Santiago do Cacém 0 - 2 SL Benfica
União Sport Clube Santiago do Cacém (Seniores) Vs S.L. Benfica (Juniores).
Data: Domingo , 24 de Agosto de 2008.
Local: Campo Municipal Miróbriga - Santiago do Cacém.
U.S.C. Santiago do Cacém - Nuno Pinoia, João Couto, Carlos Augusto, Cadú, Filipe Silva, Pedro Cardita, Vitor Reis, Gonçalo Luís, Flávio, Marcelo e Paulo Romão.
Suplentes - Tiago Santos, Ricardo Coelho, Hugo Vilhena, Ivan, Rui Silva, Fábio Correia, Luís Pedro e Roger.
Treinador - Domingos Santos.
S.L. Benfica - Diogo Freire, Diogo Figueiras, Abel Pereira, Roderick Miranda, João Pereira, Leandro Pimenta, Coelho, Lassana Camará, Rui Ferreira, David Simão (Cap) e Billa.
Suplentes - Pedro Miranda (GR), João Job, Daniel Mozer, Diogo Coelho, Diogo Caramelo, Rui silva e Aurélio.
Treinador - João Alves.
Árbitro Principal - Ilídio Pereira (AF Setúbal).
Assistentes - Pedro Granite Evasile Patrick.
Marcadores: Leandro Pimenta (33' e 80').
Melhor em campo: Diogo Figueiras.
Crónica:
Cerca de cem pessoas deslocaram-se neste quente fim de tarde de Verão ao campo Municipal Miróbriga para assistirem ao jogo entre os seniores do União de Santiago do Cacém e os juniores do Sport Lisboa e Benfica, que pelo segundo ano consecutivo marcaram presença na apresentação do plantel principal da turma alentejana aos seus associados.
Foi realmente em clima de festa que os jogadores de ambas as equipas desfilaram um por um perante a entusiasmada assistência, mas se o ambiente festivo antevia um jogo morno abençoado pelo calor alentejano, mal o apito do arbitro soou para o início do mesmo, rapidamente se pode discernir que ninguém estava ali apenas para festejar fosse o que fosse, mas sim para ganhar aquele desafio.
Efectivamente, nem foi preciso esperar pela conclusão do primeiro minuto de jogo para que os "Delfins" encarnados conquistassem o seu primeiro canto pondo logo em sentido o último reduto alentejano.
Com um claro 4-4-2 losango, a turma de João Alves iniciou o desafio a todo o gás, imprimindo um grande ritmo de jogo consolidado quer por uma pressão constante sobre os jogadores da casa, bem como, por uma rápida e precisa circulação de bola assim que se apoderavam da mesma.
As constantes movimentações do trio ofensivo constituído por Coelho nas costas de Billa e de Rui Ferreira, abriam espaços na defesa dos da casa para as entradas do irrequieto Lassana Camará e de David Simão que nos primeiros dez minutos de jogo obrigaram o União a preocupar-se quase exclusivamente a correr atrás dos adversários.
Foi apenas aos 14 minutos de jogo que o União de Santiago do Cacém conseguiu sair categoricamente do seu meio campo, num raro lance de contra ataque bem definido que resultou no 1º canto a seu favor e que por pouco não resultou também no primeiro golo do jogo, em virtude duma falha de marcação dos encarnados que Cadú desperdiçou à frente do desamparado Diogo Freire enviando a bola por cima da baliza do Benfica.
Este lance serviu de certa forma como estimulo para os da casa, e a partir dos 15 minutos de jogo a bola passou a ser jogada mais frequentemente longe de ambas as áreas das duas formações, passando constantemente de uma para a outra em face de um maior equilíbrio de operações no sector intermediário.
Pouco a pouco, o jogo foi-se tornando mais viril, e os anfitriões como que perdendo a "vergonha", passaram a recorrer a meios mais viris para impedirem que o festival de técnica de Camará, Figueiras e companhia voltasse a aparecer no relvado natural do Campo Municipal de Santiago do Cacém, o que diga-se em abono da verdade, conseguiram até por volta dos 26 minutos altura essa em que Figueiras decidiu abrir o livro e através do flanco direito começou a desfazer a defesa dos da casa, com raides de pura energia e técnica, utilizando constantes triangulações quer com Billa, quer com David Simão e cruzando por várias vezes a preceito para o centro da defesa dos alentejanos dando origem a diversos cantos a favor dos encarnados.
Foi precisamente num destes cantos, à passagem dos 33 minutos que num pontapé de ressaca à entrada da área, o até então escondido Leandro Pimenta inaugura o marcador, beneficiando de um desvio da bola num defesa local, sorte essa que, diga-se a verdade, os meninos da Luz já mereciam em virtude da atitude dominadora que vinham demonstrando face aos seus adversários mais velhos.
Até ao intervalo os jogadores da casa nunca conseguiram encontrar meios eficazes de se soltarem da bem apertada malha construída por João Alves, e só não foram a perder por mais para o descanso, porque a turma da Luz decidiu gerir o esforço após a obtenção do seu tento, uma vez que nos últimos 10 minutos de jogo a formação alentejana acusava já um evidente desgaste físico e emocional proporcionado quer pelo desgastante calor alentejano, assim como, pela mais que evidente superioridade técnico-táctica dos prodigiosos jogadores do Benfica.
Na segunda parte, a turma da casa fez entrar os seus suplentes que vinham aquecendo ao longo do último quarto de hora da 1ª parte, ao contrário dos forasteiros que não fizeram qualquer alteração ao intervalo.
Talvez pela frescura com que se apresentaram em campo, os jogadores alentejanos conseguem fazer precisamente aquilo que tínhamos assistido no inicio do jogo, só que desta vez com os papeis invertidos, ou seja, grande pressão no meio campo encarnado, boas movimentações com bola o que obrigava a equipe de João Alves a retrair-se nas suas movimentações ofensivas, procurando sobretudo evitar qualquer calafrio para a baliza de Diogo Freire.
Este maior atrevimento começa a dar frutos a partir dos 5 minutos do 2º tempo, com dois cantos consecutivos a favor dos da casa, resolvidos com elegância pela defesa benfiquista que soube ir aguentando a avalanche de cruzamentos que se sucediam para sua área de acção.
João Alves acaba definitivamente com as duvidas, e assume claramente uma postura mais de contenção, recuando David Simão para uma posição mais defensiva juntamente com Leandro Pimenta, e abdicando de 2 pontas de lança, encostando Rui Ferreira à direita e Coelho descaído para a esquerda, deixando Billa solto no meio, procurando desta forma explorar em contra ataque o adiantamento dos alentejanos.
Não contente com as frequentes avalanches ofensivas dos laterais do União, João Alves efectua a sua 1ª substituição à passagem dos 10 minutos da 2ª parte, substituindo o já desgastado lateral esquerdo João Pereira por Diogo Coelho, que veio dar outra consistência defensiva àquele flanco. Diga-se de passagem, que 3 minutos após esta substituição, o Benfica ganha o seu 1º canto na 2ª parte após uma jogada de ataque rápido mal finalizada por Coelho.
A turma encarnada, qual predador à espreita do erro da sua presa, esperava agora no seu meio campo, as investidas da formação alentejana, e em 2 ou 3 passes procurava ganhar as costas do adversário, e é precisamente com este objectivo que a partir dos 25 minutos da 2ª parte, João Alves procura refrescar a sua equipa procedendo as seguintes substituições:
Camará dá lugar a Job aos 70 minutos da 2ª parte. Um minuto depois, Caramelo substitui o esgotado Rui Ferreira.
Com novos jogadores em campo, a bateria da turma da Luz como que se foi recarregando, e gradualmente os encarnados começaram a assumir o protagonismo das operações a meio do campo devolvendo o equilíbrio à partida.
Aos 76 minutos João Alves troca de Guarda Redes, e aos 78 é a vez de Rui Silva render o incansável Coelho.
À passagem dos 35 minutos do 2º tempo, e após boa jogada de envolvimento pelo lado esquerdo benfiquista, Leandro Pimenta decide dar um novo ar da sua graça, rematando a preceito e fazendo o 2º golo dos forasteiros que não quiseram ser os bombos desta festa.
Após o 0-2, João Alves procede a mais duas alterações na estrutura da sua equipe, fazendo entrar Aurélio e Mozer, para os lugares de Figueiras e David Simão respectivamente.
Até final ambas as equipes decidiram que já tinham jogado futebol suficiente e limitaram-se a gerir, uns, o desgaste, outros o resultado.
Em jeito de resumo, esta apresentação da equipa alentejana aos seus associados, serviu sobretudo para que os juniores do Benfica se confirmassem a quem os quis observar, como sérios candidatos ao título de campeões nacionais do seu escalão.
Análise Individual (S.L. Benfica):
Diogo Freire - Sem muito trabalho. Seguro nos cruzamentos.
Diogo Figueiras - O melhor em Campo. Um lateral dos modernos, que apesar de não ser propriamente encorpado, dificilmente se deixa ultrapassar e quando apoia o ataque é um verdadeiro quebra-cabeças. Foi ele que deu um "safanão" no jogo ainda no 1º tempo, que daria origem ao desfecho positivo com que terminou.
Abel Pereira - Um rochedo de segurança. Apenas uma falha de marcação ao longo de todo o jogo e que poderia ter resultado num golo sofrido, mas que nem por isso o transtornou e não o impediu de passear a sua classe no relvado.
Roderick Miranda - Jogando a central aquela imponente estatura bem perto do metro e noventa dá logo nas vistas. Imperial no jogo aéreo, não perdeu um lance pelo ar, limpando diversos cruzamentos na altura em que mais era necessário usar o seu corpo.
João Pereira - O elo mais fraco da defesa benfiquista. Não comprometeu mas pareceu estar em menores condições físicas que os seus companheiros de sector. Substituído na altura certa, quando já não podia dar mais nada à equipa.
Leandro Pimenta - Podia chamar-se Sebastião, pois aparece do nada no meio do nevoeiro e enche as tropas de alegria. Pés de veludo, não se ouvem em campo a não ser quando o veludo se transforma em pólvora e dos mesmos saem verdadeiros tiros de canhão. Jogador de equipa muito valioso nos dias que correm de tanto individualismo e egoismo.
Coelho - Corre pelo meio, corre pela esquerda, passa para o meio, passa para a esquerda e dura...dura...dura...dura... Faz lembrar umas certas pilhas alcalinas...
Lassana Camará - Pura magia negra naquele meio campo. Parece que enfeitiça os adversários com as suas fintas curtas e constantes mudanças de velocidade. Ora está aqui e já desaparece e aparece 3 ou 4 metros mais adiante. Um verdadeiro ilusionista da bola que perde fulgor com tanta reclamação que faz.
Rui Ferreira - Jogador móvel de técnica apurada. Ponta de lança que faz fluir jogo da equipa. A bola nunca se perde nos seus pés. Grande utilidade.
David Simão (Cap) - Julguei que nunca mais apareceria outro Carlos Manuel no Futebol quando este se retirou, mas enganei-me. Esse outro é o David Simão. Não que fisicamente se assemelhe ao herói de Estugarda, mas quem o vê liderar e pautar todo o jogo desta equipa, acaba inevitavelmente por se lembrar do antigo capitão do Benfica.
Billa - Mais rápido que Rui Ferreira, mas mais trapalhão também. Quando conseguir aliar à sua capacidade de execução, a mesma fluidez com que imagina os lances será certamente um dos maiores desequilibradores desta formação.
Pedro Miranda - Pouco trabalho teve para se emitir alguma opinião.
João Job - Entrou para refrescar o meio campo e conseguiu. Vinte minutos em velocidade de cruzeiro e com bons apontamentos técnicos.
Daniel Mozer - 9 minutos em campo sem comprometer.
Diogo Coelho - Lateral esquerdo ainda juvenil, que joga como um júnior. Trouxe estabilidade na hora certa.
Pedro Caramelo - Mais frescura numa altura em que era necessário. Cumpriu.
Rui Silva - Rendeu Coelho e não defraudou as expectativas.
Aurélio - Fez descansar o capitão.
Texto: José Palhinhas.
25.08.2008 14:57h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Juniores
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