Portugal 4 - 1 Roménia (Sub-16)
Jogo de Preparação - "Sub 16".
Local: Mafra - Complexo Desportivo Municipal Engenheiro Ministro Santos.
Data: 08 - 05 - 2008.
Hora: 11:00.
Árbitro: João Capela. Árbitros Assistentes: Pedro Garcia e Ricardo Santos. 4º Árbitro: José Almeida.
Resultado: Portugal 4- 1 Roménia ( Ao intervalo 1-0).
Golos: Miguel Serôdio 14 , Aliu Djaló aos 53 e aos 57, João Beirão aos 61 e Robert Vaduva aos 78.
Melhor em Campo: Portugal: Amorim e Luís Gustavo. Roménia: Andi Manea e Robert Vaduva.
Portugal: 1 - Cavadas, 2 - João Amorim (André Dias, 68), 4 - Miguel Serôdio, 6 - Afonso Taira (William Carvalho, 63), Amorim (Capitão), (Ruben Pinto, 40m), 11 - Luís Gustavo (Telmo Castanheira, 70), 13 - Aliu Djaló (Flávio Moreno, 70), 15 - Miguel Lourenço, 16 - Luís Martins ( André Dias, 68), 18 - João Beirão (Filipe Barros, 63), 19 - Roberto (Sérgio Marques, 70).
Suplentes não utilizados: João Figueiredo.
Treinador: Edgar Borges.
Roménia: 1- Andi Manea (Alexandru Bonda, 61), 2 - Alexandru Crisan (Robert Vaduva, 56), 4 - Sivian Tothazan, 5 - Sergiu Moga (Daniel Stanca, 40), 6 - Mircea Dima (Capitão) (Claudiu Rogozan, 40), 7 - Ionut Nastasie , 8 - Ionut Serba, 10 - Bogdan Gavrila (David Andrei, 30), 13 - Patrick Walleth (Florin Tudorache, 61), 16 - Iulian Negoescu (Madalin Popa, 61), 18 - Razvan Rob.
Treinador: Lucian Burchel.
Sanções disciplinares: Cartão amarelo para Iulian Negoescu.
Crónica:
Portugal voltou a vencer a Roménia mas desta feita por 4-1 no segundo jogo de preparação que opôs estas duas equipas num espaço de três dias.
O Complexo Desportivo Municipal Engenheiro Ministro Santos em Mafra acolheu este segundo jogo treino que opôs a nossa selecção à equipa de leste e que tinha como objectivo continuar a preparar a equipa lusitana para a fase de qualificação do próximo Campeonato da Europa.
Com muitos jovens nas bancadas, que não se cansaram de entoar cânticos de apoio à selecção nacional, a equipa de Edgar Borges realizou uma agradável actuação e goleou a equipa romena que rubricou uma exibição muito distante em relação ao que tinha produzido na passada terça feira em Alcochete.
O técnico lusitano efectuou várias alterações relativamente à equipa que tinha iniciado o jogo na terça feira, não só de forma a gerir o esforço dos jogadores- pois o tempo de repouso era pouco e muitos destes jovens têm compromissos importantes no próximo fim de semana ao serviço dos seus clubes - mas também para experimentar outras soluções e alternativas para o futuro da selecção.
Deste modo, apenas o central Miguel Serôdio e o lateral direito João Amorim repetiram a titularidade. Edgar Borges apresentou a sua equipa num claro 4-3-3. Cavadas foi o dono da baliza, e teve à sua frente um quarteto defensivo composto por João Amorim na direita, Luís Martins na esquerda e no centro por Miguel Serôdio e Miguel Lourenço. No meio campo, Afonso Taira, filho de Taira antigo jogador do Belenenses, desempenhou as funções de médio mais defensivo, à sua frente teve dois homens com características mais ofensivas, no lado esquerdo do triângulo jogou Luís Gustavo e no direito Amorim. O trio atacante foi entregue a Roberto, Aliu Djaló e João Beirão que tinha apontado o único golo da partida anterior em Alcochete.
O técnico da selecção romena optou por um modelo de jogo de 4-1-4-1, com uma defesa bem constituída fisicamente e depois com um trinco que praticamente só tinha missões defensivas de auxiliar os seus centrais. À sua frente jogaram quatro homens de modo a povoar excessivamente o meio campo para tentar impedir a construção de jogo da equipa portuguesa. Após conseguir a recuperação de bola o objectivo era sair em perigosos ataques para explorar a velocidade e técnica do seu homem mais adiantado, Ionut Nastasie.
Quem assistiu à exibição da selecção lusa em Alcochete e quem viu este jogo hoje em Mafra poderia pensar que não se tratava da mesma equipa. A equipa de Edgar Borges entrou forte e de forma autoritária no jogo. Com as suas linhas subidas no terreno, que permitiam recuperar muitas bolas na fase de transição, e com Amorim e Luís Gustavo a pautarem todo o jogo, a turma lusitana encostou a formação de leste à sua área. E as oportunidades começaram a surgir desde muito cedo, logo aos quatro minutos, João Beirão apareceu em boa posição mas o guarda-redes romeno evitou o primeiro golo com uma grande defesa. As constantes permutas de posição de Aliu Djaló e de Roberto, e a constante movimentação de João Beirão criaram muitas dificuldades à linha defensiva romena que parecia impotente para travar o maior volume de jogo da equipa lusa.
Ao longo de toda a primeira parte, a equipa comandada por Lucian Burchel nunca conseguiu articular o seu futebol, e foi praticamente inofensiva.
João Beirão, o homem mais avançado da nossa selecção voltou a estar perto do golo quando descaído para o lado direito atirou forte para mais uma excelente defesa de Andi Manea. Só que na sequência do canto, Portugal chegou ao golo que já justificava: o central Miguel Serôdio foi à área adversária, elevou-se mais alto que toda a gente e cabeceou para o primeiro tento da partida. Os jovens nacionais não adormeceram com este golo, continuaram a pressionar o seu adversário e desperdiçaram várias oportunidades para aumentar a vantagem nomeadamente por intermédio de João Beirão.
A melhor jogada da primeira parte chegou perto da meia hora, Aliu Djaló desmarcou Amorim muito bem na direita, e este executou um exímio cruzamento para o coração da área onde apareceu Luís Gustavo a rematar de forma acrobática para uma espectacular intervenção de Manea. Para se ter uma ideia da quase nulidade dos romenos, o primeiro remate com perigo surgiu apenas aos 35 minutos. Miguel Serôdio falhou a intercepção, Nastasie isolou-se mas o disparo saiu ao lado.
Portugal ia para as cabines com uma vantagem de um golo, que era magra comparada com o caudal de jogo ofensivo que a equipa apresentou e pelas ocasiões que desperdiçou.
Na etapa complementar, o técnico Edgar Borges deixou Amorim nas cabines e fez entrar para o seu lugar Ruben Pinto.
O cariz do jogo não se alterou, Portugal continuava a ser dono e senhor do jogo e os romenos não se conseguiam libertar e armar o seu jogo. É certo que a formação de leste tentou subir um pouco mais as linhas de forma a aumentar a sua pressão, mas a partida era completamente controlada pela selecção lusa. O segundo golo apareceu aos 53 minutos, o extremo do Pasteleira, Roberto, efectuou uma espectacular jogada individual na direita, passou por um adversário e cruzou com conta peso e medida para o pequenino Aliu Djaló que de cabeça finalizou da melhor forma.
Quatro minutos volvidos e voltou a gritar-se golo nas bancadas do Complexo Desportivo Eng. Ministro Santos, o médio do Barcelona, Luís Gustavo que mostrou excelentes apontamentos, descobriu João Beirão no meio dos centrais, o ponta de lança nacional não foi egoísta e endossou a bola a Aliu Djaló que só teve de empurrar para o fundo da baliza. O extremo nacional, que pertence aos quadros do Chelsea, e é filho do antigo jogador do Boavista Bóbó, bisava assim na partida. De quatro em quatro minutos Portugal marcava. E assim foi. Aos 61 minutos chegou o 4-1. João Beirão depois de muito tentar, conseguiu o seu tão almejado golo e que foi um prémio justo para este "miúdo" que trabalhou muito durante todo o jogo. O avançado do Leixões passou por dois adversários e frente ao guardião romeno não teve dificuldades para marcar.
Edgar Borges efectuou várias alterações na equipa, e os jogadores que entraram mostraram também pormenores interessantes. Filipe Barros que substituiu João Beirão chegou mesmo a marcar, mas o golo foi anulado por pretenso fora de jogo. O golo de honra da equipa de Leste chegou já bem perto do final, por intermédio de Robert Vaduva, o avançado do Steaua de Bucareste aproveitou um passe para as costas da defesa e à saída de Cavadas desviou o esférico do seu alcance, proporcionando assim um golo de belo efeito.
A vitória da selecção das quinas é completamente justa, a equipa evidenciou claras melhorias relativamente ao jogo em Alcochete, apresentou um futebol com maior qualidade, maior acutilância em termos ofensivos, e com mais segurança na recuperação e construção do seu jogo. É certo que há ainda muito trabalho para fazer, mas podem-se tirar ilações bastante positivas destes dois ensaios.
Os romenos não repetiram a exibição de terça-feira, estiveram bastante permeáveis no capítulo defensivo e no plano ofensivo foram praticamente inofensivos, salvando-se apenas alguns pormenores individuais quer de Vaduva, quer de Nastasie.
O árbitro João Capela realizou uma actuação segura, num jogo que foi fácil de dirigir.
Análise individual dos jogadores nacionais:
Cavadas - Seguro nas poucas vezes que foi chamado a intervir e sem culpa no golo sofrido.
João Amorim - O lateral direito nacional mostrou-se muito aguerrido a defender, anulou o extremo romeno, contudo, não participou muito nas tarefas ofensivas.
Miguel Serôdio - Forte no jogo aéreo, conseguiu inclusive um golo de cabeça, bom poder de antecipação, teve apenas uma falha na primeira parte.
Miguel Lourenço - Formou uma dupla segura com Miguel Serôdio, forte na marcação e boa capacidade física.
Luís Martins - Subiu um pouco mais que o seu colega João Amorim, mas destacou-se mais pela sua segurança defensiva.
Afonso Taira - O numero seis nacional, é sem dúvida um bom jogador, tem boa capacidade de passe, organiza bem o jogo, mas nesta partida perdeu muitas bolas e uma delas ia proporcionando um golo aos Romenos.
Luís Gustavo - Um dos melhores esta manhã em Mafra, boa qualidade de passe, muito móvel, facilidade no remate, boa visão de jogo, sem dúvida um jovem a ter em conta.
Amorim - O capitão da selecção só esteve meia parte em campo, mas foi o melhor jogador da turma lusitana. Muito possante fisicamente, boa capacidade técnica, lê muito bem o jogo, e efectua primorosos passes para golo.
Roberto - Desapareceu por vezes do jogo, mas nas vezes que esteve em acção não desiludiu. Muito rápido e uma óptima capacidade técnica valeram-lhe uma assistência para golo e um punhado de boas jogadas individuais.
João Beirão - O avançado nacional trabalhou muito, marcou um golo, movimentou-se muito bem, deu imenso trabalho à defensiva romena mas foi bastante perdulário na hora H.
Aliu Djaló - Faz coisas mágicas com a bola, tem pormenores de encher o olho, no entanto, esteve algo afastado do jogo na primeira parte, depois melhorou na segunda parte, esteve mais interventivo e acabou por apontar dois golos.
Ruben Pinto - Entrou ao intervalo para o lugar de Amorim, mostrou-se bastante lutador na recuperação de bola e muito seguro no passe.
Filipe Barros - o pequeno avançado do Porto é muito móvel e rápido, ainda apontou um golo mas foi anulado.
William Carvalho - Muito possante fisicamente, é difícil tirar-lhe a bola, deu maior segurança à construção de jogo de Portugal.
Tiago Ribeiro - Substituiu João Amorim, e esteve em destaque ao cortar um lance muito perigoso para a baliza de Cavadas.
André Dias - Pouco tempo em campo, mas mostrou boa segurança defensiva.
Flávio Moreno - O extremo do Padroense esteve 12 minutos em campo, mas mostrou bons pormenores e boa qualidade técnica.
Sérgio Marques - Pouco tempo em campo.
Telmo Castanheira - Muito lutador, mas o jogo já estava decidido e num ritmo mais lento.

Declarações:
Aliu Djaló:
"Acho que neste jogo estivemos menos nervoso, conseguimos jogar melhor e atingimos a vitória."
"Eu sou médio ofensivo, é a minha posição de origem, mas aqui jogo mais encostado à linha, o mister é que manda, e o que eu mais quero é jogar."
"Consegui marcar dois golos, foi muito bom para mim, e para a equipa também, e só com a ajuda dos meus colegas é que consegui. Dediquei o golo ao mister Edgar Borges por me ter dado a oportunidade de jogar."
"Eu estou no Chelsea, agora estou a jogar lá, é o meu clube e estou muito feliz com isso".
Edgar Borges:
"Faço uma avaliação ponderada deste estágio, não podemos ver só os jogos que fizemos, temos de avaliar o percurso destes miúdos, saber o que queremos em termos de futuro e definir bem os nossos objectivos a médio e curto prazo. Temos de preparar esta equipa para a fase de apuramento do Campeonato da Europa de Sub-17 que se vai realizar em Setembro, em Portugal. Em função de todos os pressupostos, acho que a equipa está a crescer, está a ganhar maior maturidade competitiva e evidencia resultados que nos agradam. Obviamente que às vezes aparecem alguns acidentes de percurso, a única derrota que temos foi contra a Espanha, e foi uma derrota bastante pesada, mas é normal, as pessoas têm que perceber que miúdos desta idade tem uma evolução num regime ondulatório, ou seja, conseguem coisas muito boas e depois coisas menos boas. E dentro destas condicionantes fiquei muito satisfeito com o que observei, a equipa mostrou maior maturidade, está mais entrosada, mas ainda temos muito trabalho para fazer, porque esta equipa está junta à pouco tempo. Temos pouco tempo de trabalho, não foi possível arranjar mais jogos e isso prejudica-nos principalmente contra adversários como a Espanha, pois é uma equipa madura, com mais ritmo competitivo e portanto tudo tem de ser ponderado.
Não podemos ver só por este jogo, temos que ver em termos gerais e por agora estou satisfeito.
"Esta equipa tem evidenciado coisas bastantes boas. No aspecto defensivo, temos sofrido poucos golos como se pode ver pelos jogos que fizemos, tirando o jogo com a Espanha que foi a mancha na nossa caminhada até agora. Dá-nos um indicador de que a equipa já mostra grande maturidade e qualidade defensiva. E o facto de no primeiro jogo termos marcado um golo e hoje já termos marcado quatro dá-nos alento e motivação para continuar, pois é bom dizer que para estes jogos já trabalhamos com algum ênfase os aspectos ofensivos. No início focámos mais as tarefas defensivas, temos de construir a equipa de trás para a frente, e vamos percorrendo os outros aspectos. Mas a prova é que o trabalho tem resultado, estamos no bom caminho e espero que estes miúdos sejam felizes no futuro".
"No primeiro jogo, principalmente na primeira parte, a Roménia foi superior, temos de ser justos, merecia ir para o intervalo a ganhar. Na segunda parte, a nossa equipa foi melhor, marcou um golo, podia ter marcado mais. Não fizemos uma exibição totalmente conseguida. Temos de admitir que na primeira parte a equipa não esteve bem e a Roménia foi nitidamente superior. Tudo isso nos dá alento, pois como disse, a avaliação tem de ser gradual, não pode ser só uma parte ou um jogo. Agora, vamos continuar a trabalhar, a partir de 1 de Julho esta selecção já será Sub-17, vamos participar nos jogos dos países de Língua Portuguesa que se vão disputar no Brasil, em Agosto temos o torneio Pepsi Internacional de Inglaterra, antes de atacar a fase de apuramento que é o nosso objectivo principal e em que estamos muito empenhados em vencer, como é óbvio."
"Todo este apoio é um incentivo para os jogadores e é comovente para mim como educador, pois inclusive, quando tocou o hino, ouviu-se os mais pequenos a cantar e acho que a iniciativa de chamar a juventude é uma excelente jornada de promoção do futebol e ajuda estes jovens jogadores a sentirem-se melhor e a procurarem fazer coisas interessantes."

Ruben Pinto:
"Acho que neste jogo a equipa esteve mais desinibida, mais liberta, já comunicamos mais, parecia que hoje estávamos mais entrosados."
"O primeiro jogo não me correu muito bem, mas hoje as coisas já me saíram melhor, mas penso que o importante é a atitude que os jogadores mostram e acho que a equipa está de parabéns."
"O público é quem nos ajuda mais, deu-nos muito ânimo e é muito importante para nós".
"Espero continuar a fazer parte das convocatórias, acho que tenho feito bem o meu trabalho, sei que muitos jogadores também aqui queriam estar e têm valor para isso, mas a mim só me resta trabalhar e lutar no futuro".
"Esta selecção tem muito valor, e acho que tendo em conta o pouco tempo que estamos juntos, já nos conhecemos bem e já mostramos algum entrosamento".
"Acho que a nossa selecção tem valor para ir muito alto no Campeonato da Europa, é isso que nós desejamos, e trabalhamos com esse intuito".
Texto: Miguel Belo.
Imagem: Academia de Talentos.
Tem que estar logado para poder comentar.
Caso ainda não tenha uma conta registe-se!