Claro que tinha de ser ele. Oito dias depois de alegações de que tinha sido alvo de abuso racial em Lisboa, Vinícius Júnior marcou o golo que pôs fim ao desafio do Benfica e levou o Real Madrid aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Com o alegado aggressor Gianluca Prestianni ausente devido a uma suspensão provisória da UEFA – o argentino nega veementemente qualquer irregularidade – o brasileiro ficou sem o confronto direto com o seu conterrâneo sul-americano.
Mas houve ainda uma tensão no encontro e, embora fosse uma noite bem longe de ser confortável para os 15‑vezes campeões, coube a Vinícius Júnior ter a palavra final. O seu remate sereno aos 81 minutos foi seguido pela dança à volta da bandeira de canto que desencadeou o tumulto no Estádio da Luz.
O treinador do Benfica, José Mourinho, não esteve presente para testemunhar, com relatos a sugerirem que optou por ver o jogo a partir do autocarro da equipa, em vez de nas bancadas, após ter sido banido da zona técnica devido ao cartão vermelho na semana passada.
Provavelmente ficaria impressionado com a exibição da sua equipa, ainda que tenha acabado por ser em vão.
Os adeptos do Real Madrid manifestaram o seu sentimento antes do jogo com uma grande faixa que dizia “não ao racismo”.
Dados os desentendimentos entre as equipas na semana passada, era de esperar que o Madrid entrasse a todo o vapor, mas, em vez disso, mostraram-se estranhamente passivos, permitindo que o Benfica tomasse o controlo desde cedo.
E isso foi recompensado aos 15 minutos. Richard Ríos lançou Vangelis Pavlidis pela direita e o seu cruzamento baixo desviou-se em direção ao golo, desviado para a baliza pelo defesa Raul Asencio, que mergulhou. Thibaut Courtois realizou a defesa, mas Rafa Silva empurrou o ressalto para o fundo da baliza.
A vantagem dos visitantes durou apenas dois minutos, pois Federico Valverde passou a bola a Aurélien Tchouaméni e ele rematou com uma curva brilhante para lá da baliza de Anatoliy Trubin, conquistando o seu primeiro golo na Liga dos Campeões.
O Benfica quase voltou a liderar aos 25 minutos, mas Pavlidis desviou, sem querer, o cruzamento de Fredrik Aursnes para Rafa Silva, que teria tido uma oportunidade junto à baliza.
Vinícius Júnior desperta para a ação
Vinícius Júnior tinha estado mais discreto até então, mas quase criou o segundo golo do Madrid com uma arrancada improvável e um cruzamento que Valverde desviou para Gonzalo García. O jovem ponta-de-lança, a substituir o lesionado Kylian Mbappé, falhou a finalização, mas Arda Güler seguiu o lance para marcar. Contudo, as celebrações ficaram aquém, com o fora-de-jogo assinalado.
Courtois fez uma defesa espetacular a remate de Ríos, enquanto o Benfica fechava a primeira parte com o domínio do jogo.
Valverde desperdiçou a oportunidade logo aos quatro minutos da segunda parte, antes de o central veterano do Benfica, Nicolás Otamendi, se atrapalhar com Vinícius e Tchouaméni, recebendo o primeiro cartão amarelo da noite.
Asencio logo igualou as contas com um lance tolo sobre Rafa Silva.
Rafa Silva, antigo avançado português, estava a revelar-se uma verdadeira dor de cabeça para a defesa madrilena e o seu remate aos 62 minutos tocou em Asencio antes de bater no ferro e cair para fora.
Vinícius Júnior tem a palavra final
O jogo entrou numa fase algo litigiosa — o Madrid relutante em arriscar muito e o Benfica a lutar por espaço no ataque — antes de Vinícius Júnior intervir aos nove minutos para o fim.
Valverde ganhou a bola no centro do campo e lançou o extremo pela esquerda. Chamou Trubin e empurrou a bola com frieza para o canto mais distante.
Álvaro Carreras fez um excelente trabalho ao afastar com um toque perigoso de um cruzamento, enquanto o Benfica ameaçava responder de imediato, mas os visitantes não conseguiram reunir energia nem garra para encontrar o empate e a equipa de Álvaro Arbeloa garantiu a passagem às oitavas de final num confronto frente ao Manchester City ou ao Sporting CP.