Não tenho medo de Lionel Messi, diz Joan Laporta, candidato à presidência do Barcelona — para leitores noruegueses

12 de Março, 2026

Uma controvérsia sobre uma possível volta de Lionel Messi ao Barcelona ameaça ofuscar as eleições presidenciais deste fim de semana

Joan Laporta insiste que não teme que Lionel Messi atrapalhe a sua tentativa de reconquistar a presidência do Barcelona.

Laporta enfrenta Victor Font no domingo, mas a última semana de campanha foi perturbada por alegações de que ele abortou a ideia de trazer Messi de volta ao Camp Nou em 2023.

A acusação foi feita pelo então treinador do Barça, Xavi, numa entrevista ontem. Messi tinha acabado de vencer a Copa do Mundo com a Argentina e estava a explorar as suas opções, já que o contrato com o Paris Saint‑Germain expiraria nesse verão. Xavi diz que falou com o seu antigo colega e que havia um acordo verbal para Messi regressar ao clube, para o qual marcou um recorde de 672 golos antes de sair em 2021, com os gigantes catalães a enfrentarem dificuldades financeiras e não poderem mantê-lo.

O acordo estava quase concluído, mas, segundo Xavi, Laporta acabou por desligar o acordo e Messi acabou por seguir para o Inter Miami. Laporta sempre afirmou que foi Messi quem optou por não regressar ao Barça devido à pressão que isso criaria.

Questionado esta manhã se temia que Messi, ou o seu pai Jorge, confirmassem a história de Xavi nos próximos dias, Laporta disse à COPE: “Não, de forma nenhuma. Estou convencido de que ele [Jorge Messi] diria o mesmo que eu, porque a conversa foi o que foi, a menos que mudem as versões. Mas não creio que vão mudar as versões, porque com o Jorge sempre nos entendemos.”

“O que não queremos é desviar a atenção do que interessa aos culés, porque o presidente e o conselho de diretores vão ser eleitos, e neste contexto a contribuição de Xavi não significa absolutamente nada. Se ele me roubou algum voto, então as sondagens dirão.”


A disputa envolvendo Messi ofusca problemas reais do Barcelona, diz Laporta

A questão é uma distração indesejada para Laporta, que espera permanecer presidente e estender seu mandato, que já dura 12 anos em dois mandatos. 

Ele acrescentou: ”Não percebo o que Xavi diz. O Leo tinha de regressar ao Barcelona após o seu tempo no PSG; o Jorge Messi voltou para casa e disse-me que eles teriam melhor estar em Miami do que na Arábia Saudita ou em Barcelona, onde haveria muita pressão.”

“Esta [questão] está apenas a tentar distorcer as eleições. O que o Xavi diz não é verdade, mas está a ser usado por Font e não contribui para o debate eleitoral.”

Xavi foi despedido por Laporta em maio de 2024, quatro meses depois de o clube o ter persuadido a reconsiderar a decisão inicial de abandonar o clube no final dessa época.


Former Barcelona coach Xavi with Lionel Messi

Laporta mente sobre Messi, afirma Xavi

O ex‑médio espanhol foi questionado sobre Messi numa entrevista explosiva à La Vanguardia e disse: “O presidente está a mentir sobre o que aconteceu com Messi. O Leo foi contratado. Em janeiro de 2023, depois de ter vencido a Copa do Mundo, falei com ele e ele disse-me que estava entusiasmado em regressar.

“Nós falámos até março e eu disse-lhe: ‘Quando me deres o OK, direi ao presidente porque funciona perfeitamente a nível desportivo.’

“O presidente negociou o contrato com o pai do Leo [Jorge] e tínhamos a luz verde da La Liga financeiramente, mas foi o presidente quem recuou.”

“Disse-me literalmente que, se Messi voltasse, ele iria declarar guerra [contra o Laporta]. O meu interesse é dizer a verdade. O Leo não veio porque o presidente não o quis.”

“É mentira dizer que foi por a La Liga [não permitir financeiramente] ou que o Jorge Messi pediu mais dinheiro. Foi o presidente e a sua gente que disseram que não podiam permitir, que o Laporta tem todo o poder e que o Messi lidaria com isso mal.”

Inês Carvalho

Inês Carvalho

Escrevo sobre futebol português com foco no que acontece fora do holofote: formação, bastidores e as histórias que explicam um jogo para lá do resultado. Acompanho clubes e talentos de perto, cruzando reportagem, contexto e detalhe para entregar informação clara e verificada. Acredito que o futebol se entende melhor quando ouvimos quem o constrói todos os dias.