Sofrido mas merecido

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Seg., 01.02.2010

SOFRIDO MAS MERECIDO

Sport Lisboa e Benfica 3-1 Vitória de Guimarães


No Estádio da Luz em Lisboa Benfica e Vitória de Guimarães voltaram a defrontar-se esta época desta vez para a segunda volta do campeonato, as equipas de Jorge Jesus e Paulo Sérgio estão cada uma há sua dimensão a fazer um bom campeonato. Este foi o quarto encontro entre as duas equipas esta temporada.

A equipa do Benfica vinha de resultados bastante positivos, depois da goleada aplicada ao Marítimo para o campeonato o Benfica venceu em Vila do Conde o Rio Ave por 1-2 para a Taça da Liga garantido assim o acesso às meias finais da competição.

A equipa do Vitória chegava ao Estádio da Luz com resultados menos positivos, isto porque a equipa venceu apenas 1 dos últimos 6 jogos realizados nas várias competições, para o campeonato a equipa vinha de um empate em casa frente ao Vitória de Setúbal, para a Taça de Portugal derrota nos penaltis frente ao Rio Ave e derrota para a Carlsberg Cup frente ao Nacional por 1-0 na Madeira.

Em jogos em casa o Benfica é a par com o Braga o melhor da competição, a equipa de Jorge Jesus apenas empatou frente ao Marítimo logo no inicio da época contando por vitórias todos os outros jogos realizados na Liga Sagres em casa. Em termos de finalização a equipa é a melhor em termos gerais e em jogos em casa, no seu Estádio o Benfica já festejou 26 golos e sofreu 3. A equipa de Paulo Sérgio em 24 pontos possíveis fora de casa apenas conseguiu 11, só marcou 5 golos e sofreu 7.

Jorge Jesus apresentou no onze inicial Fábio Coentrão a defesa lateral esquerdo, Carlos Martins no meio campo descaído na ala direita na posição habitualmente ocupada por Ramires. De resto a equipa do Benfica foi a base apresentada ao longo da época. No banco destaque para Alan Kardec e Éder Luís, os reforços de Janeiro parecem ter já o seu espaço no plantel. Paulo Sérgio teve mais dificuldades em formar a equipa com as ausências de vários jogadores importantes, o técnico jogou com Moreno e Valdomiro como dupla de centrais e Leandro, outro central, jogou como defesa lateral esquerdo. O 4x2x3x1 dos vitorianos apostava na velocidade de Tiago Targino no ataque e na capacidade de decisão de Nuno Assis na definição dos lances e combinações com o homem mais avançado, Douglas.

O Benfica começou melhor o jogo, com mais caudal ofensivo e mais pressionante que o adversário, o Vitória por seu lado apostou numa defesa que colocasse em fora-de-jogo os atacantes do Benfica jogando em determinados momentos relativamente subida no terreno, com muitos jogadores atrás da linha da bola a tentar sair rápido em transições ofensivas.

O segredo do jogo esteve, como é habitual hoje em dia no futebol moderno, na qualidade das acções a nível do meio campo, o Benfica teve os seus homens em constantes movimentações jogando apoiado com a subida dos laterais e com tabelas e passes de ruptura no meio campo ofensivo enquanto que a nível defensivo raramente deu espaços ao adversário. Paulo Sérgio apostou no povoamento central, a equipa não tinha profundidade dos laterais e a dupla de pivots defensivos foi muito posicional devido às boas iniciativas quer de Pablo Aimar quer de Carlos Martins no ataque.

Aos 17 minutos nasce o golo do Benfica apontado por Aimar numa jogada em que Javier Saviola recua no terreno vindo tabelar com Pablo Aimar desposicionando Custódio e João Alves das suas marcações, ao tentar servir Oscar Cardozo o argentino ganhou o ressalto vindo do central Moreno e isolado perante Nilson não perdoou.

O colectivo continuou à procura do segundo golo, Aimar apareceu bem durante meia hora desequilibrando o jogo a favor da sua equipa com acções de um verdadeiro "mágico", e continuando a entender-se lindamente com Saviola.

À passagem da meia hora de jogo os visitantes restabeleceram a igualdade no jogo, uma transição rápida ainda em meio campo defensivo leva a bola até aos pés de Nuno Assis que aproveitou uma rara situação de espaço no lado direito da defesa encarnada, onde faltou Maxi Pereira, para meter a bola em profundidade para a corrida de um companheiro que não passou por Luisão temporizando até à chegada de João Alves no centro que conseguiu fazer passe de ruptura entre Angel Di Maria e Javi Garcia, Luisão algo desposicionado abriu muito espaço entre os centrais encarnados aproveitando Nuno Assis para entrar por esse espaço aparecendo à frente de Quim fazendo o 1-1.

No segundo tempo apareceu Carlos Martins em grande destaque, o médio do Benfica bisou na partida fazendo o 2-1 e 3-1 para o Benfica aos 50 e 60 minutos respectivamente. No primeiro golo o jogador aproveita uma insistência de Aimar pelo flanco direito que passou para a entrada da área onde Carlos Martins atirou rasteiro para o fundo da baliza, no segundo tento após passe de Oscar Cardozo e ainda longe do alvo Carlos Martins tentou a sua sorte e marcou um golaço. Aos 72 minutos Carlos Martins acabou por ser destaque pela negativa tendo sido expulso por mão na bola levando assim o segundo amarelo.

O jogo que até então tinha sido mais controlado pelo Benfica passou a sê-lo mas em termos diferentes, visto que a equipa recuou no terreno, juntou mais as suas linhas e adoptou uma postura mais de contra-ataque. O Vitória por seu lado apostou mais no ataque, com mais um homem em campo e já com Fábio Felício na partida, a equipa vimaranense obrigou os encarnados a correrem atrás da bola, criou situações de finalização com relativo perigo falhando só na hora de finalizar ora por mérito defensivo ora por demérito dos atacantes. O Benfica também mostrou capacidade de impôr velocidade e contra-atacar com menos homens tendo estado perto do golo num remate de Éder Luís (que entrou para o lugar de Saviola) à barra e com Oscar Cardozo minutos antes aparecer completamente isolado perante Nilson.

Um jogo complicado e de luta difícil de desbloquear por parte do Benfica que viu assim compensado o esforço da segunda parte alcançando assim os 3 pontos do jogo e igualando no primeiro lugar da Liga Sagres o SC Braga. A equipa de Jorge Jesus segue assim com 3 vitórias consecutivas para a Liga com 6 pontos de avanço para o FC Porto. Uma nota final para a equipa do Vitória que me pareceu uma equipa mais madura e mais equilibrada em campo, apesar dos 2 golos de diferença a equipa bateu-se bem frente ao Benfica e mostrou ter margem para evoluir um pouco mais.

 

Texto: Paulo Duarte (Treinador de Futebol).
Imagem: FRANCISCO LEONG/AFP/Getty Images.

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