Scott Sinclair (Chelsea FC)
A equipa de reservas do Chelsea é, hoje em dia, um autêntico mostruário de jovens e excitantes talentos. A par de um Manchester ou Barcelona, o clube de Londres tem um dos melhores sistemas de prospecção do Mundo, e é impressionante a regularidade com que vêm parar a Stamford Bridge jovens com talento e margem de progressão acima da média.
Já aqui falámos, recentemente, de Franco di Santo e Ben Sahar. Agora, chega a altura de falar de um jogador nascido e criado no futebol inglês e que, a par destes dois nomes, é uma das maiores esperanças dos adeptos blues para o futuro. Chama-se Scott Sinclair, e apesar dos seus apenas 19 anos, já vem sendo apontado como uma starlet da formação do Chelsea.
Curioso é, pois, perceber que não foi nas escolas do Chelsea que Sinclair deu os primeiros passos. O jogador, nascido a 25 de Março de 1989, iniciou a sua carreira no Bristol Rovers, da League One inglesa. Foi aí que, aos nove anos, este jovem talento nasceu para o futebol.
A sua afirmação foi invulgarmente precoce; o jogador tinha apenas quinze anos quando se estreou pela equipa principal do Bristol. O jogo era frente ao Leyton Orient, e o então iniciado de segundo ano (!) entrava a substituir Junior Agogo. Seria o primeiro de apenas dois jogos que o dianteiro faria com a camisola principal do seu clube. Isto porque, logo no final dessa época, o seu talento atrai a atenção do Chelsea, que lhe oferece um contrato de formação. Posteriormente, e após o caso ter sido resolvido em tribunal, o Bristol viria a receber o valor devido pelos direitos de formação do atleta. O clube da League One recebia assim 250 mil libras, com mais 750 mil de opção caso Sinclair fosse bem sucedido no Chelsea. Os blues teriam ainda de ceder ao Rovers 15% do valor da próxima transferência de Sinclair.
No entanto, o que interessava estava consumado: Scott Sinclair era jogador do Chelsea. A princípio, foi colocado na mesma equipa júnior onde militava Ben Sahar; em seguida, passou à equipa de reservas. No entanto, rapidamente seguiria o mesmo destino do seu colega Sahar, entrando na "roda" dos empréstimos.
O primeiro clube que o acolheu foi o Plymouth Argyle, do qual o jogador já era "velho conhecido": o treinador, Ian Holloway, vira Sinclair jogar com apenas dez anos, no Bristol. Já então ficara bem impressionado, e quando surgiu a oportunidade de o extremo passar um mês no seu clube, não hesitou. Sinclair acabaria por passar três meses no Plymouth (mais dois do que estava previsto). Neste período, actuou em 15 jogos e marcou quatro golos, nos quais mostrou toda a sua técnica individual.
Em Maio, Sinclair regressa ao Chelsea e tem mais uma oportunidade na equipa principal. O seu primeiro jogo é azarado, visto que o Chelsea empata a um e perde o título para o Manchester United. Sinclair actua apenas alguns minutos, no lugar de Wright-Phillips. No entanto, no jogo seguinte, o jovem faria parte do onze inicial dos blues, e logo frente ao arqui-rival United. Nesse jogo, Sinclair voltou a ter azar, lesionando-se com gravidade após um choque com Wes Brown. O extremo só voltaria à acção em Setembro de 2007, já depois de ter renovado com o Chelsea. No seu jogo de regresso, marca o seu primeiro golo pela formação londrina, na goleada ao Hull City (4-0). Ainda faria mais um jogo, de início, para a Carling Cup, antes de ser novamente emprestado. Na sua partida de "despedida", assiste Lampard para golo e envia uma bola ao poste.
Em Novembro, e após luta acesa entre vários clubes para conseguirem os seus préstimos, Sinclair assina pelo Queens Park Rangers, por empréstimo. Curiosamente, o seu colega das reservas do Chelsea, Ben Sahar, também ingressa neste clube nessa altura, embora tenha um percurso bastante mais azarado que o de Sinclair. O avançado realiza nove jogos e marca três golos, dando continuidade à sua impressionante veia goleadora. Após o fim do empréstimo, Ian Holloway tenta de novo obter o jogador por empréstimo, desta vez para o Leicester City. O Chelsea, no entanto, recusa, afirmando que o jogador apenas irá para um clube que esteja na luta pela subida à Premiership.
A solução encontrada é o Charlton Athletic, onde Sinclair ingressa em Fevereiro. No entanto, neste clube, o dianteiro não tem sorte, realizando apenas três jogos antes de regressar ao Chelsea. De imediato é enviado para o Crystal Palace, a quem já marcara dois golos ao serviço de Plymouth e QPR. Ingressa em Março e fica até ao final da época, realizando seis jogos e aumentando a sua marca pessoal com mais dois belos golos. Actualmente, não se sabe qual será o destino de Sinclair, mas é certo que o jogador tem revelado muito talento.
E é óbvio que esse talento também fez dele presença assídua nas selecções jovens inglesas. Ao todo, entre sub-17, sub-18 e sub-19, foram 14 exibições com a camisola britânica. O número de golos obtido é, como não podia deixar de ser, impressionante: três em cinco jogos pelos sub-17, mais três em quatro partidas pelos sub-18 e dois em cinco encontros pelos sub-19. De facto, um jogador com uma veia goleadora fora do comum. Vejamos onde o seu talento o leva esta época.
Características
Como já se percebeu, uma das especialidades de Scott Sinclair é marcar golos. No entanto, o avançado não se fica por aí. Detentor de uma técnica individual apurada, é um jogador muito móvel, autêntico "quebra-cabeças" para as defensivas adversárias. O facto de ser extremamente rápido, e exímio no controlo de bola em velocidade, não ajuda nada à tranquilidade dos adversários.
Apesar da veia goleadora, a posição deste jovem não é a de ponta-de-lança. Sinclair joga sobretudo a segundo avançado, trazendo jogo de trás com recurso à sua velocidade e drible estonteantes. O jogador tem também tendência a descair para as alas (sobretudo a esquerda), onde pode aplicar a sua técnica individual. No entanto, refira-se que Sinclair não é um jogador egoísta. Onde vê uma oportunidade de progredir em drible, aproveita-a; mas se esta não se propiciar, o jovem não tem pejo em passar a bola a um colega de equipa.
No entanto, o padrão típico de golo de Sinclair é como se segue: numa jogada corrida, o dianteiro traz a bola controlada desde o meio-campo, passa por um ou dois defesas e finaliza, normalmente em jeito. Depois, é só celebrar!
Em suma, um finalizador nato, mas que combina um faro de golo letal com uma técnica ainda mais mortífera e capacidade de jogar em equipa. Qualidades suficientes para criar uma estrela em potência.
Nome: Scott Andrew Sinclair.
Data de Nascimento: 25/03/1989 (19 anos).
Altura: 1,75m.
Peso: 64kg.
Posição: Segundo avançado.
Clube: Chelsea Football Club.
Texto: Pedro Benoliel.
11.08.2008 12:28h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
Jovens Promessas
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