Um verdadeiro candidato ao titulo

Share this
Seg., 01.02.2010

UM VERDADEIRO CANDIDATO AO TÍTULO

Sporting Clube de Braga 1-0 Sporting Clube de Portugal


O SC Braga recebeu em sua casa o jogo grande da 17ª Jornada ao defrontar o Sporting Clube de Portugal, equipas separadas por 12 pontos até ao inicio do jogo. Este jogo foi apitado por João Ferreira, colocava frente a frente o 1º e 4º classificados da tabela e para muitos o seu desfecho determinava as hipóteses do clube de Alvalade em chegar ao título e colocava à prova a capacidade do SC Braga em ser campeão.

Na primeira volta do campeonato estas mesmas equipas defrontaram-se em Alvalade, em casa do Sporting, e a equipa de Domingos Paciência levou a melhor numa vitória por 1-2, para a Taça da Liga a equipa de Carlos Carvalhal venceu para o Grupo B por 2-1. Na época passada os leões foram a Braga vencer com um golo de Hélder Postiga. Em relação aos últimos resultados na prova, o Braga vem de uma vitória em Coimbra frente à Académica por 0-2, enquanto que o Sporting recebeu e venceu o Nacional da Madeira por 3-2. Pelo meio houve Taça de Portugal e Taça da Liga, o Sporting venceu os seus jogos contra o Mafra e Trofense, o Braga venceu Freamunde para a Taça de Portugal e Leiria para a Taça da Liga.

A equipa da casa jogou praticamente na máxima força, Alberto Rodriguez jogou no lugar de André Leone no eixo da defesa, Filipe Oliveira continua a ser aposta na lateral direita, de resto o onze habitual. Nota para o reforço do banco minhoto, onde para além de Miguel Garcia, Adriano e Matheus, a equipa tem agora mais opções com as chegadas de Luís Aguiar e Renteria.

No Sporting, e em relação ao último jogo para a prova frente ao Nacional, Carlos Carvalhal apenas trocou Hélder Postiga pelo regresso de Liedson. Sinama-Pongolle foi opção no banco.

A equipa bracarense em casa demonstra ser uma equipa muito forte, em 9 jogos realizados só teve um empate frente a Naval, e só sofreu um golo, contra o Belenenses. O Sporting tem melhorado com Carlos Carvalhal e os resultados fora de portas também mas em 8 jogos realizados fora de Alvalade a equipa só venceu 3 marcando 9 golos e sofrendo 6.

Na primeira parte do jogo a equipa do Sporting iniciou bem a partida, com uma atitude positiva em querer mostrar serviço e a mostrar vontade de discutir o jogo. A equipa de Carlos Carvalhal ganhou mais vezes as chamadas segundas bolas durante esse período, a equipa chegou mais vezes à baliza do adversário conquistando alguns cantos e fazendo alguns remates sem levar muito perigo à baliza de Eduardo. João Pereira de regresso a Braga quis ajudar a sua nova equipa dando alguma profundidade com as suas subidas no terreno mas o defesa lateral português teve em Paulo César um adversário directo em noite inspirada.

A equipa da casa foi aos poucos equilibrando a partida chegando a partir dos 20 minutos de jogo mesmo a domina-la, encontrou mais espaços nos flancos com Meyong a ter um papel importante nesse aspecto fugindo várias vezes da zona de marcação dos centrais caindo para uma das faixas apoiando em tabelas rápidas e curtas Paulo César e Alan, tarefa que Márcio Mossoró também faz com grande qualidade tornando a equipa bracarense forte pelas alas e em movimentos de diagonal, e posicionalmente estável e sólido a nível central com Hugo Viana e Vandinho.

Aos 31 minutos de jogo, Paulo César num desses movimentos diagonais passou por Miguel Veloso e João Pereira e rematou, já dentro da área, para o fundo da baliza de Rui Patrício contando com o desvio que a bola teve em Tonel. O Sporting reagiu com os remates de CARLOS SALEIRO e a perdida de Liedson após falha monumental de Eduardo, mas só através de um remate de longe e de uma falha do adversário o Sporting conseguiu produzir essas acções, a equipa ainda tem dificuldades de construção e criação de situações de golo, especialmente nos jogos fora com a equipa a revelar-se curta em campo pois as subidas de João Pereira foram sendo cada vez menos frequentes ao longo da partida, Miguel Veloso jogou muito tempo descaído pela direita e João Moutinho teve dificuldades em ter espaços frente a Vandinho e Hugo Viana. Adrien Silva era inexistente em termos ofensivos. Faltou profundidade e largura em grande parte do jogo ao Sporting.

A maior eficácia da primeira metade de jogo revelada pelo Braga ia ser um bom indicador também para a segunda parte, isto porque a mesma expressão pode ser usada para caracterizar o trabalho e organização defensiva da equipa comandada por Domingos Paciência. Carvalhal mexeu cedo na segunda parte com as entradas de Yannick Djaló e Matías Fernandez para os lugares de Marat Izmailov e Adrien Silva, Miguel Veloso colocou-se em zonas mais centrais apoiando João Moutinho, o técnico leonino quis dar maior balanço ofensivo à equipa e de facto o seu bloco subiu mais em campo, pressionou mais alto mas era a equipa de Domingos quem dominava e controlava melhor o jogo, a cada investida do Sporting no ataque o Braga respondia com um lance de perigo, geralmente com o seu desenrolar pelos flancos e com o aparecimento de Hugo Viana e dos laterais alternadamente no ataque.

O Sporting afunilou muito o seu jogo pela zona central, deu muitas referências nessa zona ao adversário e não conseguiu soltar outras pedras, a posse de bola mais elevada e a circulação da mesma não se traduziram em verdadeiro fio de jogo. Domingos lançou no jogo Matheus e Luís Aguiar, e mais tarde Rentería, a equipa do Braga lançou uma teia a meio campo e foi aí que controlou o jogo. Nem a velocidade de Sinama-Pongolle que substituiu Saleiro fez perder a organização bracarense, e só mesmo num pressing final de Miguel Veloso com o remate de fora da área e Matías Fernandez de cabeça trouxeram perigo, e real, à baliza de Eduardo.

Apesar da tentativa de réplica por parte do Sporting, o SC Braga é um justo vencedor, não nos números globais da partida, não pelas oportunidades criadas de uma equipa em relação a outra porque se fosse por aí se calhar até perdia, mas pela consistência de jogo que a equipa demonstra seja frente à Académica seja frente ao Sporting, em casa ou fora, ou seja, com isto quero dizer que a equipa treinada por Domingos Paciência é uma verdadeira equipa, tem uma missão em campo e essa parece ser bem interpretada por todos os seus elementos, seguros e sólidos nos momentos de defesa, móveis, inteligentes e rápidos nas acções ofensivas, e agora junta-se a maior qualidade do plantel com mais soluções. A eficácia da equipa traduz o bom momento que esta atravessa e o bom modelo de jogo e respectiva interpretação por parte dos seus intervenientes que ela tem. A equipa aumentou a diferença pontual para o clube de Lisboa para 15 pontos, mantém o primeiro posto na prova e demonstra em campo, apesar de não o fazer em palavras, que é um candidato ao título.

Texto: Paulo Duarte (Treinador de Futebol).
Imagem: MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images.

Comentários

Submeter um novo comentário

CAPTCHA
Esta questão serve para identificar se é humano e para evitar envios automatizados spam.
2 + 2 =
Solucione esta simples equação e introduza o resultado. Ex. para 1+3 introduza 4.

Iniciar sessão