SL Benfica 0 - 0 Atlético de Madrid
Sport Lisboa e Benfica 0 - 0 Club Atlético de Madrid.
(4-3 após g.p.)
Sport Lisboa e Benfica: 1 - Fábio Reis (12 - André Barata, int.); 2 - Tiago Ribeiro; 3 - Bakar Mirtskhulava; 4 - Vinícius Silva; 5 - André Dias; 15 - Edson Silva; 8 - Toni Sá (17 - Carlos Castro, 56'); 10 - Ruben Pinto (cap.); 7 - Tiago Romeira (6 - Paul Keita, 48'); 9- Nélson Cunha (11 - Ricardo Argente, 43') e 18 - Sancidino Silva.
Treinador: João Couto.
Club Atlético de Madrid: 1 - Hueto; 4 - Andrés; 5 - Propín (cap.); 7 - Sergio Marcos; 10 - Daniel Martín; 11 - Facundo (16 - Biendi, 44'); 12 - Titi (9 - Borja Tomás, int.); 14 - Alberto Torrero; 15 - Pablo Mesquita; 19 - Pacheco e 20 - Cidoncha.
Treinador: Antonio Rivas Martínez.
Árbitro: Élio Nascimento (AF Guarda).
Assistentes: Augusto Baptista e Alcides Fernandes (AF Guarda).
Disciplina: Cartão amarelo a Andrés (18'), Alberto Torrero (29'), Facundo (30'), Daniel Martín (46') e Propín (57'); a Ruben Pinto (14'), ) Paul Keita (50') e Edson Silva (53').
Melhores em campo: Tiago Romeira (Benfica) e Hueto (Atlético Madrid).
Crónica:
Não foi um bom jogo aquele que opôs o Benfica ao Atlético de Madrid, na partida de atribuição do 5º e 6º lugar do Torneio de Juniores da Guarda. As duas equipas mostraram-se moles, desinspiradas e pouco entusiasmantes, numa manhã que teve pouco futebol e muita "ronha".
O Benfica subiu ao terreno no seu habitual 4-3-3, mas desta vez com a particularidade de se transformar em 4-4-2 quando a equipa defendia. De facto, em lances como cantos ou livres, Nélson Cunha e Sancidino Silva ficavam na frente, para aproveitar qualquer bola aliviada e soltar o contra-ataque. No entanto, a sólida defesa do Atlético Madrid raramente permitiu veleidades ao ataque encarnado, e até mesmo Dino esteve muito longe do nível que apresentara no dia anterior. Em termos de alinhamento, destaque para o regresso à titularidade de Edson Silva e Nélson Cunha, e para o voto de confiança em Tiago Romeira, que fez o seu primeiro jogo a titular neste torneio.
Do lado do Atlético de Madrid, a equipa era quase a mesma que perdera com o Braga na sexta-feira: Hueto na baliza, depois quatro defesas, três médios, dois extremos e um ponta-de-lança (no caso Titi, tendo Borja - jogador que recentemente marcou cinco golos aos sub-16 portugueses - começado o jogo no banco). Uma táctica que encaixava bem na dos encarnados, e que poderia ter criado problemas caso a equipa espanhola tivesse estado mais inspirada.
Ascensão, apogeu...
Os primeiros dez minutos de jogo foram extraordinariamente pobres. Tirando uma ou outra arrancada de Dino e um livre perigoso de Alberto Torrero (boa exibição), não se viu rigorosamente nada de qualquer das equipas. No entanto, o lance individual de Dino, aos 14 minutos, veio lançar um jogo inteiramente novo, mas não muito melhor.
Nesta fase, foi o Benfica a estar mais perto do golo, através de dois lances de alto nível. Primeiro, aos 14' um "estouro" de Vinícius, de livre, tira uma grande defesa a Hueto, que espalma a bola por cima da trave. E aos 20', é um centro-remate pleno de intenção de Tiago Romeira que permite ao guardião madrileno voltar a brilhar, com aquela que provavelmente terá sido a defesa do dia. Ficava a sensação de que o Benfica se superiorizava aos adversário e que iria conseguir um golo a médio prazo.
No entanto, a inspiração não reinava. Estes dois lances foram o "apogeu" dos encarnados, que rapidamente voltaram a cair na pasmaceira. No entanto, o Atlético não aproveitou a desinspiração adversária, recaindo num jogo excessivamente faltoso (cinco amarelos!) e marcado pela previsibilidade. Apenas aos 25' houve um fogacho de inconformismo, numa arrancada de um jogador madrileno que só termina na área contrária. Fábio Reis opõe-se bem, mas tem muita sorte na recarga, que voa por cima de uma baliza escancarada. Aos 28', Nélson Cunha, em posição frontal, também atira por cima. Terminava aí uma primeira parte entediante, e esperava-se que a segunda parte ajudasse a trazer mais emoção.
...e queda.
No entanto, verificou-se precisamente o contrário: uma segunda parte pobre, quiçá mais do que a primeira. O Atlético continuava previsível, o Benfica estava lento, e os adeptos desinteressados, à excepção de uma pequena facção afecta aos madrilenos. Os ânimos exaltavam-se, e os cartões continuavam a saltar do bolso de Élio Nascimento com invulgar frequência.
O Benfica bem tentou mudar, lançando Ricardo Argente numa tentativa de criar desequilíbrios. No entanto, os encarnados continuavam sem ideias, e os ataques teimavam em não surgir. Quem aproveitava era agora o Atlético, que em dois lances viu o golo bastante próximo. Primeiro, uma defesa incompleta de André Barata (entrado ao intervalo) sobra para a boca da baliza, mas o avançado madrileno não é lesto a encostar. Depois, aos 55', nova recarga a defesa do guardião encarnado resulta num pontapé em moinho, ao lado da baliza.
Do lado do Benfica, as oportunidades escasseavam, e só com a entrada de Carlos Castro, a cinco minutos do fim, é que as coisas espevitaram um bocadinho. No tempo de que dispôs, o jovem médio-defensivo cheirou o golo por duas vezes: primeiro num livre salvo pelos esforços conjuntos de Hueto e do poste; depois, num "estouro" inconformado que o guardião espanhol amarra com facilidade. O resultado, no entanto, era um inevitável e merecidíssimo 0-0, o que significava que esta partida seria resolvida como várias outras neste torneio: da marca de grandes penalidades.
Controvérsia e glória
O desempate da marca dos onze metros foi tão pouco espectacular como a partida que o antecedeu, mas forneceu pelo menos um caso controverso. O primeiro penalty do Benfica - por Carlos Castro - foi defendido pelo inspirado Hueto mas...acabou por ser validado. Isto porque, após a defesa do guardião espanhol, a trajectória descendente da bola levou-a a transpôr a linha de baliza. Logo... golo do Benfica, e o empate a um no marcador. Na sequência, André Barata defendeu dois penalties, Sancidino Silva permitiu a defesa a Hueto, mas o Benfica emergiria vitorioso no balanço final.
Os encarnados obtiveram assim o 5º lugar da competição, talvez abaixo das suas expectativas, mas meritório tendo em conta que a equipa do Benfica era a única das presentes que alinhava com o plantel de Juvenis (sub17). De todo o modo, o Torneio da Guarda serviu como um bom teste para a época que se avizinha, e em que o Benfica já poderá contar com alguns jogadores ausentes nesta prova.
Avaliação individual (SL Benfica):
Fábio Reis - Bem aos 25', mas teve muita sorte na recarga. Aplicado.
Tiago Ribeiro - Algo intranquilo, teve alguns problemas a travar os alas madridistas, como ficou patente aos 25'.
Bakar Mirstkhulava - Excelente jogo de rins. Ganhou tudo pelo ar, e jogou com calma e serenidade.
Vinícius Silva - Mostrou o seu forte pontapé e arrancou uma defesa fantástica a Hueto. Inteligente nas acções defensivas, mostrou muita classe.
André Dias - Teve muitos problemas com o inspirado Alberto Torrero. Saiu incólume.
Edson Silva - Esteve discreto, mas não fica registo de qualquer erro em que tivesse sido protagonista.
Toni Sá - Autêntico "aspersor" a meio campo - a bola mal parou ali antes de ser "borrifada" para outras paragens.
Ruben Pinto - Tentou influenciar a equipa, mas esta não estava para aí virada..esteve sempre lá quando foi necessário distribuir jogo.
Tiago Romeira - O único que conseguiu despertar algum interesse, através de ofensivas inteligentes e inconformadas. Solidário, não se coibiu de jogar sozinho quando necessário.
Nélson Cunha - Lutou muito e teve algumas boas oportunidades, que não soube aproveitar. Perdida clamorosa aos 28', quando enviou a bola para a estratosfera em posição frontal.
Sancidino Silva - Muito, muito longe daquilo que sabe fazer. Surgiu a espaços, e arrancou exclamações de fãs esperançosos na bancada, mas não teve a influência que demonstrara na manhã de Sábado. Começa a verificar-se uma tendência para, sem Dino, não existir Benfica - e isso é perigoso. Desperdiçou um penalty, rematando de forma muito denunciada.
Ricardo Argente - Lançado na tentativa de desequilibrar, esteve sempre muito marcado e não conseguiu evidenciar-se.
André Barata - Alguns "frissons". Teve sorte em não sofrer golo em dois lances.
Paul Keita - Útil na cobertura defensiva.
Carlos Castro - Em cinco minutos, cheirou o golo duas vezes, em dois potentes remates. No penalty, teve muita sorte.
Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Academia de Talentos.
24.08.2008 17:26h | Ocultar ou Mostrar Comentários |
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