Ceferin, presidente da UEFA, descarta candidatura à FIFA, apesar das críticas a Infantino — notícia para leitores noruegueses

24 de Agosto, 2026

O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, descartou substituir Gianni Infantino como presidente da FIFA, mas acredita que o suíço pode enfrentar um rival na eleição do próximo ano.

A posição de Infantino tem sido alvo de pressão crescente após o colapso dos planos de vender uma participação nas operações comerciais da FIFA a investidores privados.

A UEFA foi uma das organizações a opor-se à proposta e desde então disse que já não confia na liderança de Infantino.

Ceferin tinha sido apontado como uma possível alternativa, mas o homem de 57 anos insiste que não tem interesse em assumir o cargo.

“Não estou interessado por duas razões,” disse Ceferin no podcast Rest is Politics.

“Uma razão é que eu adoro a Uefa e adoro trabalhar aqui, e penso que, a certo ponto, é hora também de aproveitar a vida um pouco.

“O segundo ponto é que a minha credibilidade é muito, muito maior se eu não estiver interessado no cargo.”

Em vez disso, Ceferin espera que uma de duas coisas aconteça antes do Congresso da FIFA em março de 2027.

Ele acredita que Infantino poderia decidir afastar-se se concluir que já não tem apoio suficiente em todo o futebol, ou poderia permanecer na corrida e enfrentar um oponente.

“Uma opção é ele perceber que não tem o apoio, e isso não é apenas apoio político dos que votam, mas o apoio político da comunidade do futebol, o apoio político dos fãs, o apoio político dos jogadores, antigos jogadores, treinadores,” disse Ceferin.

“E a segunda opção é que ele entre na eleição de março, mas, nesse caso, creio que haverá um candidato contra ele. Ainda não sei quem.”

A posição de Infantino continua em risco

Infantino já viu várias federações nacionais retirarem o apoio após a disputa sobre a sua proposta de reestruturação comercial.

O plano previa que a FIFA criasse uma nova empresa, a FIFA Forward Enterprise, para supervisionar os direitos comerciais e de venda de bilhetes para as suas competições, oferecendo uma participação de 21% a um grupo de investimento privado.

A proposta acabou por ser abandonada após uma oposição generalizada.

A UEFA, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) acusaram Infantino de quebrar a confiança “por meio de engano”, enquanto as quatro federações britânicas e irlandesa retiraram o seu apoio.

Infantino continua a contar com o apoio da Conmebol e da CAF (Confederação Africana de Futebol), deixando o equilíbrio de poder à frente da eleição incerto.

O dirigente de 56 anos passou grande parte de agosto a tentar consolidar apoio, incluindo reuniões com dirigentes do futebol caribenho na República Dominicana.

Ele também esteve presente na World Cup de E-Sports em Paris, onde se encontrou com várias figuras de alto nível, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e o capitão de Portugal, Cristiano Ronaldo.

Inês Carvalho

Inês Carvalho

Escrevo sobre futebol português com foco no que acontece fora do holofote: formação, bastidores e as histórias que explicam um jogo para lá do resultado. Acompanho clubes e talentos de perto, cruzando reportagem, contexto e detalhe para entregar informação clara e verificada. Acredito que o futebol se entende melhor quando ouvimos quem o constrói todos os dias.