Ol. Moscavide 1 - 1 Belenenses
Sport Clube Olivais e Moscavide 1 - 1 FC Os Belenenses (juniores)
Belenenses: Primeiro Tempo: Cláudio; Danilo, Fábio Marques, Filipe Paiva e Francisco Martins; Artur Lourenço (sub. Luís), Hugo Bral, Aziz, Zazá (sub. Pelé) e Daniel Pinto; Figueiredo.
Segundo Tempo: Adolfo; Gonçalo, Nuno, Pina e Rui Nuno; Luís (sub. Abel), Pelé, Ramos, Rui Fernandes e Manú; Figueiredo (sub. Wilson).
Jogaram ainda: Wilson e Abel.
Melhor em campo: Adolfo (Belenenses).
Golos: 1-0, por Rui Fernandes, aos 58'; 1-1, por Carvalho, aos 69'.
Numa manhã cinzenta, a ameaçar chuva, os júniores do Belenenses e a equipa sénior do Olivais e Moscavide subiram ao relvado desta última para um jogo-treino. Em regime mais do que informal - camisolas sem números, um elemento do Belenenses a fazer de árbitro - as duas equipas proporcionaram um jogo típico de pré-época, que serviu para os dois treinadores estudarem soluções e plantéis.
Os pupilos de Rui Jorge subiram ao terreno de jogo num claro 4-5-1, com Figueiredo como único ponta-de-lança e com Aziz entregue a funções mais defensivas no centro do meio-campo. Por seu lado, os homens do Olivais e Moscavide alinharam em 4-4-2 clássico, com os dois avançados a manterem em constante cheque Filipe Paiva e Fábio Marques. Mais tarde, os jovens do Restelo viriam a adoptar uma táctica mais ofensiva (em 4-3-3), mas que quando necessário revertia para o formato inicial, com o recuar dos extremos para o meio-campo.
Disputado, mas aborrecido
Durante a primeira parte deste encontro as duas equipas estudavam-se uma à outra, e o jogo decorria bem disputado, mas era raro o lance que passava do meio campo ou, quando muito, da linha defensiva de uma das equipas. Os poucos que houve pertenceram sobretudo à equipa da casa, de meia distância. Do Belenenses, apenas um cabeceamento de Daniel Pinto, após centro de Artur Lourenço, foi digno de nota.
E falando em Artur Lourenço, era nele que se concentravam os melhores momentos do jogo. Em exibição aguerrida, o extremo ex-Benfica mostrava vontade de ser o "motor de jogo" da equipa belenense, com arrancadas constantes e bons pormenores técnicos. No entanto, uma lesão prematura (por volta dos 20-25 minutos) fez com que tivesse de ser substituído, pondo fim a uma exibição extremamente agradável.
Os outros destaques do Belenenses iam para Aziz (exibição segura e personalizada) e para o lateral-esquerdo Francisco Martins, provavelmente o elemento do Belenenses que mais esteve em jogo na primeira parte. Embora evidenciasse claras carências a defender (sempre muito avançado no terreno), o jovem compensava com excelentes subidas pelo flanco, dando a ideia de que poderia ser um excelente ala-esquerdo, caso essa posição não estivesse "em extinção". Os restantes jovens azuis e brancos mostraram-se esforçados, mas ainda acusando alguma falta de ritmo.
Do lado dos homens da casa, essa carência também se fazia sentir, ainda que fosse suprida com uma dose extra de garra. À técnica consideravelmente superior dos belenenses, os homens de Moscavide respondiam "comendo a relva", sempre com razoável velocidade e evidenciando bom trabalho em equipa. No entanto, claudicavam no momento da finalização, rematando ora torto, ora fraco. Só aos 39 minutos houve algo que se parecesse a um momento de perigo, mas Cláudio saiu bem das suas linhas e resolveu aos pés do avançado da casa.
No final de uma primeira parte francamente aborrecida, o resultado saldava-se num justíssimo e justificadíssimo 0-0. De referir que, no decurso da partida, Rui Jorge aproveitara para ministrar disciplina nos seus jogadores, não hesitando em retirar um deles de campo após uma falta mais dura, como medida punitiva.
Finalmente, a emoção!
Na segunda parte, e após uma palestra bastante didáctica de Rui Jorge, o Belenenses entrou em campo com outra atitude. Os jogadores eram outros (apenas dois transitavam da primeira parte), mas a táctica mantinha-se a mesma: 4-5-1, que agora se desdobrava ainda mais facilmente em 4-3-3 atacante. Do lado do Olivais e Moscavide, as substituições também eram em massa, aproveitando ambos os treinadores para fazer rodar a segunda linha.
E com as mudanças, finalmente, chegou a emoção. Ainda o jogo mal tinha reatado e já o guarda-redes Adolfo (ainda juvenil) respondia com uma defesa fantástica a um remate adversário. De referir que, neste lance, o Olivais poderia ter chegado ao golo, tendo a bola embatido violentamente no poste. Na recarga, Adolfo brilha pela primeira de muitas vezes.
Nesta fase, as oportunidades sucediam-se de parte a parte. Os moscavidenses mostraram-se demasiado perdulários, destacando-se um falhanço de um dos avançados, quando se encontrava isolado (52'). Do outro lado, os jovens belenenses carregavam e começavam a cheirar o golo, que acabou por surgir aos 58'. O lance desenrolou-se entre os dois médios-centro da equipa visitante, com Ramos a fazer uma assistência primorosa e Rui Fernandes a finalizar, com simplicidade, perante a saída do guarda-redes contrário. Um belo golo, que mereceu palmas dos pouquíssimos espectadores presentes.
A partir daí, o jogo caiu novamente no ritmo de "parada e resposta" da primeira parte. As oportunidades iam surgindo (com uma perdida inacreditável de Ramos à cabeça), e o jogo mantinha-se animado, mas o facto é que as duas equipas se voltaram a afastar das grandes-áreas adversárias. Só aos 69' voltaria a haver um lance de perigo, que resultaria em golo do Olivais e Moscavide. Baldé faz o centro rasteiro, e Carvalho conclui, naquele que foi o único erro de Adolfo em toda a segunda parte. Estava reatada uma igualdade merecida, apesar de nessa fase o Belenenses estar a ser superior.
Aos 76', destaque para o lance polémico do jogo. Um jogador do Olivais e Moscavide cai na área, pede-se penalty, mas o juiz perdoa, talvez por ser um jogo amigável. A partir daí, e até ao final, foi a equipa da casa a dominar, com duas oportunidades aos 86' e 87'. No entanto, o resultado não se alteraria, e o empate acaba por ser justo. Os belenenses fizeram talvez o suficiente para justificar mais um golo, mas o superior entrosamento dos moscavidenses acabou por merecer uma igualdade.
Análise individual (Belenenses):
Cláudio - Sem trabalho. Saiu bem a amarrar, aos 39'.
Danilo - Interventivo no jogo atacante. Boas subidas pelo flanco. Não se descompôs a defender.
Fábio Marques - Jogou sempre muito bem na antecipação.
Filipe Paiva - Excelente exibição. Muito composto, anulou sempre o perigo adversário.
Francisco Martins - Revelou propensão para atacar, mas as suas subidas deixavam muitas vezes a defesa descompensada. Um aspecto a trabalhar.
Daniel Pinto - Carregou jogo pela direita. Interventivo e rematador.
Artur Lourenço - Uma lesão cortou pela rama exibição prometedora. Um perigo à solta, e o mais evoluído tecnicamente de todos os belenenses.
Aziz - Misto de box-to-box e organizador de jogo. Correu quilómetros, e pautou bem o jogo a meio-campo.
Zazá - Discreto. Foi repreendido por Rui Jorge após falta mais dura.
Hugo Bral - Boa técnica. Tranquilo a jogar.
Figueiredo - Sentiu a falta de um segundo avançado. O jogo chegou-lhe pouco.
Adolfo - É juvenil, mas não se nota. Bastante chamado a intervir, teve um único erro, que resultou no golo adversário. Mostrou qualidades em diversas ocasiões.
Luís - Não fez esquecer Artur Lourenço mas, com o tempo, foi-se soltando, e realizou boa exibição. Rápido e raçudo, só lhe faltam centímetros.
Pelé - De médio de contenção passou a municiador de jogo, e foi aqui que se soltou. Excelente técnica e precisão no passe. Francamente agradável.
Rui Nuno - Pelo seu flanco, surgiram muitas vezes desequilíbrios. Tarde complicada.
Pina - Algumas hesitações perigosas.
Nuno - Tranquilo.
Gonçalo - Bem a subir pelo flanco. Regular.
Manú - Pouco em jogo, mas viu-se que é rápido.
Ramos - Belíssima assistência para golo. Exibição esclarecida.
Rui Fernandes - Oportuno no lance do golo. De resto, pautou-se pela regularidade.
Wilson - Foi "mais um" para o meio-campo, onde não deslumbrou.
Abel - Chegou atrasado a um cruzamento perigosíssimo. Lutador, mas apagado.
Declarações de Rui Jorge:
"Acho que estivemos globalmente bem, contra adversários com outra maturidade. Ainda haverá mais uma ou outra saída, mas estes jogadores já foram escolhidos de entre bastantes, e não deverá haver mais entradas. É natural que, à medida que o tempo passa, a equipa vá estando melhor. Deve ser sempre assim, senão é sinal de que o trabalho não está a ser bem feito, e não é isso que nós queremos."
Texto: Pedro Benoliel.
12.08.2008 21:21h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Juniores
Dia 13.08.2008, às 22:02, Gualdino disse...
Penso que o Adolfo deveria tentar crescer 1 pouco mais de forma a ser um dos bons G.R. da ª1 Liga...
Só espero que o Belenenses aproveite alguns destes jogadores... e não vá antes comprar mais jogadores brasileiros de valor duvidoso..porque se não a formação de nada serve!
Dia 13.08.2008, às 22:56, Editor disse...
Caro amigo Gualdino, concordo com a sua avaliação, mas dado que o Adolfo é juvenil de 2º ano (15/16 anos) ainda tem pelo menos mais dois para crescer. Mas talento já lhe sobeja.
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