencia , nao é para todos =) , Parabens rui tu mereces, força ai !
Dia 21.08.2008, às 18:51, saps disse...
desculpem enganei me, ainda é junior do 1 ano x)
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