Portugal 3 - 0 País de Gales (Sub-19)
Portugal 3 - 0 País de Gales
Portugal: 1 - Raquel Miranda, 4 - Bruna Morais, 5 - Maria Nantes (18 - Catarina Alves, 90 + 2'), 6 - Regina Pereira, 8 - Cristiana Gonçalves, 9 - Ana Borges, 10 - Filipa Mendes, 13 - Elsa Ventura (cap.), 14 - Dolores Silva, 16 - Anita (7 - Inês Cruz, 90 + 2') e 17 - Mélissa (15 - Daniela Alves, 62').
Treinadora: Mónica Jorge.
País de Gales: 1 - Sophie Dando, 2 - Emily Hancock, 3 - Sarah Fountain, 5 - Alicia Powe (4 - Lucy Barnett, 31'), 6 - Jasmin Dutton, 9 - Lyndsey Davies (18 - Annie Pritchard, 55'), 11 - Sophie Ingle, 13 - Lauren Townsend (cap.), 14 - Yasmin Leung (8 - Kelly Newcombe, 64'), 15 - Jordan Frayne (7 - Rachel Cullen, 55') e 17 - Cori Williams (16 - Emma Plewa, 64').
Treinador: Andy Beattie.
Árbitra: Márcia Pejapes.
Árbitros Assistentes: Carlos Frazão e João Silva.
4º Árbitra: Eliana Pinelo.
Disciplina: Cartão amarelo a Lauren Townsend (66'); cartão vermelho a Filipa Mendes (67')
Golos: 1-0, por Mélissa (2'); 2-0, por Filipa Mendes (45 + 3'); 3-0, por Filipa Mendes(63').
Melhor em campo: Filipa Mendes (Portugal).
Crónica:
Depois de terem sido pesadamente derrotadas na passada terça-feira, por 1-4, a selecção nacional feminina de sub-19 tinha hoje de manhã a oportunidade de se desforrar da sua congénere galesa. E a "vingança" foi plenamente conseguida: a diferença de golos foi a mesma (3-0 a favor das portuguesas, contra o 1-4 do primeiro jogo), com a ressalva de que desta vez as galesas não pareceram sequer próximas de obter um golo.
De facto, a ousada táctica das forasteiras, que iniciaram o jogo num claro 3-5-2, acabou por jogar a seu desfavor. Isto porque as portuguesas rapidamente abandonaram o 4-4-2 em favor de um 4-3-3 que se desdobrava facilmente quer em 4-2-4, quer em 3-5-2, explorando as debilidades das galesas nas alas. Além disso, a superior rapidez e tecnicismo das jogadoras lusas obrigaram as galesas a "fecharem-se" defensivamente, terminando a primeira parte já num 5-3-2, com as laterais mais recuadas.
Nervosismo e...domínio
O jogo começou praticamente com o golo das portuguesas. Ainda não estavam decorridos dois minutos quando uma das jogadoras lusas se escapa pela ala direita e serve, com um centro atrasado, a centro-campista Mélissa, que finaliza em esforço, mas com sucesso. 1-0, e as bancadas rebentavam em aplausos. Um golo muito festejado e que iria lançar uma boa exibição da equipa das Quinas.
As galesas bem tentaram responder, e na fase inicial dois lances causaram calafrios na bancada. Primeiro, um corte falhado de Bruna Morais, aos 9', deixou isolada a avançada galesa Lyndsey Davies, que atirou por cima. Dois minutos depois, a mesma jogadora tentaria explorar a baixa estatura de Raquel Miranda, mas a bola - com alguma sorte para as portuguesas - tocaria na barra antes de passar por cima da baliza. Prova de que as galesas também não estavam adormecidas, e de que se encontravam ali para disputar o resultado.
A resposta veio dos esclarecidos pés de Filipa Mendes, que teve aos 16' a primeira de muitas interessantes jogadas individuais. O remate passou ao lado, mas ficou na retina a forma como "rasgou" a defensiva galesa. As britânicas respondiam apenas com um remate fraco de Emily Hancock, e Portugal começava a pouco e pouco a tomar controlo do jogo.
Aos 20', gritou-se "golo" no Campo do Pragal. Uma excelente combinação atacante termina num remate de longe mal amarrado pela guarda-redes Sophie Dando, que teve muitas hesitações perigosas ao logo do jogo; na recarga, Mélissa não aborda devidamente a bola e acaba por conseguir apenas um canto. Era a jogada de mais perigo das portuguesas em todo o jogo até então, e cheirava-se o 2-0.
Nesta fase, já Portugal havia tomado totalmente as rédeas do jogo. Embora a defesa se revelasse demasiado nervosa - Mónica Jorge revelaria mais tarde que este sector fora alvo de algumas adaptações forçadas - o ataque mostrava-se dominador, tendo sempre como "batuta" a criatividade de Mélissa e a garra de Filipa Mendes. Na ala direita, Ana Borges fazia uso da sua velocidade, e no centro do terreno Dolores Silva pautava a sua exibição pela regularidade, muito necessária quando se joga a nº8. A seu lado, Cristiana Gonçalves não brilhava, mas trazia muito perigo nas bolas paradas, capítulo em que se mostrou especialista. Para além disso, todas as jogadores se mostraram rápidas e aguerridas, duas características que causaram muitos problemas às galesas.
As oportunidades continuavam a surgir, mas a pontaria das jogadoras revelou-se algo mal calibrada, saindo a maioria dos remates por cima. Após o jogo, Mónica Jorge viria aliás a criticar esta falta de precisão, salientando que ainda era necessário muito trabalho. No entanto, o resultado nunca pareceu estar em causa, e já em tempo de descontos chegaria a tranquilidade para as portuguesas, na forma de um penalty sobre Mélissa. Chamada a converter, Filipa Mendes não desperdiça, e faz o 2-0, debaixo de efusivos festejos do público presente. As atletas lusas iam assim para intervalo com uma vantagem merecidíssima, e que até poderia ter sido mais dilatada. Quanto às galesas, mostravam ser uma equipa excessivamente "macia", sem que se compreendessem as razões da vitória folgada no jogo anterior.
Frango com "molho" à mistura
A segunda parte começou numa toada semelhante à da primeira. Portugal "empurrava" as galesas cada vez mais para o seu meio-campo defensivo, e as adversárias tentavam responder através de contra-ataques esporádicos. No entanto, a saída de uma das mais esclarecidas jogadoras galesas, Lyndsey Davies, veio acabar de retirar acutilância ao ataque galês, permitindo às portuguesas agigantarem-se ainda mais.
Mais uma vez, o perigo não tarda a rondar a baliza galesa: estava decorrido menos de um minuto quando uma jogadora portuguesa aparece na área com muito perigo. Por uma vez, no entanto, Sophie Dando não hesita e "amarra" a bola com classe, aos pés da adversária. Aos 48', volta a agarrar bem um forte livre de Cristiana Gonçalves, mas logo no minuto seguinte, quase compromete novamente. Ana Borges cruza, a número 1 galesa hesita, o remate subsequente é bloqueado para canto, e deste sai um remate de bicicleta para fora. Novo "arzinho" de golo no Campo do Pragal, e Portugal a justificar cada vez mais o 3-0.
O perigo continuava a surgir apenas de um dos lados. Aos 54', Sophie Dando brilha ao corresponder bem a um cabeceamento perigoso. No minuto seguinte, um remate de muito longe sai por cima. E aos 59', Anita tem uma perdida incrível, em posição frontal, a passe milimétrico de Ana Borges. Novamente se gritou "golo", mas inacreditavelmente a jogadora portuguesa atira ao lado da baliza de Sophie Dando. Aos 60 e 61 minutos, novas jogadas de perigo obrigam a guardiã galesa a aplicar-se; e o terceiro golo parecia cada vez mais perto...
Por fim, aos 63 minutos, surge a "recompensa" há muito esperada, ainda que de forma bastante fortuita. Na conclusão de mais uma das inúmeras jogadas de ataque lusas, Filipa Mendes dispara colocado, mas fraco, à baliza galesa; no entanto, o inesperado acontece - Sophie Dando, com um "pato" monumental, "oferece" autenticamente o golo às jogadoras portuguesas. 3-0 no marcador, e o resultado fora de qualquer dúvida.
A partir daí, o jogo "arrefeceu" bastante em termos técnicos e de emoção, mas houve ainda tempo para um momento feio: na sequência de um livre, e já depois de a capitã galesa ter visto o primeiro amarelo do jogo, Filipa Mendes envolve-se num duelo de "pisadelas" com a adversária. O resultado é o vermelho directo para a jogadora lusa, que manchou assim uma excelente exibição.
Depois desse momento, o jogo "morreu" definitivamente. As galesas exacerbaram o seu jogo já de si muito físico e pouco atraente; as portuguesas "descansaram" em cima dos louros; e só aos 90+3 minutos é que se vislumbrou alguma emoção, num lance em que Dolores Silva não teve confiança para tentar a bicicleta. Ao apito final, ficava a ideia de uma vitória justa, mas de um jogo bastante mediano, em que as portuguesas foram sempre muito superiores, e onde o País de Gales não apresentou argumentos técnicos ou tácticos que justificassem o 1-4 de terça-feira.
Análise individual (Portugal):
Raquel Miranda - Teve um "calafrio" aos 11 minutos. Tarde tranquila.
Bruna Morais - Um erro quase fatal aos 9'. Recompôs-se.
Maria Nantes - Aguerrida, optou sempre pela opção mais simples para "limpar" a bola da área...mesmo quando tinha tempo para pensar mais o jogo.
Regina Pereira - Tranquila e discreta.
Cristiana Gonçalves - Fisicamente, é a mais possante das jogadores portuguesas. Especialista em bolas paradas, fez a transição defesa-ataque com relativa tranquilidade.
Dolores Silva - De pequena estatura, mas enorme coração, teve vários bons momentos.
Mélissa - Tecnicamente a mais desenvolvida hoje em campo. Criou inúmeros desequilíbrios e surgiu muitas vezes como segunda ponta-de-lança. Saiu a meio de uma exibição muito agradável, devido a uma mialgia de esforço.
Ana Borges - Rapidíssima, não desistiu de uma bola. Foi das que mais cruzou. Segunda parte interessantíssima.
Anita - Apagada, pouca coisa lhe saiu bem ao longo dos 90 minutos.
Filipa Mendes - "Resolveu" com dois golos, carregou a equipa em momentos decisivos, captou a atenção com pormenores técnicos e, por fim, borrou a pintura ao ser expulsa por uma infantilidade. Nada que lhe tire, no entanto, o privilégio de ser a figura do jogo.
Daniela Alves - Entrou "de emergência" e segurou o meio-campo.
Inês Cruz - Dois minutos...
Catarina Alves - Teve uma arrancada, mas pouco tempo para mostrar serviço.

Declarações (Mónica Jorge):
Sobre a vitória:
"Foi melhor. A equipa esteve mais concentrada depois da visualização do vídeo do outro jogo, e soube responder às situações de contra-ataque. E conseguimos dominar o ritmo de jogo, apesar de ainda faltar muito ritmo a esta equipa".
Sobre os ‘segredos' para bater as galesas:
"O vídeo foi um dos segredos, o outro foi a concentração e a iniciativa para atacar."
Sobre a "desforra" do primeiro jogo:
"Sim, foi uma desforra, mas podíamos ter marcado mais. Falta ainda muito trabalho ao nível do ataque."
Sobre a expulsão de Filipa Mendes:
"Foi uma infantilidade. Ela já tinha sido pisada duas ou três vezes, e reagiu. Não devia ter reagido, mas como é um pouco imatura, fê-lo. A equipa ainda é um pouco imatura, muitas jogadoras estão agora a ter a primeira internacionalização, e é normal. Vamos falar com ela, mas é natural, e é uma das coisas a corrigir."
Sobre aspectos a trabalhar:
"Falta muito ritmo de jogo, falta definir outras rotinas ofensivas e defensivas, falta muito trabalho! Ainda só estamos com dois estágios, e este era já para jogos oficiais, portanto vamos, nas próximas semanas, tentar que a equipa ganhe consistência e ‘tento' no jogo."
Sobre o sector que necessita de mais trabalho:
"É o defensivo, porque envolve jogadoras que estão pela primeira vez naquelas posições, e inclusivamente tivemos que adaptar uma jogadora. Está a precisar de ser bem trabalhado ao nível de rotinas defensivas e de resposta ao adversário. No ataque também falhamos muitos golos".
Sobre a lesão de Mélissa:
"Ela já estava a pedir para ser substituída, já estava com mialgia de esforço há muito tempo, e por prevenção nós tiramo-la. Mas já estava definido que ela ia sair, já tinha pedido."
Texto: Pedro Benoliel.
Imagens: Academia de Talentos.
28.08.2008 19:48h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Selecções Femininas
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